A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
920 pág.
Fundamentos da Homeopatia

Pré-visualização | Página 18 de 50

aos que existem no caso a ser curado... o sucesso em curar só pode ocorrer através da obediência a 
lei. (27) 
Neste caso em particular era a lei de Hahneman da “dose mínima” que estava em questão, com os 
“baixas” assumindo um conceito que não está de forma alguma de acordo com a própria visão de 
Hahneman.(f). O que é mais interessante entretanto é que os “baixas” seguiram rejeitando outras duas 
regras básicas de Hahneman : (1) a prescrição de um remédio com base em uma rígida semelhança 
aos sintomas do paciente, e (20 ) o remédio único. A discussão sobre potências somente simbolizava 
um desacordo mais fundamental. 
A disputa sobre a regra de Hahneman, que os medicamentos deveriam ser prescritos de acordo 
com a lei de similares , levantou o problema médico permanente da importância relativa dos sintomas 
e das indicações patológicas, o significado da “entidade doença”, dos sintomas “significativos “, etc. 
Os “baixas” estavam se empenhando em trazer a patologia para a homeopatia como base para a 
seleção de remédios, enquanto os “altas” sustentavam que, apesar do papel inquestionável da 
patologia em medicina, ela não era para serusada como base para a seleção dos remédios. 
Na visão deles , a única base adequada para seleção do remédio era o quadro completo – sintoma-
síndrome do paciente – que teria que assemelhar-se à sintomatologia do remédio. Hering escreveu: 
Aqui nós tínhamos o doente sofrendo e ali havia uma coleção de sintomas ... e estando convencido 
que se pudéssemos achar o remédio correto o paciente se recuperaria ... daríamos o melhor de nós 
para encontrar o mais semelhante entre todas as nossas drogas, o único que poderia curar ..(28). 
A posição dos “altas” era que os sintomas são a principal fonte de informações sobre o paciente: 
“o conhecimento dos sintomas é todo o conhecimento que ele ou eles têm do objetivo apropriado do 
tratamento.” (29) Isso não significa alguns ou poucos sintomas, mas sim todos eles. (30) E não só os 
sintomas comumente encontrados associados com o tipo ou categoria de doença em particular ; o 
verdadeiro guia dos sintomas eram aqueles não comumente encontrados no tipo de doença particular 
mas os presentes em um determinado caso, desde que eles fossem os sintomas que diferenciassem 
esse caso de todos os outros casos similares – os que revelam a individualidade dos pacientes : 
Aquele que cura verdadeiramente ... anota acuradamente todos os outros sintomas estranhos 
pertencentes àquele doente individualmente e não à doença, e esses sintomas ... são os sintomas- guia 
, determinantes e têm um valor positivamente maior para a seleção do medicamento semelhante e 
portanto curativo, do que os assim chamados sintomas absolutos .(31) 
Embora muitas doenças sejam semelhantes em alguns aspectos , como por exemplo , febres , não 
há duas exatamente iguais de fato . Diferenças muito leves , servem muitas vezes para diferenciar 
uma da outra . Uma mesma doença difere em diferentes indivíduos e mesmo em uma mesma pessoa 
em vezes diferentes. Isto é verdadeiro para a maioria das doenças ...(32) 
Isso explica a importância dos sintomas mentais, bem como dos chamados sintomas “subjetivos” 
– especialmente os que são raros ou incomuns e assim oferecem uma chave para o caso particular do 
paciente. Numa febre intermitente, por exemplo, a falta de sede durante o estado frio é normal e esse 
sintoma é de pequeno valor; sede extrema durante esse estágio seria fora do comum e portanto 
valioso ; pela mesma razão, sede durante o estágio quente não tem valor, enquanto a falta de sede 
poderia ser extremamente útil. (33) Entre o mais importante dos sintomas “subjetivos” estavam as 
“modalidades” – as horas do dia quando o paciente se sente melhor ou pior, o efeito (nos outros 
sintomas) de tais atividades como comer, beber, dormir, relações sexuais, etc.(34) 
Os “altas” se deleitaram em relembrar casos onde a indicação de cura era algum sintoma 
extremamente fora do comum: 
 
29 
Um menino perturbado por uma diarréia líquida por uma semana e nada que ele tomara até então 
parecia alivia-lo. Ele mencionou incidentalmente que ele adoecia e era até obrigado a deixar a mesa 
se ele visse ou ouvisse a água correndo da torneira . Hydrophobinum , o nosódio da raiva , curou-o 
em 24 horas . (35) 
Alguém publicou uma cura de gonorréia com fosfato de cálcio – o sintoma era: Ereções dolorosas 
quando viajava em carros de passeio, exceto quando o paciente se encontrava obrigado a travar uma 
conversa ... 
Outra pessoa publicou que uma cura de Doença de Bright onde a náusea do paciente ao cheiro de 
um ovo era o sintoma guia; o remédio indicado (Colchicum) não tinha sintomas renais no registro de 
suas experimentações. Uma experimentação refeita posteriormente , revelou vários sintomas renais 
para Colchicum . Outro administrou Stramonium com grande sucesso para febre tifóide guiado pelas 
sensações de dolorimento do paciente na boca, mesmo que Stramonium nunca tivesse antes sido 
utilizado como indicação para a febre tifóide .Outro publicou uma cura de escarlatina com Níquel em 
vez do remédio homeopático mais comum para essa doença – Belladonna . (39) 
Os “altas” estavam conscientes que para um alopata e mesmo para muitos homeopatas esses 
sintomas raros e peculiares não eram importantes e não “poderiam” ser valiosos: “Os sintomas raros 
podem ser às vezes muito ‘peculiares’ e quando tomados um a um são até mesmo ridículos.”(40) Mas 
como eles observaram, a maioria dos sintomas não podem ser explicados em níveis patológicos e o 
fracasso em encontrar uma patologia que explique-os não é absolutamente razão para desconsiderá-
los: 
De modo desconhecido ,peculiar a cada um , o medicamento alcançará partes do organismo fora 
de seus efeitos diretos conhecidos. O problema torna-se complicado a medida que avançamos e é 
absolutamente inescrutável para aqueles que consideram essa ação específica dos medicamentos 
como excepcional, e nunca a procuraram por isso nos fenômenos que não podem ser conectados com 
suas patologias ... Muitos de nossos resultados de sucesso são obtidos com remédios sugeridos para 
nós, primeiramente, por sintomas recônditos que ainda não podemos classificar. Um sintoma que 
poderia , por outros, ser visto como insignificante irá nos dar uma dica para o quebra-cabeça que 
procuramos decifrar. 
Não parece isto muito pueril para prescrever para uma suposta condição patológica? Quem pode 
descrever a patologia de um caso em que um não pode parar quieto e o outro não pode tolerar mover-
se quando ambos tem a mesma doença ? Porque uns melhoram após dormir e outros pioram ? Porque 
nem todos os pacientes reumatológicos são afetados pelo tempo? (42) 
Metástase da doença: Lei de Hering 
Na sua Doenças Crônicas, e em outros escritos, Hahneman afirmou que o abuso dos 
medicamentos em alopatia, embora algumas vezes mitigando os sintomas, tendiam a dirigir a doença 
a um aprofundamento no corpo dos pacientes onde assumiam uma forma crônica. Em 1865, Hering 
desenvolveu essa doutrina com um artigo sobre a correta interpretação dos sintomas. Com a 
intensificação do processo da doença os sintomas se movem da superfície para o interior, das 
extremidades para as partes superiores do corpo, e dos órgãos menos vitais para os mais vitais. Isso 
ficou conhecido como a Lei de Hering. Seu corolário era que a administração do remédio correto 
levava os sintomas a desaparecerem em ordem inversa a do seu aparecimento – os “novos” sintomas 
que aparecem durante o processo de cura representam os estágios iniciais da doença , fornecendo as 
reais indicações que o médico precisa para selecionar o remédio apropriado ao estágio de cura. 
Os “altas” deram grande importância a essa idéia de supressão da doença através dos sintomas 
paliativos, com conseqüente metástase da doença evoluindo para formas crônicas que eram muito 
mais difíceis de tratar. “A

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.