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Fundamentos da Homeopatia

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pensamentos sobre o fato que temos em mãos, quer dizer, transcendendo de nós mesmos, e exercer todo 
nosso esforço de concentração para que nada nos escape”. 
“As fantasias poéticas, as imaginações fantásticas e as especulações, devem ser suspensas por enquanto e 
devem ser suprimidos todo raciocínio forçado, toda interpretação forçada e a tendência a explicar fatos fora de 
propósito. O DEVER DO OBSERVADOR consiste em apenas ter em conta os fenômenos e seu curso; sua 
atenção deveria estar sobre o que observa, não apenas para que nada do que esteja presente lhe escape, mas para 
que o que observa possa ser percebido exatamente como é”. 
“Esta capacidade de observar com precisão, não é absolutamente uma capacidade inata; DEVE SER 
ADQUIRIDA NA PRÁTICA, refinando e regulando as percepções dos sentidos; quer dizer, exercitando uma 
crítica severa das rápidas impressões que obtemos dos objetos externos, e ao mesmo tempo, devem preservar-se 
a calma, serenidade e firmeza de juízo necessárias, junto com uma desconfiança de nossas próprias faculdades 
de apreensão”. 
“A grande importância de nosso objetivo deveria fazer-nos empregar todas as energias de nosso corpo e mente 
na observação; e deve ajudar-nos nesta direção uma grande dose de paciência, auxiliada pelo poder da vontade, 
até o final da observação”. 
“Para educar na aquisição desta faculdade é útil o conhecimento dos melhores escritos dos Gregos e Romanos, 
com o objetivo de permitir nossa capacitação para conseguir retidão no pensamento e sentimento, como 
também propriedade e simplicidade na expressão de nossas sensações; a arte de desenhar a natureza é também 
útil, já que agudiza e exercita a visão, e portanto, nossos sentidos, ensinando-nos a formar uma verdadeira 
concepção dos objetos e a representar o que observamos, verdadeira e puramente, sem nenhum acréscimo da 
fantasia. Um conhecimento de matemática também nos fornece o rigor necessário para desenvolver o rigor do 
raciocínio. 
“Assim equipado, o médico não pode deixar de cumprir seu objetivo”. 
Comunicação 
O material disponível nas Matérias Médicas é baseado na comunicação. O médico aplica a lei dos 
semelhantes comparando o que percebeu, através da comunicação com o paciente, com o material patogenético. 
A interação humana não se reduz a um simples “emissor - receptor”, ela é mediada pela comunicação. Stephanos 
Paterakis, da “Homeopathia Europea” estuda o tema da meta-comunicação e indica que os homeopatas, de uma 
maneira geral, desconhecem os segredos da comunicação humana e isto traz consequências para a percepção dos 
sintomas do paciente, que vai depender da qualidade da comunicação. 
• O médico precisa identificar e compreender os elementos da: 
1. comunicação humana; 
2. comunicação não-verbal; 
3. meta-comunicação. 
Atitudes facilitadoras 
• Carl Rogers identifica três atitudes facilitadoras da relação médico-paciente: 
1. EMPATIA: capacidade de compreender o outro a partir do ponto de vista do outro. Não é sentir pena do 
outro, é compreender o outro verdadeiramente. Quanto maior empatia melhor a qualidade da história 
clínica. 
2. RESPEITO ou aceitação incondicional: capacidade de aceitar o paciente como ele é, sem crítica ou 
julgamento dos seus pensamentos, sentimentos, reações e conduta. 
3. CONGRUÊNCIA: capacidade de ser você mesmo numa relação, sem esconder-se atrás de uma máscara ou 
fachada. Expressar seu ser de maneira real e autêntica. Significa sinceridade. 
Função 
O médico homeopata não se limita a prescrever medicamentos em doses infinitesimais, de acordo com a Lei 
dos Semelhantes. Seu treinamento em observar o subjetivo e permitindo que o paciente lhe fale de sua 
subjetividade, abre um espaço de intercomunicação pessoal que mobiliza o centro da personalidade do enfermo. 
A função essencial do médico é favorecer esta relação para perceber a sintomatologia do enfermo e os 
movimentos curativos de seu dinamismo vital. Escutar o enfermo numa atitude de aceitação e compreensão 
favorece o processo terapêutico. 
Os fatores emocionais têm participação determinante na problemática orgânica do paciente em mais de 70% 
dos casos. 
“Deve existir uma relação entre o paciente e sua enfermidade, independentemente da figura do médico. Se 
estiver certo, a Psicanálise está a ponto de desenvolver uma nova concepção, a que poderíamos chamar de 
‘Enfermidade Fundamental’ ou talvez ‘deficiência fundamental’ da estrutura biológica do indivíduo, 
envolvendo em vários graus tanto sua mente quanto seu corpo. 
Todos os estados patológicos posteriores, as ‘Doenças Clínicas’, deveriam ser consideradas sintomas ou 
exarcebações da ‘Enfermidade Fundamental’, provocadas pelas diversas crises no desenvolvimento individual, 
externas e internas, psicológicas e biológicas. Quando o paciente enfrenta um problema que para ele é de difícil 
solução, em parte ou principalmente por causa de sua ‘Enfermidade Fundamental’, sua organização sofre certo 
contraste e depois de algum tempo, que pode durar alguns minutos ou vários anos, consulta o médico para 
queixar-se de alguma doença”. Balint. 
O médico homeopata não se propõe a ser um psicoterapeuta, não precisa fazer formação psicológica ou 
psicanalítica ou se submeter a um tratamento psicológico. Porém, se tiver as qualidades descritas anteriormente e 
se estabelecer uma boa relação com seu paciente, este relacionamento exerce uma função terapêutica e 
potencializa a ação de sua prescrição. 
O médico 11
 
Avaliação 
Estudo de textos 
1. O que a homeopatia tem a oferecer ao jovem médico. Cap. 1 “Princípios e arte...” Roberts. 
2. Acerca de la formación del medico homeopata. Paschero. 
3. A definição do médico homeopata. “Escritos menores”. Kent. 
4. Filosofando, introdução à filosofia. Maria Lúcia de Arruda Aranha. Editora Moderna, 1999. 
5. O Médico como paciente. Alexandrina Maria Augusto da Silva Meleiro. Lemos Editorial. 2001 
6. Physicians and the profession of medicine. Cap. 8. WEISS, G.L. The Sociology of Health, Healing and 
Illness. 
Questionário 
1. Por que é importante cuidar da formação psicológica do médico? Cite dois fatores. 
2. Qual a capacidade que o médico deve possuir para realizar uma boa observação, segundo Hahnemann? 
3. Por que o conhecimento de si mesmo é importante para o exercício da Homeopatia? 
4. É necessário que o médico esteja curado para poder praticar a homeopatia? 
5. Qual a função do médico homeopata? 
6. O que é ‘maneirismo médico’? 
7. Quais as mudanças no ‘status’ de médico na sociedade atual? 
Reflexão 
1. Quando e por que decidiu ser médico? Que opções considerou? 
2. Quando e por que decidiu ser homeopata? 
3. O que mudou em sua personalidade após a formação homeopática? 
4. Em que grau você adota as atitudes descritas por Carl Rogers? 
5. Pratica alguma técnica de autoconhecimento? Que resultados observou? 
6. Quais os seus defeitos e qualidades nas relações interpessoais? 
7. Comente a crítica de Kent à definição do American Institute of Homeopathy. 
12 
Leitura adicional 
1. ACHTERBERG, J. Woman as healer. Shambala, 1990. 
2. ARANHA, Maria Lúcia de A. Filosofando, introdução à filosofia. São Paulo, Moderna, 1999. 
3. BALINT, M. O médico, seu paciente e a doença. Rio de Janeiro, Atheneu, 1975. 
4. BUZAN, Tony. Use both sides of your brain. 1991. 
5. BUZAN, Tony. The mind mapbook 1996 
6. CAMP, John. The healer´s art: the doctor through history. NY, Taplinger, 1977. 
7. CESARMAN, E. Ser Médico. México, Instituto Mexicano de Cultura, 1991. 
8. CHAUI, Marilena. Convite à Filosofia. 9 ed. São Paulo, Ática, 1999. 
9. DROUAT, P. Le chaman, le physicien et le mystique. Paris, du Rocher, 1998. 
10. HAHNEMANN, S. The Medical Observer. 
11. HARTMANN, F. Salud y curacion segun Paracelso y el esoterismo. Dedalo,1977. 
12. HEHR, G. S. Self-awareness and homeopathy. British Hom. Journal vol. 72, n2, april 1983. 
13. HUXLEY, A.