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de que momento o condenado à prisão deve iniciar o 
cumprimento de sua pena. Vejamos um breve histórico: 
(i) Nossa Constituição da República de 1988 estabeleceu que "ninguém será considerado culpado até o 
trânsito em julgado de sentença penal condenatória". 
(ii) Nossa Corte Suprema, em 2009, assentou que era inconstitucional a execução antecipada da pena. À 
época, por 7 a 4, o plenário concedeu o HC 84.078 para permitir a um condenado pelo TJ/MG que 
recorresse em liberdade. 
(iii) Em fevereiro de 2016, por sua vez, também em HC (126.292), e com o mesmo placar (7x4) – mas com 
composição de Ministros diversa – o plenário alterou sua jurisprudência afirmando ser possível a prisão 
após 2ª instância. Na ocasião, a guinada jurisprudencial foi capitaneada pelo Ministro Teori Zavascki e, 
como o entendimento foi firmado em um HC, ele só dizia respeito ao caso concreto. 
(iv) Claro que tal mudança gerou insegurança jurídica e os próprios ministros da Corte passaram a decidir, 
monocraticamente, de formas distintas. 
(v) Em outubro de 2016, o novo posicionamento (permissivo à prisão após a condenação prolatada em 
2ª instância) foi mantido, mas em julgamento de liminares das ADCs que, em novembro de 2019, foram 
finalmente julgadas. 
(vi) Foi, pois, em novembro de 2019 que nossa Corte promoveu nova virada paradigmática sobre o 
assunto. No julgamento de mérito das ADCs 43, 44 e 54, o STF confirmou a constitucionalidade do artigo 
283 do CPP11, à luz do artigo 5º, LVII, da Constituição da República, o que significou, segundo a maioria 
dos Ministros, que o cumprimento da pena de prisão somente pode ocorrer após o trânsito em julgado 
da sentença condenatória. 
 Em conclusão: segundo a maioria dos Ministros do STF, é constitucional a regra do Código de 
Processo Penal que prevê o esgotamento de todas as possibilidades de recurso (trânsito em julgado da 
condenação) para o início do cumprimento da pena. Claro que a decisão não veda a prisão antes do 
esgotamento dos recursos, mas estabelece a necessidade de que a situação do réu seja individualizada, 
com a demonstração da existência dos requisitos previstos no artigo 312 do CPP – para a garantia da 
 
11. Art. 283, CPP: "Ninguém poderá ser preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária 
competente, em decorrência de sentença condenatória transitada em julgado ou, no curso da investigação ou do processo, em virtude de 
prisão temporária ou prisão preventiva". 
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ordem pública e econômica, por conveniência da instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei 
penal – para que haja a prisão preventiva. 
No mais, lembre-se, estimado aluno, que o princípio da presunção de inocência também pode ser 
visto sob um outro prisma: “ninguém precisa provar que não fez algo”, pois o dever de provar (o ônus da 
prova) é do acusador. 
(vii) Ainda sobre essa discussão acerca da possibilidade de prisão após a condenação em segunda 
instância, cumpre informar que o CPP, no capítulo atinente ao procedimento relativo aos processos da 
competência do tribunal do júri, determina, no art. 492, I, ‘e’ (com redação dada pela Lei 13.964/2019 - 
“Pacote Anticrime”) que o presidente do júri proferirá sentença que, no caso de condenação, mandará o 
acusado recolher-se ou recomendá-lo-á à prisão em que se encontra, se presentes os requisitos da prisão 
preventiva, ou, no caso de condenação a uma pena igual ou superior a 15 (quinze) anos de reclusão, 
determinará a execução provisória das penas, com expedição do mandado de prisão, se for o caso, sem 
prejuízo do conhecimento de recursos que vierem a ser interpostos. Note, caro leitor, que a nova lei 
positivou um entendimento que já havia sido exarado pelo STF, por maioria, no julgamento de mérito 
das ADCs 43, 44 e 54, em novembro de 2019. Na ocasião, o Min. Dias Toffoli (na função de Presidente 
da Corte), ao proferir o voto que desempatou o julgamento disse que a prisão com fundamento 
unicamente em condenação penal só pode ser decretada após esgotadas todas as possibilidades de 
recurso. Esse entendimento, explicou, decorre da opção expressa do legislador e se mostra compatível 
com o princípio constitucional da presunção de inocência (mas claro que o Parlamento tem autonomia 
para alterar esse dispositivo e definir o momento da prisão). Para o Ministro, ademais, a única exceção 
é a sentença proferida pelo Tribunal do Júri, que, de acordo com a Constituição, é soberano em suas 
decisões. 
Questões para fixar 
[ESAF - 2012 - ATRFB - Adaptada] Julgue a assertiva: 
Ninguém será considerado culpado até a prolação da sentença penal condenatória. 
[VUNESP - 2015 - PC - SP - Inspetor - Adaptada] Julgue o item: 
Quanto aos direitos e garantias fundamentais, é correto afirmar que ninguém será considerado culpado até 
o trânsito em julgado de sentença penal condenatória, salvo o preso em flagrante delito. 
Comentário: 
O inciso LXVII do art. 5º determina que ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de 
sentença penal condenatória. Por isso, os dois itens são falsos. 
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Gabarito: Errado / Errado 
[CESPE - 2016 - PC - CE - Escrivão] Julgue o item: 
O início de execução da pena criminal condenatória após a confirmação da sentença em segundo grau 
ofende o princípio constitucional de presunção da inocência. 
Comentário: 
Eis um tema bastante controverso, não só na doutrina, como também na própria jurisprudência do STF. A 
assertiva foi considerada falsa pela banca, pois no ano em que foi elaborada, nossa Corte admitia o 
cumprimento da pena antes do trânsito em julgado da sentença condenatória, considerando que isso não 
ofenderia o princípio constitucional da presunção de inocência. No entanto, em novembro de 2019 a 
Suprema Corte promoveu nova virada paradigmática sobre o assunto. No julgamento de mérito das ADCs 
43, 44 e 54, o STF confirmou a constitucionalidade do artigo 283 do CPP, à luz do artigo 5º, LVII, da 
Constituição da República, o que significou, segundo a maioria dos Ministros, que o cumprimento da pena de 
prisão somente pode ocorrer após o trânsito em julgado da sentença condenatória. 
Gabarito: Certo 
 
(27) Art. 5º, LVIII - Identificação criminal 
Art. 5º, LVIII - o civilmente identificado não será submetido a identificação criminal, salvo nas hipóteses 
previstas em lei; 
Aquele que estiver civilmente identificado (ou seja, que portar consigo algum documento de 
identificação válido em todo o território nacional, como a CNH, o passaporte, a carteira de identidade, 
etc.) não será submetido a identificação criminal (não será levado à delegacia para o colhimento das suas 
impressões datiloscópicas, para tirar foto de frente e de perfil...), salvo nas hipóteses previstas em lei. 
Note, pois, que esse direito não é absoluto, pois a própria constituição determina que, em certos 
casos, excepcionalmente, o civilmente identificado poderá ser levado à delegacia para que seja feita sua 
identificação criminal. As hipóteses estão descritas na Lei de Identificação Criminal (Lei nº 12.037/2009). 
Questões para fixar 
[UERR - 2018 - SETRABES - Agente Sócio-Geriátrico] O civilmente identificado não será submetido a 
identificação criminal, salvo: 
A) após decisão de tribunal superior. 
B) após o trânsito em julgado de decisão judicial. 
C) em caso de decisão de órgão judicial internacional. 
D) após o trânsito em julgado de decisão administrativa. 
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E) nas hipóteses previstas em lei.

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