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Serviço Social na Justiça de Família - Capítulo 2

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i c~-~~~~-1-~--~·-······················ ···· ·········· ··· ·· ············· ·· 
··•···oesafios profissionais na 
elaborac;ao de estudo/perf cia 
social e de seus registros e na 
relac;ao entre perito/assistente 
tecnico na Justic;a de Famflia 
P ensar a atuar;ao do assistente social naJustir;a de Familia e um desafio de significativa envergadura. Cientes disso e do restrito acumulo de debate dessa tematica, nossa perspectiva e levantar pontos que 
instiguem os profissionais da area a examina-la com vistas a ultrapassar 
a imediaticidade, a generalizar;ao e a interpretar;ao dos litigios como algo 
pontual e "problema" daquele individuo ou familia. 
Partimos do entendimento de que a contribuir;ao do Servir;o Social 
para definir;oes judiciais que respeitem direitos de crianr;as e adolescentes e 
atentem para seu bem-estar, mesmo com a separar;ao dos pais, pode resul-
tar tanto do processo de realizar;ao da pericia social como de seu parecer 
final D il' d ' . · urante o processo, procedimentos comumente ut 1za os na penc1a 
social · d' · ' · ' como entrevistas individuais e conjuntas, nos espar;os JU 1C1ano e 
50 Dalva Azevedo de Go· . 15 • Rita c 
. S. Oliveira 
domiciliar, podem oportunizar reflexoes e dialogos come 
d
. . d. . . d . entre os env l 
vidos em 1sputas JU 1cta1s, o que po ena ser propicio para o -
a constru -
algum entendimento entre eles, em prol do bem-estar dos filhos. r;ao de 
d 
, . d . 1 d Quando d conclusao a penc1a e e seu reg1stro em au o, com O pert" a . inente Pare 
social, tem-se a oportumdade de ofertar analise fundamentada de as cer 
sociais da situac;ao objeto da lide, o que podera ampliar a pectos 
( ) 
.d d ( ) . d. . , . ( ) b compreensao 
da s auton a e s JU iciana s so re o assunto e dos suJ· eit 
os envolvid 
no processo judicial. 
0
s 
Contudo, para que uma pericia social assim se processe h, d 
. . , a e se ter 
clareza quanto ao papel do ass1stente social nessa atribuic;ao e 'fi 
. . . . , . , . , speer 1ca, 0 
que ex1ge delmear duetnzes et1co-poht1cas, teorico-metodolog· , 1cas e tec-
nico-operativas para sua realizac;ao. Considerando as questoes lev d anta as 
no capitulo I, em especial no que diz respeito ao insuficiente acumulo de 
produc;ao do Servic;o Social na Justic;a de Familia, indaga-se se O conjunto 
de assistentes sociais com atuac;ao nessa area tern investido na reflexao e na 
elaborac;ao de questoes preponderantes de seu exercicio profissional. 
Nossa experiencia e o dialogo com colegas dessa area apontam para a 
necessidade de constancia e de aprofundamento no debate dessas diretrizes, 
inclusive pela crescente complexidade das situac;oes que chegam as Varas 
de Familias. Vale ressaltar, tambem, a importancia de o assistente social 
contar com infraestrutura apropriada para a realizac;ao dos procedirnentos 
cornumente utilizados em uma pericia, que deve ser assegurada pela insti-
tuic;ao empregadora, de modo a garantir qualidade etica e tecnica, conforme 
disposto na Resoluc;ao CFESS n. 493/2006. 
2.1 0 estudo/perfcia social na Justi<;a de Famma 
. . . , . m diferentes 
Na hist6ria do Servic;o Social, os estudos socms Ja tivera 
. (2009). Para 
bases analiticas, conforme afirmam Favero (2014) e Mwto d 
. h. , · critica, base 0 
os fins deste texto, centramo-nos na perspectiva 1stonco-
,,.. 
. Justic;a de Famflia 
. 5oc1al no 
5erv1<;0 
51 
, . _ olitico da profissao e, em consequencia, de apreensao e analise 
. tO etICO p , . , . 
pr0Je _ ocial dos lit1g10s de fam1has. 
a dirnensao s , . . , . 
d 
O 
da Justic;a de Familia, o respe1to ao usuano-cidadao passa 
No espa<;: 
I 
·t ra da situac;ao por ele apresentada, tendo como foco a defesa 
urna er u . . . 
por . humanos e, dentre esses, espec1almente os soc1a1s, e o respeito 
direitos _ , . , 
doS ·d d das diferentes configurac;oes de fam1has e de outros nucleos 
cl' rs1 a e a ive . 1 Alem disso, a centralidade no social, que ea area para a qual •da soc1a. 
da Vl ostamente preparados para trabalhar, pode representar eficacia, 
estarnos sup . , . -
d vista tecmco e etico, em nossa atuac;ao. 
do ponto e . 
Nessa direc;:ao, cabe ao profiss1onal se perguntar: que expressoes da 
_ cial estao embutidas na lide posta pelo processo judicial em questao? 
questao so . . _ . . . 
d
. itos estao preservados e que dire1tos estao v10lados? A mvest1gac;ao 
Que ire 
, . rnetodol6gica sobre temas que tern emergido nas disputas entre ex-
teonco-
-conjuges faz parte de nosso cotidiano de trabalho? Na elaborac;ao de laudos, 
buscamos privilegiar a analise social da situac;ao em vez de sua descric;ao? 
Nossas analises guardam pertinencia com a especificidade do Servic;o Social? 
Se ha necessidade de descrever algo da situac;ao em analise, fazemos isso de 
forma a evitar a exposic;ao dos sujeitos e o acirramento do litigio? 
0 debate sobre estudo/pericia social, atribuic;ao privativa do/a assis-
tente social, conforme estabelecido no artigo 5° da Lei n. 8.662/ 199 3, esta 
consideravelmente subsidiado nas produc;oes de Favero (2013 e 2014), de 
Mioto (2009), de CFESS (2014), de Martins (2017) e de Fuziwara (prelo), 
restando aqui levantar alguns pontos para reflexao sobre sua especificidade 
no Judiciario. A Resoluc;ao CFESS n. 557 /2009, que dispoe sobre a emissao 
conjunta de pareceres, laudos, opinioes tecnicas entre o assistente social e 
outros profissionais, tambem alicerc;a esse debate, assim como o Comuni-
~ado CG n. 1.749/2017 (TJSP), que trata da prerrogativa de escolha dos 
10strumentos de avaliac;ao dos Setores Tecnicos. 
d 
As _produc;oes aqui referidas deixam claro ser indispensavel, em estu-
os/pencias s · · . 
ocia1s e seus reg1stros, analises sociais, devidamente funda-
mentadas, da realidade soc1·al d . . 1 .d - . d. . . d m d os SUJe1tos envo VI os nas ac;oes JU 1cia1s, e 
0 0 a contrib · u1r para o acesso, a promoc;ao e a defesa de seus direitos. 
52 Dalva Azevedo de Gois • Rita C 
· S. Olive· 
lrQ 
Nesse sentido, 0 conteudo deste texto visa a oferecer subsidios que 
0 . - d . . 1 p dern. 
contribuir para ahcerc;ar a atuac;ao o ass1stente socia naJustic;a de Fa,.,...,
1
. 
«d Ia 
Acrescente-se que, no ambito do Servic;o Social, o estudo/per' . · 
. . . - ic1a social 
tern como particulandade a mvest1gac;ao de express6es da quesc . 
. . . ao sacral 
Presentes nas situac;oes que const1tuem obJeto da d1sputa judicial . . para as 
quais esta voltado o trabalho do ass1stente social, cabendo ao profi . 1ss1ona] 
identifica-las e analisa-las fundamentadamente. Esse nos parece ser 
0 grande 
desafio de assistentes sociais, quando da realizac;ao de estudos/peri'c• 
1as so-
ciais ea analise de alguns aspectos pode contribuir para seu enfrentam 
' ento. 
A contextualizac;ao social da vivencia conjugal e a analise dos p 
actos 
estabelecidos para a organizac;ao familiar na vigencia da uniao conjugal, assim 
como da organizac;ao de vida p6s-separac;ao, podem favorecer a apreensao de 
possiveis reproduc;oes de desigualdades no ambito da ocupac;ao profi.ssionaI, 
de rendimentos, <las relac;oes de genero no casamento (assimetrias de poder 
na definic;ao de quest6es da vida familiar, como a administrac;ao de atividades 
domesticas e das relac;oes com o meio social), autoritarismo ou ate violencias 
nas relac;oes parentais, alem de outras associadas a questoes etnico-raciais. 
Nesse sentido, Favero (2013, p. 523) refere-se a importancia de uma 
"[ ... ] investigac;ao rigorosa da realidade social vivida pelos sujeitos e grupos 
sociais envolvidos nas ac;oes judiciais, desvelando a dimensao hist6rico-social 
que constr6i as situac;oes concretas atendidas no trabalho cotidiano". 
Espera-se que a analise dessas quest6es possa resultar em contribuic;ao, 
por meio de estudos/pericias sociais, para o acesso, a promoc;ao ea defesa de 
direitos dos sujeitos envolvidos na disputa judicial, em especial de crianc;as 
e adolescentes. Dentre esses direitos, esta o de convivencia social, que cons-
titui, em nossa perspectiva,

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