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AULA 06 - CONVENIOS

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O Decreto 6.170/2007 também instituiu o Sistema de Gestão de Convênios e Contratos de Repasse 
(Siconv) e o Portal de Convênios do Governo Federal (www.convenios.gov.br). Toda a regulamentação 
disponível a respeito do assunto encontra-se disponível nesse Portal. 
 
1 Di Pietro (2015, p. 387) 
 
 
 
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Em seguida, vamos aprender alguns conceitos importantes relacionados ao tema. 
Convênio e contrato de repasse 
Convênio é o instrumento que disciplina a transferência de recursos financeiros dos orçamentos da União 
visando à execução de programa de governo, o qual envolve a realização de projeto, atividade, serviço, aquisição 
de bens ou evento de interesse recíproco, em regime de mútua cooperação, e tenha como partícipes, de um lado, 
órgão da administração pública federal direta, autarquia, fundação pública, empresa pública ou sociedade de 
economia mista, e, de outro, órgão ou entidade da administração pública estadual, distrital ou municipal, direta 
ou indireta, incluindo consórcios públicos, ou ainda, entidade privada sem fins lucrativos. 
Importante observar que o convênio pode ser celebrado tanto por órgãos da administração direta como 
por entidades da administração indireta, incluindo empresas públicas, sociedades de economia mista e consórcios 
públicos. 
Aliás, a Portaria 424/2016 preceitua que a Administração Federal deverá dar preferência às transferências 
voluntárias cujas ações sejam desenvolvidas por intermédio de consórcios públicos. 
Contrato de repasse é o instrumento administrativo, de interesse recíproco, usado na transferência dos 
recursos financeiros, por intermédio de instituição ou agente financeiro público federal, que atua como 
mandatário da União. A instituição financeira que mais fortemente vem operando essa modalidade de 
transferência é a Caixa Econômica Federal. 
O contrato de repasse foi uma alternativa criada para melhorar o controle da aplicação dos recursos 
repassados pela União. Como o nível de descentralização desses recursos é muito grande, chegando a diversos 
municípios nos mais distantes rincões do país, ficava difícil para a União, por intermédio dos seus Ministérios, 
comprovar o efetivo cumprimento do objeto pactuado. Pensou-se, então, em transferir essa tarefa de fiscalização 
para os agentes financeiros federais, notadamente a Caixa Econômica Federal, que possui agências bancárias 
espalhadas por todo o país. A Caixa, então, além de operacionalizar o repasse financeiro dos recursos, atua como 
mandatária da União, isto é, como representante da União na fiscalização da execução dos projetos. 
Nesse sentido, o art. 8º do Decreto 6.170/2007 estabelece que a execução de programa de trabalho que 
objetive a realização de obra será feita por meio de contrato de repasse, salvo quando o concedente dispuser de 
estrutura para acompanhar a execução do convênio. Como a realização de obras demanda maior acompanhamento 
e fiscalização, a legislação definiu que o contrato de repasse seria o instrumento mais adequado para 
operacionalizar a descentralização dos recursos para essa finalidade, em razão do controle efetuado pela 
instituição financeira federal. 
Sobre o assunto, o Decreto 6.170/2007 ainda prescreve que, caso a instituição ou agente financeiro público 
federal não detenha capacidade técnica necessária para realizar o acompanhamento da aplicação dos recursos 
transferidos, deverá figurar, no contrato de repasse, na qualidade de interveniente, outra instituição pública ou 
privada, a quem caberá o mencionado acompanhamento. 
Além desses conceitos, é importante conhecer também o chamado termo de execução descentralizada, 
utilizado para a descentralização de créditos orçamentários entre órgãos e entidades da administração pública 
federal, ou seja, sem envolver outras esferas de governo ou entidades privadas. 
Termo de execução descentralizada é o instrumento por meio do qual é ajustada a descentralização de 
crédito entre órgãos e/ou entidades integrantes dos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social da União, para 
execução de ações de interesse da unidade orçamentária descentralizadora e consecução do objeto previsto no 
programa de trabalho, respeitada fielmente a classificação funcional programática. 
 
 
 
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A celebração de termo de execução descentralizada poderá ter as seguintes finalidades: 
§ Execução de programas, projetos e atividades de interesse recíproco, em regime de mútua colaboração; 
§ Realização de atividades específicas pela unidade descentralizada em benefício da unidade 
descentralizadora dos recursos; 
§ Execução de ações que se encontram organizadas em sistema e que são coordenadas e supervisionadas 
por um órgão central; ou 
§ Ressarcimento de despesas. 
A celebração de termo de execução descentralizada nas duas primeiras hipóteses acima configura 
delegação de competência para a unidade descentralizada promover a execução de programas, atividades ou 
ações previstas no orçamento da unidade descentralizadora. 
Interessante observar que, enquanto os convênios e os contratos de repasse têm como objeto a 
transferência de recursos financeiros da União para outros entes federados ou para entidades privadas sem fins 
lucrativos, o objeto dos termos de execução descentralizada é a descentralização de créditos orçamentários (e 
não de recursos financeiros) entre órgãos e entidades federais. 
Assim, por exemplo, se o Ministério da Saúde quiser executar um programa em parceria com outro órgão 
federal, como o Ministério da Educação, o instrumento adequado para formalizar a transferência de recursos entre 
os órgãos seria um termo de execução descentralizada; na verdade, ocorreria apenas a transferência de 
orçamento, e não de recursos financeiros propriamente ditos. Diferentemente, se o mesmo programa fosse 
executado pelo Ministério da Saúde em parceira com algum órgão estadual, deveria ser formalizado um convênio 
ou um contrato de repasse, instrumento que permitiria a transferência de recursos financeiros (leia-se: dinheiro) 
do órgão federal para o estadual. 
 
Finalizando essa parte conceitual, é preciso ressaltar que, de modo geral, será utilizada nesta aula a 
nomenclatura convênio ou instrumento para designar as modalidades convênio e contrato de repasse. 
Fique Atento!! 
Quanto aos convênios entre a União e entidades privadas, a possibilidade de sua celebração foi bastante 
restringida pela Lei 13.019/2014, que estabelece o regime jurídico das parceiras voluntárias entre a Administração 
Pública e as organizações da sociedade civil. 
Convênios / Contratos de repasse
Órgão / Entidade Federal 
Órgão / Entidade E, DF, M ou entidade 
privada sem fins lucrativos
Termos de execução 
descentralizada
Órgão / Entidade Federal
Órgão / Entidade Federal
Recursos financeiros Créditos orçamentários 
 
 
 
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Essa lei previu, como instrumentos para celebração do ajuste, os chamados termos de colaboração e termos 
de fomento e proibiu a criação de outras modalidades de parceria ou a combinação de ambas, salvo quanto aos 
termos de parceria com Oscips e contratos de gestão com organizações sociais. 
Ademais, a referida lei restringiu os convênios a parcerias entre os entes federados ou com pessoas jurídicas 
a eles vinculadas, ou, ainda, com entidades filantrópicas e sem fins lucrativos no âmbito do sistema único de 
saúde, nos termos do §1o do art. 199 da CF. 
Portanto, a partir da entrada em vigor da Lei 13.019/2014, que ocorreu no início de 2016, como regra, não 
podem mais existir convênios entre entes federados e entidades privadas. As parcerias celebradas com entidades 
privadas, como regra, terão que ser formalizadas por meio dos instrumentos previstos

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