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Fundamentos da Homeopatia

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violação da lei da metástase é responsável por quase todas os distúrbios 
crônicos e a causa da severidade e a forma refratária como aparecem as agudizações das doenças.” As 
novas doenças e distúrbiosque por vezes aparecem durante o tratamento eram ressurgimentos de 
doenças anteriores que tinham sido suprimidas pelo tratamento incorreto. Muitos casos assim foram 
publicados pelos “altas”. 
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Assim, o tratamento de uma mulher com asma reativou um caso de nevralgia no ovário suprimido 
anos antes com injeções vaginais de ácido carbólico e sulfato de zinco. Um homem em tratamento de 
um tumor ou de um câncer de estômago eclodiu em um tremendo rash: “ele foi literalmente coberto 
por uma erupção eczematosa úmida e a coceira e ardência eram pavorosas. O homem chegou a chorar 
quando eu não permiti que ele usasse qualquer aplicação externa.” Com o progresso do tratamento o 
rash desapareceu e foi substituída pelo surgimento de hemorróidas que desapareceram junto com o 
tumor ou câncer de estômago. (46) Outra publicação: 
tinha um paciente – uma mulher – com uma terrível tosse. Medicada duas ou três vezes com 
resultados insignificantes; foi então traçada a história do caso desde a puberdade e encontrou-se que 
ela tinha naquele tempo sido curada por um homeopata professo de uma persistente leucorréia, uma 
erupção pruriginosa e de constipação. Um pulmão agora afetado. Cuidadosamente selecionado o 
remédio, a erupção retornou primeiro, em poucos dias a constipação voltou e finalmente a leucorréia. 
Todos desapareceram na ordem em que vieram, sem nenhum remédio. (47) 
A supressão das doenças físicas, além disso, poderia resultar em metástase para doenças mentais. 
Um homeopata da Filadélfia descreveu uma paciente feminina cuja leucorréia pós parto foi tratada 
com injeções de alum. Isto interrompeu a secreção, mas em poucos meses ela teve uma doença 
mental e teve que ser internada. No asilo “ a leucorréia reapareceu e a insanidade desapareceu. Ela 
ficou grávida pela segunda vez, seguiu a mesma rotina e foi de novo mandada para o asilo; a 
leucorréia apareceu outra vez e sua mente clareou . Este e todos os casos similares servem para 
mostrar os maus efeitos das supressões das doenças .” 
A supressão das manifestações da gonorréia freqüentemente causaram reumatismo. Um 
homeopata publicou o tratamento de um caso de supressão da descarga uretral : “em menos de 36 
horas seu pênis estava movendo-se livremente como um bôrdo (árvore) no início da primavera ... A 
partir do momento que a descarga começou , as dores reumáticas diminuíram e a condição geral 
melhorou.”(49) 
Os Usos da Patologia 
Para os “altas”, a patologia tem seu lugar mas não pôde ter valor para acertar o remédio correto. 
Uma razão para isso era que os remédios não foram experimentados por sua patologia mas somente 
por sua sintomatologia: 
Nossa lei requer uma comparação – entre o quê? Entre o fenômeno da doença e os efeitos do 
remédio, mas não entre as lesões que as doenças causam e qualquer agente que poderia produzir 
lesões similares ; pois deveríamos prescrever antes que a doença tenha manifestado qualquer 
mudança que a anatomia poderia encontrar. Mas se por outro lado, como é certamente nossa 
obrigação, o experimentador deve estender o uso de uma substancia até a lesão orgânica, e então 
submeter-se a uma dissecção; e uma imolação para cada droga poderia não ser suficiente. E então, 
para comparação, o prescriptor deveria dissecar seus pacientes; e uma vítima para cada doença geral 
pode ser muito pouco. Então nossa comparação não pode ser entre drogas e lesões orgânicas.(50) 
Mas haveria uma razão mais profunda : que mudanças patológicas que acompanham uma doença 
são indicadores incompletos da verdadeira natureza da doença. A doença é um processo dinâmico e 
vital que revela sua natureza mais nos padrões transitórios e fugazes dos sintomas do que no efeito 
definitivo sobre os órgãos: 
Nós protestamos contra esse ensino que põe efeitos no lugar de causas; que considera os produtos 
de ação mórbida como a doença propriamente dita ; e vê os depósitos locais e as alterações dos 
tecidos como a soma dos males com os quais devemos lidar ; em vez de considera-los como 
deveriam, somente como resultados parciais daquela soma da ação modificada das forças vitais, que 
sozinha constitui a doença.(51) 
Sendo anterior em tempo às mudanças orgânicas, os sintomas são os prévios em importância. Eles 
são os únicos indicadores precisos da natureza e curso da doença. 
Os integrantes da nossa escola que insistem na patologia como uma base da terapêutica, que 
olham o sintoma objetivo e sua origem orgânica mais próxima como o objetivo do tratamento, e que 
zombam da noção de prescrição com base na totalidade dos sintomas e reivindicam ser mais do que 
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meros cobridores de sintomas , já que assim eles descobrem e pretendem remover a causa da doença 
... são infiéis às doutrinas e impotentes diante dos sucessos do fundador da escola de homeopatia.(52) 
Isso não significa, entretanto, que os “altas” não atribuíram valor nenhum à patologia. Eles eram 
tão versados em patologia quanto qualquer outro médico de sua época. Eles concordavam que a 
patologia exercia três importantes papéis na terapêutica. O primeiro era negativo: a partir de seu 
conhecimento patológico o médico sabia quais eram os sintomas comuns e típicos da “doença” e 
poderiam assim distingui-los dos sintomas verdadeiramente de valor – aqueles do paciente: 
... esses sintomas, não necessariamente presentes na forma da doença que a patologia nos ensina 
que o doente está sofrendo , constituem os sintomas característicos do caso sob os cuidados de nossa 
terapêutica e que devem ser proeminentemente considerados quando escolhemos o remédio mais 
similar ...(53) 
Em segundo lugar, a patologia revela ao médico as partes da anatomia que são afetadas pela 
doença e assim o guiam na anamnese do paciente. Em terceiro lugar, a patologia ajuda a demarcar o 
`campo da terapêutica farmacológica daquele da higiene e da dietética. Adolph Lippe, um dos mais 
proeminentes homeopatas americanos e um “alta” dos mais radicais publicou um caso que ilustra 
esses pontos muito bem: 
Aquele que cura verdadeiramente tem mais a fazer do que meramente administrar o verdadeiro 
remédio homeopático. Isso é só uma parte de seu dever. Ele tem além disso que estabelecer um 
regime geral para o doente. Isso inclui dieta, ar, ventilação, ocupação e residência, e mesmo o 
tratamento psicológico do doente e sem um conhecimento de patologia esse dever adicional não pode 
ser bem desempenhado. Nós iremos agora nos esforçar para ilustrar essa proposição usando um caso 
extremo. Digamos que um homem de 24 anos sofra de uma fístula anal que se cura sob tratamento 
homeopático. Provavelmente ele sofreu antes de doença cutânea – erupção cutânea – que foi 
suprimida por um organicista . Essa erupção não reapareceu depois da cura da fístula como era de se 
esperar ,[em virtude da lei de Hering ].O homem tem uma constituição frágil e em vez da erupção 
cutânea reaparecer ele começou a tossir –uma tosse sem muita importância . Esse homem de tórax 
estreito , criado em um em um quarto confinado, tornou-se mais e mais frágil. O remédio escolhido 
cuidadosamente só o aliviava momentaneamente e por um curto período. A Patologia nos ensina que 
haverá um desenvolvimento de tubérculos nos pulmões em breve. Esse paciente foi enviado por 
muitos invernos sucessivos para uma atmosfera mais adequada para ele , onde poderia inalar tanto ar 
fresco quanto fosse necessário para a sua constituição. Fizeram-no sair de sua da casa confinada e 
viver ao ar livre. Logo sua erupção cutânea retorna; seus pulmões se tornam fortes. Sua erupção 
cutânea restaurada cedeu gradualmente a escolhas apropriadas de remédios similares e o homem 
doente está permanentemente curado . Este não é um caso problemático, ma

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