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Anatomia Médico-Cirúrgica-Aulas_P2 - Manu rainha de novo

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Anatomia médico-cirúrgica 
Prof.º: José Kawazoe – 16/10/2019 
Exame clínico do abdome 
⎯ Ferimentos penetrantes (PAF ou ferimento 
de arma branca) sem orifício de saída 
1. Na região epigástrica: pâncreas, estômago, lobo 
esquerdo do fígado, diafragma, cólon transverso, aorta 
abdominal, VCI; 
2. Na região do hipocôndrio direito: lobo direito do 
fígado, diafragma, flexura hepática do cólon, base 
pulmonar e da pleura direitos (possiblidade de 
pneumotórax), vesícula biliar; ponto cístico cruzamento 
do rebordo costal direito com linha hemiclavicular 
direita (polegar deve ser posicionado ali em suspeita de 
colecistite aguda, dor à compressão do ponto cístico é 
sinal patognomônico de colecistite aguda – sinal de 
Murphy) 
3. Na região do hipocôndrio esquerdo: cauda do 
pâncreas, baço, flexura esplênica do cólon, fundo do 
estômago, jejuno, base pulmonar esquerda. 
4. Na região mesogástrica: aorta abdominal, VCI, 
jejuno/íleo, corpo do estômago (quando dilatado), cólon 
transverso, útero gravídico (gravidez avançada); 
5. Na região do flanco direito: rim direito, cólon 
ascendente, jejuno/íleo, duodeno, (2ª porção); 
6. Na região do flanco esquerdo: rim esquerdo, cólon 
descendente, jejuno/íleo; 
7. Na região hipogástrica: útero gravídico (1º para 2º 
trimestre), bexiga cheia (normalmente não ultrapassa 
nível da sínfise púbica), divisão da aorta abdominal em 
ilíacas comuns, veias ilíacas confluindo para VCI, cólon 
sigmoide, íleo; 
8. Na região da fossa ilíaca direita: ceco e apêndice 
vermiforme, íleo terminal; 
9. Na região da fossa ilíaca esquerda: cólon 
sigmoide, jejuno/íleo; 
⎯ Diagnostico diferencial de dor abdominal 
1. Na região epigástrica: dor em queimação ou 
opressiva: dispepsia (gastrite/úlcera gástrica, 
esofagite) (DRGE); pancreatite (DOR EM BARRA > 
epigástrica com irradiação para os dois lados); hepatite 
(não é a apresentação mais comum); hérnia 
epigástrica, úlcera duodenal; 
- Dor de aneurisma dissecante (dissecção aórtica 
aguda): dor torácica de forte intensidade sem fator de 
alívio e que pode migrar com evolução do caso); 
- DRGE: dor em queimação na região epigástrica com 
irradiação para região retroesternal ou cervical (como 
diferenciar de dor em angina > relacionar com esforços, 
alivia em pouco tempo, irradiação para ombro e MSE, 
dor compressiva); 
2. Na região do hipocôndrio direito: hepatite, 
colecistite, distensão de cápsula hepática 
(hepatomegalia mais aguda, por congestão), 
pancreatite, úlcera gástrica e úlcera duodenal, 
pneumonia de base direita com pleurite (menos 
comuns); 
- Raio-X de tórax, hemograma e ECG: exames de rotina 
na urgência; 
3. Na região do hipocôndrio esquerdo: congestão do 
baço, aumento do volume com distensão de cápsula, 
pancreatite, pneumonia de base esquerda, úlcera 
gástrica (não é apresentação mais frequente) e úlcera 
duodenal; 
4. Na região mesogástrica: cólica intestinal 
(jejuno/íleo), gastroenterite, úlcera gástrica, apendicite 
em fase inicial, doença inflamatória intestinal (colite, 
doença de Chron, síndrome do intestino irritável), 
pancreatite, hérnia umbilical, pancreatite; 
5. Na região do flanco direito: cólica renal, cólica 
nefrética alta, cólica intestinal (jejuno/íleo/cólon 
ascendente), ITU alta (pielonefrite aguda) – manobra 
de punho-percussão lombar -, constipação, hérnia 
lombar; 
6. Na região do flanco esquerdo: cólica renal ITU alta, 
constipação, hérnia lombar, diverticulite (mais 
frequente em cólon sigmoide), doença inflamatória 
intestinal 
7. Na região hipogástrica: cólica pélvica (ginecológica 
- útero), cólica intestinal, ITU, apendicite, doença 
inflamatória intestinal; 
8. Na região da fossa ilíaca direita: apendicite (sinal 
de Bloomberg – dor à compressão do ponto de 
McBurney – sinal patognomônico de irritação 
peritoneal), cólica renal (ureter baixo, na região inguinal 
também que se irradia pars bolsa escrotal ou grandes 
lábios), dor pélvica (ginecológica – tuba uterina e 
ovários direito), hérnia inguinal; 
9. Na região da fossa ilíaca esquerda: diverticulite 
aguda, cólica renal (ureter baixo), constipação, hérnia 
inguinal; 
Vídeo Semiologia Rocco – Exame do abdome 
Link: 
https://www.youtube.com/watch?v=rBsiU_WWsOw 
Envolve a inspeção estática e dinâmica, a palpação, a 
percussão e a asculta. 
1. Inspeção: 
 Deve ser feito com abdome desnudo da linha 
submamária até raiz dos pelos pubianos; 
 É realizada olhando-se tangencialmente o 
abdome, procurando por abaulamentos e 
cicatrizes; 
 As cicatrizes denunciam o tipo de cirurgia e o 
órgão acometido. Podem ser medianas – 
laparotomia, supraumbilical, infraumbilical, 
https://www.youtube.com/watch?v=rBsiU_WWsOw
2 
xifopubiana ou transumbilical, paramedianas, 
subcostal direita, subcostal bilateral, cicatriz de 
Jalaguier – na região do apêndice vermiforme, 
cicatriz de Pfannestiel – junto aos pelos 
pubianos, acesso de prostatectomia ou da 
cesariana; 
 
 A inspeção dinâmica é feita pedindo-se ao 
paciente para respirar fundo; realizar a 
manobra de Smith-Dates, que consiste na 
suspensão das duas pernas para a contração 
dos músculos abdominais com o objetivo de 
evidenciar hérnias; 
2. Ausculta: 
 Deve ser feita antes da palpação, porque a 
palpação pode estimular a peristalse e 
prejudicar a ausculta; 
 O umbigo é o parâmetro para a divisão do 
abdome em quatro quadrantes; a peristalse, 
então, deve ser auscultada em cada um desses 
quadrantes – para que seja possível afirmar 
que há ausência de peristalse, é preciso 
auscultar cada quadrante durante três minutos 
> a cada quatro incursões respiratórias uma 
onda peristáltica; 
 
 Outra divisão do abdome é a divisão em nove 
regiões, a partir do traçado de quatro planos > 
planos: hemiclaviculares direito e esquerdo, 
transpilórico (L1) ou subcostal (L2) e 
intertubercular (L4); e regiões: hipocôndrios 
direito e esquerdo, regiões epigástrica, 
mesogástrica (ou umbilical) e hipogástrica, 
flancos direito e esquerdo e fossas ilíacas 
direita e esquerda (ver órgãos que estão 
contidos em cada uma dessas regiões acima 
neste resumo); 
 
3. Palpação 
 A região em que o paciente sente dor deve ser 
a última a ser examinada; 
 O padrão de palpação: se inicia na fossa ilíaca 
direita e segue uma trajetória de caracol, 
abrangendo todos os quadrantes do abdome, 
terminando na região umbilical; 
 O objetivo da palpação superficial é sentir a 
tensão da parede abdominal; 
 A palpação profunda deve ser feita 
posteriormente à palpação superficial, com 
uma ou duas mãos; durante a realização da 
palpação profunda deve-se observar a fascies 
do paciente; palpação de órgãos internos; 
 Após palpação superficial e palpação profunda, 
algumas regiões específicas devem ser 
palpadas, como o cólon sigmoide na fossa 
ilíaca esquerda (palpável em 85% das 
pessoas, pode ser sede de dor se o paciente 
tiver diverticulite), o ceco na fossa ilíaca 
direita e flanco direito; 
 
 Palpação do fígado: palpação de Lemos-Torres 
> deve ser precedida do posicionamento da 
mão na região costolombar, de modo a 
suspender o fígado e, com a mão direita, 
percorrer desde a fossa ilíaca direita até o 
rebordo costal direito (o fígado cresce crânio-
caudalmente) na linha hemiclavicular e na linha 
média, solicitando ao paciente para inspirar 
profundamente – borda radial dos dedos; outro 
modo é a palpação em garra, com 
posicionamento dos dedos em garra abaixo do 
rebordo costal – manobra de Mathieu; 
 Ponto cístico: encontro do rebordo costal direito 
com a linha hemiclavicular direita; dor à 
compressão do ponto cístico (sinal de Murphy) 
é sinal patognomônico de colecistite aguda; 
 
 Palpação do baço: é possível somente em 2% 
dos pacientes; quando seu aumenta supera 
duas vezes seu tamanho, pode ser palpável; 
deve-se proceder ao posicionamento da mão 
na região costolombar ; o baço cresce 
diagonalmente,