Climatério - Anotação de Aula
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Climatério - Anotação de Aula


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Anotação \u2013 Isabella Menezes 
 
Aula \u2013 Cyro \u2013 Climatério 
 
\u2022 Período que precede e é posterior à parada das menstruações na mulher; 
\u2022 Varia em idade para cada mulher, sendo definido como: 
o início dos sintomas vasomotores; 
o irregularidades menstruais e/ou a menopausa. 
\u2022 Menopausa \u2192 é a última menstruação da mulher, é um evento isolado; 
\u2022 Menopausa \u2192 definida depois de 12 meses sem menstruar; 
\u2022 Idade média de menopausa = 51 anos (46 a 52); 
\u2022 10% das mulheres apresentam menopausa antes dos 45 anos e abaixo dos 40 não seria menopausa verdadeira e 
sim uma insuficiência ovariana prematura (IOP). 
\u2022 Influencia de fatores não-hormonais para aspectos clínicos \u2192 mudança de familiares, autoimagem, doenças 
sistêmicas, etc... 
\u2022 Aspectos clínicos mais relevantes (maioria pela carência de estrogênio): 
o Sintomas vasomotores; 
o Osteoporose; 
o Mudanças psicológicas e sexuais (atrofia do epitélio genital); 
o Alterações tróficas dermatológicas (pele e anexos) e; 
o Mudança de perfil lipídico. 
\u2022 75% das pacientes com sintomas vasomotores por aproximadamente 2 anos; 
\u2022 10% podem sentir sintomas vasomotores por até 10 anos. 
 
Sintomas Vasomotores (ondas de Calor): 
\u2022 Sensação de calor repentina (cabeça, pescoço e tórax), pode acompanhar hiperemia, taquicardia, transpiração 
\u2192 afetam muito a qualidade de vida das mulheres (mas não todas); 
\u2022 Varia de poucos segundos a vários minutos (raramente a uma hora) e a frequência varia a episódios isolados ao 
longo do dia a múltiplos episódios ou a ciclos de vários episódios e períodos de calmaria; 
\u2022 Predominam episódios noturnos, mas ocorrem vários ao longo do dia também; 
\u2022 Piora com stress psíquico e reduz com medidas de relaxamento. 
\u2022 25% das mulheres iniciam as ondas de calor antes da menopausa; 
\u2022 20 a 30% podem não ter ondas de calor, ou os ter de forma leve; 
\u2022 Após 4 anos da menopausa, apenas 20% vão persistir com as ondas de calor; 
\u2022 Não há influencia quanto a etnia, só quanto a aspectos culturais e psicológicos; 
\u2022 Fisiologia controversa \u2192 melhor hipótese: o centro regulador de temperatura hipotalâmico é sensível a 
estrogênio; 
\u2022 Altos níveis de respostas a placebo (acima de 50%). 
 
Osteoporose: 
\u2022 Perda da relação de remodelagem óssea entre osteoclastos (lise) e osteoblastos (síntese) regulado pelo 
estrogênio, então há predomínio da lise. 
\u2022 Paralelamente há redução da absorção e/ou ingesta de cálcio e liberação de hormônio paratireoidiano (ativa 
osteoclasto); 
\u2022 Perda de massa óssea medular, da parte interna do osso e não externa (cortical), é crítica para as fraturas 
patológicas. Dificilmente consegue repor a massa óssea medular, do interior do osso; 
\u2022 USA: 10 milhões com osteoporose e 35 milhões com osteopenia (nível mais inicial que pode evoluir para 
osteoporose); 
Anotação \u2013 Isabella Menezes 
\u2022 Fraturas patológicas: risco de lesão medular, fratura fêmur grave, tempos prolongados de imobilização 
(pneumonias, TVP, etc...); 
\u2022 Avaliação clínica: é necessário? Ou já pedem exames? 
\u2022 Densitometria óssea: avaliação da coluna lombar, fêmur e rádio distal, com correlação computadorizada a 
padrões populacionais para idade; 
\u2022 Absorção de fóton ou absorciometria de energia dual (DEXA \u2013 mais precisa); 
\u2022 Uso criticado, pois detecta osteopenia ou osteoporose, mas não correlaciona diretamente a fratura, com respostas 
a tratamento sendo seguidas de fratura (osso cortical formado). 
 
Alterações tróficas: 
\u2022 Genital: atrofia epitelial da vagina e vulva, atrofia mucosa uretral e vesical, com consequente dispareunia de 
introdução, maior predisposição a vaginites (>pH), prurido vulvo-vaginal, urgência miccional, polaciúria e leve 
incontinência urinaria, maior incidência de cistites. 
\u2022 OBS: relaxamento perineal, cistocele, uretrocele, retocele não são consequentes à queda de níveis estrogênios, 
mas podem estar associadas ao climatério por perda de tônus muscular perineal por inatividade. 
\u2022 Ação estrogênica na regulação de produção de colágeno: perda de tônus da derme (pele flácida), unhas frágeis, 
pele seca, cabelos frágeis; 
\u2022 Redução da oleosidade da pele por redução da produção de glândulas sebáceas; 
\u2022 Redução de massa muscular: multifatorial, com associação de perda de atividade física, mas aumentado pela 
privação estrogênica. 
 
Aspectos psicológicos: 
\u2022 Variações muito amplas em diferentes estudos; 
\u2022 Não há aumento de depressão na pós-menopausa; 
\u2022 Ocorre em casos isolados a exacerbação de problemas pré-existentes de aspecto social, conjugal ou psicológico 
(estudos de SWAN e Harvard); 
\u2022 Queixas de fadiga, nervosismo, insônia, cefaleia, irritabilidade e palpitações sem relação com aspectos 
hormonais, sem diferença entre usuária e não-usuárias de terapia hormonal. 
 
Perfil lipídico e doença cardiovascular: 
\u2022 Aterosclerose como fator de risco ao IAM, precedida pelas alterações de perfil lipídico; 
\u2022 Aumento de eventos cardiovasculares na pós-menopausa = pensou-se que estrogênios seriam protetores; 
\u2022 Apenas níveis fisiológicos de estrogênios protegem o coração, com elevação de IAM em anovulação crônica; 
\u2022 Ausência de proteção secundária a IAM (estudo HERS que visava diminuir a aparição de um 2º infarto após o 
primeiro. Ele mostrou que quem teve infarto no passado, aumentou o risco de novo infarto com o uso de 
estrogênio e precisou ser interrompido); 
\u2022 Hoje sabemos que estrogenioterapia melhora perfil lipídico com elevação de HDL e queda de LDL; 
\u2022 Em paciente com TGD elevados não deve tomar estrogênio por via tradicional (oral), deve-se priorizar terapia 
transdérmica ou vaginal = sem passagem hepática; 
\u2022 Afeito protetor para HAS por alterações de tônus vascular (vaso-relaxamento) e de metabolização de 
angiotensina. 
 
Risco Associados à Terapia Hormonal: 
\u2022 Câncer de mama (WHI \u2013 aumento 26% do risco; estudos mostram maior risco com associação de estrogênios e 
progestágenos; The Lancet 2019 \u2013 risco aumentado para todas as formas e períodos de uso); 
\u2022 Câncer de endométrio (risco quase abolido se uso de progestágenos for mantido); 
\u2022 Hepatocarcinoma (?) 
Anotação \u2013 Isabella Menezes 
\u2022 Trombose venosa profunda e embolia pulmonar (RR = 3). 
\u2022 The Lancet confirmou que TH aumenta o risco de câncer de mama. 
 
 
 
Rotina de seguimento da paciente com Climatério: 
\u2022 Anamnese criteriosa: determinar queixas e expectativas da terapia (buscar doenças orgânicas (câncer de mama, 
intestino) e psíquicas prévias, além de antecedentes familiares (de câncer, doenças cardiovasculares)); 
\u2022 Analisar o que a paciente busca com a terapia, analisar os riscos e benefícios; 
\u2022 Exame físico: cuidados com PA, mamas, atrofias genitais e doenças vasculares; 
\u2022 Exames laboratoriais: perfil lipídico, glicemia jejum, função tireoidiana, sangue oculto nas fezes (triagem para 
carcinoma de intestino); 
\u2022 Exames complementares (imagem e maior complexidade): mamografia (obrigatório iniciar TH), adequação de 
protocolo de colo uterino, US transvaginal, ECG e teste de esforço, colonoscopia (5 anos), densitometria óssea 
(questiona-se se é fundamental). 
 
Terapia de Climatério \u2013 Medidas gerais: 
\u2022 Dieta balanceada e correção da obesidade; 
\u2022 Atividade física (melhora perfil HDL, correção de distopias (quedas genitais, melhora o tônus da musculatura 
do períneo), redução de risco cardiovascular, redução obesidade, produção de endorfinas (reduzem as ondas de 
calor, diminuem depressão e outras ações no SNC), redução risco de CA mama, melhora vascularização 
periférica de pele e anexos (melhora o trofismo da pele, cabelo, unha), melhora de massa óssea, redução de 
distúrbios depressivos e problemas do sono); 
\u2022 Atividades de relaxamento (individual, cada uma tem um perfil diferente, ela precisa encontrar o que a deixa 
relaxada para melhorar sintomas psíquicos); 
\u2022 Redução da ingesta de refrigerantes, café e tabaco. 
 
Terapia de Climatério \u2013 Específica: 
Definir a necessidade da paciente, o que ela quer tratar. Refletir se a TH é realmente