A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
10 pág.
aula 02 em pesquisa serviço social

Pré-visualização | Página 2 de 3

é o mundo vivido, pois as vivências serão seus primeiros dados 
absolutos. A fenomenologia ressalta a ideia de “ser o mundo criado pela 
consciência” (Gil, 2011, p. 15). Dessa forma, a realidade é construída 
socialmente, ponto que a fenomenologia leva muito em conta, pois, segundo 
Triviños (2007), “a fenomenologia exalta a interpretação do mundo que surge 
intencionalmente à nossa consciência”. Nessa interpretação da consciência e 
do mundo, a teoria fenomenológica aproxima-se muito das tórias positivistas 
sobre o prisma da percepção dos fenômenos. 
TEMA 4 – MARXISMO 
Karl Marx (1818-1883) foi o criador da teoria social crítica (teoria 
marxista) e foi quem, em 1840, revolucionou as ideias e o pensamento 
filosófico de sua época. Suas ideias políticas foram seguidas mais tarde por 
Friedrich Engels (1820-1895) e por Vladimir Lênin (1870-1924), que teve a 
capacidade de dedicar sua vida de forma mais intensa ao movimento 
revolucionário, principalmente da revolução Russa de 1905 e de 1917. 
 
 
6 
A teoria social de Marx compreende três aspectos fundamentais que 
precisam ser entendidas para compreender seu método: “o materialismo 
dialético, o materialismo histórico e a economia política” (Triviños, 2007, p. 49). 
Marx se inspirou em Hegel e suas ideias foram fundamentais para o 
marxismo e seu entendimento da sociedade de classe como a alienação e a 
dialética, essenciais para compreensão da realidade. 
O método de Marx é um método de interpretação crítica da realidade e 
fornece as bases teóricas e filosóficas para interpretar a sociedade como ela se 
apresenta de forma real e concreta e não como uma metodologia de pesquisa. 
4.1 Materialismo dialético 
O materialismo dialético, segundo Netto (1994, p. 54), “é uma teoria 
geral do ser que, em contraposição à metafísica, privilegia o movimento e as 
contradições”. Já para Triviños (2007, p. 51), “o materialismo dialético é a base 
filosófica do marxismo e como tal realiza a busca de explicações coerentes, 
lógicas e racionais dos fenômenos, da sociedade e do pensamento” nas ideias 
de Hegel. 
Marx baseia-se numa interpretação da realidade e do movimento da 
sociedade. Dessa forma, o materialismo dialético ou a dialética da realidade 
mostra como se transforma a matéria e como se realiza a passagem das 
formas inferiores às superiores. 
Para Hegel, a razão domina o mundo e tem por função a unificação, a 
conciliação, a manutenção da ordem no todo. É a “razão dialética” que procede 
por unidade e oposição dos contrários. A “contradição” é a mola mestra do 
pensamento e, ao mesmo tempo, o motor da história, já que esta não é senão 
o pensamento que se realiza (Cordeiro, 1999, p. 50). 
Conforme coloca Konder (1981), não há movimento sem contradição, e 
o movimento é a razão de transformar todas as coisas na sociedade. 
Determinadas contradições surgem e outras desaparecem estabelecendo na 
sociedade o movimento da dialética. 
O método dialético é aquele que penetra no mundo dos fenômenos 
através de sua ação recíproca, da contradição inerente ao fenômeno e das 
mudanças dialéticas que ocorrem na matéria e na sociedade. O pesquisador 
que aplica o método dialético compreende a realidade, valoriza a contradição 
dinâmica do fato observado e a atividade criadora do sujeito que está sempre a 
 
 
7 
caminho, em formação, inacabado, aberto para novas alternativas (Cordeiro, 
1999, p. 50). 
4.2 Materialismo histórico 
Segundo Triviños (2007, p. 51), o materialismo histórico “é a ciência 
filosófica do marxismo que estudas as leis sociológicas que caracterizam a vida 
em sociedade, que caracteriza o desenvolvimento da história da humanidade”. 
O materialismo histórico teve importante significado e implicou 
mudanças fundamentais na interpretação dos fenômenos sociais, Marx e 
Engels se utilizaram dessa expressão pela primeira vez em sua obra A 
ideologia alemã (1845-46) como linhas mestres para as discussões do 
materialismo histórico. 
É a ciência filosófica que esclarece vários conceitos como: ser social, 
consciência social, meios de produção, forças produtivas, relações de 
produção, modos de produção. 
De maneira muito geral, pode-se dizer que a concepção do materialismo 
histórico no marxismo apresenta três características importantes: a primeira 
delas é a materialidade do mundo, em que todos os fenômenos, objetos e 
processos que se realizam na realidade são materiais; a segunda ressalta a 
característica da consciência. A grande propriedade da consciência é a de 
refletir a realidade objetiva. Assim surgem as sensações, as percepções, 
representações, conceitos, juízos. É fundamental estabelecer que o cérebro 
por si só não pensa; a terceira e última característica é a prática social, em que 
a prática é toda atividade material, orientada para transformar a natureza e a 
vida social. A prática social se desenvolve e enriquece através da atividade 
prática e teórica dos diferentes indivíduos e coletividades (Triviños, 2007, p. 
52). 
Saiba mais 
Para ampliar seu conhecimento sobre o materialismo histórico acesse o 
link a seguir: 
<https://www.todamateria.com.br/marxismo/> 
 
 
8 
TEMA 5 – AS CATEGORIAS E AS LEIS DA DIALÉTICA 
 Para a discussão do método na perspectiva critica da teoria marxista, as 
categorias e as leis se formaram no desenvolvimento histórico do 
conhecimento e na prática social. As categorias existem objetivamente, isto é, 
concretamente na realidade. Para Richardson (2010, p.49), “as categorias são 
os conceitos básicos que refletem os aspectos essenciais, propriedades e 
relações de objetos e fenômenos”. Elas possuem a função de interpretar a 
realidade, que, para Triviños (1987), são os elementos das estratégias 
políticas, fundamentais para o conhecimento científico e indispensável no 
estudo de qualquer fenômeno ou objeto da realidade social. Dessa forma, 
Triviños (1987, p. 54) conceitua lei como “uma ligação necessária geral, 
interativa ou estável” entre as categorias. 
 Tanto as categorias quanto as leis universais “refletem as leis universais 
do ser, as ligações e os aspectos universais da realidade objetiva” (Triviños, 
1985, p. 54). Mas as categorias são mais ricas em conteúdo do que as leis, já 
que aquelas refletem também “as propriedades e os aspectos universais da 
realidade objetiva”. 
Nesse debate, a categoria essencial do materialismo dialético é a 
“contradição”, que se apresenta na realidade objetiva, isto é, na dinâmica da 
sociedade – a lei da contradição. Entretanto, a categoria da contradição, 
estabelece, por exemplo, o que, segundo Triviños (1987, p. 54), é “uma 
interação entre aspectos opostos, distingue os tipos de contradições e 
determina o papel e a importância que ela tem na formação material” da 
sociedade, pois materializa o movimento dialético, o movimento do real e das 
pessoas dando origem ao movimento e o desenvolvimento em comum. 
NA PRÁTICA 
 De que forma podemos pensar e aplicar as teorias estudadas nesta 
aula? Essa provavelmente seja uma das perguntas que você deve estar se 
fazendo, porém somente poderemos pensar e estruturar o projeto de pesquisa 
que você irá desenvolver para o seu TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) 
em Serviço Social se tiver conhecimento das linhas teóricas discutidas aqui. 
Definir o tema de pesquisa, o objeto a ser investigado, seus objetivos e a 
 
 
9 
metodologia de pesquisa a ser aplicada e as categorias de análise, partindo da 
realidade vivida pelo pesquisador, é o ponto de partida para iniciar a pesquisa. 
Se o pesquisador desenvolver um projeto de pesquisa na área da saúde, 
com crianças e adolescentes, família ou outros temas, antes de aplicar sua 
pesquisa e buscar as informações para desenvolver seu trabalho, deverá 
definir qual a linha teórica utilizará para fundamentar seu projeto. Seja ela 
positivista, fenomenológica ou marxista. 
FINALIZANDO 
Chegamos ao final da nossa aula. Neste

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.