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Fundamentos da Homeopatia

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os medicamentos 
comuns em pequenas doses, e (3) e os médicos que ajustam sua doutrina aos desejos do paciente. Ele 
continua: “ justiça seja feita . .. para a primeira classe ou os verdadeiros homeopatas 
Hahnemannianos, deve ser observado que eles absolutamente desconhecem as últimas classes, e não 
se sentem de forma alguma responsáveis por quaisquer de suas ações...”(6) 
Hering escreveu em 1873 que os “baixas” eram compostos pelos médicos que vieram para 
homeopatia como o resultado da epidemia da cólera entre os anos de 1830 e 1840 e que eles 
formaram a maioria por quarenta anos. 
Assim, no início, o problema era posto em traçar uma linha entre os homeopatas genuínos e os que 
fingiam ser. Deve ser relembrado que isso era a razão essencial para os criadores do Instituto 
Americano de Homeopatia. Seus primeiros membros eram em sua maior parte Hahnemaniannos 
puros que queriam que o Instituto fosse aberto somente aos médicos que praticavam ou se esforçavam 
em praticar a homeopatia Hahnemanianna. Mas isso não resolveu o problema e em 1852 encontramos 
um jornal purista escrevendo: 
Esta prestes a chegar o tempo em que será absolutamente necessário ser traçada uma linha de 
distinção entre os que praticam em todos os casos a homeopatia pura e os que não o fazem . Em nossa 
humilde opinião isso não pode ser mais pernicioso para os homeopatas genuínos misturarem-se 
publicamente aos que não o são. Não podemos aceitar nem com discrição, nem com sensatez, nem 
com honestidade, nós os que depois de uma madura reflexão e experiência, estamos convencidos que 
a doutrina e a prática de Hahnemann são verdadeiras, qualquer forma de misticismo e o ecletismo, 
que são alopáticos ... homeopatas puros devem ser cuidadosos para não colocarem-se em tais relações 
que iriam para ao público, endossar místicos, ecléticos e alopatas como genuinos médicos 
homeopatas 
Como Hering apontou, os “baixas” tem sido a maioria desde o início e a proporção dos “altas” no 
movimento era muito pequena. Hahneman afirmou no final de sua vida que, embora milhares 
consideravam-se seus seguidores, ele concordava em reconhecer como tal menos do que poderia ser 
contado nos dedos de suas mãos . Quando os “altas” formaram a Associação Internacional 
Hahnemaniana em 1880, eles puderam reunir somente 70 a 80 membros num período em que existia 
de oito a dez mil médicos nos EUA que se denominavam “homeopatas”. Mas o valor moral dos 
“altas” contrabalançava seu pequeno número, já que eles incluíam todos as figuras líderes da 
profissão, desde os imigrantes germânicos que sempre formaram a coluna vertebral do 
“Hahnemanismo” em seu país até os americanos como Caroll Dunham, Timothy Field Allen e James 
Tyler Kent, que foram líderes das últimas gerações de médicos. (12) 
Durante a última metade do século os “altas” e os “baixas” levaram adiante uma discussão cuja 
estrutura era idêntica a que havia entre homeopatas e os alopatas. A divisão no movimento 
homeopático assim ilustra a perene oposição entre os métodos terapêuticos que seguem o pensamento 
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Empírico e os que seguem o pensar Racionalista , com os “altas” aceitando e aplicando as assertivas 
Empíricas e os “baixas” indo em direção aos postulados do Racionalismo. 
Diluições Ultramoleculares 
Como mencionamos, a discussão era simbolizada pela disputa sobre as diluições ultramoleculares. 
Os “altas” sustentando que o remédio altamente diluído contém o “animus”, o poder interior de uma 
droga que é um princípio eficiente, imaterial ; em outras palavras, uma essência de poder da qual a 
droga visível constitui o corpo, o substrato material ...” e que o processo de diluição, trituração e 
sucussão acentuam a força do medicamento. Para o argumento de que a ciência não tem explicações 
para o suposto poder das altas diluições, os “altas” replicavam que a ciência ainda não é perfeita e 
que pesquisas futuras poderiam provar suas posições. Por enquanto, eles asseguravam que a 
evidência clínica de eficácia era muito evidente para ser negada. 
Os “baixas” entretanto negavam a teoria da dinamização como “uma criação fantasiosa de 
Hahneman ... uma forma de espiritismo médico que é infundado na teoria e muito prejudicial ao 
interesse da verdadeira homeopatia ... o reconhecimento e defesa da falsa teoria da dinamização 
deveria cessar – pois isto seria a materialização do erro”. Eles negavam que a experiência clínica 
pudesse oferecer qualquer evidência da eficácia dessas diluições: “Nenhum dos casos publicados em 
jornais de pessoas curadas com qualquer alta diluição fornecia evidencia satisfatória , por menor que 
fosse de que há poder medicinal em diluições acima da trigésima decimal “ (17). De qualquer modo 
eles afirmavam que a experiência clínica não é confiavel . Alguém citou William Cullen : “Sem 
princípios deduzidos a partir de razões analíticas, a experiência é um guia cego e inútil ”. O médico 
não deve somente saber que certos remédios curam certas doenças, ele deve saber também o porquê. 
“Os “baixas” propunham vários outros pontos de corte além dos quais os medicamentos não 
poderiam ser diluídos : a trigésima decimal , a décima centesimal , a décima nona centesimal ,etc,(20) 
Eles cobravam dos “altas” nunca terem publicado suas falhas e afirmavam que quaisquer 
recuperação ou era espontânea ou devido ao poder da sugestão. (21) 
Como os alopatas argumentavam contra os homeopatas então os “baixas” agora argumentam 
contra os “altas” que o post hoc não constitui um propter hoc. 
Entre as duas facções estavam uns poucos que sentiam que o discussão não tinha fundamento, e 
que a dose deveria ser deixada a critério do médico.(23) Por que os homeopatas discutem sobres as 
dosagens ? Parece-me que estas perguntas são respondidas ao serem feitas e elas é que dividiram 
nossa escola e impediram a sua posição e influencia entre os homens. A questão mais discutida pelos 
homeopatas durante o século passado é “O que constitui um médico homeopata?” (24) Adotou –se o 
argumento alopático de 1840 – que as diferenças de pontos de vista sobre dosagens poderiam 
desaparecer se a educação melhorasse: 
A única causa que explicaria satisfatoriamente as nossas diferenças e nossas divisões de opiniões 
seria uma formação médica deficiente. Eu acredito que uma convicção inteligente sobre o valor e 
uma apreciação justa da importância dos princípios que regem nosso sistema e a adoção prática da 
sua lei terapêutica podem nos levar acima de todos projetos partidários ... Educar a nós mesmos é 
então nosso dever ... (25) 
Um homeopata observou em um encontro de uma associação médica : “Essa discussão parece 
bastante inútil . Nós temos discutido esse problema todos os anos durante os últimos 24 anos e não 
podemos concordar mais que dois homens que são psicologicamente semelhantes”. (26) (????nota do 
tradutor) 
A disputa sobre as três leis de Hahneman 
Posição dos “Altas” 
À primeira vista , essa visão de meio termo parece razoável . Tolerância mútua e tempo, 
auxiliados pela melhora da educação médica, supostamente resolveria diferenças de opinião sobre a 
potência dos remédios. Mas os defensores dessa visão estavam tão equivocados quanto os que em 
1840, esperavam resolver as diferenças entre alopatas e homeopatas dessa mesma maneira. Para a 
discussão sobre a diferença entre um centésimo de um grão de medicamento e um decilionésimo de 
uma grão, que divertia os alopatas , na verdade ocultava uma questão muito mais ampla – se a 
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homeopatia era para ser praticada em conformidade com as leis de Hahneman ou era para ser deixada 
à preferência idiossincrásica de cada médico individual: 
O racha nas fileiras homeopáticas não está na questão de potência, mas na questão de 
conformidade com a lei – a lei que diz que , se nós iremos curar o doente com drogas, então 
deveríamos usar a substância que produz em pessoas com boa saúde, os sintomas mais semelhantes

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