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poderia apresentar. Com a coisa julgada, a justiça está dizendo à 
sociedade (e às partes do processo) qual é a sua decisão final. 
Para entender o direito adquirido, pense o seguinte comigo: vemos e ouvimos todos os dias que 
nossos legisladores estão sempre aprovando novas leis. Mas muitas dessas novas normas dizem respeito 
a assuntos que já são regulados por outras normas anteriores. Ou seja, essas novas normas estão 
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modificando as antigas normas. Assim, imagine que amanhã o legislativo resolva aprovar uma lei que 
modifique a lei atual que hoje concede um benefício a você? Essa nova lei criaria instabilidade para as 
pessoas que já têm ou já usufruem do direito que a lei anterior estabeleceu. E isso geraria uma grande 
confusão na sociedade, pois ninguém poderia planejar sua vida já que estaríamos o tempo todo com 
medo das futuras leis que poderiam ser aprovadas cancelando direitos que já temos. É por isso que existe 
o instituto do direito adquirido: para impedir que a lei nova atinja essa situação na qual o sujeito já tem o 
direito, já o adquiriu (mesmo que ainda não esteja gozando daquele direito). 
E para avançar na compreensão, acompanhe o seguinte cenário: (i) existe um direito ao qual o 
sujeito faz jus, mas ele ainda não fruiu; (ii) já poderia tê-lo feito, mas ainda não o fez; (iii) seria, portanto, 
uma vantagem jurídica, líquida, lícita e concreta que alguém adquiriu de acordo com a lei vigente na 
ocasião e incorporou definitivamente, e sem contestação, ao seu patrimônio; (iv) aí surge uma 
normatização ulterior que é incompatível com aquele direito. Eis o direito adquirido: como o sujeito já 
adquiriu o direito (tem o direito, apesar de não ter ainda usufruído dele) a lei nova revogadora ou 
modificadora daquela situação não vai atingi-lo. 
Assim, quando alguém, na vigência de uma lei determinada, adquire um direito relacionado a 
esta, referido direito se incorpora ao patrimônio do titular, mesmo que este não o exercite, de tal modo 
que o advento de uma nova lei, revogadora da anterior relacionada ao direito, não ofende o status 
conquistado, embora não tenha este sido exercido ou utilizado. Isso porque o não exercício do direito 
não implica a perda do direito adquirido na vigência da lei anterior, mesmo que ele não seja exercitado.O 
direito torna-se adquirido, portanto, quando uma lei nova surge e torna inviável um direito ainda não 
desfrutado pelo indivíduo, mas já passível de fruição desde antes da modificação. Mesmo com essa lei 
nova, o direito está ‘garantido’, pois foi adquirido. 
Questão interessante é saber se o direito adquirido pode ser invocado diante de manifestação 
do poder constituinte originário, isto é, diante do surgimento de uma nova Constituição. Veja que 
estamos tratando de outro tema agora, pois não é uma simples lei nova que apareceu, mas sim uma 
Constituição nova! Em outras palavras: imagine que alguém tenha uma prerrogativa adquirida na ordem 
jurídica anterior, mas ela não foi exercida e é incompatível com a nova Constituição que surgiu.A pessoa 
cumpriu todos os requisitos determinados constitucionalmente para realizar determinado direito, 
todavia, antes mesmo de exercê-lo, uma nova Constituição, que o rechaça, entrou em vigor. E aí? Como 
resolver este caso? 
Como sabemos, o poder constituinte originário (que cria a Constituição) é inicial, pois ele 
começa (inicia) o ordenamento jurídico ‘do zero’. Assim, somente será direito o que a nova 
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Constituição disser que é, aquilo que por ela for aceito como tal. De acordo com Gilmar, “o que é 
repudiado pelo novo sistema constitucional não há de receber status próprio de um direito, mesmo que 
na vigência da Constituição anterior o detivesse”. 
Desta forma, outra não pode ser a nossa conclusão senão a de que não há alegação de “direitos 
adquiridos” perante a nova Constituição, perante o trabalho do poder originário. Portanto, se o sujeito 
adquiriu um direito durante a vigência da Constituição anterior, mas não o exerceu e, com a chegada da 
nova Constituição, aquele direito deixou de existir, o indivíduo não mais poderá usufruí-lo, pois ele não 
pode alegar, perante a Constituição nova, que ele adquiriu um direito. Com a entrada em vigor da nova 
Constituição, é como se ‘zerássemos’ o ordenamento. Só será direito o que ela disser que é. Nada vindo 
de antes. 
Para ilustrar, pensemos no art. 17 do ADCT, que assim determinou: “os vencimentos, a 
remuneração, as vantagens e os adicionais, bem como os proventos de aposentadoria que estejam sendo 
percebidos em desacordo com a Constituição serão imediatamente reduzidos aos limites dela 
decorrentes, não se admitindo, neste caso, invocação de direito adquirido ou percepção de excesso a 
qualquer título”. 
Ressalte-se, ainda, que se o direito que foi adquirido segundo o regramento jurídico anterior não 
contrariar a nova Constituição ele poderá ser normalmente exercido, pois o documento constitucional o 
reconhece e aceita, dada sua compatibilidade. 
Outro detalhe importante é lembrarmos que não existe direito adquirido a regime jurídico. 
Segundo nossa Corte Suprema, alterações nas relações institucionais entre o Estado e seus servidores 
não podem ser impugnadas ao argumento de que os servidores teriam direito adquirido à normatização 
em vigor no momento em que ingressaram no serviço público. O Estado pode alterar o regime jurídico 
(por exemplo, as regras previdenciárias), sem que isso afronte o chamado ‘direito adquirido’). 
Questões para fixar 
[FCC - 2011 - TRT 20ª - AJEM - Adaptada] No tocante aos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos, o direito 
adquirido: 
a) é a expectativa de direito. 
b) é a situação fática consumada independentemente de previsão na legislação. 
c) emana diretamente da lei em favor de um titular. 
d) é o direito que já se integrou ao patrimônio e que já foi exercido. 
Comentário: 
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Apesar de essa questão não ter sido muito precisa na definição, vamos marcar como resposta a da letra ‘c’, 
pois o direito adquirido não se confunde, nem com a expectativa de direito, tampouco com um direito já 
consumado ou já integrado ao patrimônio e exercido pelo particular. 
Gabarito: C 
[FCC - 2010 - TJ - PA - Auxiliar - Adaptada] Julgue o item: 
A lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada. 
Comentário: 
Teor do art. 5º, XXXVI da Constituição: a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a 
coisa julgada. Item correto! 
Gabarito: Certo 
[CESPE - 2015 - TJAA] Julgue a assertiva: 
A superveniência de nova Constituição não afetará o direito adquirido na ordem constitucional anterior. 
Comentário: 
O item é falso, afinal, a entrada em vigor de uma nova Constituição afeta sim o direito adquirido na ordem 
jurídica anterior. Isso porque, só é direito aquilo que a nova Constituição assim classificar. Portanto, o sujeito 
jamais poderá invocar um direito adquirido diante de uma nova Constituição. 
Gabarito: Errado 
[ESAF - 2010 - MPOG - APO - Adaptada] Julgue a assertiva: 
É constitucional a redução de percentual de gratificação paga a servidor público, respeitada a 
irredutibilidade de vencimentos, porque não há direito adquirido a regime jurídico. 
Comentário: 
De se notar que a assertiva trazida pela banca se refere a um julgado do STF do ano de 2009 (RE 563.965), 
realizado pouco antes deste concurso. Na ocasião, nossa Corte Suprema decidiu que a servidora só possuía 
direito adquirido à irredutibilidade de vencimento, não havendo direito adquirido à

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