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Fundamentos da Homeopatia

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não poder mais lhes proporcionar o tempo necessário: é um 
agitado em contínuo movimento, sem outro valor a não ser ter a ‘mão ligeira, os pés ágeis, os cavalos 
alados’; 
3. o mundano, que se satisfaz em conversas de salão e maledicências. 
“O médico deveria ser um homem: simples, de bom senso, consciencioso, apto para responder ao que lhe 
compete, paciente, que não se irrita, não maldiz, que sabe escutar o sofrimento, que prescreve poucos 
medicamentos, um único na maioria das vezes, que sabe elogiar os colegas, amigo da ordem e da tranqüilidade, 
amoroso e caridoso”. 
“Observai como ele se comporta com os doentes pobres e se, quando sozinho em seu consultório, ele se ocupa 
de trabalhos sérios”. Hahnemann. “O amigo da saúde”. 
Motivação e atitude 
A nossa vida tem a ver com dois aspectos fundamentais: a motivação e a dedicação. 
A motivação vem no início de nossas ações. Por que fazemos o que fazemos? Qual a nossa intenção? A 
motivação correta é realizar nosso trabalho em benefício das outras pessoas. Esta é uma força poderosa. 
A dedicação vem no final. Reúna os resultados de seu trabalho, seus méritos, e os dedique à consciência 
única, para que traga o benefício esperado. È parecido com a motivação. Como afirma a regra de ouro da 
espiritualidade: agir em nome daquele que age. 
A escolha da medicina deveria ter sido por uma autêntica vocação. Sentir-se atraído por ela e desenvolver a 
capacidade de realizar o seu trabalho com amor. O médico necessita conhecer os motivos que determinaram a 
escolha da profissão médica e a especialização em Homeopatia. Reconhecer como a motivação influencia a 
relação médico-paciente e os resultados de sua prática. Deve ter uma atitude madura no exercício de sua 
profissão e atuar com o único propósito de tratar os seus pacientes. A maturidade implica em apresentar certas 
características como: capacidade de suportar frustrações; controlar os impulsos; adaptação a situações novas; 
objetivos realistas, etc. O exercício da Homeopatia não está dissociado de sua vida, do sentido que dá à sua 
atividade profissional e seus altos fins existenciais. 
“A mais elevada e única missão do médico é restabelecer a saúde nos enfermos, o que se chama curar”. §1 
“Ter esta atitude frente ao paciente pode parecer à primeira vista um fato óbvio, não obstante, não é apenas o 
requisito indispensável para o correto exercício da Homeopatia, além disso, todo aquele que não o leva em 
conta e tenta usar esta ciência para objetivos alheios ao de curar, encontra obstáculos insuperáveis para a 
obtenção dos resultados que ela promete. Os que tiveram a oportunidade de conhecer seus métodos, mas não 
perseveraram em seu trabalho, recolheram em menos tempo que imaginaram, somente os amargos frutos do 
fracasso, os quais, embora eles os atribuam à Homeopatia, têm sua origem em usar-se dela para a própria 
O médico 5
 
necedade e não para ser útil ao enfermo. Isto acontece porque, quando antepomos ao objetivo de curar qualquer 
outra finalidade, nossa visão se obnubila a ponto de não ver nenhum dos sintomas característicos 
individualizantes que pode nos mostrar o enfermo. Que sorte pode ter um paciente se cai em mãos de alguém 
que é incapaz de perceber?” Maria Clara Bandoel. 
Qualidades 
• Hahnemann, Kent e Roberts destacam que o médico deve possuir: 
1. um desejo altruísta de servir; 
2. estabilidade de caráter; 
3. conhecimento da natureza humana; 
4. observação livre de preconceitos; 
5. perseverança no estudo até tornar-se mestre. 
• Hipócrates indicava como condições para o exercício da medicina: disposição natural, inclinação ao estudo, 
amor ao trabalho, grande aplicação. A arte de curar é pessoal, subjetiva e intransferível e demonstra-se pela 
vocação e vontade de ajudar o enfermo a curar ou ter uma morte digna. 
“O verdadeiro e único fundamento da relação médico-paciente é e deve ser o amor de misericórdia do médico 
para com o enfermo que sofre e a fé que é suscitada no paciente pelo tratamento de um médico com vocação de 
bondade”. Paschero. 
“É bem sabido que para o homem existem diversas formas de amor. Não seria possível perguntar se para o 
médico não existe outra forma de amor que poderia chamar-se ‘amor médico’, onde os elementos de afabilidade 
e eventualmente de ternura se acham em local de destaque, em uma situação particular que impede sua 
exteriorização e que fazem que esta forma de amor não possa ser vivida pelo médico senão no interior de si 
mesmo, se não quiser contaminar com ela a relação terapêutica que deve estabelecer com seu paciente?” 
Schneider. 
The American Board of Internal Medicine define o profissionalismo em medicina como: 
O profissionalismo em medicina interna compreende aqueles atributos e comportamentos que servem para 
manter os interesses do paciente acima do próprio interesse pessoal. 
• um compromisso com os mais altos padrões de excelência na prática da medicina e na geração e 
disseminação do conhecimento; 
• um compromisso com as atitudes e comportamentos que sustentam os interesses e o bem estar dos 
pacientes; 
• um compromisso em corresponder às necessidades de saúde da sociedade. 
O profissionalismo aspira o altruísmo, disponibilidade, excelência, dever, serviço, honra, integridade e 
respeito pelos outros. 
Técnicas para o desenvolvimento pessoal 
“Aquele que conhece os outros é um sábio; aquele que conhece a si mesmo é um iluminado”. 
Lao Tse. 
1. Pratique o exercício psicológico sugerido por Hahnemann, baseado na experiência dos antigos. A técnica é 
simples: 
• Observe as próprias sensações, inclinações, pensamentos, emoções e desejos — sem tomar nenhuma 
ação, mesmo mental — apenas observar e nada mais! 
2. Participe de uma patogenesia: 
• O médico que realiza uma experimentação em si mesmo, seguindo as orientações dos §121 a 142 do 
Organon, amplia a capacidade de percepção de si mesmo e adquire maior intimidade com a 
sintomatologia homeopática. 
3. Adquira o hábito de meditar. 
• Dedique alguns minutos, diariamente, para refletir em silêncio sobre sua vida e relações. Pratique 
meditação. 
• Uma técnica de meditação é descrita em Medita. Swami Muktananda. Editora pensamento. Publicação 
Siddha yoga. 
• Exercícios Budistas para a saúde em O Poder curativo da mente. Tulku Thondup. Editora 
pensamento. 
• Leia A voz do silêncio. H.P Blavatsky. 
4. Conhecimento de si mesmo. 
• 919. Qual o meio prático mais eficaz para se melhorar nesta vida e resistir aos arrastamentos do mal? 
(Livro dos espíritos. Allan Kardec). 
- Um sábio da antiguidade vos disse: “Conhece-te a ti mesmo”. 
• 919a. Concebemos toda sabedoria desse ensinamento, mas a dificuldade está precisamente em conhecer-se 
a si mesmo; qual é o meio de conseguir isso? 
- Fazei o que eu fazia quando estava na Terra: no fim do dia, interrogava minha consciência, passava em 
revista o que havia feito e me perguntava se não havia faltado com o dever, se ninguém tinha do que se queixar 
de mim. Foi assim que consegui me conhecer e ver o que havia reformado em mim. 
Aquele que, a cada noite, se lembrasse de todas as suas ações do dia e se perguntasse o que fez de bom ou de 
mau, orando a Deus e ao seu anjo da guarda para esclarecê-lo, adquiriria uma grande força para se aperfeiçoar 
porque, acreditai em mim, Deus o assistiria. 
Interrogai-vos sobre essas questões e perguntai o que fizestes e com que objetivo agistes em determinada 
circunstância, se fizestes qualquer coisa que censuraríeis em outras pessoas, se fizestes uma ação que não 
ousaríeis confessar. 
Perguntai-vos ainda isso: se agradasse a Deus me chamar nesse momento, teria eu, ao entrar no mundo dos 
Espíritos, onde nada é oculto, o que temer diante de alguém? 
Examinai o que podeis ter feito contra Deus, depois contra vosso próximo e, por fim, contra vós mesmos. 
As respostas serão um repouso para vossa consciência ou a