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Apesar do direito de não ser processado nem sentenciado senão pela autoridade competente, não se admite 
a figura do promotor natural, tendo em vista a unidade do MP. 
Comentário: 
Doutrinária e jurisprudencialmente reconhece-se a figura do promotor natural, que pode ser extraída do 
inciso LIII do art. 5º. O item, portanto, é falso. 
Gabarito: Errado 
 
(13) Art. 5º, XXXVIII – Tribunal do Júri 
Art. 5º, XXXVIII - é reconhecida a instituição do júri, com a organização que lhe der a lei, 
assegurados: 
a) a plenitude de defesa; 
b) o sigilo das votações; 
c) a soberania dos veredictos; 
d) a competência para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida. 
 
Nossa Constituição institui o júri popular no intuito de oportunizar aos cidadãos que julguem 
seus pares quando estes cometam crimes dolosos contra a vida. 
O júri terá competência, portanto, para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida. Mas você 
sabe o que é um crime doloso? É aquele no qual o agente (indivíduo que pratica o crime) prevê o resultado 
lesivo de sua conduta e, ainda assim, pratica a ação, produzindo o resultado. Porque ele deseja o 
resultado. Age com dolo, isto é, com vontade de que o resultado seja efetivado, se concretize. 
Para ilustrar: suponha que um empregador descubra que está sendo furtado há anos por um 
funcionário antigo e que ele considerava de sua extrema confiança. Com a intenção de causar o resultado 
morte, o empregador dispara tiros de uma arma de fogo para matar o funcionário e consegue obter o 
resultado. Trata‐se do crime de homicídio doloso, que é, sem dúvida, um crime doloso contra a vida. O 
julgamento realizar-se-á, portanto, perante o tribunal do júri. 
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O crime doloso contra a vida somente não será de competência do Tribunal do Júri se a 
Constituição Federal tiver determinado outro foro para o caso. Pensemos, por exemplo, no caso do 
Presidente da República. De forma expressa (no art. 102, I, ‘b’), a Constituição determinou que o 
Presidente seja julgado pelo STF quando praticar qualquer crime na função (inclusive os dolosos contra 
a vida). Neste caso, ao invés de aplicarmos a regra genérica do art. 5°, XXXVIII, aplicaremos a do art. 102, 
que é mais específica (válida só para o Presidente). Outro exemplo: no art. 105, I, ‘a’, nossa Constituição 
determina que um Governador de Estado será processado e julgado no STJ se cometer crimes na função, 
inclusive se for um crime doloso contra a vida. Imaginemos que o Governador do Estado X, 
intencionalmente, coloque veneno na comida de um desafeto político, com o indiscutível intuito de 
matá-lo e alcance esse resultado. Claro que o processo e julgamento, neste caso, irá se desenvolver no 
STJ (e não no Júri). Afinal, no confronto entre essas duas normas constitucionais (art. 5°, XXXVIII vs. art. 
105, I, ‘a’) prevalecerá a última, mais específica. 
Muito cuidado, todavia, caro aluno, se o foro especial da autoridade estiver previsto não na 
Constituição Federal, mas sim em outro documento inferior. Neste caso, a competência do Júri vai 
prevalecer. Para exemplificar: nossa Constituição Federal não previu foro especial para Vereadores. 
Todavia autorizou que as Constituições estaduais prevejam tal foro. Pois bem. Imagine que a 
Constituição do Estado ‘A’ estabeleça foro especial no Tribunal de Justiça (TJ) para os Vereadores dos 
Municípios daquele Estado. Se um Vereador praticar um crime de furto, ele será processado no TJ do 
Estado. Se praticar um crime de lesão, também. No entanto, se ele praticar um crime doloso contra a 
vida, o que você acha que deve prevalecer? A competência do Júri, descrita na Constituição Federal (art. 
5°, XXXVIII), ou a competência do TJ, descrita na Constituição Estadual? Fácil responder, certo? Em um 
confronto entre a Constituição Federal e a Constituição Estadual é claro que a primeira prevalece! 
Portanto, o Vereador será julgado no TJ pela prática de variados crimes, mas não do crime doloso contra 
a vida, pois neste último caso ele irá a Júri. 
Para corroborar esse entendimento, o STF editou a súmula Vinculante nº 45: “A competência 
constitucional do Tribunal do Júri prevalece sobre o foro por prerrogativa de função estabelecido 
exclusivamente pela Constituição Estadual”. 
No mais, a Constituição Federal ainda prevê três importantes regras válidas para o Tribunal Do 
Júri: 
(i) a plenitude de defesa 
- Como derivação do princípio da ampla defesa e do contraditório (inscrito no art. 5º, LV) temos plenitude 
de defesa que permite ao acusado se defender do crime do qual é acusado com todos os meios lícitos. 
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Poderão, inclusive, ser utilizados argumentos não jurídicos, tais como os sentimentais sociológicos e 
emocionais (apelativos aos sentimentos dos jurados). 
(ii) a soberania dos veredictos 
- Tal previsão tem o intuito de impedir que a decisão final dos jurados, pela absolvição ou condenação, 
seja alterada por decisão judicial. 
- Não sendo absoluta tal regra, segundo o STF é possível recorrer da decisão prolatada pelo Júri quando 
ela for manifestamente contrária à prova dos autos. 
(iii) o sigilo das votações 
- De forma que os votos dos jurados sejam indevassáveis. 
Questões para fixar 
[VUNESP - 2018 - Prefeitura de Bauru - SP - Procurador Jurídico - Adaptada] Julgue o item: 
É reconhecida a instituição do júri, com a organização que lhe der a lei, assegurada sua competência para o 
julgamento dos crimes dolosos e culposos contra a vida. 
Comentário: 
Item falso! A instituição do júri é reconhecida e tem competência para o julgamento dos crimes dolosos 
contra a vida (e não culposos), conforme art. 5º, XXXVIII, alínea ‘d’, da CF/88. 
Gabarito: Errado 
[FUNCAB - 2014 - PC-RO - Delegado de Polícia Civil] Com relação ao tema “direitos individuais e coletivos” 
na Constituição Federal de 1988, julgue a assertiva: 
Ao júri é assegurado a competência para julgamento de todos os crimes contra a vida. 
[VUNESP - 2015 - UNESP - Assistente de Suporte Acadêmico I - Adaptada] Assinale a alternativa que está 
em conformidade com o texto da Constituição Federal. 
O tribunal do júri tem competência para processar e julgar todos os crimes hediondos. 
[CESPE - 2016 - PC-PE - Escrivão de Polícia Civil] No que se refere aos direitos e às garantias fundamentais, 
julgue a assertiva: 
O tribunal do júri tem competência para o julgamento dos crimes culposos e dolosos contra a vida. 
Comentário: 
Em razão de o art. 5º, em seu inciso XXXVIII, alínea ‘d’, determinar a competência da instituição do júri para 
o julgamento dos crimes dolosos contra a vida, podemos marcar estes três itens como falsos. 
Gabarito: Errado / Errado / Errado 
[CESPE - 2014 - MPE - AC - Promotor] Julgue a assertiva: 
Autoridade detentora de foro por prerrogativa de função estabelecido exclusivamente na constituição 
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estadual que praticar crime doloso contra vida deverá ser julgada pelo tribunal do júri. 
Comentário: 
O item é correto, representando o exato teor da SV nº 45: “A competência constitucional do Tribunal do Júri 
prevalece sobre o foro por prerrogativa de função estabelecido exclusivamente pela Constituição Estadual”. 
Gabarito: Certo 
[IDECAN - 2019 - AGU - Técnico em Comunicação Social] Nos termos da Constituição Federal, é reconhecida 
a instituição do júri, com a organização que lhe der a lei, assegurados: 
I. a legítima de defesa; 
II. a competência para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida e os definidos como crimes hediondos; 
III. a soberania dos veredictos e o sigilo das votações. 
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