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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................................................................................ 104 
 
 
Prof. Nathalia Masson 
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DIREITOS E GARANTIAS INDIVIDUAIS – 2ª Parte 
(análise dos incisos XXII a LXXVIII do art. 5°, CF/88) 
(1) Recado inicial 
Lembre-se de duas coisas: 
(1) Esta aula foi produzida para o concurso do TCE RJ, banca CESPE, sendo datada de fevereiro de 2020. 
Como o conteúdo de Direito Constitucional é o que mais se altera no mundo jurídico (em razão das 
constantes mudanças legislativas e, em especial, das incessantes novas decisões do STF), não desperdice 
seu tempo ou arrisque sua aprovação estudando um material desatualizado. Busque sempre a versão 
oficial da aula no site do nosso curso! 
(2) Esta aula é a parte II de um estudo que iniciamos no último encontro, referente ao tema “Direitos e 
Garantias Individuais”. Se na aula passada conversamos sobre os incisos I a XXI, nesta nos dedicaremos 
aos incisos subsequentes: trataremos do XXII ao LXXVIII (lembrando que os incisos atinentes aos 
remédios constitucionais serão trabalhados em aula própria, dada a relevância do assunto). 
(2) Art. 5º, XXII, XXIII e XXIV - Propriedade 
Art. 5º, XXII ‐ é garantido o direito de propriedade. 
Art. 5º, XXIII ‐ a propriedade atenderá a sua função social. 
Art. 5º, XXIV ‐ a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, 
ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta 
Constituição. 
Art. 5º, XXV ‐ no caso de iminente perigo público, a autoridade competente poderá usar de propriedade 
particular, assegurada ao proprietário indenização ulterior, se houver dano. 
 
(A) Introdução 
Abarcando as prerrogativas de usar, gozar, dispor e possuir um bem (material ou não), bem 
como a de reavê-la diante de detenção indevida por outrem, o direito de propriedade é assegurado pela 
Constituição Federal em seu art. 5º, em variados incisos (XXII, XXIII, XXIV, XXVII, XXIX e XXX). 
Note, caro aluno, que nossa Constituição protege a propriedade de forma muito ampla, 
englobando qualquer direito de conteúdo patrimonial, sejam eles materiais ou mesmo imateriais, como 
os direitos autorais, a propriedade industrial (marcas) e o direito à herança. 
Mas, como o direito de propriedade não poderá, por óbvio, ser considerado absoluto, as 
relativizações trazidas pela Constituição Federal serão apresentadas nos itens a seguir, por intermédio 
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de comentários referentes à função social da propriedade (art. 5°, XXIII), à desapropriação (art. 5º, XXIV), 
à requisição (art. 5º, XXV, da CF/88), e à expropriação (art. 243, CF/88). 
Portanto, vamos trabalhar, pois temos muito incisos a enfrentar! 
 
(B) Função social da propriedade 
Quando garantiu o direito à propriedade, nosso texto constitucional explicitamente determinou 
que ela deveria atender a sua função social (art. 5º, XXIII). 
Esse inciso divide a opinião dos autores. Na percepção de alguns12, a função social é uma 
limitação ao exercício da prerrogativa; para outros, todavia, ela é parte integrante da própria estrutura 
do direito, não havendo que se falar, no texto constitucional, de tutela à propriedade que não atenda à 
sua função social. Partidário dessa segunda acepção, José Afonso da Silva preceitua que “a função social 
da propriedade não se confunde com os sistemas de limitação da propriedade. Estes dizem respeito ao 
exercício do direito ao proprietário; aquela, à estrutura do direito mesmo, à propriedade”.3 
Nosso entendimento, todavia, é a de que a primeira visão referente à função social é a mais 
correta. Isso porque, ainda que o cumprimento da função social seja essencial para que o proprietário 
usufrua plenamente de todas as faculdades que o direito lhe confere, sua eventual inobservância não 
poderá subtrair do proprietário inadimplente todos os seus direitos referentes ao bem. Desta forma, 
confundir a propriedade com sua função social “daria margem até para justificar a expropriação sem o 
pagamento de indenização”.4 
Sugiro, portanto, que você entenda a função social como uma exigência constitucional que, se 
efetivada, culmina no reconhecimento de que o direito de propriedade estará resguardado na sua 
plenitude. 
E o que é que justifica essa imposição constitucional de respeito à função social? É uma releitura 
contemporânea, que defende que a noção individualista de propriedade cedeu e deu lugar à uma 
concepção que não nega o direito individual, mas o ajusta aos interesses sociais. A função social tem por 
objetivo impulsionar o indivíduo a contribuir com o bem-estar da coletividade em detrimento de interesses 
 
1. NOVELINO, Marcelo. Direito Constitucional. 9ª ed. São Paulo: Método, 2014, p. 535. 
2. BERNARDES, Juliano Taveira; FERREIRA, Olavo Augusto Vianna Alves. Sinopses para Concursos: v. 17 - Direito Constitucional 
- Tomo II. 3ª ed. Salvador: Juspodivm, 2014, p. 107. 
3. SILVA, José Afonso da. Curso de Direito Constitucional positivo. 33ª ed. Malheiros, 2010. p. 281 e 282. 
4. BERNARDES, Juliano Taveira; FERREIRA, Olavo Augusto Vianna Alves. Sinopses para Concursos: v. 17 - Direito Constitucional 
- Tomo II. 3ª ed. Salvador: Juspodivm, 2014, p. 107. 
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egoísticos e unicamente individuais. Não por outra razão, a propriedade privada e sua função social foram 
listadas como princípios da ordem econômica (art. 170, II e III, CF/88). 
Para reforçar nossa ideia, trago as precisas palavras do STF: 
o direito de propriedade não se reveste de caráter absoluto, eis que, sobre ele, pesa grave hipoteca 
social, a significar que, descumprida a função social que lhe é inerente (CF, art. 5º, XXIII), legitimar-se-
á a intervenção estatal na esfera dominial privada, observados, contudo, para esse efeito, os limites, 
as formas e os procedimentos fixados na própria CR. O acesso à terra, a solução dos conflitos sociais, 
o aproveitamento racional e adequado do imóvel rural, a utilização apropriada dos recursos naturais 
disponíveis e a preservação do meio ambiente constituem elementos de realização da função social 
da propriedade5. 
No que se refere à função social dos imóveis rurais, a Constituição Federal preceituou, em seu 
art. 186, que será cumprida quando a propriedade rural atender, simultaneamente, segundo critérios e 
graus de exigência estabelecidos em lei, os seguintes requisitos: 
(i) aproveitamento racional e adequado; 
(ii) utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e preservação do meio ambiente; 
(iii) observância das disposições que regulam as relações de trabalho; 
(iv) exploração que favoreça o bem-estar dos proprietários e dos trabalhadores. 
Repare, caro aluno, que a efetivação da função social por imóveis rurais dependerá da 
obediência a três ordens de condições6: 
(i) econômica: relacionada à produtividade do imóvel (que deve ser aproveitado racionalmente e 
adequadamente); 
(ii) social: ótica que implica na obediência das normas referentes às relações de trabalho, visando 
essencialmente o bem-estar dos envolvidos na atividade; 
(iii) ecológica: utilização responsável do imóvel, com vistas a assegurar a proteção ao direito 
fundamental ao meio ambiente. 
Se o imóvel rural descumprir sua função social, poderemos ter a desapropriação, pois nos 
termos do art. 184, CF/88, “compete à União desapropriar por interesse social, para fins de reforma 
agrária, o imóvel rural que não esteja cumprindo sua função social, mediante prévia e justa

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