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Serviço Social na Justiça de Família - Capítulo 2

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sua finalidade no ambito da Justic;a de Familia. 
A convivencia social, enquanto processo sociorrelacional, da qual faz 
parte a convivencia familiar e comunitaria, transcende responsabilidades 
individuais e familiares por ser tambem de responsabilidade publica esta-
tal. Com efeito, a convivencia pode se constituir em espac;o de protec;ao e 
de reconhecimento, mas tambem de humilhac;ao, de desqualificac;ao e de 
. social no Justic;a de Fomflio 
5erv1c;o 
53 
balternizac;ao, conforme refere Torres (2013)1 • stt , . d . . Por tars razo . 
_0 ea anahse a conVIvencia social da f; ,1
. es, a rnvesti-
ga<;a . . s am1 1as em liti i 
rte dos profiss1ona1s1 apropriac;ao de conteud d . g os requer, por pa os as d1mensoe t , · 
dol6gica e etico-politica que possam iluminar a - s eonco-me-
to . . , apreensao dessas questoes 
A responsab1hdade publica estatal relativa a . . . · 
1, • 'b . conVIvencia social esta aldada nas po ltlcas pu hcas, entre elas a p l't' N . 
resp . o i ica ac1onal de Assisten-
. Social - PNAS, que se const1tui em politica d S . 
c1a e egundade Social nao 
contributiva, e tern como um de seus objetivos a protec;ao social de familias, 
. dividuos e grupos que dela necessitarem. Os servi" d _ . 
in . .,.os a protec;ao social 
·sam a garantir a seguranc;a de Sobrevivencia de Co , . d 
VI 1 IlVlVIo e e Acolhida. 
A Seguranc;a de Convivio, de acordo com a PNAS (2004) _ . _ , pressupoe a 
na-0 aceitac;ao de s1tuac;oes de reclusao e de perda <las rel - 1 ac;oes e ressa ta na 
Perspectiva do direito ao convivio, as interac;oes multicultura· . ' . 1s, gerac1ona1s, 
territoriais, entre outras. Acrescentamos aqui as intera"o-es r 1· • .,. e 1g1osas e ra-
ciais, que tambem sao significativas quando se trata de convivencia social. 
E possivel que, nos litigios de familias, para alem das desigualdades 
socioecon6micas e de genero, as quais resultam, geralmente, em desi-
gualdade de poder, estejam condensadas muitas dessas outras questoes, 
independentemente da camada social a que pertenc;a a familia. Aspectos 
relativos a interac;6es multiculturais, geracionais, territoriais, religiosas e 
raciais que, por vezes, geram desagregac;ao entre as familias, nem sempre 
se expressam claramente e, por isso mesmo, requerem dos profissionais 
cuidadosa investigac;ao, de modo a preservar ou a restabelecer o direito de 
crianc;as e adolescentes a convivencia social, quer nos dois ramos parentais, 
quer em seus territ6rios de vivencia anteriores a separac;ao dos pais, ou seu 
afastamento em caso de situac;oes cujo convivio constitua risco. 
Estamos, assim, nos movimentando no terreno <las expressoes da 
questao social, conforme definic;ao constante no item 1.2 do Capitulo I, cujo 
1. Sobre convivencia social, ver tambem O Caderno do MDS "Concepc;ao de Convivencia 
e Fortalecim , . • 
. ento de Vinculos", disponivel em: http://www.mds.gov.br/webarqu1vos/publlcacao/ 
assistencia s . . 
- ocial/Codernos/concepcao_fortalecimento_vinculos.pdf. Acesso em: 04 JUI. 2018. 
54 Dalva Azevedo de Gois • Rita C 
· S. Olivo· 
"'ra 
rebatimento no ambito familiar acarreta restri<;ao de muitos d ' . 
. . . ireitos. E 
relac;:ao a cnan<;as e adolescentes tern, h1stoncamente, resultado em . rn 
, . d' dis tan ciamento cerceamento e ate mesmo 1mpe 1mento do convivio . -
, . . - , . social deia 
com os do1s ramos parenta1s. Isso e expresso, mmtas vezes por s 
, l . . d ' um dos Pais 
ou por outra pessoa responsave , persistm o em afastar O outr . ' 0 genitor d 
contato direto e frequente com o filho. Embora isso tenha oc .d 0 
. . . orn o desde 
sempre na atuahdade, existe uma nova leitura em curso impul . 
, , sionada po 
uma parcela de pessoas, talvez mais comumente de camadas soc· . , . r 
iais media 
mas tambem de camadas populares, que busca a manutenc;:ao d s, 
. . , . , e um con-
vivio paterno-fihal ma.is proximo, no pos-separac;:ao conjugal 1 , . . . sso talvez 
seja reflexo de uma possivel mudanc;:a sobre idea1s relativos a pare t 
1
.d 
n a i ade 
conforme consta do capitulo IV. ' 
Retomando aspectos que dizem respeito a condic;:oes para realizac;ao de 
estudo/pericia social, em especial no TJSP, o Comunicado CG n. 1.749/
2017 
recomenda aos juizes que facultem aos assistentes sociais "a prerrogativa de 
escolha dos instrumentos de avalia<;ao (analise de documenta<;ao, observac;ao, 
entrevista, visita domiciliar, entre outros)". Em tese, esse comunicado seria 
desnecessario, tendo em vista que essa garantia esta prevista no artigo 20 do 
Codigo de Etica do/a Assistente Social. Contudo, a excessiva hierarquiza-
<;ao do Foder Judiciario abre espa<;o para a nao preserva<;ao da autonomia 
profissional, resultando em comunicados de teor dessa natureza. 
Nessa discussao sobre instrumentais do Servi<;o Social, o que nos 
parece merecer reflexao e a forma como os profissionais os manejam na 
realizac;ao de estudos/pericias sociais. A entrevista, por exemplo, constitui 
um processo de dialogo? A entrevista no domicilio tem privilegiado a 
compreensao da ambiencia familiar e do territ6rio de vivencia das familias 
d . - . 1 . d o a servic;:os derivados e suas me ia<;oes nesse espa<;o, me um o o acess 
d I, . . . ., A . . de convivio de crian~as as po ltlcas sociaisr v1sita a outros espa<;os 
. . I , . .. t oportunizado a e adolescentes SUJe1tos de estudos penc1as s0C1a1s em 
c c T ;i Esses aspectos 
apreensao da convivencia social para alem da es,era 1am1 iar. 
. . de forma clara, 
sao registrados e analisados em relat6rios e laudos soCiais 
coerente e consistente? 
. social no Justi<;a de Famflia 
5erv1~0 
55 
para alem do laudo resultante de estudo/perici . 
1 
. 
, . . a socia , CUJO teor deve ser 
d minantemente anaht1co e finahzar com um p . pre o . arecer social da situac;:ao 
inada, ex1stem certas demandas na J ustic;a de Fam ,1., . exam . 1 1a que podenam ser 
·das por um parecer social. 
supn 
Sobre isso, Favero (2014, p. 58) afirma que: 
0 parecer social diz respeito a esclarecimentos e analises c b , om ase em conhe-
cimento espedfico do Servic;:o Social, a uma questao ou quest- 1 . oes re ac1onadas 
a decis6es a serem tomadas. Trata-se de exposic;:ao e man1·rest - . • • 11 ac;ao sucmta, 
enfocando-se ob1et1vamente a questao ou situac;ao analisada e os b. . 
o Jet1vos 
do trabalho solicitado e apresentado; a analise da situac;ao, referenciada em 
fundamentos te6ricos, eticos e tecnicos, inerentes ao Servic;o Social_ por-
tanto com base em estudo rigoroso e fundamentado - e uma finalizac;ao, de 
carater conclusivo ou indicativo. 
O dialogo em espa<;os coletivos de profissionais atuantes em Varas de 
Familias e tambem com colegas no cotidiano de trabalho tern nos indicado 
que, por vezes, o Servi<;o Social recebe demandas que requerem um parecer 
sobre o assunto, devidamente fundamentado em produ<;oes da profissao 
sobre a questao, mas nao exigem, necessariamente, a realiza<;ao de uma 
pericia ou a apresenta<;ao de um laudo social. Nessa dire<;ao, Ferreira (2018) 
refere-se a oferta de parecer nas situa<;oes de retifica<;ao do registro civil para 
pessoas transexuais e travestis. 0 autor cita que um grupo de profissionais 
do Servic;o Social e de outras areas do saber, com experiencia em Porto 
Alegre nos proc · d ' . . I 
' essos JU 1cia1s re ativos a essas situa<;oes, propos o uso de 
parecer em vez de laudo. 
Em relarao a . l M . 
. .,. parecer socia, ore1ra e Alvarenga (2014, p. 102), ao 
reflettrem b . 
'b . so re O tema a part1r de experiencia na politica previdenciaria 
pu hca, afirmam 
. que o parecer social deve estar fundamentado em estudo 
social da situa<;ao fi . . " . ·- . 
refi .d . em oco e expnm1r [ ... ] a opm1ao profiss1onal sobre a 
en a s1tuac;:ao . . . . . . 
do em consonancia com o obJet1vo que gerou a sohc1ta<;ao 
parecer social" 
56 Dolvo Azevedo de Go·is R· • 1ta c · S 01· . iveiro 
Os posicionamentos dos autores relacionados nessa disc _ 
. - ussao leva 
ao entend1mento de que, para elabora<;ao de um parecer

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