A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
8 pág.
Capítulo 1 - livro Decifrando a Terra

Pré-visualização | Página 2 de 3

crateras de grande impacto, como a do Arizona (Arizona, EUA) ou a Cratera 
de Colônia, coberta de sedimentos e habitada (uma das poucas - Palheiros, São Paulo, Brasil). 
“A importância no estudo dos meteoritos está na possibilidade de estabelecimento, com certa 
precisão, da cronologia dos eventos ocorridos durante a evolução primitiva do Sistema 
Solar.” (p. 35) 
A observação de trajetórias e comparações químicas, indicou o cinturão de asteróides, 
situado entre as órbitas de Marte e Júpiter, como o local de origem desses meteoros - bem 
como da Lua e de Marte. A classificação dos meteoritos é feita em classes e subclasses, 
conforme suas composições e estruturas. 
Dois aspectos da meteorítica são importantes para o entendimento da evolução 
primitiva do Sistema Solar: a significação dos meteoritos condríticos para o processo 
de acreção planetária e a significação dos meteoritos diferenciados em relação à 
estrutura interna dos planetas terrestres. (p. 34) 
 
Os meteoritos condríticos representam a maior fração das quedas observadas (86%), 
alguns de tipo ordinário (81%) e a menor fração de carbonáceos (5%), e são considerados 
corpos primitivos do Sistema Solar, de composição predominantemente formada por 
materiais metálicos. Excluídos alguns carbonáceos, todos os condritos possuem côndrulos 
(pequenos glóbulos) constituídos de minerais silicáticos, os quais, na Terra, surgem em altas 
temperaturas, nas profundezas do planeta, a partir da cristalização de líquidos silicáticos. 
Assim, é provável que os côndrulos formaram-se pela cristalização de pequenas gotas em 
altas temperaturas, que vagavam pelo espaço. É provável que os meteoritos condríticos 
tenham se originado da fragmentação de corpos parentais maiores, de composição mais ou 
menos homogênea.e sem terem sofrido diferenciação química. 
Dentre as quedas recuperadas, cerca de 14% delas são de acondritos, siderólitos e 
sideritos - “Esse meteoritos não condríticos correspondem a diversas categorias de sistemas 
químicos diferentes, formados em processos de diferenciação geoquímica, no interior de 
corpos parentais maiores do que aqueles que deram origem aos condritos (...)” (p. 35). 
Ao final da evolução dos corpos parentais, houveram colisões entre eles com a 
fragmentação em objetos menores e muitos desses fragmentos foram capturados pela atração 
gravitacional da órbita da Terra. 
 
Pela idade dos meteoritos diferenciados de 4560 milhões de anos, é evidente 
que naquela época já ocorrera acúmulo de material em corpos parentais cin 
dimensão suficiente para ensejar diferenciação geoquímica. Como corolário, 
os planetas terrestres também se formaram seguramente de acordo com esse 
cronograma. (p. 35) 
 
A medida das chamadas “radioatividades extintas” (como a quantidade de xenônio) 
permitiu limitar a 200 milhões de anos o processo de nucleossíntese que deu origem à 
maioria dos elementos que formam o Sol e os corpos planetários, que provém da explosão de 
uma supernova. 
 
1.6 Planetologia comparada 
 Os planetas telúricos tiveram uma evolução similar aqueles corpos parentais dos quais 
se fragmentaram os meteoritos diferenciados, de tal forma que, o núcleo dele deve ser 
metálico e o manto silicático. 
1.6.1 Planetas telúricos (ou rochosos) 
A Terra apresenta um conjunto de características únicas que possibilitam a existência 
e persistência de formas de vida: campo magnético que protege dos ventos solares; atmosfera 
secundária formada por gases liberados ao longo da história do planeta (hoje, nitrogênio, 
oxigênio e argônio); temperatura da superfície suficientemente baixa, permitindo a existência 
de água líquida e de vapor de água, que com outros gases provoca o efeito estufa, que por sua 
vez, possibilitam a existência da biosfera. 
A Terra possui fontes de energia interior, que condicionam a tectônica global, e fontes 
de energia externa, a radiação solar, que provoca movimentações na atmosfera e oceanos, 
modificando a superfície continuamente. 
A Lua é um dos maiores satélites do Sistema solar e o único da Terra e não apresenta 
atmosfera. Suas características geológicas são as seguintes: áreas claras, os mares, (​maria​) 
vastas planícies de composição basáltica (origem vulcânica e comuns na Terra); áreas 
escuras, terras altas (​highlands​), de relevo irregular e com a presença de um número relevante 
de crateras de impacto, rochas claras acinzentadas pouco comuns na Terra. Dentre as rochas 
coletadas na missão Apollo 11, as mais antigas mostram-se com idades acima de 4.000 
milhões de anos e as mais jovens 3.2000 milhões de anos. Tanto a Terra como a Lua 
passaram por violentos bombardeios por planetésimos e asteroides de diversos tamanhos no 
processo de acreção planetária, mas as dinâmicas superficiais da Terra apagaram a maioria 
destes registros. 
 
A hipótese mais provável da origem da Lua é a que propõe a ocorrência do impacto 
de um corpo de dimensões de Marte nos estágios finais de acreção planetária. (...). 
Parte do corpo impactante teria sido incorporado à Terra, enquanto outra, mesclada 
com material do manto terrestre, teria sido ejetada para uma situação orbital, 
formando a Lua. (p. 36) 
 
Três evidências suportam essa hipótese: a semelhança da composição química entre a 
Terra e a Lua, algo incomum entre planetas e seus satélites; a composição isotópica do 
oxigênio é similar na Terra e na Lua; a densidade da Lua é muito menor que a da Terra. 
A partir do Sol e organizando os planetas em ordem orbital, tem-se: 
Mercúrio ​- massa 5,5% da Terra e densidade pouco inferior, núcleo metálico, 
proporcionalmente maior que o terrestre, campo magnético mais intenso, depois da Terra. 
Geologicamente inativo (bem cedo), sem atmosfera densa e sem evidências de feições 
tectônicas ou tectônica de placas; 
Vênus - planeta mais semelhante à Terra, em tamanho e herança de elementos 
químicos, possui atmosfera densa secundária e relevo menos variado que o da Terra 
(topografia plana com ondulações moderadas e alguns planaltos). Deduz-se a convecção do 
manto pela existência de no mínimo 10 grandes plumas mantélicas ativas. Na atmosfera há 
uma enorme quantidade de gás carbônico, gerando um efeito estufa gigantesco e elevando a 
temperatura da superfície a aproximadamente 450ºC e condicionando o planeta à escassez de 
água. Evidências indicam a ação de plumas mantélicas que provocaram derramamentos 
basálticos, mas não há evidências diretas de uma tectônica global. Por fim, a erosão no 
planeta é pouco eficiente e lenta, sendo que 80% da superfície é plana e rochas basálticas 
estão presentes em 85% dela. 
Terra 
Marte ​- massa de 11% da Terra com atmosfera tênue e composta, sobretudo, por gás 
carbônico. A ação do vento determina os processos geológicos, havendo enormes campos de 
dunas, já a ação da água fica muito limitada, fato relacionado às temperaturas baixas do 
planeta, normalmente, abaixo de 0ºC. Além disso, também se observam calotas polares (gelos 
de água e gás carbônico). Os hemisférios marcianos se diferenciam muito: sul - relevo mais 
elevado e acidentado,

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.