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ou ameaça a direito; 
Eis um importantíssimo princípio que reforça nosso Estado Democrático de Direito, ao garantir 
um Poder Judiciário forte e atuante, que impeça abusos e práticas autoritárias por parte dos Poderes 
Executivo e Legislativo. Afinal, como podemos extrair deste dispositivo, nenhuma lesão ou ameaça de 
lesão a direito deixará de ser apreciada pelo Poder Judiciário. 
Podemos, portanto, dizer que no art. 5°, XXXV temos a adoção do princípio da inafastabilidade 
(ou universalidade) da jurisdição (também chamado de princípio da inafastabilidade do controle judicial 
ou jurisdicional). 
A adoção de tal princípio nos mostra que o nosso sistema de jurisdição é o inglês, de jurisdição 
una, no qual somente o Poder Judiciário pode decidir as questões de forma definitiva, gerando a ‘coisa 
julgada’ (a impossibilidade de rediscussão). O modelo oposto, que é o francês (também chamado de 
contencioso administrativo), permite que tanto a Administração quanto o Judiciário decidam questões 
em caráter definitivo. 
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Como trabalhamos com o sistema de jurisdição una, ainda que uma questão esteja sendo 
discutida no âmbito administrativo, depois essa mesma demanda poderá ser levada ao conhecimento 
do Poder Judiciário. 
Não sendo um princípio absoluto, a doutrina aponta algumas exceções à regra geral da 
inafastabilidade da jurisdição. São casos nos quais o acionamento do Poder Judiciário somente se dará 
após o prévio esgotamento da via administrativa. Em outras palavras: em determinados casos, a lesão 
ou ameaça de lesão a direito somente poderá ser levada ao conhecimento do Poder Judiciário após o 
sujeito já ter tentado resolver a questão na via administrativa. 
Dois bons exemplos são os seguintes: 
(i) Art. 217, § 1º CF/88: O Poder Judiciário somente admitirá ações relativas à disciplina e às competições 
desportivas após esgotarem-se as instâncias da justiça desportiva, regulada em lei. 
(ii) O Habeas Data somente será admitido após esgotamento prévio da via administrativa. 
(entendimento do STF – HD 22/DF, entre outros – e do STJ, na Súmula nº2). Isso significa, que o sujeito 
somente poderá impetrar o HD se na petição inicial ele for capaz de demonstrar que já tentou ter acesso 
ou retificar as informações próprias na via administrativa e não conseguiu (ou obteve uma recusa como 
resposta ou então a autoridade administrativa foi omissa e não o respondeu no prazo estabelecido na Lei 
do HD – art. 8° da Lei 9.507/1997 –, que é de 10 ou 15 dias, a depender do caso). 
Questões para fixar 
[FCC - 2013 - PGE - BA - Analista] O princípio segundo o qual a lei não excluirá da apreciação do Poder 
Judiciário lesão ou ameaça a direito, denomina-se: 
a) da proteção à coisa julgada e ao ato jurídico perfeito. 
b) da exclusiva proteção de bens jurídicos. 
c) da legalidade. 
d) da inafastabilidade do controle jurisdicional. 
e) da legitimidade popular. 
Comentário: 
Consoante determinar o art. 5º, em seu inciso XXXV, estamos a tratar do princípio da inafastabilidade da 
jurisdição. Pode assinalar a letra ‘d’. 
Gabarito: D 
[FCC - 2013 - TRT 1ªR - TJAA] Dentre os direitos assegurados na Constituição Federal que regem os 
processos judiciais está o direito: 
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A) à produção de quaisquer provas, em qualquer tempo e procedimento, ainda que obtidas por meios ilícitos, 
em decorrência do princípio constitucional da ampla defesa. 
B) de deduzir pedido e apresentar defesa, por via oral, independentemente do tipo de procedimento 
aplicado ao caso. 
C) a juízo ou tribunal de exceção. 
D) à inafastabilidade do controle jurisdicional de lesão ou ameaça a direito. 
E) de a parte formular pedido e deduzir defesa independentemente de constituir advogado. 
Comentário: 
A resposta correta é o princípio da inafastabilidade do controle judicial, disposto no art. 5º, XXXV da CF/88. 
Sendo assim, a letra ‘d’ é nossa resposta! Sobre os erros das demais assertivas: 
(a) são inadmissíveis as provas ilícitas (art. 5°, LVI); 
(b) Normalmente, a dedução do pedido e a apresentação de defesa são feitos na forma escrita. No entanto, 
em procedimentos excepcionamos essa regra. É o que se passa, por exemplo, nos procedimentos dos 
juizados Especiais, orientados pelo critério da oralidade. 
(c) Nos termos do art.5°, XXXVII, CF/88, não haverá juízo ou tribunal de exceção 
(e) Consoante determina o art. 133, CF/88, o advogado é indispensável à administração da justiça. Assim, 
em nosso país, a presença de advogado não é obrigatória em situações excepcionais (como, por exemplo, 
nos juizados especiais, na impetração de um habeas corpus, em processos trabalhistas e em alguns 
procedimentos administrativos). 
Gabarito: D 
[CESPE - 2015 - Procurador- Salvador/2015] Julgue a assertiva: 
O princípio da inafastabilidade da jurisdição impede o estabelecimento, no ordenamento jurídico brasileiro, 
de cláusulas compromissórias de arbitragem em contratos, ainda que estes sejam relativos a direito 
disponível. 
Comentário: 
O item é falso. O estabelecimento de cláusulas compromissórias de arbitragem em contratos é uma opção 
que as partes possuem, no intuito de buscar solução alternativa e externa ao Poder Judiciário aos seus 
impasses. 
Gabarito: Errado 
 
 
 
 
 
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(11) Art. 5º, XXXVI – Limitação a retroatividade da lei 
Art. 5º, XXXVI - a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada. 
 
O texto constitucional garante expressamente (art. 5º, XXXVI, CF/88) a estabilidade das 
relações jurídicas ao amparar o “direito adquirido”, o “ato jurídico perfeito” e a “coisa julgada”. 
Note, prezado aluno, que este inciso resguarda a segurança jurídica, ao determinar que certos 
atos, quando consolidados, se tornam definitivos e impassíveis de nova discussão. É importante que 
tenhamos previsões desse tipo em nosso texto constitucional, pois uma possibilidade ampla e infinita de 
discutir e rediscutir qualquer tema em qualquer tempo nos deixaria em um estado de constante incerteza 
e perplexidade! Nunca poderíamos entender que uma situação se firmou e que não é mais passível de 
nova discussão. 
Corroborando o teor do dispositivo constitucional e explicitando o significado de cada um dos 
mencionados institutos, temos o art. 6º da LINDB (Lei de Introdução das Normas do Direito Brasileiro –
Decreto-Lei nº 4.657/1942, com redação dada pela Lei nº 12.376, de 2010), que nos diz: 
“§ 1º Reputa-se ato jurídico perfeito o já consumado segundo a lei vigente ao tempo em que se 
efetuou. 
§ 2º Consideram-se adquiridos assim os direitos que o seu titular, ou alguém por ele, possa exercer, 
como aqueles cujo começo do exercício tenha termo pré-fixo, ou condição pré-estabelecida 
inalterável, a arbítrio de outrem. 
§ 3º Chama-se coisa julgada ou caso julgado a decisão judicial de que já não caiba recurso”. 
Entender o ato jurídico perfeito é simples: é aquele que já se consumou, já se efetivou, não mais 
podendo ser modificado (já aconteceu). 
Coisa julgada igualmente é simples de compreender: já não cabe mais recurso para seguir no 
Poder Judiciário discutindo aquele tema, a possibilidade de recorrer à justiça para contestar algo chegou 
ao fim. Assim, quando ouvimos falar que algo ‘transitou em julgado’ isso significa que o assunto (‘a coisa’) 
foi julgada e já não há mais a possibilidade de recurso, seja porque quem queria recorrer deixou 
transcorrer muito tempo e o prazo para apresentar o recurso já foi encerrado, seja porque a pessoa já 
apresentou todos os recursos que

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