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forma de calcular esse 
vencimento. Pois não há direito adquirido a regime jurídico. 
Gabarito: Certo 
 
 
 
 
 
 
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(12) Art. 5º, XXXVII e LIII – Juiz natural 
Art. 5º: 
XXXVII - não haverá juízo ou tribunal de exceção. 
LIII - ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente. 
Estes dois incisos estão reunidos pois traduzem princípios absolutamente vinculados: o da 
vedação de tribunais de exceção e o do juiz natural. O intuito do estabelecimento dessas garantias é o de 
impedir que o órgão julgador seja estabelecido após a ocorrência do fato, de maneira arbitrária, 
propiciando perseguições políticas nada condizentes com um Estado democrático. 
Note caro aluno, que é uma garantia nossa a de só sermos processados e julgados por um 
tribunal e por um juiz imparciais, que já estão definidos muito antes de o fato ocorrer, por meio de regras 
processuais de competência. 
Imagine que a seguinte situação fosse possível: um empresário muito próspero, que faz ferrenha 
oposição contra o governo, pratica um ilícito civil e, após o fato, é criado um tribunal específico (de 
exceção) só para aquele julgamento. São designados para atuarem como julgadores, magistrados que 
possuem ideologia próxima a do governo, tudo no intuito de prejudicar o empresário. Isso lhe parece 
constitucionalmente adequado? Onde ficaria a imparcialidade do julgador, valor que nos é tão caro? 
Por isso, temos que entender o juiz natural como aquele que foi abstratamente constituído antes 
da ocorrência do fato, requisito imprescindível para que haja independência e imparcialidade do órgão 
julgador. 
No mais, não nos esqueçamos da figura do promotor natural, que também é derivada da 
garantia constitucional de que ninguém será processado, nem sentenciado, senão pela autoridade 
competente (art. 5º, LIII, CF/88). Esse princípio implícito afirma que o representante do Ministério Público 
que deve atuar no caso é aquele previamente apontado pelas regras, abstratas e genéricas, de 
estruturação e organização da instituição, no intuito de, com isso, rechaçar o “acusador” de exceção. 
Com este princípio, impede-se designações casuísticas e arbitrárias, realizadas pelo Chefe da instituição, 
que acabariam por comprometer a plenitude e a independência da instituição. 
Assim, o princípio do Promotor Natural é o fator impeditivo de que um membro do Ministério 
Público venha a ser arbitrariamente afastado do desempenho de suas atribuições nos procedimentos em 
que ordinariamente oficie (ou em que deva oficiar), exceto se houver relevante motivo de interesse 
público, por impedimento ou suspeição ou, ainda, por razões decorrentes de férias ou de licença. 
Vou encerrar os comentários deste item tratando da interessante figura do “Juiz das Garantias”, 
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introduzida no art. 3°-A do CPP pelo “Pacote Anticrime” (Lei 13.964/2019). 
Com a finalidade de reforçar a estrutura acusatória do processo penal, a nova lei criou o ‘juiz das 
garantias’, órgão jurisdicional cuja missão será a de acompanhar as diversas etapas da investigação, 
sendo o responsável pelo controle da legalidade da investigação criminal e pela salvaguarda dos direitos 
individuais cuja franquia tenha sido reservada à autorização prévia do Poder Judiciário. 
Nesse novo cenário, temos uma real separação entre as funções judiciais ligadas à investigação e ao 
processo. Afinal, o juiz da instrução (que julgará o processo), somente terá acesso ao caso após ofertada 
e recebida a inicial acusatória, estando completamente afastado da fase anterior investigativa (o que, 
certamente, robustece o ideal de imparcialidade que deve permear sua atuação). Perceba, caro leitor: 
não terá sido o juiz da instrução o responsável pela manutenção da eventual prisão em flagrante, ou 
determinação da prisão preventiva; não terá autorizado medidas invasivas aos direitos fundamentais do 
investigado, como interceptação telefônica, infiltração de agentes ou uma cautelar como, por ex., o 
sequestro de bens. Vê-se que ele inicia sua participação no processo sem trazer qualquer passivo da fase 
investigativa, sem ter decidido contrária ou favoravelmente a uma das partes. 
Claro que a designação do ‘juiz das garantais’ também segue regras processuais de competência (isto 
é, obedece ao princípio do juiz natural), evitando o ‘magistrado de exceção ou encomendado’. Veja o que 
diz o art. 3°.-E: “O juiz das garantias será designado conforme as normas de organização judiciária da 
União, dos Estados e do Distrito Federal, observando critérios objetivos a serem periodicamente 
divulgados pelo respectivo tribunal”. 
Dois detalhes finais: 
(i) as principais críticas que o instituto recebeu são referentes à dificuldade prática (e orçamentária) de 
implementação do novo sistema (e não ao benefício de termos um juiz com competência exclusiva para 
acompanhar a fase da investigação); 
(ii) atualmente, a figura do ‘juiz das garantias’ está suspensa por uma decisão do STF (tomada pelo Min. 
Fux em janeiro de 2020). Aguardemos novo pronunciamento da Corte para sabermos quando tal 
novidade será implementada em nosso ordenamento pátrio. 
 
 
 
 
 
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Questões para fixar 
[FUNCAB - 2014 - PC-RO - Delegado de Polícia Civil] Com relação ao tema “direitos individuais e coletivos” 
na Constituição Federal de 1988, julgue a assertiva: 
Não haverá juízo ou tribunal de exceção, salvo em tempo de guerra. 
[UEM - 2018 - UEM - Técnico Administrativo - Adaptada] No que se refere aos direitos individuais e coletivos, 
julgue a assertiva: 
Haverá juízo ou tribunal de exceção. 
Comentário: 
Ambos os itens são falsos, afinal, nos termos do art. 5º, XXXVII da CF/88. 
Gabarito: Errado / Errado 
[VUNESP - 2019 - Câmara de Serrana - SP - Analista Legislativo] O dispositivo constitucional que assegura 
que ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente, aplicável ao processo 
administrativo, é representado pelo princípio: 
A) do juiz natural. 
B) do amplo acesso ao Poder Judiciário. 
C) da dignidade humana. 
D) da inafastabilidade da jurisdição. 
E) da legitimidade. 
Comentário: 
Estamos falando do princípio contido no art. 5º, inciso LIII, intitulado princípio do juiz natural. Pode assinalar 
a letra ‘a’. 
Gabarito: A 
[FCC - 2013 - TRT 9ªR - AJTI - Adaptada] Julgue o item: 
Magda, professora de introdução ao estudo do Direito da Faculdade Águas Raras, está ensinando para sua 
filha Claudete quais são os direitos e deveres individuais e coletivos previstos na Constituição Federal 
brasileira. Magda deverá ensinar a Claudete que para determinadas penas privativas de liberdade apenadas 
com reclusão haverá juízo ou tribunal de exceção. 
Comentário: 
O item é falso, pois em nenhuma hipótese nossa Constituição permite julgamento por um Tribunal de 
exceção. 
Gabarito: Errado 
[CESPE - 2015 - TJ - TJAA] Julgue a assertiva: 
Assim como ocorre com os magistrados, a intervenção dos membros do Ministério Público também deveria 
ser predeterminada, a partir de critérios abstratos estabelecidos por lei, anteriormente à ocorrência do fato. 
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Comentário: 
Pode assinalar este item como verdadeiro, sendo o reconhecimento do chamado Princípio do Promotor 
Natural, uma derivação do disposto no art. 5º, inciso LIII. O intuito é evitar o chamado “promotor de 
exceção”. 
Gabarito: Certo 
[CESPE- 2014 - TCE-PB - Procurador] Julgue a assertiva:

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