A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
104 pág.
AULA 05

Pré-visualização | Página 11 de 30

os itens acima, é correto afirmar que: 
A) somente o item I está correto. 
B) somente o item II está correto. 
C) somente o item III está correto. 
D) somente os itens I e II estão corretos. 
E) somente os itens II e III estão corretos. 
Comentário: 
Por força do art. 5º, XXXVIII da CF/88, é reconhecida a instituição do júri, com a organização que lhe der a 
lei, assegurada a plenitude de defesa, o sigilo das votações, a soberania dos veredictos e a competência para 
o julgamento dos crimes dolosos contra a vida. Sendo assim, apenas o item III é verdadeiro e, 
consequentemente, nossa alternativa correta é a da letra ‘c’. 
Gabarito: C 
 
(14) Art. 5º, XXXIX e XL – Legalidade penal e Irretroatividade da lei 
penal 
Art. 5º: 
XXXIX - não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal; 
XL - a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu. 
 
O art. 5º, XXXIX, prevê a regra do nullum crimen nulla poena sine praevia lege, consagrando, a um 
só tempo, dois princípios centrais do Direito Penal: 
(i) o princípio da legalidade (ou reserva legal), vez que não há crime sem lei que o defina, nem pena sem 
cominação legal; bem como, 
Prof. Nathalia Masson 
 Aula 05 
 
34 de 104| www.direcaoconcursos.com.br 
Direito Constitucional – Todos os Cargos – TCE/RJ 
 
(ii) o princípio da anterioridade, visto que não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem 
prévia cominação legal. 
Consoante nos informa a doutrina penalista, o princípio da legalidade exige que seja editada lei 
em sentido estrito (isto é, elaborada pelo Poder Legislativo, segundo os trâmites estabelecidos na 
Constituição para o processo legislativo) para que seja feita a definição de um crime e cominada sua 
respectiva pena. Destarte, nem mesmo uma Medida Provisória (ato normativo que tem força de lei) 
poderá prever crimes e definir penas, pois o princípio da reserva legal não permite. Não por outra razão, 
nossa Constituição vedou de forma expressa que MP trate do tema ‘Direito Penal’ – veja o art.62, § 1º, I, 
“b”). 
Nos parece muito adequada essa exigência de que a previsão de crimes derive de lei elaborada 
pelo legislador. Permitir que o Presidente crie crime ou aumente penas via Medida Provisória (que é um 
ato normativo monocrático e unipessoal, vale dizer, que o Presidente elabora e edita sozinho), seria um 
personalismo exacerbado e inaceitável, pois ficaríamos reféns do arbítrio de uma única pessoa. Daí a 
exigência de que os crimes e suas respectivas penas sejam estabelecidos pelo legislador, por meio de lei 
que, para ser confeccionada, passou por todo o processo legislativo (isto é, foi amplamente discutida 
antes de ser votada e aprovada). 
Por seu turno, a ideia de anterioridade da lei penal valoriza o ideal de segurança jurídica e evita 
a ‘surpresa’ na definição do crime ou da pena a ele correspondente. Portanto, uma conduta somente 
poderá ser considerada criminosa se, antes de praticada, já houver uma lei que a preveja como crime. 
Se assim não fosse, estaríamos reféns de uma prática detestável e antidemocrática que é a de 
estabelecer como crime determinada conduta depois que ela já foi praticada por um sujeito que pensava 
agir dentro dos limites da lei. Para ilustrar: hoje é permitido aos maiores de 18 anos comprar e consumir 
bebidas alcóolicas. Imagine que depois que você tenha comprado algumas garrafas de cerveja e as 
consumido em sua casa, alguém venha lhe prender ao argumento de que uma lei nova foi editada 
proibindo tal comércio e consumo?! Quando você comprou e consumiu, era permitido. Mas uma 
proibição posterior foi editada e pretende lhe punir. Não lhe parece injusto e inconstitucional? Daí porque 
nossa Constituição se ocupou em vedar essa possibilidade. 
Em conclusão: leis penais estabelecem crimes e penas para o futuro e não para o passado. 
Ademais, nossa Constituição reforçou essa ideia ao prever no inciso XL do art. 5º os princípios 
da retroatividade da lei penal mais benéfica e da irretroatividade da lei penal in pejus (prejudicial). 
Prof. Nathalia Masson 
 Aula 05 
 
35 de 104| www.direcaoconcursos.com.br 
Direito Constitucional – Todos os Cargos – TCE/RJ 
 
Tais princípios indicam que a lei penal não pode se voltar para o passado e alcançar fatos 
pretéritos. A lei penal vale ‘dali para frente’, salvo se essa lei nova for melhor para o réu (for uma “novatio 
legis in mellius”), pois aí ela terá retroatividade, ela poderá atingir fatos passados. 
Para exemplificar: imagine que alguém esteja cumprindo pena por ter cometido o crime de 
aborto sem o consentimento da gestante. Tempos depois, uma nova lei é editada e extingue esse crime 
(esse tipo de lei que descriminaliza certas condutas é chamado de “abolitio criminis”, porque acaba com 
certo crime que existia). Ora, temos uma lei nova em matéria penal e ela é mais benéfica ao réu. Logo, 
poderá retroagir e impedirá que ele siga cumprindo pena por um fato que, agora, já não é mais criminoso. 
Questões para fixar 
[VUNESP - 2015 - PC - CE - Inspetor] Julgue a assertiva: 
A Constituição Federal assegura que a lei penal não retroagirá, ainda que para beneficiar o réu. 
[MPE-RS - 2015 - MPE-RS - Assessor Bacharel em História - Adaptada] Considerando o previsto na 
Constituição Federal, no capítulo dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos, julgue a assertiva: 
A lei penal não retroagirá em hipótese alguma. 
[MPE-RS - 2015 - MPE-RS - Assessor- Contabilidade - Adaptada] Considerando o que dispõe a Constituição 
Federal acerca dos “Direitos e Deveres Individuais e Coletivos”, assinale com V (verdadeiro) ou com F (falso) 
a seguinte afirmação: 
A lei penal sempre retroagirá para melhor julgamento da lide, conforme interpretação do julgador. 
Comentário: 
Como nossa Constituição determina, em seu art. 5º, inciso LX, que a lei penal não retroagirá, salvo se ela for 
mais benéfica para o réu, podemos marcar os três itens como sendo falsos. 
Gabarito: Errado / Errado / Errado 
[UFRR - 2018 - UFRR - Assistente Social – Adaptada - Adaptada] Quanto aos princípios e direitos 
fundamentais, julgue a assertiva: 
Há crime sem lei anterior que o defina e pena sem prévia cominação legal. 
Comentário: 
Por estar em absoluta contradição com o que determina o art. 5º, XXXIX, este item deve ser considerado 
falso. Afinal, não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal. 
Gabarito: Errado 
 
Prof. Nathalia Masson 
 Aula 05 
 
36 de 104| www.direcaoconcursos.com.br 
Direito Constitucional – Todos os Cargos – TCE/RJ 
 
(15) Art. 5º, XLI, XLII, XLIII e XLIV - Práticas discriminatórias e crimes 
inafiançáveis 
Art. 5º: 
XLI - a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais; 
XLII - a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos 
da lei; 
XLIII - a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura, o tráfico 
ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles 
respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem; 
XLIV - constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou militares, contra a 
ordem constitucional e o Estado Democrático. 
 
Sendo um dos objetivos da República Federativa do Brasil, posto no art. 3°, IV, o de promover o 
bem de todos, sem preconceito de origem, sexo, cor, raça e quaisquer outras formas de discriminação, é 
natural que tenhamos a previsão do inciso XLI, no sentido de determinar que a lei punirá qualquer 
discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais. 
Já os incisos XLII a XLIV enunciam os crimes que, em razão de sua gravidade, não admitem fiança 
(são os inafiançáveis), isto é, não admitem o pagamento em dinheiro para que seja determinada a 
soltura

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.