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O Ultimo dia de um Condenado - Victor Hugo (2) (1)

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uma escada na parte de trás da carreta; deram-me o braço,
desci, dei um passo, depois voltei-me para dar outro e não pude. Entre dois
candeeiros do cais, vira uma coisa sinistra.
Oh! Era a realidade!
Parei, como se estivesse já sob o cutelo.
— Tenho uma última declaração a fazer! — disse em voz fraca.
Trouxeram-me para aqui.
Pedi que me deixassem escrever as minhas últimas vontades. Desligaram-
me as mãos, mas a corda está aqui e o resto está lá em baixo.
XLIX
Um juiz, um comissário, um magistrado, não sei de que espécie, acabam de
chegar. Pedi-lhes o meu perdão, juntando as mãos e arrastando-me sobre os
joelhos. Responderam-me, sorrindo fatalmente, se isso era tudo o que tinha para
lhes dizer.
— O meu perdão! O meu perdão! — repeti eu, — ou por piedade, cinco
minutos ainda!
Quem sabe? Talvez ele venha! É tão horrível morrer assim na minha idade!
Já se viram perdões, que chegavam no último momento. E a quem concedem o
perdão, senhor, se não for a mim?
Este execrável carrasco aproximou-se do juiz para lhe dizer que a execução
devia ser feita a uma certa hora, que essa hora se vinha aproximando e que ele
era o responsável, e demais a mais estava chovendo e que aquilo se arriscava a
enferrujar-se.
— Por piedade! Um minuto para esperar o meu perdão! Ou defendo-me!
Mordo!
O juiz e o carrasco saíram. Fiquei só... só com dois gendarmes.
Oh! O horrível povo com os seus gritos de hiena!
— Quem sabe se eu lhe escaparei? Se não estarei salvo? Se o meu perdão?...
É impossível que me não perdoem!
Ah! Os miseráveis! Parece-me que sobem a escada...
Q UATRO HORAS
Notas
[1] Nós não pretendemos encarar com o mesmo desdém tudo o que foi dito por
essa ocasião na Câmara. Algumas belas e dignas palavras foram pronunciadas.
Nós aplaudimos, como toda a gente, o discurso grave e simples do senhor
Lafayete e num outro sentido o notável improviso do senhor Villemain.
[2] La Porte diz vinte e dois, mas Aubery diz trinta e quatro. O senhor de Chalais
até ao vigésimo quarto ainda estava vivo e gritava.
[3] O « parlamento» do Tahiti acaba de abolir a pena de morte.
[4] Julgámos nosso dever reimprimir aqui a espécie de prefácio em diálogo, que
se vai ler, e que acompanhava a terceira edição do Último dia de um condenado.
É preciso recordar, ao lê-la, no meio de que objeções políticas, morais e
literárias foram publicadas as primeiras edições deste livro.
(Nota da edição de 1832).
[5] No dia seguinte uns passos atravessavam a floresta, enquanto um cão uivava,
errando pela margem do rio; e quando a donzela lacrimosa se veio de novo
sentar com o coração alarmado sobre a velha torre do castelo, a triste Isaura
ouviu as ondas gemendo, mas não o mandolim do gentil trovador.
[6] Gentil Bernardo foi avisado por Pindoro e Citéra de que a Arte de Amar
devia vir cear no sábado com a Arte de Agradar.
[7] O que tentava dizer, era verso.
[8] Foi na rua do Mail, que fui pilhado por três diabos da polícia, que se lançaram
sobre mim. Puseram-me as algemas e assim me levaram. No meu caminho
encontro um ladrão da minha rua. — Vai dizer a minha mulher que fui
engavetado. Minha mulher encolerizada, disse-me: — O que fizeste? — Matei
um homem e roubei-lhe o dinheiro, o relógio e as fivelas de prata.
Minha mulher parte para Versailles, e lança-se aos pés do rei com um memorial
para me mandar soltar.
Se me vejo na rua, recompensarei minha mulher; dar-lhe-ei bons vestidos e
sapatos bordados. Mas o rei zanga-se e diz: — Pelo meu chapéu, que hei de fazê-
lo dançar uma dança de que não tenha de se rir.
[9] Pé de rei: Medida francesa de doze polegadas.
[10] Charenton era um hospital de doidos.
FICHA TÉCNICA
TÍTULO: O último dia de um condenado.
TÍTULO ORIGINAL: Le Dernier Jour d'un condamné.
AUTOR: Victor Hugo.
CAPA: © 2012, (zero papel), baseada numa ilustração de Gustave Doré.
EDIÇÃO DIGITAL: 
© (zero papel), novembro de 2012, baseada na edição de Paris, 1881.
Texto em conformidade com o acordo ortográfico da língua portuguesa de 16 de
dezembro de 1990.
Índice
Prefácio
O último dia de um condenado
I
II
III
IV
V
VII
VIII
IX
X
XI
XII
XIII
XIV
XV
XVI
XVII
XVIII
XIX
XX
XXI
XXII
XXIII
XXIV
XXV
XXVI
XXVII
XXVIII
XXIX
XXX
XXXI
XXXII
XXXIII
XXXIV
XXXV
XXXVI
XXXVII
XXXVIII
XXXIX
XL
XLI
XLII
XLIII
XLIV
XLV
XLVI
XLVII A MINHA HISTÓRIA
XLVIII
XLIX
	Prefácio
	O último dia de um condenado
	I
	II
	III
	IV
	V
	VII
	VIII
	IX
	X
	XI
	XII
	XIII
	XIV
	XV
	XVI
	XVII
	XVIII
	XIX
	XX
	XXI
	XXII
	XXIII
	XXIV
	XXV
	XXVI
	XXVII
	XXVIII
	XXIX
	XXX
	XXXI
	XXXII
	XXXIII
	XXXIV
	XXXV
	XXXVI
	XXXVII
	XXXVIII
	XXXIX
	XL
	XLI
	XLII
	XLIII
	XLIV
	XLV
	XLVI
	XLVII A MINHA HISTÓRIA
	XLVIII
	XLIX