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Fundamentos da Homeopatia

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destaque na formação dos jovens médicos. Nesta era várias epidemias devastaram a Europa. 
A escola de Salerno preservou os ensinamentos da medicina árabe. Os textos da escola de Salerno eram 
expressos em versos. Era permitida a presença de mulheres estudantes de medicina. 
Séculos XV e XVI 
O mundo medieval desapareceu com as viagens de Vasco da Gama, Colombo, Magalhães. 
A renascença representou um renascimento das artes e filosofia, da investigação científica, avanços 
tecnológicos e da medicina. A cegueira escolástica da idade média foi substituída pelo humanismo, que valoriza a 
dignidade do indivíduo, a importância da vida terrena (e não apenas da vida após a morte) e da liberdade 
religiosa. 
Os desenhos de Leonardo da Vinci ilustram a arte de desenhar a fisiologia e pode ser considerado como o pai 
da anatomia. 
Andreas Vesalius (1514-1564) refutou muitas das descrições anatômicas e idéias médicas de Galeno. Com 
apenas 28 anos de idade, publicou De humani corporis, a base da medicina moderna. 
Evolução da Medicina e da Homeopatia 9
 
Paracelsus foi autor de mais de 300 obras, de medicina com base em observações até estudos sobre alquimia e 
metafísica. 
Jean Fernel (1497-1558) contribuiu para livrar o pensamento médico das amarras de Galeno. Sua obra 
Universa medica foi usada por mais de dois séculos. 
Durante a renascença foram publicados muitos livros de obstetrícia e pediatria, na língua do país, em lugar do 
latim. 
Século XVII 
O século XVII é considerado a idade da revolução científica, a idade de ouro da ciência. Enquanto as ciências 
naturais avançavam a passos largos, a medicina parecia regredir à época medieval. A cirurgia não se beneficiava 
dos conhecimentos da anatomia do século anterior e os cirurgiões eram considerados inferiores. 
Entre os filósofos do século destacam-se René Descartes (1596-1650). Seu Discurso do método, em 1637, 
adotava uma generalização do método matemático e desenvolvia uma visão mecanicista do mundo. Descartes 
deduzia os fenômenos do mundo das idéias gerais provenientes da intuição das verdades auto-evidentes. Para 
Descartes, a experimentação era principalmente ilustrativa, mas útil quando o raciocínio dedutivo não era 
conclusivo. 
Francis Bacon (1561-1626) foi outro filósofo da ciência que priorizava a experimentação e o método indutivo, 
que consistia em colecionar fatos, sem nenhuma hipótese em mente e pesquisar uma teoria geral que poderia 
surgir deles. 
Iatroquímica ou química médica foi o nome dado à fusão da alquimia, medicina, e química. Era praticada 
pelos seguidores de Paracelso, nos séculos XVI e XVII, sendo uma alternativa para a filosofia mecanicista que 
domina a ciência. 
Jan Baptista Van Helmont (1577-1644) foi o líder da Iatroquímica e do Paracelsianismo no século XVII. Sua 
comparação entre o peso da urina com o da água foi a primeira medida da densidade específica da urina. Outra 
contribuição foi o reconhecimento de que o ar é composto de vários gazes. Como Paracelsus, acreditava que a 
doença era uma entidade distinta que existia parasitando o corpo. Isto contrastava com a concepção de Galeno 
onde a doença era parte da pessoa e representava um desequilíbrio dos humores. Concluiu, pela experimentação, 
que os fermentos (enzimas) eram partes fundamentais de todos os mecanismos fisiológicos. Recusava as sangrias 
e utilizava medicamentos químicos e melhorou o emprego do mercúrio. 
Franz de la Boeh, chamado de Franciscus Sylvius (1614 – 1672). Seu entendimento da medicina era empírico, 
fazendo uso dos conhecimentos da química. Fez do laboratório um instrumento essencial para a prática da 
medicina. 
A ascensão do atomismo foi de importância fundamental para o desenvolvimento da ciência e por 
conseqüência, da medicina. O conceito teve sua origem na antigüidade e foi plenamente desenvolvido por 
Democritus de Abdera e Leucippus de Mileto, no quinto século antes de Cristo. Foi reativado no terceiro século 
depois de Cristo por Epicurus. Na idade média, o atomismo, não teve muito reconhecimento, devido à sua 
conotação ateísta. Foi redescoberto na renascença e reforçado no século XVII pelos esforços de Pierre Gassand 
(1592 - 1655). Robert Boyle (1627 – 1691) foi outro importante proponente do atomismo. 
Galileo Galilei (1564 – 1642) foi outro nome importante para a ciência moderna. Formulou as leis do 
movimento da terra, posteriormente ampliadas por Isaac Newton (1642-1727) para o universo. 
A iatromecânica, ou iatrofísica, explicava os fenômenos médicos como objetos em movimento. Giovanni 
Alfonso Borelli (1608 – 1679) foi um dos líderes da iatromecânica. Partindo de uma unidade simples, o músculo, 
expandiu suas investigações para os órgãos e por fim para o organismo todo. Giorgio Baglivi (1669 – 1707) 
representou o extremo da iatromecânica, comparando cada órgâo a uma máquina específica. Santorio Santorio 
(1561 – 1636), construiu o termômetro e desenvolveu pesquisas sobre a fisilologia do metabolismo. 
Em 1677, Antony Van Leeuwnhoek (1632 – 1723), um comerciante de linho, descobriu o espermatozóide, 
com a ajuda de um microscópio. Niklaas Hartsoecker (1656 – 1725), publicou gravuras mostrando pequenos 
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Curso de Homeopatia
 
homens pré-formados (homunculi) nos espermatozóides examinados pelo microscópio. No final do século XVII 
existiam duas teorias opostas sobre a origem dos embriões. A teoria da pré-formação era dominante. A partir do 
minúsculo indivíduo presente no esperma o embrião se desenvolvia. A teoria da epigênese. O organismo seria 
formado a partir da substância primitiva, que ia se transformando em diversos estágios e formando as estruturas 
orgânicas. 
William Harvey (1578 – 1657), demonstrou que o sangue circulava num sistema fechado. Isto foi a descoberta 
mais importante do século XVII. Houve precursores de Harvey, como Michael Servetus (1511 – 1553), Matteo 
Realdo Colombo (1516? – 1559) e Andrea Cesalpino (1519 - 1603). Um precursor bem mais antigo foi Ibn-Nafis 
(1210-1280). No entanto foi Harvey que solucionou a maioria dos problemas e é o responsável pelo entendimento 
atual da circulação sangüínea e suas contribuições são uma da mais valiosas da história da medicina. 
No século XVII ocorreram outros progressos nos conhecimentos anatômicos e fisiológicos e os termômetros e 
microscópios muito contribuíram para isto. Galileu construiu o primeiro termômetro em 1592. 
Hermann Boerhaave (1668 – 1738) fez amplo uso clínico do termômetro. Anders Celsius (1701-1744) 
reintroduzia a escala decimal. Karl August Wunderlich (1815-1877), analisando milhares de casos, chegou à 
conclusão de que a febre era um sintoma e não uma doença, e que a temperatura é tão importante quanto o pulso. 
Os dois nomes mais importantes da microscopia do século XVII são Antony Van Leeuwenhoeck (1632 – 
1723) e Marcelo Malpighi (1628-1694), o pai da biologia microscópica. Desenvolveu técnicas para o exame dos 
tecidos no microscópio e confirmou a existência dos capilares pulmonares, postulados por Harvey. 
Muitos outros progressos se fizeram. Francis Glisson (1597 – 1677) descreveu, em detalhes, o fígado, 
estômago e intestinos. Thomas Wharton (1614 – 1673) descreveu as glândulas endócrinas e exócrinas. Thomas 
Willis (1621 – 1675) descreveu o sistema nervoso. 
Thomas Sydenham (1624 – 1689) é considerado o Hipócrates Inglês. Era um excelente observador e 
descreveu a febre reumática e a gota Distinguiu a escarlatina do sarampo. Insistia que a primeira obrigação do 
médico era conhecer e cuidar dos seus doentes. Dava muita atenção aos sintomas e à progressão da doença. A 
doença seria uma condição alheia ao organismo, que reagia à ela, na tentativa de eliminação das substâncias 
indesejáveis do sangue. Acreditava nos poderes curativos da natureza e utilizou a China e o Ópio. 
Giovanni Maria Lancisi (1654 - 1720), propôs uma reforma radical no ensino da medicina e