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Compêndio de Análise Institucional - O Movimento Institucionalista, Autoanálise e Autogestão

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FICHAMENTO 
 
O MOVIMENTO INSTITUCIONALISTA, AUTOANÁLISE E AUTOGESTÃO 
 
COMPÊNDIO DE ANÁLISE INSTITUCIONAL E OUTRAS CORRENTES 
TEÓRICAS E PRÁTICAS 
GREGORIO F. BAREMBLITT 
 
 
MOVIMENTO INSTITUCIONALISTA/INSTITUINTE: conjunto de escolas; leque 
de tendências (p.11). 
“Não existe nenhuma escola ou tendência que possa dizer que encarna 
plenamente o ideário do Movimento Instituinte. Contudo, pode-se encontrar em 
diversas dessas escolas algumas características em comum” (p.11). 
 
Ideais máximos = propósitos mais importantes (p.11). 
 
“As diferentes escolas do Movimento Instituinte se propõem a propiciar, apoiar e 
deflagrar nas comunidades, nos coletivos e nos conjuntos de pessoas, 
processos de autoanálise e de autogestão” (p.11-12). 
 
De acordo com o autor, a complexidade da vida social atingiu seu máximo na 
história da humanidade por meio da civilização industrial/capitalista/tecnológica 
(p.12). 
“Acontece, então, que nossa época, nossa civilização, além de se caracterizar 
por uma grande diversidade, uma grande complicação interna, caracteriza-se 
também por, de fato, ter produzido uma soma de saberes [...]; ou seja, houve um 
processo de produção do conhecimento [...]” (p.12). 
“Ou seja, nossa civilização tem produzido um saber acerca de seu próprio 
funcionamento como objeto de estudo e tem gerado profissionais, intelectuais, 
experts que são os conhecedores desta estrutura e do processo desta sociedade 
em si” (p.12). 
“[...] estes experts têm-se colocado a serviço das grandes entidades proprietárias 
da riqueza, do poder, do saber e do prestígio, que são as organizações 
corporativas, as empresas nacionais e multinacionais etc.” (p.12-13). 
 
“Esta situação, em que os ‘sábios’, os conhecedores da estrutura e do processo 
da vida social estão predominantemente a serviço do Estado e das empresas, 
tem como consequência que os povos [...] veem-se despossuídos de um saber 
que tinham acumulado através de muitos anos acerca de sua própria vida, de 
seu próprio funcionamento” (p.13). 
Assim, o autor afirma que as comunidades apresentam a ideia de que seu saber 
está subordinado ao saber dos experts (p.13). 
 
“[...] todas essas outras entidades também usam da força, senão da força física, 
da força da persuasão, da força da sedução” (p.13-14). 
 
“[...] os experts conhecem e decidem, prevalentemente, segundo os interesses 
das classes, níveis hierárquicos e grupos dominantes [...]” (p.14). 
 
DEMANDA: 
Conforme o autor, as coletividades apresentam necessidades básicas 
universais, as quais são expostas por meio de demandas espontâneas e 
exigências de serviços e/ou produtos (p.14). Entretanto, ele aponta que o 
institucionalismo refuta essa ideia, pois considera que as necessidades são 
produzidas, assim como a demanda é modulada (p.14). Destarte, os experts 
acumulam um saber que os possibilita fazer com que as pessoas achem que 
precisam de algo e solicitem aquilo que os especialistas apontam como 
indispensável (p.14). “Então, os coletivos perdem e alienam o saber acerca de 
sua própria vida, a noção de suas reais necessidades [...]” (p.15). 
“Mal podem organizar-se para resolver tais problemas se não conseguem saber, 
com maior clareza, quais são seus verdadeiros problemas e o que se requer 
para resolvê-los” (p.15). 
 
AUTOANÁLISE: “[...] consiste em que as comunidades mesmas, como 
protagonistas de seus problemas, necessidades, interesses, desejos e 
demandas, possam enunciar, compreender, adquirir ou readquirir um 
pensamento e um vocabulário próprio que lhes permita saber acerca de sua vida 
[...]” (p.15). 
“Este processo de autoanálise das comunidades é simultâneo ao processo de 
auto-organização em que a comunidade se articula, se institucionaliza, para 
construir os dispositivos necessários para produzir, ela mesma, ou para 
conseguir os recursos de que precisa para a manutenção e o melhoramento de 
sua vida sobre a terra” (p.15). 
“[...] produção de um saber, do conhecimento acerca de seus problemas [...]” 
(p.17). 
 
“Para poderem efetuar essa autocrítica, os experts não podem fazê-lo [...] nas 
academias ou exclusivamente nos laboratórios experimentais. Eles têm de entrar 
em contato direto com esses coletivos que estão se autoanalisando e 
autogestionando para incorporar-se a essas comunidades” (p.16). Assim, de 
acordo com o autor, isso resultaria em críticas sobre as posições e hierarquias 
que apresentam nos aparelhos acadêmicos ou jurídico-políticos do Estado 
(p.16). Desse modo, “[...] os experts poderão aprender como eles serão capazes 
de propiciar outros movimentos autogestivos e autoanalíticos quando forem 
chamados a participar” (p.16). 
 
De acordo com o autor, a autoanálise e a autogestão são tanto objetivos das 
propostas instituintes quanto os meios para realiza-las (p.16). 
 
AUTOANÁLISE e AUTOGESTÃO: 
Processos simultâneos e articulados (p.16). 
As comunidades “[...] têm de se dar condições para produzir esse saber e para 
desmistificar o saber dominante. Ao mesmo tempo, tudo o que elas descobrirem, 
neste processo de autoconhecimento só terá uma finalidade: a de auto-
organizar-se para que possam operar as forças destinadas a transformar suas 
condições de existência, a resolver seus problemas. Mas não pode haver uma 
organização sem um saber, não pode haver um saber sem uma organização” 
(p.17). 
 
“Na realidade, é difícil pensar qualquer processo organizativo que não inclua 
certa divisão de trabalho e que não implique certa hierarquia de decisão, de 
deliberação” (p.17). Porém, o autor afirma que essa existência de hierarquia não 
implica diferença de poder, mas sim em uma especialização de determinadas 
tarefas (p.17). 
 
Segundo o autor, o institucionalismo e outros processos autoanalíticos produzem 
conhecimentos e todo saber envolve um poder. Todavia, Baramblitt ressalta que 
se trata de um saber coletivo. “Então, quanto este saber compartilhado é 
delegado a alguns que se especializam nesta questão, já não é um saber 
produzido fora dos interesses e desejos do coletivo [...]” (p.18). 
 
ESPECIALISTAS: “[...] delega-se a eles um saber que é a expressão dos 
interesses e das capacidades essenciais do coletivo” (p.18). 
 
“O coletivo conserva um saber básico acerca de seu campo que lhe permite 
julgar quando o especialista está exercitando o seu poder com sentido instituinte-
organizante [...]” (p.18). 
 
“A primeira operação que as comunidades devem fazer é recuperar, revalorizar 
o saber espontâneo que elas têm sobre seus problemas. A segunda operação 
deve ser feita em conjunto com os experts, ajudando-os a criticar essa orientação 
– essa medula dominante reacionária [...” (p.19). 
 
“O Movimento Institucionalista reconhece uma gênese histórico-social e uma 
gênese teórica” (p.20). 
“A primeira é a história de todas as tentativas que houve na história da 
humanidade e as que hoje existem e exercitam um institucionalismo espontâneo” 
(p.20). 
A segunda se refere “[...] ao campo das ideias, conceitos e funções [...] que foram 
produzidas pela humanidade no decorrer da história do conhecimento e podem 
contribuir para [...] fundamentar a proposta institucionalista” (p.20). 
 
“[...] os coletivos em questão não são donos do saber, [...] da riqueza, [...] dos 
recursos que são propriedade e servem ao poder dos organismos e entidades 
de classe alta e grupos dominantes” (p.20). 
 
“Esses processos autogestivos e autoanalíticos são, para a organização do 
sistema, um câncer, uma peste” (p.21). 
“Isso faz com que os objetivos últimos do institucionalismo – a autoanálise e a 
autogestão – não sejam atingidos nunca de forma definitiva” (p.21). 
 
 
REFERÊNCIA 
 
BAREMBLITT, G. O Movimento Institucionalista, Autoanálise e Autogestão. In: 
Compêndio de Análise Institucional e Outras Correntes: teoria e prática. 6 
ed. Belo Horizonte: Fgb/ifg, 2012. 
 BAREMBLITT, G. Compêndio de Análise Institucional e outras 
correntes: teoria e prática. ed. 4, Rio de Janeiro: Rosa dos tempos, 
1998.

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