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indenização 
em títulos da dívida agrária, com cláusula de preservação do valor real, resgatáveis no prazo de até vinte 
 
5. Na ADI 2.213-MC, relatada pelo Min. Celso de Mello e noticiada no Informativo 301, STF. 
6. BERNARDES, Juliano Taveira; FERREIRA, Olavo Augusto Vianna Alves. Sinopses para Concursos: v. 17 - Direito Constitucional 
- Tomo II. 3ª ed. Salvador: Juspodivm, 2014, p. 108. 
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anos, a partir do segundo ano de sua emissão, e cuja utilização será definida em lei”. 
Por outro lado, a propriedade urbana cumprirá sua função social quando atender às exigências 
fundamentais de ordenação da cidade expressas no plano diretor (art. 182, § 2º, CF/88). A propósito, o 
plano diretor –aprovado pela Câmara Municipal e obrigatório em cidades com mais de vinte mil 
habitantes –, é o instrumento básico da política de desenvolvimento e de expansão urbana, conforme 
enuncia o art. 182, § 1º, CF/88. 
A Constituição, em seu art. 182, § 4º, CF/88, faculta ao Poder Público municipal, mediante lei 
específica para área incluída no plano diretor, exigir, nos termos da lei federal, do proprietário do solo 
urbano não edificado, subutilizado ou não utilizado, que promova seu adequado aproveitamento, sob 
pena, sucessivamente, de: I – parcelamento ou edificação compulsórios; II – imposto sobre a propriedade 
predial e territorial urbana progressivo no tempo; III – desapropriação com pagamento mediante títulos 
da dívida pública de emissão previamente aprovada pelo Senado Federal, com prazo de resgate de até 
dez anos, em parcelas anuais, iguais e sucessivas, assegurados o valor real da indenização e os juros 
legais. 
Por fim, vale deixar firmado que, nada obstante a importância da função social da propriedade, 
o seu descumprimento não justifica invasões clandestinas, revestidas de caráter ilícito, que nada mais 
são do que atos atentatórios ao Estado de Direito. Assim, não se pode admitir que movimentos ditos 
“sociais” (normalmente marcados pelo emprego arbitrário da violência) se substituam ao Estado na 
definição das consequências da desobediência à exigência constitucional do atendimento à função 
social. 
Questões para fixar 
[CESPE - 2019 - PGE-PE - Conhecimentos Básicos - Cargos: 1, 2, 3 e 4] À luz da Constituição Federal de 1988, 
julgue o item a seguir: 
O direito de propriedade é constitucionalmente garantido, devendo as propriedades atender a sua função 
social. 
Comentário: 
Em razão da previsão dos incisos XXII e XXIII do art. 5º, pode marcar este item como correto. 
Gabarito: Certo 
[CESGRANRIO - 2018 - Petrobras - Advogado Júnior] Nos termos da Constituição de 1988, o direito de 
propriedade é um direito: 
A) social, cabendo ao proprietário respeitar os limites da função social. 
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B) social, pois não possibilita ao proprietário dispor conforme o seu próprio e exclusivo interesse. 
C) individual, que impede qualquer tipo de intervenção do Estado. 
D) individual absoluto, que possibilita ao proprietário sempre dispor conforme o seu próprio e exclusivo 
interesse. 
E) individual relativo, cabendo ao proprietário respeitar os limites da função social. 
Comentário: 
Você bem sabe, caro aluno, que a propriedade representa um direito individual. Todavia, não é absoluto, 
aliás, como costuma acontecer com os demais direitos e garantias individuais. A relatividade de tal direito 
fica evidente quando nos lembramos do inciso XXII do art. 5º, que determina ao proprietário o necessário 
respeito à função social. 
Gabarito: E 
 
(C) Limitações ao direito de propriedade 
As limitações constitucionalmente firmadas ao direito de propriedade que estudaremos nessa 
aula são as seguintes: (i) a desapropriação (art. 5º, XXIV, CF/88); (ii) a requisição (art. 5º, XXV, CF/88); e 
(iii) a expropriação (art. 243, CF/88). E veja que interessante, estimado aluno: enquanto a função social 
impede que a propriedade tenha um caráter absoluto, a requisição atinge a exclusividade do direito, e a 
desapropriação e a expropriação afastam seu caráter perpétuo! 
Veja nosso objeto de estudo no esquema posto abaixo7: 
 
 
 
Trataremos de cada uma dessas restrições nos itens seguintes, demonstrando de que forma elas 
limitam o exercício do direito. 
 
 
7. MASSON, Nathalia. Manual de Direito Constitucional. 8ª. ed. Salvador: Juspodivm, 2020, p. 347. 
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(C.1) Desapropriação 
Como o direito de propriedade perdura ao longo de toda a vida do proprietário e, com sua morte, 
é transmitido aos seus sucessores, a princípio, podemos considerá-lo um direito de duração ilimitada, 
vale dizer, perpétuo. 
Todavia, o Poder Público pode determinar a desapropriação da propriedade particular por meio 
de uma transferência compulsória, em que toma para si (ou transfere para terceiros) bens particulares, 
mediante o pagamento de justa e prévia indenização (em regra, em dinheiro). 
Não há dúvida, futuro servidor do TCE RJ, que a desapropriação é uma maneira bastante 
agressiva de o Estado intervir no direito de propriedade. No entanto, é a forma que o Poder Público tem 
para vencer eventuais obstáculos à efetivação de obras e serviços de interesse da coletividade, como, por 
exemplo, a construção de um viaduto, de uma rodovia, ou até mesmo a criação de uma reserva 
ambiental. 
Uma vez que não há nenhum título anterior (ou seja, adquire-se o bem independentemente de 
qualquer situação jurídica prévia), a desapropriação é considerada uma forma originária de aquisição da 
propriedade. Assim, “o bem expropriado ingressa no domínio público livre de ônus, gravames ou relações 
jurídicas, de natureza real ou pessoal, que eventualmente o atinjam”8. 
O inciso XXIV do art. 5º da CF/88 prevê que a desapropriação depende de prévia declaração do 
Poder Público de que o bem é de (i) necessidade pública, (ii) utilidade pública ou (iii) interesse social. 
Vejamos o significado de cada uma dessas expressões: 
(i) Na necessidade pública, a Administração Pública precisa realizar, em caráter emergencial, uma 
atividade essencial e indispensável ao Estado e, por isso, deve promover a transferência urgente de bens 
particulares para o domínio público – pois desapropriar foi a única solução administrativa encontrada 
para resolver uma adversidade. A doutrina9 entende que as situações descritas no art. 5º, do Decreto-lei 
3.365/1941 (Lei Geral de Desapropriações), alíneas “a”, “b” e “c” (segurança nacional, defesa do Estado e 
socorro público em caso de calamidade) são hipóteses de necessidade pública (em que pese o decreto 
listá-las como situações de utilidade pública). 
(ii) Na utilidade pública, a realização de uma atividade estatal não é urgente ou imprescindível, mas é 
conveniente para o Estado. Destarte, a desapropriação não é a única, mas sim a melhor solução existente 
para superar o problema. O art. 5º do Decreto-lei 3.365/1941 (Lei Geral de Desapropriações), excetuando 
 
8. MAZZA, Alexandre. Manual de Direito Administrativo. 4ª ed. São Paulo: Saraiva, 2014, p. 718. 
9. MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 23ª ed. São Paulo: Malheiros Editores, 1998, p. 494 e 495. 
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suas alíneas “a”, “b” e “c”, enuncia as hipóteses que autorizam essa modalidade de restrição. 
(iii) Já o interesse social objetiva

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