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DIDÁTICA
Glaucia Silva 
Bierwagen
Revisão técnica:
Simone Costa Moreira
Graduada em Pedagogia
Especialista em Orientação Educacional
Mestre em Educação
Doutora em Educação
Catalogação na publicação: Karin Lorien Menoncin – CRB 10/2147
D555 Didática [recurso eletrônico] / Vania de Souza Ferreira ...
[et al.] ; [revisão técnica: Simone Costa Moreira] 
Porto Alegre : SAGAH, 2018. 
ISBN 978-85-9502-567-7
1. Pedagogia. I. Ferreira, Vania de Souza
CDU 37.02
As relações entre professor 
e aluno no processo de 
ensino e aprendizagem
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Identificar as principais características da relação entre professor e 
aluno.
 � Descrever a importância do conceito de professor mediador no pro-
cesso de ensino e aprendizagem.
 � Analisar situações concretas e bem-sucedidas de ensino e aprendiza-
gem em sala de aula que exemplifiquem as relações professor-aluno. 
Introdução
Castells (2000), sociólogo espanhol, considera que as novas tecnologias 
de informação e comunicação definiram um novo paradigma para a atual 
sociedade. Para ele, os efeitos dessas tecnologias afetam diretamente 
todas as atividades humanas (individuais ou coletivas), tornando-as in-
terconectadas, complexas e de natureza fluida. 
Esse cenário provocou mudanças nas relações humanas e nas formas 
de trabalho, demandando que o professor exerça um papel diferente nas 
salas de aulas e escolas. Consequentemente, as relações professor-aluno 
mudaram: o professor atua como mediador (orientador, facilitador) da 
aprendizagem do aluno e este, por sua vez, atua como o principal agente 
de seu conhecimento. 
Neste capítulo, você vai ver como a relação professor-aluno se cons-
tituiu historicamente no Brasil e como ela se apresenta na sociedade 
contemporânea.
Características da relação professor-aluno
A relação entre professores e alunos sofreu muitas modificações no decorrer 
da história da educação. Essa relação se alterou conforme surgiram diferen-
tes compreensões sobre as finalidades da educação. Por isso, é importante 
que você entenda que as diversas trajetórias formativas e reflexões dos 
professores podem levá-los a adotar determinadas práticas de ensino. Essas 
trajetórias e reflexões também explicam as relações que eles desenvolvem 
com os alunos. Além disso, a relação entre professor e aluno é influenciada 
pelas características gerais da educação de cada momento histórico, como 
você vai ver a seguir.
Para Romanelli (2012) e Hilsdorsf (2003), o movimento da escola tradi-
cional ou conservadora, que teve bastante destaque no final do século XIX 
e no início da República no Brasil (ainda existem práticas pedagógicas atuais 
apoiadas nesse movimento), propõe que o responsável pelo processo de ensino 
e aprendizagem seja o professor. Ele deve conduzir as aulas principalmente 
pela exposição oral, enquanto os alunos têm a função de receber passivamente 
os conteúdos. Portanto, nesse movimento, o professor é o detentor do conhe-
cimento, e o aluno, o seu receptor. 
A escola tradicional teve como principais teóricos autores como Comênio, Pestalozzi 
e Herbart. Eles enfatizaram a organização dos processos de ensino e aprendizagem 
com enfoque na atuação expositiva do professor.
No Brasil, por volta dos anos 1920, a partir das contribuições da psico-
logia — que compreende o indivíduo como responsável pela aquisição do 
conhecimento e como participante no processo de construção do conhecimento 
—, desponta o movimento da Escola Nova. Por meio dele, passaram a ser 
pesquisadas e aplicadas as chamadas metodologias ativas. Essas metodologias 
valorizam o desenvolvimento de habilidades, sentimentos e processos de 
avaliação que privilegiam a participação ativa do aluno. Um dos instrumentos 
utilizados é a autoavaliação. Portanto, nesse movimento, o professor assume 
o papel de orientar e estimular o aluno na construção do seu conhecimento. 
As relações entre professor e aluno no processo de ensino e aprendizagem2
O aluno, por sua vez, possui o importante papel de ser ativo e participativo 
na elaboração da sua aprendizagem. 
Os principais influenciadores teóricos da Escola Nova no Brasil foram 
Anísio Teixeira, Lourenço Filho e Fernando de Azevedo, que enfatizaram 
o uso de metodologias ativas. É importante você notar que esse movimento 
já ocorria internacionalmente mediante as ideias de Jonh Dewey, no sé-
culo XIX, e Freinet, no século XX (ROMANELLI, 2012; GIRALDELLI 
JUNIOR, 2001).
O Ministério da Educação disponibiliza materiais sobre 62 teóricos e educadores que 
influenciaram a educação brasileira. Entre eles, encontram-se Anísio Teixeira, Fernando 
de Azevedo, Comênio, John Dewey, Célestin Freinet, Johann Pestalozzi e Johann 
Herbart. Neste link, você pode aprender mais sobre eles.
https://goo.gl/MTqwBS
Na segunda metade do século XX, o movimento tecnicista, influenciado 
pela aceleração da industrialização no Brasil, passou a orientar os modelos de 
formação de professores, as práticas pedagógicas e as políticas de educação. 
Nesse movimento, os processos metodológicos eram extremamente importan-
tes para que se formassem alunos produtivos e capazes de atuar nas grandes 
indústrias que se criavam ou se instalavam no País. Assim, os professores 
não eram responsáveis pelo próprio planejamento, mas uma equipe técnica 
era quem o realizava. A avaliação era feita por meios sofisticados e técnicos 
(ROMANELLI, 2012; GIRALDELLI JUNIOR, 2001). Nessa perspectiva 
tecnicista, o professor assumia o papel de um técnico da educação, devendo 
aplicar avaliações para verificar a produtividade do aluno. Este, por sua vez, 
precisava ser produtivo e reproduzir em uma avaliação todos os conhecimentos 
adquiridos em aula.
A partir da década de 1980, com a redemocratização do Brasil, surge um 
movimento relacionado com as teorias críticas e progressistas, que contestava 
o sistema capitalista e apresentava o educador como agente de transforma-
ção, além de orientador e interventor do conhecimento. A prática educativa 
estava alicerçada no seu contexto social. O aluno, nessa perspectiva, tem o 
3As relações entre professor e aluno no processo de ensino e aprendizagem
papel ativo e construtivo na elaboração de seu conhecimento, além de ser 
um agente propositor de mudanças. Essa perspectiva educacional tem como 
influenciadores teóricos Paulo Freire, Piaget e Vygostsky (GIRALDELLI 
JUNIOR, 2001; ROMANELLI, 2012).
Paulo Freire foi um educador brasileiro que se preocupou com a educação das classes 
populares. Ele tinha como princípio valorizar o cotidiano do aluno e, por meio do 
diálogo problematizador, buscava despertar a consciência crítica dos estudantes, 
tornando-os sujeitos de sua própria história e possíveis transformadores da sua 
realidade (FREIRE, 1996). 
Já Lev Vygostsky foi o teórico inspirador do sociointeracionismo, que postula 
que a construção do conhecimento se dá por meio das interações sociais. Dois dos 
conceitos mais importantes que desenvolveu foram o da zona de desenvolvimento 
proximal (ZDP) e o de mediação simbólica, que você vai conhecer melhor adiante 
(VYGOSTSKY, 1986; 1993).
Jean Piaget foi o pesquisador e teórico que postulou o construtivismo — a cons-
trução do conhecimento ocorre quando o sujeito interage com o seu meio. Ele 
propôs a existência de estágios de desenvolvimento cognitivo no ser humano e 
influenciou a educação de maneira profunda (CASTORINA, 1990). 
Como você sabe, nos últimos anos houve o advento da sociedade da in-
formação e das tecnologias de informação e comunicação (TIC). Nesse ce-
nário, se modificaram as exigências do mercado de trabalho e os modos de 
atuação nessa sociedade dinâmica, conectada e complexa. Assim, está sendo 
exigido um processo educativo que prepare o indivíduo para as constantes 
transformações. Desse modo, as metodologias ativas têm sido retomadas e 
ganhado destaque, colocando o aluno como centro do aprendizado. Nessas 
metodologias, o papel do professoré o de mediador (orientador, facilitador) 
da aprendizagem do aluno. Por sua vez, o aluno tem o papel de ser o principal 
agente de sua aprendizagem.
No Quadro 1, a seguir, você pode ver como a relação professor-aluno se 
deu em cada um dos momentos históricos da educação no Brasil.
As relações entre professor e aluno no processo de ensino e aprendizagem4
Movimento Relação professor-aluno
Escola tradicional e 
conservadora
(século XVII ao século XX)
O professor é o detentor do conhecimento, e o 
aluno, o seu receptor. O professor é autoritário 
e o aluno pode até mesmo receber castigos.
Escola Nova
(século XX, a partir de 1920)
O professor assume o papel de orientar e 
estimular o aluno no percurso da construção 
do seu conhecimento, enquanto o aluno tem 
direito a uma postura ativa e participativa 
na elaboração da sua aprendizagem.
Escola tecnicista 
(século XX, a partir de 1960)
O professor é o “técnico da educação”, 
devendo aplicar avaliações para verificar 
a produtividade do aluno. Este, por sua 
vez, precisa ser produtivo e reproduzir em 
uma avaliação todos os conhecimentos 
que o professor passou a ele.
Teorias críticas e progressistas
(século XX, a partir de 1980)
O educador e a prática educativa devem 
transformar o contexto social. O professor 
atua como orientador e interventor 
do conhecimento. O aluno, por sua 
vez, tem papel ativo na elaboração de 
seu conhecimento, além de poder ser 
agente propositor de mudanças sociais, 
culturais, políticas e econômicas.
Metodologias ativas
(século XXI)
O papel do professor é de mediador 
(orientador, facilitador) da aprendizagem 
do aluno, que deve ser o principal 
agente de sua aprendizagem.
Quadro 1. A relação professor-aluno ao longo da história da educação brasileira
O professor mediador
Como você pôde ver no tópico anterior, em muitos momentos na história da 
educação brasileira, o trabalho do professor esteve associado à aula expositiva 
seguida da proposição de exercícios aos alunos. Na sociedade contemporânea, 
exige-se que o professor atue com o papel de mediador (orientador, facilitador) 
da aprendizagem.
5As relações entre professor e aluno no processo de ensino e aprendizagem
Para compreender a importância do papel do professor como mediador, 
é importante que você saiba o que são competências. Segundo Perrenoud 
(2000), a competência é a capacidade de utilizar os saberes para agir em uma 
situação. Para o autor, o professor que é mediador da aprendizagem do aluno 
tem a competência de organizar e dirigir as situações de aprendizagem do 
estudante. Mas o que é organizar e dirigir as situações de aprendizagem? 
Perrenoud (2000, p. 25) explica que se trata de “[...] despender energia e tempo 
e dispor de competências profissionais necessárias para imaginar e criar tipos 
de situações de aprendizagem diferentes das tradicionais”.
Para organizar e dirigir situações de aprendizagem, mobilizam-se algumas 
competências específicas, segundo Perrenoud (2000, p. 26):
- conhecer, para determinada disciplina, os conteúdos a serem ensinados e 
sua tradução em objetivos de aprendizagem;
- trabalhar a partir das representações dos alunos;
- trabalhar a partir dos erros e dos obstáculos à aprendizagem;
- construir e planejar dispositivos e sequências didáticas;
- envolver os alunos em atividades de pesquisa, em projetos de conhecimento. 
Com relação ao conhecimento dos conteúdos a serem ensinados, é indispen-
sável que os professores dominem os saberes. Entretanto, eles devem dominar 
o conteúdo a ponto de construir situações de aprendizagem abertas e tarefas 
complexas. A ideia é que aproveitem os interesses dos alunos, explorem os 
acontecimentos, favoreçam a apropriação ativa e a transferência de saberes, 
ou seja, transmitam o saber identificando os conceitos mais importantes do 
conteúdo a ser ensinado (PERRENOUD, 2000). 
Quando o professor trabalha a partir das representações dos alunos, dá-lhes 
regularmente direitos em sala de aula — direitos de expressarem-se. Além 
disso, abre espaço para discussão e não censura imediatamente as analogias 
falaciosas, as explicações simples e os raciocínios espontâneos que apresentam. 
O professor deve colocar-se no lugar dos aprendizes, sabendo que a maioria 
dos conhecimentos científicos contrariam a intuição, as concepções e as 
representações das crianças, bem como as próprias concepções que algumas 
sociedades do passado apresentaram. Desse modo, a competência do profes-
sor é reconhecer e fundamentar-se nas representações prévias dos alunos, 
usando-as como ponto de entrada para o sistema cognitivo dos estudantes 
(PERRENOUD, 2000). 
Para o professor trabalhar a partir dos erros e dos obstáculos à apren-
dizagem, é necessário estimular os alunos a reestruturarem seu sistema 
de compreensão de mundo. Transpor um obstáculo acontece mediante 
As relações entre professor e aluno no processo de ensino e aprendizagem6
uma aprendizagem inédita, que pode ser apresentada por meio de uma 
situação-problema. Nesse processo, é importante que o professor aceite os 
erros como etapas importantes do esforço do aluno em compreender. Por 
meio desses erros, o professor pode proporcionar a tomada de consciência 
dos estudantes, identificando a origem dos equívocos e transpondo-os 
(PERRNOUD, 2000). 
Construir e planejar dispositivos e sequências didáticas demanda do profes-
sor a ideia de que uma situação de aprendizagem é gerada por um dispositivo 
que coloca os alunos diante de uma tarefa, uma trajetória ou um problema 
para resolver. Ao professor cabe orientar (sem ser o especialista que transmite 
o saber) e criar situações, dando auxílio para que os alunos solucionem o 
problema ou a tarefa, ou cumpram a trajetória (PERRENOUD, 2000). 
Envolver os alunos em atividades de pesquisa, em projetos de conhecimen-
tos, traz a ideia de que o professor deve ter a capacidade fundamental de tornar 
acessível a sua própria relação com o saber. Nessa perspectiva, a competência 
do professor é saber reconhecer quando os alunos estão entediados diante de 
uma tarefa com aparência lúdica. Fazer os alunos envolverem-se em atividades 
de pesquisa é compreender que, como professor, não é possível envolver-se no 
lugar dos alunos, mas se pode direcionar as tarefas, resgatar o interesse dos 
estudantes e instigar questionamentos (PERRENOUD, 2000). 
Um dos teóricos que contribuiu bastante para o aprofundamento e a análise 
da formação e do desenvolvimento do processo de aprendizagem nos indivíduos 
foi Vygostsky. Ele dedicou-se ao estudo das funções psicológicas superiores, 
tais como atenção, memória, imaginação, pensamento e linguagem. Segundo 
o autor, esses processos não são inatos, mas se originam nas relações entre as 
pessoas e se desenvolvem ao longo do processo de internalização de formas 
culturais de comportamento. 
Portanto, Vygotsky indica que essas funções psicológicas superiores são 
distintas dos processos elementares (reações automáticas, ações reflexas e 
associações simples), que têm origem biológica. As funções psicológicas 
superiores originam-se na relação do sujeito com seu contexto cultural e social, 
ou seja, na interação dialética do homem com o seu meio sociocultural. Esse 
autor defende que o desenvolvimento mental (inclusive processos psicológicos 
mais complexos) ocorre a partir do contexto social.
Por meio dos seus estudos, Vygotsky chegou a importantes conceitos — 
processo de mediação simbólica e zona de desenvolvimento proximal. 
Esses conceitos ajudam a entender os processos de aprendizagem nas crianças 
e adolescentes, mostrando que estão correlacionados com cultura, história e 
linguagem.
7As relações entre professor e aluno no processo de ensino e aprendizagem
Para tal pesquisador, é por meio da mediação simbólica que ocorre o desen-
volvimento das funções psicológicas superiores. Existem dois elementos básicos 
na mediação simbólica: o instrumento e o signo. O instrumento determina as 
ações sobre os objetos. Um instrumento pode ser um computador, a internet,uma rede social, um livro; e o signo pode ser a linguagem, por exemplo.
No decorrer de suas experiências, o indivíduo pode ter dois tipos de de-
senvolvimento. Um deles é o desenvolvimento real, que é aquele que já foi 
consolidado. Por meio dele, o sujeito é capaz de resolver situações utilizando 
seu conhecimento de forma autônoma. Mas o indivíduo também pode atingir 
um desenvolvimento potencial, que é construído com o auxílio de outros (um 
adulto ou uma criança mais experiente). Entre esses dois desenvolvimentos, 
o real e o potencial, existe o que o autor chama de zona de desenvolvimento 
proximal (VYGOTKSY, 1993). 
A criação e o uso dos instrumentos linguísticos e signos são exclusivos 
da espécie humana e fundamentais para que haja interação com a cultura e a 
sociedade. Segundo Vygotsky (1993), as relações sociais como as que ocorrem 
entre os alunos e os professores são processos educativos muito importantes. 
Afinal, essas relações transmitem a história e a cultura dos antepassados para 
que as crianças e os adolescentes se desenvolvam por meio de suas experiências, 
hábitos, atitudes, valores, comportamentos, linguagem e trocas com quem 
interagem. Nesse processo, o indivíduo participa ativamente, interagindo, 
modificando e transformando. 
Assim, você pode considerar que a escola tem potencial para ser um im-
portante espaço de desenvolvimento das relações sociais, utilizando instru-
mentos e signos historicamente construídos, como a linguagem, a cultura e 
as experiências midiáticas. Além disso, ela pode ser um importante espaço de 
mediação simbólica para crianças e adolescentes que a frequentam.
O professor mediador administra a progressão das aprendizagens dos alunos por ajustar 
as situações-problema ao nível e às possibilidades dos estudantes. Para isso, ele deve: 
 � ter uma visão de longo prazo dos objetivos do ensino;
 � pensar constantemente por si mesmo e em função dos alunos do momento;
 � observar continuamente os alunos e avaliá-los em situações de aprendizagem — 
conforme uma abordagem que tenha por objetivo a formação dos estudantes 
(PERRENOUD, 2000; VYGOSTSKY, 1986; 1993). 
As relações entre professor e aluno no processo de ensino e aprendizagem8
Relações professor-aluno: situações concretas 
de ensino e aprendizagem
Paulo Freire (1996) defendia que, para substituir o pensamento ingênuo pelo 
pensamento crítico, seria necessário o diálogo problematizador em sala de 
aula. Para que esse tipo de diálogo seja possível, os educadores precisam 
instigar e possibilitar a formação de estudantes ativos e participativos, ou 
seja, estudantes que participem do seu processo de ensino e aprendizagem 
por meio do diálogo com o outro (que pode ser um outro aluno, professor 
ou outros profissionais). Dessa forma, o aluno não age como um mero 
receptor de conhecimento, mas pode construir, produzir, compartilhar e 
divulgar o saber. 
Freire compreende o diálogo como um elemento muito importante para 
problematizar o conhecimento. Contudo, é fundamental você notar que ele 
não se refere a um diálogo para nada ou a uma simples conversação, mas a 
uma modalidade que questiona os saberes mútuos (professor e aluno) e que 
pode resultar na compreensão da realidade e na sua transformação.
Para isso, o professor precisa atuar em uma realidade escolar que favoreça 
o diálogo com o aluno e com a comunidade a que ele pertence. O educador 
também deve ter possibilidades de refletir sobre a sua prática e sobre o conte-
údo, para que possa propor transformações. Ele deve ainda realizar o trabalho 
coletivo, mediar as relações de grupo, lidar com conflitos, trabalhar com 
ajuda mútua e incentivar o respeito à diversidade dos membros de cada grupo 
(FREINET, 1996). O professor tem a missão de agir buscando uma ação e um 
pensamento críticos, não como mero reprodutor de conteúdos.
Na relação de ensino em que o professor tem o papel de detentor do conhe-
cimento e o aluno o de receptor, podem-se encontrar as seguintes situações. 
1. O professor solicitar cópias de palavras ou textos aos alunos de séries 
iniciais (1º ao 5º ano) por meio de um quadro, uma lousa ou mesmo um 
livro. Nesse caso, a função do aluno é copiar da melhor forma possível 
e depois mostrar ao professor como realizou o trabalho. A habilidade 
de cópia das palavras ou textos do aluno será avaliada pelo professor. 
2. O professor solicitar a leitura e a seguir interpretações de um texto de 
literatura a uma turma de adolescentes do ensino médio, mas não dar 
oportunidades para os alunos expressarem suas reais interpretações. 
Assim, as interpretações são centradas na visão do professor; é ele 
quem diz quais são as interpretações corretas do texto.
9As relações entre professor e aluno no processo de ensino e aprendizagem
Como você viu, em ambos os casos não foram dadas chances aos alunos 
de elaborar hipóteses sobre o objeto de conhecimento. Sua curiosidade não foi 
instigada e eles não expressaram suas reais opiniões. Foi dada a eles apenas a 
função de escutar, ouvir as instruções do professor e realizar as atividades soli-
citadas. Isso não significa que não possam existir situações de aprendizagem em 
que os alunos necessitem copiar palavras ou textos. Também não significa que o 
professor não possa expor suas próprias interpretações sobre um tema ou texto.
Quando o professor assume o papel de orientar e estimular o aluno na cons-
trução do seu conhecimento, e o aluno possui o importante papel de ser ativo e 
participativo na elaboração da sua própria aprendizagem, é possível encontrar 
situações como a seguinte: um professor de ciências busca apresentar aos seus 
alunos de 13 e 14 anos do ciclo II do Ensino Fundamental o princípio de Arqui-
medes de forma menos abstrata. Para isso, traz a eles a reflexão sobre a matéria 
sem fazer referência à fase líquida. Pergunta a eles: entre o pão e o açúcar, qual 
é o mais pesado? Entre o ferro e o plástico, qual é o mais pesado? A madeira ou 
o concreto, qual é o mais pesado? Possivelmente, as primeiras respostas serão 
as de senso comum: “o plástico é mais leve”, “a madeira é mais leve”, sem que 
um conceito tenha sido construído. Posteriormente, constata-se que não se 
pode saber, pois depende de quanto de matéria se toma (PERRENOUD, 2000). 
O princípio de Arquimedes explica por que certos corpos flutuam. Um corpo total ou 
parcialmente imerso em um líquido sofre um empuxo que é igual ao peso (densidade) 
do volume do líquido deslocado pelo corpo. Esse princípio quantifica o valor da força. 
Então: (1) os corpos cujo peso é superior àquele do líquido afundarão; (2) aqueles 
que tiverem peso igual permanecerão em equilíbrio (como um submarino imerso e 
estabilizado); aqueles cujo peso é inferior ao do líquido subirão à superfície e flutuarão 
(caso dos barcos) (PERRENOUD, 2000). 
Como o professor pode levar os alunos a construir esse conhecimento? 
Ele pode pôr à disposição dos alunos pedaços de madeira, ferro e plástico de 
volumes, formas e pesos diversos. Tais não se prestam nem a uma comparação 
direta por peso nem a um recorte fácil em volumes iguais. São utilizados para 
construir o conceito de peso da unidade de volume (PERRENOUD, 2000). 
Em outro momento, o professor pode dividir a classe em grupos e dar a 
cada um deles um pedaço de massa de modelar, pedindo que os alunos meçam 
As relações entre professor e aluno no processo de ensino e aprendizagem10
a massa e o volume, tendo à disposição balanças e tubos de ensaio graduados 
cheios de água e nos quais podem mergulhar os pedaços. Após a pesagem e 
a mensuração do volume por imersão, se pode chegar ao Quadro 2.
Fonte: Adaptado de Perrenoud (2000).
Equipe 1 Equipe 2 Equipe 3 Equipe 4 Equipe 5
Massa 
(gramas)
22 42 90 50 150
Volume 
(milímetros)
15 30 150 35 100
Quadro 2. Valores de massa e volume do pedaço de massa de modelar fornecido a cada 
equipe
Por meio do quadro comparativo, a turma de alunos pode chegar a formu-
lações como esta: quando se divide a massa por volume, o resultado é sempreo mesmo. Os alunos podem compreender que não se pode comparar senão 
os pesos da unidade de volume igual e que essa pode ser uma das funções da 
unidade de volume, que é um volume fictício, que não se recorta fisicamente 
(PERRENOUD, 2000).
Outra situação que sugere ao professor ser mediador do conhecimento, 
possibilitando aos alunos construírem sua aprendizagem na leitura, é apresentar 
a uma turma de alfabetização enredos de livros. O professor pode ler em voz 
alta algum livro da biblioteca escolar. No momento dedicado à leitura, ele pode 
sentar-se com os alunos em uma roda e apresentar o título do livro, bem como, 
de modo sucinto, a biografia do autor e o resumo da história. Dessa forma, os 
alunos vão incorporar elementos de leitura ligados à identificação do livro. A 
seguir, o professor pode sugerir que cada aluno escolha um livro e leia conforme 
suas habilidades, sozinho ou com a ajuda de algum colega. Após a primeira 
leitura, a turma pode voltar a sentar em roda e contar o que leu. O professor 
pode pedir para os alunos levarem os livros para casa e, após a realização da 
leitura, solicitar que escrevam um parágrafo sobre o que leram (BRASIL, 2012).
Outro exemplo em que o professor orienta e conduz a aprendizagem dos 
educandos de forma mediadora, incentivando-os a pensar, é a seguinte: apre-
sentação de cartazes educativos da área de saúde e leitura desse material para 
uma turma de alunos. Em um primeiro momento, o professor pode questionar 
11As relações entre professor e aluno no processo de ensino e aprendizagem
os alunos sobre a função dos cartazes. As crianças vão responder, por exemplo, 
que eles servem para ensinar a cuidar da saúde. A partir da fala do aluno, o 
professor pode chamar a atenção para os usos e contextos educativos do cartaz, 
destacando que a sua função é educar, ensinar alguma ação, ou seja, mostrar 
algo para diversas pessoas. O professor também pode questionar onde os 
cartazes educativos são encontrados. Algumas crianças vão se lembrar de que 
podem ser encontrados em postos de saúde, hospitais, consultórios médicos 
ou talvez no mural da escola. Essa prática é importante porque leva o aluno 
não só a entender o porquê de estar fazendo uma dada produção e a se sentir 
motivado ao realizar essa atividade, mas também para mostrar que na vida 
as pessoas escrevem sempre com alguma finalidade social (BRASIL, 2012).
Vickery (2016) sugere que uma aprendizagem ativa é aquela que propõe 
discutir com as crianças a própria aprendizagem, o ambiente em que ela se 
dá e as expectativas dos alunos com relação ao professor. É importante que 
as crianças se envolvam no planejamento e em sua própria avaliação. Tal 
autora considera importante ainda que o espaço físico de sala de aula estimule 
a aprendizagem das crianças. Para ela, as disciplinas dos anos iniciais do 
Ensino Fundamental têm caráter de questionamento e indagação, o que deve 
ser realizado de modo colaborativo (alunos e alunos, alunos e professores).
BRASIL. Ministério da Educação. O trabalho com gêneros textuais na sala de aula: unidade 
5, ano 2. Brasília: MEC, 2012. 
CASTELLS, M. A sociedade em rede. São Paulo: Paz e Terra, 2000.
CASTORINA, J. A. (Org.) Piaget-Vygostsky: novas contribuições para o debate. São Paulo: 
Editora Ática, 1990. 
FREINET, C. Para uma escola do povo: guia prático para a organização do material, técnica 
e pedagógica da escola popular. São Paulo: Martins Fontes, 1996.
FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: 
Paz e Terra, 1996.
GIRALDELLI JUNIOR, P. Introdução à educação escolar brasileira. São Paulo: Cortez, 2001.
HILSDORF, M. L. S. História da educação brasileira: leituras. São Paulo: Pioneira Thomson 
Learning, 2003. 
PERRENOUD, P. Dez novas competências para ensinar. Porto Alegre: Artmed, 2000. 
As relações entre professor e aluno no processo de ensino e aprendizagem12
ROMANELLI, O. O. História da educação no Brasil. Rio de Janeiro: Vozes, 2012.
VICKERY, A. Aprendizagem ativa nos anos iniciais do ensino fundamental. Porto Alegre: 
Penso, 2016. 
VYGOTSKY, L. S. Formação social da mente: os processos psicológicos superiores. São 
Paulo: Martins Fontes, 1986. 
VYGOTSKY, L. S. Pensamento e linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 1993. 
Leituras recomendadas
AVELATO, H. Escola básica e suas revoluções necessárias: desafios à formação do-
cente. In: PARENTE, C. M. D.; VALLE, L. E. R.; MATTOS, M. J. V. M. (Org.) A formação de 
professores e seus desafios frente as mudanças sociais, políticas e tecnológicas. Porto 
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13As relações entre professor e aluno no processo de ensino e aprendizagem
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