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Ergonomia, Saude e Seguranca do Trabalhado

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tecnicamente pela Perícia Médica 
do INSS, que fará o reconhecimento técnico do nexo causal entre o acidente 
e a lesão; a doença e o trabalho; e a causa mortis e o acidente. Na conclusão 
da Perícia Médica, o médico-perito pode decidir pelo encaminhamento do se-
gurado para retornar ao trabalho ou emitir um parecer sobre o afastamento. 
O acidente de trabalho, para Zocchio (2002, p. 95), ocorre principalmente 
devido a dois fatores:
• Ato inseguro: praticado pelo indivíduo, em geral consciente (o indivíduo 
sabe que está se expondo ao perigo), inconsciente (desconhece o perigo a 
que se está expondo) ou circunstancial (algo mais forte leva a pessoa a praticar 
uma ação insegura). Algumas situações que caracterizam os atos inseguros: 
ficar junto ou sobe cargas suspensas; colocar parte do corpo em lugar peri-
goso; usar máquinas sem habilitação; lubrificar, ajustar e limpar máquinas em 
movimento; tentativa de ganhar tempo; brincadeiras e exibicionismo; uso de 
roupas inadequadas ou acessórios desnecessários; não usar proteção individu-
al, ou mesmo, excesso de confiança.
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• Condição insegura: é o ambiente físico de trabalho que expõe a perigo ou 
risco a integridade física do trabalhador e a própria segurança das instalações 
e equipamentos. Algumas situações que caracterizam as condições inseguras: 
falta de ordem e de limpeza; ventilação e/ou iluminação inadequadas; escassez 
de espaço; passagens perigosas; falta de proteção em máquinas e equipamen-
tos; defeitos nas edificações; desvios ou improvisação nos processos ou falta 
ou falha de manutenção.
A segurança do trabalho, objetiva eliminar ou pelo menos minimizar as con-
dições e os atos inseguros, para promover a saúde e bem estar aos trabalha-
dores independentemente do seu grau hierárquico na empresa.
Os últimos dados referentes à ocorrência de acidentes do trabalho forneci-
dos pelo MPS, constantes do Anuário Estatístico da Previdência Social, da-
tam de 2010 e são:
Ocorreram cerca de 459 mil acidentes do trabalho registrados [perfazendo um 
aumento de 15% em relação ao ano anterior] [...]. Os acidentes típicos repre-
sentaram 80,9% do total de acidentes, os de trajeto 13,1% e as doenças do 
trabalho 6,0%. A participação das pessoas do sexo masculino foi de 77,5% e 
do sexo feminino de 22,5%. A faixa etária decenal com maior incidência de 
acidentes era a constituída por pessoas de 20 a 29 anos, com 38,2% do total, 
sendo que mais do que 2/3 dos acidentes ocorreram com pessoas entre 20 e 
39 anos de idade. (ANUÁRIO ESTATÍSTICO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL 2010).
Nesse mesmo ano, conforme dados do MPS: 
O setor agrícola participou com 8,2% do total de acidentes registrados, o 
setor indústria com 46,9%, o setor serviços com 44,9%. Nos acidentes típi-
cos, os subsetores com maior participação nos acidentes foram à agricultura, 
produtos alimentares e bebidas, com 9,5% cada. Nos acidentes de trajeto, os 
subsetores com maior participação foram os serviços prestados principalmente 
a empresas e comércio varejista, com 12,6% e 11,7%, respectivamente. Nas 
doenças de trabalho, o destaque ficou com os subsetores intermediários finan-
ceiros, com 10,6% e comércio varejista, com 8,0%. (ANUÁRIO ESTATÍSTICO 
DA PREVIDÊNCIA SOCIAL 2010).
No Código de Classificação Internacional de Doenças (CID), os acidentes em 
2010 envolvem as seguintes situações:
Aula 3 - Acidentes e incidentes
Ferimento do punho e da mão (S61), fratura ao nível do punho ou da mão (S62) e 
traumatismo superficial do punho e da mão (S60) com, respectivamente, 14,0%, 
7,0% e 5,2% do total. Nos acidentes típicos, as partes do corpo com maior in-
cidência de acidentes foram o dedo, mão (exceto punho ou dedos) e pé (exceto 
artelhos) com, respectivamente, 28,7%, 10,0% e 7,5% do total de acidentes. 
Em 2004, as principais consequências dos acidentes de trabalho liquidados 
foram incapacidades temporárias com menos de 15 dias e mais de 15 dias, 
com participação de 49,3% e 33,4% respectivamente. De 2003 para 2004, os 
acidentes de trabalho liquidados aumentaram 14,4%, sendo que ocorreu uma 
redução de 6,4% nos acidentes decorrentes da incapacidade permanente, en-
quanto os acidentes decorrentes de incapacidade temporária de menos de 
15 dias aumentaram 24,1%, no período. A relação entre o número de óbitos 
sobre o total de acidentes passou de 0,62% para 0,57% no período. (Anuário 
Estatístico da Previdência Social 2010). 
A falta de segurança nos postos de trabalho demonstra que os acidentes 
ocorrem dentro da própria empresa, no desenvolvimento rotineiro da ativi-
dade laboral. Tal fato indica a necessidade de políticas orientadas fundamen-
talmente para o ambiente de trabalho mais saudável e seguro. 
O Brasil permanece entre os países com maiores índices de mortes por aciden-
tes do trabalho no mundo, ficando atrás da Índia, Coréia do Sul e El Salvador. 
[...] No mundo, cerca de 2 milhões de trabalhadores morrem anualmente em 
decorrência de acidentes de trabalho e doenças relacionadas ao trabalho; os 
acidentes respondem por cerca de 360 mil mortes. (ACIDENTES, 2011) 
Em decorrência da falta de segurança no trabalho, bilhões de reais são gastos 
com:
Benefícios acidentários, aposentadorias especiais e reabilitação profissional. [Ain-
da há despesas referentes] à assistência à saúde do acidentado, indenizações, 
treinamento, reinserção no mercado de trabalho e horas de trabalho perdidas.
Parte deste “custo segurança no trabalho” afeta negativamente a competitivi-
dade das empresas, pois aumenta o preço da mão-de-obra, o que se reflete no 
preço dos produtos. Por outro lado, ocorre o incremento das despesas públicas 
com previdência, reabilitação profissional e saúde reduzindo a disponibilidade 
de recursos orçamentários para outras áreas ou induzindo o aumento da carga 
tributária sobre a sociedade. (PINHEIRO; ARRUDA, 2001).
Para saber mais sobre os 
principais tipos de acidentes 
de trabalho registrados na CID 
acesse: www.previdencia.gov.br
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O número de dias de trabalho perdidos em razão dos acidentes aumenta o 
custo da mão-de-obra no Brasil, encarecendo a produção e reduzindo a com-
petitividade do país no mercado externo. Estima-se que o tempo de trabalho 
perdido anualmente devido aos acidentes de trabalho seja de 106 milhões de 
dias, apenas no mercado formal, considerando-se os períodos de afastamento 
de cada trabalhador. (Ministério do Trabalho e Emprego, 2011).
Para Pinheiro e Arruda (2001) é importante observar que estes dados podem 
estar subnotificados, pois o empregador priorizar o comunicado de aciden-
tes mais graves, isto é, aqueles que levam a afastamentos ou sequelas à 
saúde do trabalhador. Assim sendo, as questões de segurança no trabalho 
no Brasil é muito mais grave do que os dados estatísticos apontam porque 
a Previdência Social registra somente os acidentes referentes aos segurados 
cobertos pelo seguro de acidente de trabalho, e aqui não está inclusos os 
trabalhadores domésticos e autônomos. 
O ideal seria tratar as questões de segurança e saúde de forma preventiva. Assim, 
idealiza Zocchio (2002), que admite a presença de riscos ocupacionais e define o 
acidente de trabalho como sendo uma ocorrência não programada, inesperada 
ou não, que interrompe o processo normal de uma atividade ou nele interfere, 
ocasionando perda de tempo útil, lesões nos trabalhadores e danos materiais.
3.2.1 Acidentes e Incidentes: qual a diferença dos 
 termos? 
Aula 3 - Acidentes e incidentes
Figura 3.2: Quase acidente
Fonte: http://www.senado.gov.br
Já vimos o conceito de acidente anteriormente