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Fundamentos da Homeopatia

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indicação de um mal que é preciso curar. 
O conhecimento de si mesmo é, portanto, a chave do melhoramento individual. Mas, direis, como proceder a 
esse julgamento? Não se tem a ilusão do amor próprio que ameniza as faltas e as desculpa? 
O avaro acredita ser simplesmente econômico e previdente; o orgulhoso acredita somente ter dignidade. 
Isso não deixa de ser verdade, mas tendes um meio de controle que não pode vos enganar. 
O médico 7
 
Quando estiverdes indecisos sobre o valor de uma de vossas ações, perguntai-vos como a qualificaríeis se 
fosse feita por outra pessoa; se a censurais nos outros, não poderá ser mais legítima em vós, porque Deus não tem 
duas medidas para a justiça. 
Procurai, assim, saber o que os outros pensam, e não negligencieis a opinião dos opositores, porque estes não 
têm nenhum interesse em dissimular a verdade e, muitas vezes, Deus os coloca ao vosso lado como um espelho, 
para vos advertir com mais franqueza do que faria um amigo. 
Que aquele que tem a vontade séria de se melhorar sonde sua consciência, a fim de arrancar de si as más 
tendências, como arranca as más ervas de seu jardim. 
Que faça o balanço de sua jornada moral, como o mercador faz a de suas perdas e lucros, e eu vos asseguro 
que isso resultará em seu benefício. 
Se puder dizer a si mesmo que seu dia foi bom, pode dormir em paz e esperar sem temor o despertar em outra 
vida. (Santo Agostinho). 
Cura de si mesmo 
O médico deve levar uma vida equilibrada aplicando em si mesmo os princípios da manutenção da boa saúde. 
• As emoções do médico atuam como um filtro que distorce a percepção da realidade do outro e pode 
introduzir elementos perturbadores na relação médico-paciente. 
 
1. Um médico, que tem uma ansiedade de salvação de Chelidonium — ‘inquietação e desconforto da 
consciência, sente que cometeu o pecado imperdoável e que estará eternamente perdida, sem salvação’, — 
pode imaginar que a ansiedade de salvação que o paciente está relatando seja igual à sua. Porém ao 
modalizar o sintoma do paciente percebe que é de Agaricus — ‘imagina-se na porta do inferno e que o 
cogumelo o comanda para cair de joelhos e confessar seus pecados’. 
2. A paciente “Lachesis” diz que se sente abandonada e o médico “Aurum”, supõe que ela pode estar 
imaginando que — ‘perdeu o direito ao afeto dos amigos’, — que é o abandono de Aurum. O observador 
atento percebe que a vivência do paciente corresponde a — ‘sentir-se fraca e infeliz, particularmente de 
manhã, quando se sente, ao acordar, abandonada e infeliz’. 
• O sintoma do médico interfere, dessa forma, na percepção do sintoma semelhante ao seu, comunicado pelo 
paciente. Alguns médicos são mobilizados por esta identidade de sofrimento e passam a falar de si mesmos, 
afastando-se de sua missão que é ouvir e cuidar do paciente. Outros vão além e tentam impor ao paciente sua 
visão de mundo e suas defesas miasmáticas, indicando soluções que podem ser válidas para si mesmo mas não 
para aquele paciente. O médico deve resolver seus conflitos psicológicos e submeter-se a um tratamento 
homeopático com um colega de sua confiança. Poderá ajudar melhor o enfermo, quanto mais tenha equilíbrio, 
maturidade e latência miasmática. 
Médico Homeopata 
• O que é um médico homeopata? 
Definições 
• “Médico Homeopata é o que acrescenta ao seu conhecimento da medicina, o conhecimento especial da 
terapêutica homeopática e observa a lei de similitude. Tudo o que pertence ao grande campo da cultura 
médica é seu por tradição, por herança e por direito”. American Institute of Homeopathy. 
• “Médico Homeopata é aquele que prescreve o remédio único em dose mínima dinamizada, selecionado de 
acordo com Lei dos semelhantes”. 
Kent discute a impropriedade destas duas definições. Os princípios da Homeopatia exigem do médico uma 
nova maneira de compreender a enfermidade e valorizar os sintomas. A definição do AIH poderia ser uma forma 
de dar status de homeopata a quem ignora os preceitos do Organon e da Matéria Médica Pura e aplica a 
Homeopatia de uma forma ‘alopática’. 
A formação do médico homeopata implica em: 
1. adquirir conhecimentos pelo estudo continuado e participação de grupos; 
2. desenvolver habilidades específicas para sua área de atuação; 
3. desenvolver atitudes facilitadoras da relação médico-paciente e da prática clínica em geral. 
Conhecimento homeopático 
“Assim como o homem pode ser refletido no espelho, assim o médico deve ter um exato 
conhecimento da natureza humana. O médico deveria falar daquilo que é invisível. O que é 
visível deveria pertencer ao seu conhecimento, e ele deveria reconhecer as doenças como todo 
mundo o faz, reconhecendo-as por seus sintomas. Mas isto está longe de o tornar um médico; 
ele se torna um médico somente quando conhece o que está ainda sem nome, invisível e 
imaterial, não obstante eficaz”. Paracelsus. 
Para adquirir o domínio da técnica e melhorar os resultados clínicos é necessário: 
• estudar continuamente a teoria, técnica, matéria médica e repertório; 
• utilizar um novo paradigma para a compreensão da enfermidade, do tratamento e do processo de cura; 
• avaliar os resultados de sua prática; 
• reconhecer o domínio e os limites da Homeopatia. 
 “No estado de saúde, a força vital imaterial (autocracia), que dinamicamente anima o corpo material 
(organismo), reina como poder ilimitado e mantém todas as suas partes em admirável atividade harmônica, nas 
suas sensações e funções, de maneira que o espírito dotado de razão, que reside em nós, pode livremente dispor 
desse instrumento vivo e são para atender aos mais altos fins de nossa existência”. §9. 
“Quando o homem adoece, essa força vital imaterial de atividade própria, presente em toda parte no seu 
organismo (princípio vital), é a única, que inicialmente sofre a influência dinâmica hostil à vida, de um agente 
morbígeno, é somente o princípio vital. perturbado por uma tal anormalidade, que pode fornecer ao organismo 
as sensações desagradáveis e impeli-lo, destarte, a atividades irregulares a que chamamos doença; pois essa 
força invisível por si mesma é apenas reconhecível por seus efeitos no organismo, torna conhecida sua 
perturbação mórbida apenas pela manifestação de doença nas sensações e funções (as partes do organismo 
acessíveis aos sentidos do observador e médico), isto é, por sintomas mórbidos, e não pode torná-lo conhecido 
de outra maneira”. §12. 
O médico 9
 
“A afecção do dinamismo (força vital) espiritual que anima nosso corpo no interior invisível, morbidamente 
perturbado, bem como todos os sintomas exteriormente observáveis, por ele produzidos no organismo, e que 
representam o mal existente, constituem um todo, um e o mesmo. O organismo é, na verdade, o instrumento 
material da vida, não sendo, porém concebível sem a animação que lhe é dada pelo dinamismo instintivamente 
perceptor e regularizador, tanto quanto a força vital não é concebível sem o organismo; conseqüentemente, os 
dois juntos constituem uma unidade; embora em pensamento, nossas mentes separem essa unidade em dois 
conceitos distintos para mais fácil compreensão”. §15. 
Habilidades 
• As habilidades são adquiridas e aperfeiçoadas ao longo do aprendizado e da prática clínica. 
Observação 
• “O observador médico”. Hahnemann. 
“Com o objetivo de ser capaz de realizar uma boa observação, o médico precisa possuir algo que não se 
encontra entre os médicos comuns, mesmo em grau moderado, que é a capacidade e o hábito de levar em conta 
cuidadosa e corretamente os FENÔMENOS que ocorrem na enfermidade natural, assim como os que ocorrem 
nos estados mórbidos excitados artificialmente pelos medicamentos experimentados no homem são, além da 
habilidade para descrevê-los com expressões mais apropriadas e naturais”. 
“Para perceber com exatidão O QUE É PARA SER OBSERVADO nos pacientes, deveríamos dirigir todos os 
nossos