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Fundamentos da Homeopatia

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Esculápío, onde o 
tratamento era feito à base de banhos, jejuns e cerimônias. Depois relatavam seus sonhos para serem 
interpretados pelos sacerdotes. Pode-se afirmar que a psicoterapia teve aí o seu início. 
As práticas médicas sacerdotais mantiveram sua influência durante o século V a.C até os séculos IV ou V d.C, 
quando o culto a Esculápío funde-se aos dos santos cristãos. 
A escola filosófica greco-latina foi fundada por Pitágoras (580-489 a.C) e constitui-se numa base importante 
para a medicina científica. O princípio da harmonia e proporcionalidade da natureza refletia-se no organismo. 
Pitágoras, fundador da escola médica de Crotona, conduziu seus primeiros estudos científicos sobre anatomia e 
fisiologia. 
Alcmeon, contemporâneo de Pitágoras, foi o médico mais famoso de Crotona. Descobriu os nervos óticos e a 
trompa de Eustáquio e afirmou que o cérebro era o berço do intelecto e dos sentidos. Os ensinamentos de 
Alcmeon estão contidos em On nature, onde se encontram mecanismos das doenças e meios de tratamento e 
prevenção, sem recorrer ao sobrenatural. 
Empédocles de Agrigento (500-430 a.C) considerava o mundo constituído de quatro elementos que eram a 
raiz de tudo: terra, ar, fogo e água. 
A escola greco-latina prosperava na Itália Meridional e na Sicília e outras escolas desenvolviam-se em Cirene, 
norte da África. A escola de Cnido, no extremo sul da Ásia Menor e a escola de Cós, nas ilhas de Rhodes. 
Evolução da Medicina e da Homeopatia 7
 
A escola de Cnido considerava a patologia e a terapêutica de forma mais localizada. Era mais intervencionista 
que expectante. Platão cita Eurifon e Ctésias como membros desta escola. Seus métodos estão descritos nas 
Sentenças Cnídicas, do corpus hipocraticus. 
A escola de Cós era mais famosa. Os médicos da escola de Cós ocupavam-se mais do prognóstico do que com 
as discussões sobre as causas da doença. Reconheciam a importância das doenças gerais e não apenas às suas 
localizações. A terapêutica apoiava-se nas reações defensivas naturais do organismo. Não havia doenças e sim 
doentes. Hipócrates foi o maior professor da escola de Cós. 
Hipócrates nasceu em Cós em 460 ou 450 a.C. Aprendeu medicina com seu pai, que era médico, e viajou por 
vários países. Ensinou na escola de Cós por muitos anos e adquiriu admiração e fama. É considerado o pai da 
medicina. 
Hipócrates possuía um profundo conhecimento do sofrimento humano e afirmava que o lugar do médico era 
ao lado dos enfermos. O diagnóstico era baseado na observação e no raciocínio. O conceito de doença era 
baseado na teoria da harmonia dos humores. A proporção adequada dos humores (sangue, flegma, bile amarela e 
bile vermelha) acarretaria o estado de saúde e o desequilíbrio, o estado de doença. Há uma inter-relaçao entre os 
elementos, os humores, as estações e o temperamento. 1) fogo, bile amarela, verão, temperamento bilioso. 2) 
terra, bile negra, outono, temperamento melancólico. 3) água, flegma, inverno, temperamento flegmático. 4) ar, 
sangue, primavera, temperamento sanguíneo. As qualidades: secura, frio, umidade, calor. Esta teoria ainda tinha 
adeptos durante a primeira metade do século XIX. 
Os humores, porém, não explicavam tudo. Era necessária uma força propulsora para mantê-los em atividade, 
em equilíbrio, expulsá-los ou retornar ao equilíbrio, quando em desarmonia. Essa força foi denominada de calor 
inato (enfiton termon), situada no ventrículo esquerdo do coração, segundo Hipócrates. Esta noção parece ter 
raízes no fogo sagrado das religiões, de um componente natural do homem, sua physis. Assim seria natural 
também uma tendência para a cura das doenças. Foi a partir daí que surgiram os lemas da vix medicatrix naturae 
e do primum non nocere. 
Escola de Cós Escola de Cnido 
• Organismo e doente • Órgãos e doença 
• Descrição individual • Classificação 
• Concreto • Abstrato 
• Contexto forte • Contexto fraco 
• Holístico • Redutivo 
• Regime • Remédio específico 
Após a morte de Hipócrates, houve avanços no estudo da anatomia e fisiologia. Aristóteles, discípulo de 
Platão foi o tutor de Alexandre, filho de Felipe da Macedônia, que fundou Alexandria, no Egito. Herófilo 
provavelmente foi o primeiro a dissecar um corpo humano. 
As escolas médicas que se formaram foram: metodista, pneumatista, eclética. 
Muitos médicos gregos partiram para Roma. Cato, o censor, (234-149 a.C), considerava depravados os hábitos 
dos Gregos e acusava os médicos gregos: “Se aquela corja nos passar o que sabe, será o fim de Roma, 
principalmente se os médicos deles vierem para cá. Eles juraram matar todos os bárbaros usando a medicina, e, 
para eles, é o que somos - bárbaros”. 
Roma 
Inicialmente a medicina era mágica e sobrenatural. Entre os inúmeros prisioneiros das guerras encontravam-se 
médicos que passaram a exercer a medicina com baixo nível técnico. 
O primeiro médico grego a chegar a Roma foi Arcágatos, em 219 a.C. e foi recebido com honras. 
Asclepíades foi muito bem sucedido em Roma. Recomendava dietas, exercícios, caminhadas, banhos e 
massagens. Seu lema era que os médicos deviam tratar os doentes de forma rápida, segura e agradável. Cito, tute 
et icunde. 
8
 
Curso de Homeopatia
 
Dioscórides classificou as plantas medicinais e é considerado o pai da matéria médica. Descreveu as 
propriedades medicinais de 600 plantas, 90 minerais e 168 substâncias animais. 
Aulo Cornélio Celso, no início da era Cristã, escreveu De res medica, um compêndio enciclopédico, arranjado 
sistematicamente. 
Caio Plínio Segundo (23-79 d.C), escreveu uma história natural em 37 volumes. 
Sorano de Éfeso (98-138 d.C), foi o obstetra mais famoso da antiguidade e autor de Sobre as doenças das 
mulheres, texto usado durante quinze séculos. 
Cláudio Galeno estabeleceu-se em Roma no ano 162. Logo conquistou fama de bom médico e escritor. Era 
médico particular e amigo de dois imperadores. Atacava seus colegas médicos e os acusava de incompetentes. 
Escreveu cerca de quatrocentos tratados, dos quais apenas 83 restaram de um incêndio. Afirmava que cada lesão 
implica em mudança de função. Era muito sagaz no diagnóstico e o tratamento era baseado no conceito dos 
opostos - contraria contrariis. Apesar dos erros, sua obra influenciou a medicina durante mais de mil anos. 
A série de epidemias e pestes que coincidiram com a queda do império Romano e a impotência dos médicos 
em curar tais doenças geraram uma reação contra a abordagem racional e científica da medicina e ressurgiram as 
práticas supersticiosas. 
Idade média 
O período entre 500 e 1500 é considerado como a idade média. 
A prática médica na primeira parte desta era é referida como medicina monástica, pois era realizada nos 
monastérios. A medicina era oficialmente controlada pela igreja em Bizâncio, que era francamente hostil aos 
médicos. A doença era considerada benéfica para testar a fé do doente e seu compromisso com Deus e a igreja. A 
doença ocorria como uma punição de Deus, possessão demoníaca ou resultado de feitiçaria. Estas etiologias 
espirituais requeriam tratamento religioso, orações, penitência ou graça de santos. Alguns tipos de doenças eram 
relacionadas com determinados santos. 
O Islamismo foi fundado por Mohammed em 622 d.C. Seus seguidores conquistaram quase metade do mundo 
conhecido e por volta do ano 1000, o império árabe estendia-se da Espanha à Índia. Os árabes eram muito 
interessados em medicina e construíram muitos hospitais. Seus ensinamentos iriam constituir uma ponte entre a 
medicina Greco-Romana e Renascentista. 
Os médicos árabes mais conhecidos foram Rhazes e Avicena. Os Cânones de Avicena influenciaram o ensino 
médico durante séculos. 
A segunda metade da era medieval é conhecida como o tempo da medicina escolástica. Em 1130, o concílio 
de Clermont proibiu os monges de praticarem a medicina. As universidades passaram a ocupar um lugar de