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promover justa distribuição da propriedade para que esta seja mais bem 
aproveitada, em benefício da coletividade ou de segmentos sociais que mereçam amparo especial por 
parte do Estado. Essa modalidade tem caráter sancionatório (que fica evidente em razão de o pagamento 
não ser realizado em dinheiro, mas sim mediante títulos da dívida pública), destinando-se aos 
proprietários de imóveis que descumpram a função social constitucionalmente exigida. Como exemplos 
de desapropriação por interesse social, podemos listar as desapropriações para política urbana e as 
desapropriações para reforma agrária. Falemos de cada uma delas: 
(a) Desapropriações para política urbana (art. 182, §4º, III, CF/88): se o imóvel urbano não cumprir sua 
função social, poderá o Município exigir o parcelamento ou edificação compulsórios e, não sendo tal 
medida satisfatória, poderá o ente federado determinar a cobrança de IPTU progressivo no tempo. 
Todavia, se nenhum dos dois procedimentos for suficiente para desembaraçar o problema, a 
Constituição autoriza que o Município adote a medida enunciada no inciso III, a saber: a desapropriação 
mediante pagamento por meio de títulos da dívida pública de emissão previamente aprovada pelo 
Senado Federal, com prazo de resgate de até dez anos, em parcelas anuais, iguais e sucessivas, 
assegurados o valor real da indenização e os juros legais. 
(b) Desapropriações para reforma agrária (art. 184, CF/88): nesse caso, é de competência exclusiva da 
União desapropriar o imóvel rural que não esteja cumprindo sua função social, mediante prévia e justa 
indenização em títulos da dívida agrária, com cláusula de preservação do valor real, resgatáveis no prazo 
de até vinte anos, a partir do segundo ano de sua emissão. Diga-se, ainda, que as benfeitorias úteis e 
necessárias serão indenizadas em dinheiro (art. 184, § 1º, CF/88), enquanto as voluptuárias integrarão os 
títulos da dívida agrária. 
Obs.: Um detalhe importante: a competência da União só é exclusiva para promover a desapropriação 
do imóvel rural por interesse público para fins de reforma agrária. As outras entidades federadas também 
podem promover a desapropriação de imóvel rural, desde que com fundamento na necessidade ou 
utilidade pública. 
Questões para fixar 
[FEPESE - 2014 - MPE-SC - Técnico do Ministério Público] Quanto aos Direitos e Garantias Fundamentais 
estabelecidos na Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, julgue a assertiva: 
A lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por utilidade pública, mediante justa e posterior 
indenização. 
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Comentário: 
Notou que o item é falso? Isso em razão da previsão do inciso XXIV do art. 5º, que determina que a 
indenização deverá ser justa e prévia e paga em dinheiro. 
Gabarito: Errado 
[FUNDATEC - 2018 - SPGG - RS - Analista de Planejamento, Orçamento e Gestão - Adaptada] No que diz 
respeito aos direitos e garantias fundamentais previstos na Constituição Federal, analise a seguinte 
afirmação: 
A propriedade atenderá a sua função social, admitindo-se a desapropriação por necessidade ou utilidade 
pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos 
previstos em lei. 
Comentário: 
O item caminhava muito bem... no entanto, será considerado falso em razão da parte final. Isso porque o 
inciso XXIV do art. 5º determina que tais ressalvas deverão estar previstas na Constituição, e não em lei. 
Gabarito: Errado 
[VUNESP - 2017 - UNESP - Assistente Administrativo] Ressalvados os casos previstos na Constituição 
Federal, a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por 
interesse social, mediante: 
A) títulos da dívida pública. 
B) justa e prévia indenização em dinheiro. 
C) títulos da dívida agrária. 
D) precatórios judiciais. 
E) ordens de pagamento do Tesouro. 
Comentário: 
Como a indenização em razão da desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse 
social, deverá ser justa e prévia e paga em dinheiro, nossa resposta está na letra ‘b’. 
Gabarito: B 
[IBFC - 2017 - EBSERH - Advogado (HUGG-UNIRIO)] Analise os itens a seguir e considere as normas da 
Constituição Federal sobre a garantia de sigilo para assinalar a alternativa correta: 
A) A lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, mediante 
justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos na própria Constituição, sendo 
vedado tal ato por interesse social 
B) A lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por 
interesse social, mediante justa e posterior indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos na 
própria Constituição 
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C) A lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por 
interesse social, mediante justa e posterior indenização em dinheiro ou isenções, ressalvados os casos 
previstos na própria Constituição 
D) A lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por 
interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro ou títulos, ressalvados os casos previstos 
na própria Constituição 
E) A lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por 
interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos na própria 
Constituição 
Comentário: 
A letra ‘e’ é a tradução exata do inciso XXIV do art. 5º, sendo, portanto, nossa resposta. 
Gabarito: E 
 
(C.2) Requisição 
Podemos considerar a requisição como sendo uma forma de intervenção pública no direito de 
propriedade em situações emergenciais, em que há iminente perigo público e a autoridade competente 
precisa usar temporariamente uma propriedade particular (art. 5º, XXV). 
Existem duas modalidades de requisição: a civil (art. 5º, XXV, CF/88) e a militar (art. 139, VII, da 
CF/88). Em nenhuma delas teremos a perda da propriedade (supressão de domínio), mas, tão somente, 
o uso do bem pelo Estado no intuito de atender o interesse público. 
A requisição terá lugar em situações de urgência, nas quais o Poder Público não tem tempo 
suficiente para a adotar outras providências alternativas que não dependam da interferência nos bens 
particulares. 
O fato é: o Estado precisa da propriedade privada, a utiliza e a devolve ao proprietário logo após a 
ação. Se por acaso, com tal postura, o Estado gerar danos, terá que pagar uma indenização. Do contrário, 
não tendo ocorrido qualquer avaria ao bem utilizado, a indenização não será necessária. 
Assim, caro aluno, repare que é justamente em razão da necessária comprovação de existência de 
dano, que a indenização será sempre posterior. 
Para lhe ajudar a traçar um comparativo entre a desapropriação e a requisição, veja a seguir um 
quadro comparativo entre as duas modalidades de restrição à propriedade já estudadas: 
 
 
 
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Requisição Desapropriação 
Art. 5º, XXV, CF/88 Art. 5º, XXIV, CF/88 
Atinge a propriedade privada de bens 
móveis ou imóveis 
Atinge bens e direitos 
Visa o uso da propriedade 
Aquisição da propriedade – 
há transferência compulsória 
Atende a necessidades transitórias Atende a necessidades permanentes 
Utilização independe de consentimento 
Ocorre mediante acordo com o 
proprietário ou processo judicial 
Indenização posterior, sempre em dinheiro, 
somente nos casos em que houver dano 
Indenização obrigatória. Será prévia, justa e,

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