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não existirem diferenças entre grupos) se o p < a (alpha).
Estudos transversais:
· Comparação de grupos (de idades) diferentes em relação a uma variável de interesse;
· O tempo é tratado como uma variável entre-sujeitos (inter-participantes).
· Vantagens:
· Recolha «rápida» de dados;
· Mais facilidade em conseguir a amostra necessária.
· Desvantagens:
· Efeitos geracionais: pessoas de idades diferentes cresceram em ambientes diferentes.
Estudos longitudinais:
· Estudo do mesmo grupo de pessoas ao longo do tempo;
· O tempo é tratado como uma variável intra-sujeitos (intra-participantes).
· Vantagens:
· Evita efeitos geracionais;
· Permite medir diferenças intra-individuais.
· Desvantagens:
· Demorado e dispendioso;
· Efeitos trans-geracionais (as conclusões baseadas numa geração não se aplicam necessariamente a outras);
· Ameaças à validade interna:
· Mortalidade;
· Efeitos da prática.
· Não é possível determinar causalidade.
Plano Longitudinal-Transversal:
· Estudar diversos grupos de participantes em diversos momentos do tempo;
· Tempo varia simultaneamente intra e inter sujeitos:
· Menos demorado, mas ainda dispendioso;
· Permite avaliar aspetos geracionais.
Comparação entre planos longitudinais e transversais:
Metodologias qualitativas:
A investigação qualitativa é uma perspetiva de investigação que assenta na recolha de dados qualitativos (i.e. não numéricos, tais como comentários, palavras, imagens, comportamentos observados, etc.).
Esta é uma abordagem interpretativa, envolvendo múltiplos métodos que servem para estudar o comportamento no seu ambiente natural.
Para além desta, também podem existir metodologias mistas, que são investigações que adotam metodologias quantitativas e qualitativas.
Estratégias de investigação (investigação qualitativa):
· Inquérito naturalista: Estudar situações do mundo real, tal como acontecem naturalmente, sem manipulação nem controlo das variáveis;
· Flexibilidade do desenho de investigação: Abertura para adaptar a metodologia à medida que as situações mudam ou a compreensão do problema aumenta (planos não rígidos);
· Amostras pertinentes: Os casos são selecionados porque são ricos em informação, são ilustrativos dos fenómenos a estudar- não interessa a generalização à população, mas sim ter a compreensão sobre um fenómeno.
Recolha de dados:
· Dados qualitativos: Observações que apresentam uma descrição detalhada dos fenómenos, entrevistas com a descrição em profundidade da perspetiva dos participantes, frases completas análise de casos detalhada;
· Experiência pessoal e envolvimento: O investigador tem contacto direto com a situação, pessoas a estudar. Envolvimento pessoal na situação pode ser útil para uma melhor compreensão;
· Neutralidade empática e mindfulness: Compreensão sem julgamentos, abertura, respeito e sensibilidade. Na observação estar «completamente presente»;
· Sistemas dinâmicos: Tanto os indivíduos como grupos, organizações são dinâmicos- os investigadores deverão captar a mudança.
Estratégias de análise:
· Orientação para o caso: Cada caso é único e especial- importância da riqueza da análise;
· Análise indutiva e síntese criativa: Imersão nos detalhes e especificidades para descobrir padrões, temas;
· Perspetiva holística: Foco na compreensão das interdependências e sistemas dinâmicos;
· Sensibilidade ao contexto: Os acontecimentos ocorrem sempre num contexto histórico, social e temporal;
· Voz, perspetiva e reflexibilidade: O investigador tem consciência da sua própria subjetividade.
Questões de validade na Investigação Qualitativa:
A validade da investigação qualitativa é frequentemente questionada quanto à falta de rigor e enviesamento do investigador, uma vez que os dados estão largamente dependentes do mesmo.
Assim, existem duas estratégias para reduzir o enviesamento: Reflexibilidade, pensamento crítico sobre os seus próprios pensamentos, e a Amostragem de casos negativos, ou seja, procurar casos que desafiam as expectativas pessoais ou resultados obtidos anteriormente.
Estratégias de validação para a investigação qualitativa:
· Triangulação de dados: Utilização de várias fontes de dados para compreender o fenómeno;
· Trabalho de campo extensivo: Recolha de dados durante longos períodos;
· Revisão externa: Usar revisores externos ao estudo para avaliar a qualidade;
· Triangulação de investigadores: Vários investigadores;
· Descritores com inferências de baixo valor: Transcrição de frases, descrição detalhada;
· Feedback dos participantes: Discussão sobre as interpretações do investigador com os participantes para a verificação sobre a compreensão;
· Triangulação de métodos: Utilização de vários métodos de estudo;
· Amostra de casos negativos: Tentativa de encontrar casos que infirmem expectativas dos investigadores;
· Emparelhamento de padrões: Estabelecer um padrão e verificar se o padrão se aplica;
· Revisão por pares;
· Reflexibilidade: Autoconsciência crítica e autorreflexiva sobre os enviesamentos do próprio investigador;
· Investigador como detetive;
· Exclusão de explicações alternativas;
· Triangulação de teorias.
Validade descritiva: Descrição factual rigorosa.
Estratégias para o conseguir: Triangulação de investigadores.
Validade interpretativa: Descrição rigorosa dos pontos de vista dos participantes.
Estratégias para o conseguir: Feedback dos participantes e Descritores de baixa inferência.
Validade teórica: Grau em que uma teoria ou explicação se adequa aos dados.
Estratégias para o conseguir: Trabalho de campo extensivo, Triangulação de teorias, Emparelhamento dos padrões e Revisão por pares.
Métodos principais de investigação qualitativa:
Estudos fenomenológicos:
A descrição da experiência consciente que um indivíduo ou grupo de indivíduos têm de um dado fenómeno.
Principal método: entrevista aprofundada que se foca não tanto na descrição que o entrevistado faz da experiência, mas sobretudo no significado e interpretação dessa experiência.
Acesso ao mundo real do participante.
Questões-chave: Qual é o significado, estrutura e essência da experiência vivida deste fenómeno para um indivíduo particular ou vários indivíduos?
Ao identificar as frases mais significativas de uma entrevista, o investigador procura organizá-las em conjuntos temáticos (de frases) que partilham significados mais abstratos. Finalmente, estes temas gerais são integrados no sentido de produzir uma descrição da experiência fenomenológica.
Estudos etnográficos:
Descrição e interpretação da cultura de um grupo de pessoas.
Cultura: Crenças, valores, práticas, linguagem, normas, rituais e coisas materiais partilhadas que os membros de um grupo usam para interpretar e compreender o mundo.
Objetivos abrangentes e gerais (não tão específicos como na observação sistemática). Compreender as situações, a interações, a dinâmica dos acontecimentos no seu meio natural.
Características: Exploratória; sem obrigatoriedade de definição de hipóteses à partida.
Método principal de recolha de dados: Observação naturalista (o investigador integra-se no grupo a estudar).
Técnicas de observação: Notas de campo (registo escrito das observações) e material de apoio audiovisual.
Notas de campo:
· Descrições:
· Descrição dos contextos;
· Descrição dos participantes;
· Descrição dos acontecimentos, comportamentos verbais e não-verbais, etc.
· Reflexões:
· Reflexões sobre as descrições e análises que foram realizadas;
· Reflexões sobre os métodos de observação e recolha de dados;
· Aspetos éticos, tensões, problemas e dificuldades;
· As reações do observador ao que foi observado (atitudes, emoções, análise);
· Possíveis linhas de novas investigações.
Participante: o investigador participa no grupo que está a estudar e passa muito tempo no grupo. As pessoas no grupo não sabem que estão a ser estudadas.
Problemas éticos: As pessoas têm o direito de saber que estão a ser estudadas, e devem poder dar ou não o seu consentimento.
Exemplo: Lugares públicos (Estudo do comportamento de claques desportivas enquanto assistem a jogos; Como as pessoas passam o tempo num centro comercial).