Direito Penal em Slide - parte geral 3
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Direito Penal em Slide - parte geral 3


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Direito Penal em Slide 
Parte Geral \u2013 2. Lei Penal no espaço 
Nessa semana iremos entender um pouco sobre a lei penal no espaço.
Primeiramente analisaremos o artigo 6º do Código Penal que dispõe:
Lugar do crime 
        Art. 6º - Considera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu a ação ou omissão, no todo ou em parte, bem como onde se produziu ou deveria produzir-se o resultado.
Lei Penal no espaço
Para o lugar o crime a doutrina menciona 3 tipos de teorias: 1 \u2013 Teoria da atividade; 2 \u2013 Teoria do resultado; 3 \u2013 Teoria da ubiquidade.
1 \u2013 Teoria da atividade: para a teoria da atividade considera-se o crime praticado no local da ação ou omissão. 
2 \u2013 Teoria do resultado: para a teoria do resultado considera-se praticado o crime no local da consumação ou do último ato da execução da tentativa. 
Lei Penal no espaço
3 \u2013 Teoria da ubiquidade: para a teoria da ubiquidade considera-se praticado o crime tanto no local da ação ou omissão quanto no local onde o ocorreu (consumação) ou deveria ocorrer (tentativa) o resultado. 
O código penal adotou em relação ao local do crime a teoria da UBIQUIDADE. 
OBS.: No que tange ao tempo do crime o código penal adotou a teoria da atividade. 
Lei Penal no espaço
Analisaremos agora o artigo 5º do Código Penal: 
Territorialidade
        Art. 5º - Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de convenções, tratados e regras de direito internacional, ao crime cometido no território nacional. 
        § 1º - Para os efeitos penais, consideram-se como extensão do território nacional as embarcações e aeronaves brasileiras, de natureza pública ou a serviço do governo brasileiro onde quer que se encontrem, bem como as aeronaves e as embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, que se achem, respectivamente, no espaço aéreo correspondente ou em alto-mar. 
        § 2º - É também aplicável a lei brasileira aos crimes praticados a bordo de aeronaves ou embarcações estrangeiras de propriedade privada, achando-se aquelas em pouso no território nacional ou em vôo no espaço aéreo correspondente, e estas em porto ou mar territorial do Brasil
Lei Penal no espaço
O artigo 5º ora referido trata do princípio da Territorialidade, pois considera-se praticado em território nacional os crimes descritos nos parágrafos 1º e 2º.
Lei Penal no espaço
O parágrafo primeiro menciona que: \u201cPara os efeitos penais, consideram-se como extensão do território nacional as embarcações e aeronaves brasileiras, de natureza pública ou a serviço do governo brasileiro onde quer que se encontrem, bem como as aeronaves e as embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, que se achem, respectivamente, no espaço aéreo correspondente ou em alto-mar\u201d.
Lei Penal no espaço
Vamos analisar cada hipótese:
1 - as embarcações e aeronaves brasileiras, de natureza pública ou a serviço do governo brasileiro. 
Nesse caso, em qualquer lugar onde elas estiverem será considerado território nacional. 
Ex.: O navio A de propriedade da Marinha do Brasil está no mar territorial da Argentina. B mata C dentro desse navio. Logo, considera-se praticado o crime em questão no território brasileiro. 
Lei Penal no espaço
2 - aeronaves e as embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade privada.
Nesse caso só será considerado território nacional se a embarcação estiver em alto mar ou a aeronave estiver sobrevoando o território nacional. 
Ex.: A aeronave B de propriedade privada de uma empresa aérea do Brasil está no espaço aéreo Japonês. C mata F dentro dessa aeronave, logo, o crime não será considerado cometido dentro do território nacional. 
Lei Penal no espaço
Analisaremos agora o §2º do Artigo 5º do Código Penal: É também aplicável a lei brasileira aos crimes praticados a bordo de aeronaves ou embarcações estrangeiras de propriedade privada, achando-se aquelas em pouso no território nacional ou em vôo no espaço aéreo correspondente, e estas em porto ou mar territorial do Brasil
Lei Penal no espaço
1 - aeronaves ou embarcações estrangeiras de propriedade privada:
Nesse caso, será considerado território nacional apenas se a aeronave estiver sobrevoando o Brasil ou a embarcação estrangeira estiver no mar territorial brasileiro.
Ex.: O navio A de propriedade privada de uma empresa Holandesa está no mar territorial brasileiro. B mata C dentro desse navio. Logo, considera-se praticado o crime em território brasileiro no caso em questão. 
Lei Penal no espaço
Iremos analisar a partir de agora o artigo 7º do Código Penal.
No artigo em questão há hipóteses de extraterritorialidade em que pode ser aplicado a lei brasileira para um crime praticado no estrangeiro.
Essa extraterritorialidade é dividida em incondicionada e condicionada. 
Primeiramente observaremos a extraterritorialidade incondicionada que está prevista no artigo 7º inciso I do Código Penal. 
Lei Penal no espaço
 Art. 7º - Ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometidos no estrangeiro:
        I - os crimes: 
        a) contra a vida ou a liberdade do Presidente da República; 
        b) contra o patrimônio ou a fé pública da União, do Distrito Federal, de Estado, de Território, de Município, de empresa pública, sociedade de economia mista, autarquia ou fundação instituída pelo Poder Público; 
        c) contra a administração pública, por quem está a seu serviço;         
d) de genocídio, quando o agente for brasileiro ou domiciliado no Brasil;
Lei Penal no espaço
Vamos as hipóteses: 
1 - contra a vida ou a liberdade do Presidente da República: esse exemplo resguarda a integridade do chefe da Nação. Ele abarca apenas os crimes contra a vida ou contra a liberdade, ou seja, se um indivíduo furta o Presidente do Brasil em uma viagem feita ao Canadá esse criminoso não incidirá na regra em questão, pois, o furto é crime contra o patrimônio. Aqui aplica-se o princípio da defesa real ou da proteção. 
Lei Penal no espaço
2 - contra o patrimônio ou a fé pública da União, do Distrito Federal, de Estado, de Território, de Município, de empresa pública, sociedade de economia mista, autarquia ou fundação instituída pelo Poder Público: Esse dispositivo protege não só os bens dos Entes Federativos como também a fé pública. Ex.: A aeronave da Presidência da República estava estacionada em um aeroporto Belga. O indivíduo A causa um dano contra a aeronave, logo ele fica sujeito à lei brasileira ainda que seja absolvido no país belga. 
Aqui aplica-se também o princípio da defesa real ou proteção.
Lei Penal no espaço
3 - contra a administração pública, por quem está a seu serviço: Nesse dispositivo a lei penal protege a administração pública seja ela federal, estadual, municipal ou distrital. Ex.: A servidor público federal, em uma viagem à Malásia a serviço do Brasil solicita vantagem indevida para deixar de praticar um ato de ofício. Nesse caso, ele se sujeitará a lei brasileira mesmo que o crime seja praticado no território estrangeiro. 
Aplica-se o princípio da defesa real ou proteção. 
Lei Penal no espaço
4 - de genocídio, quando o agente for brasileiro ou domiciliado no Brasil: Esse último exemplo de extraterritorialidade incondicionada tem por objetivo inibir a prática do genocídio. 
Ex.: Um brasileiro A pratica genocídio na África do Sul. Ele estará sujeito à lei brasileira. 
Um estrangeiro A com domicílio em Rio de Janeiro/RJ pratica um genocídio em Portugal. Ele estará sujeito à lei brasileira. 
Aqui aplica-se o princípio da justiça universal (quando o agente for estrangeiro domiciliado no Brasil) ou da personalidade ativa (quando o agente for brasileiro).
Lei Penal no espaço
Agora vamos as hipóteses de extraterritorialidade condicionada que estão previstas no artigo 7º inciso II do Código Penal:
 II - os crimes:
a) que, por tratado ou convenção, o Brasil se obrigou a reprimir; 
b) praticados por brasileiro; 
c) praticados em aeronaves ou embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, quando em território estrangeiro e aí não sejam