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Fundamentos da Homeopatia

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se conhece. 
Era baseada na astrologia e se estabeleciam relações entre o movimento dos astros e as estações e entre as 
estações e as doenças. 
Foram encontradas placas de argila usadas pelos sacerdotes, com escritos tratados médicos completos. 
Acreditava-se que o sangue era a fonte de todas as funções vitais e o fígado o centro da distribuição do sangue e 
berço da vida. Antes de partirem para grandes missões os heróis consultavam os augúrios, estudando os lobos do 
fígado de um animal. 
O apogeu de sua civilização ocorreu no início do reinado de Hamurabi, 1728-1686 a.C, tornando Babilônia, 
sua capital. 
Descreviam quatro mecanismos de doenças: 1. Descuido ou negligência das obrigações religiosas e de 
carregar os amuletos protetores; 2. Castigo dos deuses, pelos pecados cometidos; 3. Efeitos de feitiçarias e do 
mau olhado; 4. Resultado do acaso e fatalidade. 
A medicina era mágico-sacerdotal, mas havia também o sacerdote médico e adivinho (assipu) e o médico 
leigo (asu), único a ser considerado nas penalidades do código de Hamurabi. 
A medicina sacerdotal apoiava-se nos recursos sobrenaturais: rituais curativos e práticas de adivinhação do 
destino dos doentes. As medidas terapêuticas incluíam o sono nos templos, a transferência da doença para um 
animal sacrificado e o emprego de ervas com o auxílio de encantamentos e palavras mágicas. 
O código de Hamurabi, 2200 a.C, estabelece uma série de situações da prática médica com penalidades 
severas para as falhas, que eram aplicadas apenas aos médicos operadores. Assim, no §215 - Se um cirurgião 
fizer uma incisão profunda no corpo de um homem livre, ou tratar de um olho e salvar sua vida e recuperar o 
olho, receberá 10 shekels de prata. §218 - ... se causar a morte do homem ... ou destruir o olho do homem, eles 
cortarão fora sua mão. 
Evolução da Medicina e da Homeopatia 5
 
A origem da serpente como símbolo da medicina, é motivo de controvérsia, mas tudo leva a crer que o 
Caduceu médico teve suas origens na Mesopotâmia, por volta do terceiro milênio antes de Cristo. 
África 
Os textos de história da medicina omitem a contribuição dos antigos africanos que podem ter sido os 
originadores da prática médica. Filósofos gregos, historiadores e médicos relatam o quanto aprenderam dos 
escritos e tradições orais dos africanos. 
Atualmente há referência a Imhotep, engenheiro, arquiteto, escriba, sacerdote e médico africano que viveu 
cerca de 3000 anos a.C, considerando-o o “pai histórico da medicina”. Ele instruiu muitos gregos na arte da 
medicina, construiu o primeiro hospital e registrou seus conhecimentos sobre cirurgia, anatomia, patologia, 
diagnóstico e observações científicas experimentais. (“The oath of Imhotep” Journal of the national medical 
assoc., 84:636-637. Pickett, 1992). 
Hebreus 
Como os demais povos antigos, os hebreus consideravam as doenças como castigos pelos pecados. No 
entanto, eram monoteístas. 
Egito 
Os conhecimentos sobre a medicina egípcia provinham dos escritos de Homero, Heródoto, Hipócrates e 
Plínio. 
“A arte da medicina é dividida da seguinte maneira: cada médico ocupa-se apenas de uma doença específica. 
Em todos os lugares há muitos médicos; alguns são especialistas dos olhos, outros da cabeça, um dos dentes, 
outros, ainda, dos intestinos e muitos dos distúrbios internos”. Heródoto. 
A descoberta dos papiros médicos, principalmente os de Georg Ebers, 1860, e Edwin Smith, 1930, trouxe 
novos fatos sobre a medicina do antigo Egito. O mais antigo destes papiros, em forma fragmentada, é o de 
Kahun, que trata de veterinária e doenças das mulheres. Neles encontra-se, uma fórmula contendo espinhos de 
acácia finamente esmagados, misturados com tâmaras e mel, de modo a formar uma pasta para ser introduzida na 
vagina, para evitar a fecundação. (os espinhos de acácia há um látex que desprende ácido láctico, componente 
dos óvulos anticoncepcionais da atualidade.) 
Os egípcios acreditavam que a respiração era a função vital mais importante. Sabiam que o coração era o 
centro da circulação, mas achavam que esta dependia da respiração. 
A medicina era basicamente iniciática e exercida com a finalidade de exorcizar os pacientes dos poderes 
demoníacos. Todas as curas eram reveladas pelos deuses e codificadas por Tot, conhecido como Hermes 
Trimegisto, em livros secretos, para serem usados pelos sacerdotes. 
A farmacopéia era vasta e incluía muitas plantas que foram utilizadas posteriormente por Dioscorides, Galeno 
e Plínio. Os minerais também eram empregados, como o antimônio, cobre, sal, alumina, carvão vegetal. 
Índia 
A medicina indiana teve seu primeiro período, por volta de 1500 a.C, com os escritos do Ayurveda, 
especificamente sobre medicina. Seu apogeu foi no início do século IX a.C. Destacam-se dois médicos, Charaka 
e Susruta, cujas obras influenciaram os sistemas posteriores. Os indianos eram peritos na cirurgia plástica, 
notadamente na reconstrução do nariz, que era mutilado como punição do adultério. 
China 
A invenção da medicina é atribuída a Shen Nung, legendário imperador, que teria reinado de 2838 a 2698 
a.C., inspirado por Pan Ku, o deus da criação, segundo o Taoismo. Ele escreveu Pen T´sao ou herbário com uma 
lista de 365 ervas, prescrições e venenos. Muitas receitas ainda têm uso atual. 
Os chineses usavam também o sulfeto de sódio como laxativo e o ferro para anemia. Foram os pioneiros na 
imunização contra a varíola, introduzindo crostas de pústulas em pó nas narinas. 
6
 
Curso de Homeopatia
 
Atribui-se a Hwang Ti (2698-2598 a.C) , outro conceituado imperador, o Nei Ching ou Livro de medicina, a 
mais antiga obra da medicina chinesa. 
Os médicos chineses costumavam tomar o pulso e analisavam as suas diferentes manifestações, cada uma com 
um significado próprio. 
A acupuntura é a prática médica tipicamente chinesa. A medicina ocidental só foi introduzida na China no 
século XIX. 
Por volta do século IV d.C a civilização chinesa invadiu o Japão. 
Grécia 
A civilização do mar Egeu inicia-se por volta de 3000 a.C, com a conquista das ilhas gregas pelos povos que 
habitavam a costa leste do Mediterrâneo. 
A medicina grega desenvolveu-se paralelamente à filosofia. Foi praticada pelos leigos e não pela casta 
sacerdotal. A magia foi substituída pela investigação, tornando-se ciência e arte. 
A obra de Homero é a fonte mais antiga sobre a medicina helênica. O médico era uma figura de respeito. “Ele 
vale muitas vidas, inigualável na remoção de flechas das feridas e na cura com bálsamos preparados de ervas”. 
Refere-se também a bandagens, compressas, métodos para estancar as hemorragias e remédios à base de ervas. 
Estas informações dizem respeito as práticas das civilizações de Creta e do mar Egeu. Os gregos reconheciam a 
importância do sangue, mas não suas funções verdadeiras. A prática da sangria era comum, cortando as veias ou 
aplicando ventosas. 
Posteriormente a cultura grega foi sofrendo as influências orientais e a medicina foi tornando-se mais 
sacerdotal. A literatura depois de Homero, faz referências a encantamentos, demônios, clarividentes e augúrios. 
Muitos deuses gregos foram identificados com a cura: Apolo, Artemis, Atena e Afrodite. Mesmo os deuses do 
submundo eram capazes de curar ou prevenir doenças. 
O culto a Asclépio (Esculápio para os romanos) deve ter evoluído destas crenças. A serpente, seu símbolo, 
representava as forças do submundo e um sinal sagrado do deus da cura entre as tribos semitas da Ásia Menor. 
Não sabemos se ele realmente existiu. Foi deíficado após sua morte e constituiu uma grande família, incluindo 
Panacéia, que possuía a cura para tudo e Higia, que dominava a saúde pública. 
Os primeiros santuários a Esculápio foram construídos por volta de 770 a.C. e o culto da serpente se difundiu. 
Quando o tratamento médico leigo fracassava, as pessoas recorriam aos santuários de