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DIREITO CIVIL - SUCESSOES

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DIREITO CIVIL
Sucessões
Profª. Maitê Damé
 
 
I – SUCESSÃO EM GERAL 
1. Abertura da sucessão 
A sucessão se abre com o óbito. No exato momento da morte há a abertura da 
sucessão e a transmissão da herança (bens, dívidas, créditos e obrigações) deixada 
pelo falecido aos herdeiros (princípio da saisine) – art. 1.784. 
Não há herança de pessoa viva, embora possa ocorrer a sucessão do ausente. 
São, portanto, pressupostos da sucessão: 
a) que o de cujus tenha falecido; 
b) que lhe sobreviva herdeiro. 
Se o autor da herança estiver vivo, não há sucessão. Assim, só se abre a 
sucessão havendo óbito real ou presumido. 
Em termos de morte civil, existem três modalidades: a) morte real; b) morte 
presumida sem declaração de ausência; c) morte presumida com declaração de 
ausência. 
 
a. Morte real 
Aquela que se dá com corpo presente, ou seja, existe a materialidade (morte 
natural, por atropelamento, por um tiro, cerebral, ...). Neste caso, necessário um laudo 
médico, atestando a morte, para a elaboração do registro do óbito. 
 
b. Morte presumida sem declaração de ausência 
Via de regra é preciso que haja a apresentação do atestado de óbito para que 
possa ser considerada aberta a sucessão. Contudo, há casos em que a morte é 
presumida, quando, por exemplo, o corpo do de cujus não é encontrado em razão de, 
por exemplo, ter desaparecido em um naufrágio ou incêndio, de forma a impossibilitar 
a constatação da morte via atestado de óbito: 
- desaparecimento do corpo da pessoa, sendo extremamente provável a morte 
de quem estava em perigo de vida; 
- desaparecimento de pessoa envolvida em campanha militar ou feito 
prisioneiro, não sendo encontrado até dois anos após o término da guerra. 
Art. 7. Pode ser declarada a morte presumida, sem decretação de ausência: 
I - se for extremamente provável a morte de quem estava em perigo de vida; 
 
 
 
II - se alguém, desaparecido em campanha ou feito prisioneiro, não for 
encontrado até dois anos após o término da guerra. 
Parágrafo único. A declaração da morte presumida, nesses casos, somente 
poderá ser requerida depois de esgotadas as buscas e averiguações, devendo 
a sentença fixar a data provável do falecimento. 
 
Nestes casos, após buscas e averiguações poderá ser requerida a declaração 
judicial da morte presumida, quando, na sentença, deverá constar a data provável do 
falecimento1. 
 
c. Morte presumida com declaração de ausência 
Ao lado da morte natural, o legislador previu a morte presumida do ausente (art. 
6.º). Considera-se ausente aquele que desaparece de seu domicílio sem dar notícias, 
sem deixar representante ou procurador para administrar-lhe o patrimônio, conforme 
art. 22: 
Art. 22. Desaparecendo uma pessoa do seu domicílio sem dela haver notícia, 
se não houver deixado representante ou procurador a quem caiba administrar-
lhe os bens, o juiz, a requerimento de qualquer interessado ou do Ministério 
Público, declarará a ausência, e nomear-lhe-á curador. 
 
Considerando que há uma presunção da morte do ausente, podem os herdeiros 
darem abertura ao processo sucessório. A lei prevê três fases2: curadoria dos bens do 
ausente, sucessão provisória e sucessão definitiva. 
Na fase de curadoria dos bens do ausente, em ação que deve ser proposta pelo 
MP ou pelo interessado (qualquer sucessor), será nomeado um curador para guardar 
os bens do ausente (art. 744, CPC/2015). 
Serão curadores: 
a) O cônjuge ou companheiro; 
b) Os pais do ausente; 
c) Os descendentes; 
d) Um curador dativo (pessoa idônea e de confiança). 
 
1 TARTUCE, Flávio. Direito civil: direito das sucessões. V. 6. 9.ed. Rio de Janeiro: Forense, 2016, p. 13. 
 
2 TARTUCE, Flávio. Direito civil: direito das sucessões. V. 6. 9.ed. Rio de Janeiro: Forense, 2016, p. 14-
20. 
 
 
Uma vez que tenham sido arrecadados os bens do ausente, o art. 745, CPC/2015 
determina que seja publicado edital na internet, no site do Tribunal de Justiça e na 
plataforma de editais do CNJ, onde deverá permanecer por 1 ano. Não havendo site, a 
publicação deve ocorrer, de dois em dois meses, no órgão oficial e na imprensa da 
Comarca. 
Passado 1 ano da arrecadação dos bens do ausente e da nomeação do curador, 
a sucessão provisória poderá ser aberta pelos herdeiros. Se o ausente tiver deixado 
representante, o prazo para abertura da sucessão provisória é de 3 anos após a 
arrecadação. Essa é a previsão do art. 26, CC: 
Art. 26. Decorrido um ano da arrecadação dos bens do ausente, ou, se ele 
deixou representante ou procurador, em se passando três anos, poderão os 
interessados requerer que se declare a ausência e se abra provisoriamente a 
sucessão. 
 
O CPC/2015, contudo, traz a previsão, no § 1.º do art. 745, que o edital fará a 
previsão de prazo e, no final deste prazo, é que poderá ser requerida a abertura da 
sucessão provisória. 
§ 1º Findo o prazo previsto no edital, poderão os interessados requerer a 
abertura da sucessão provisória, observando-se o disposto em lei. 
 
A doutrina tem entendido que aplica-se a disposição do CPC e não do CC (que 
prevê a contagem de 1 ano a partir da arrecadação). 
Poderão requerer a abertura da sucessão provisória: 
Art. 27. Para o efeito previsto no artigo anterior, somente se consideram 
interessados: 
I - o cônjuge não separado judicialmente; 
II - os herdeiros presumidos, legítimos ou testamentários; 
III - os que tiverem sobre os bens do ausente direito dependente de sua 
morte; 
IV - os credores de obrigações vencidas e não pagas. 
 
A sentença de abertura da sucessão provisória só produz efeitos após 180 dias 
da sua publicação na imprensa, ou seja, o trânsito em julgado desta sentença possui 
prazo especial e diferente do geral (art. 28, CC). 
Art. 28. A sentença que determinar a abertura da sucessão provisória só 
produzirá efeito cento e oitenta dias depois de publicada pela imprensa; mas, 
logo que passe em julgado, proceder-se-á à abertura do testamento, se houver, 
e ao inventário e partilha dos bens, como se o ausente fosse falecido. 
§ 1º Findo o prazo a que se refere o art. 26, e não havendo interessados na 
 
 
sucessão provisória, cumpre ao Ministério Público requerê-la ao juízo 
competente. 
§ 2º Não comparecendo herdeiro ou interessado para requerer o inventário até 
trinta dias depois de passar em julgado a sentença que mandar abrir a 
sucessão provisória, proceder-se-á à arrecadação dos bens do ausente pela 
forma estabelecida nos arts. 1.819 a 1.823. 
Art. 29. Antes da partilha, o juiz, quando julgar conveniente, ordenará a 
conversão dos bens móveis, sujeitos a deterioração ou a extravio, em imóveis 
ou em títulos garantidos pela União. 
 
Após este prazo é possível a abertura de eventual testamento e do inventário para 
partilha dos bens. Para que os herdeiros ingressem na posse dos bens do ausente, 
deverão dar garantia, através de penhor ou hipoteca dos seus bens (art. 30). Os que 
não puderem dar as garantias não receberão o patrimônio, que ficará sob a 
administração do curador. Contudo, o cônjuge, os descendentes e ascendentes 
poderão ingressar na posse, independentemente da garantia. 
Art. 30. Os herdeiros, para se imitirem na posse dos bens do ausente, darão 
garantias da restituição deles, mediante penhores ou hipotecas equivalentes 
aos quinhões respectivos. 
§ 1º Aquele que tiver direito à posse provisória, mas não puder prestar a 
garantia exigida neste artigo, será excluído, mantendo-se os bens que lhe 
deviam caber sob a administração do curador, ou de outro herdeiro designado 
pelo juiz, e que preste essa garantia. 
§ 2º Os ascendentes, os descendentes e o cônjuge, uma vez provada a sua 
qualidade de herdeiros, poderão, independentemente de garantia, entrar na 
posse