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TEORIAS DA APRENDIZAGEM

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ensinar uma matéria, Bruner, ainda se referindo 
a sua estrutura, diz que existem três características fundamentais que podem 
auxiliar o aluno a dominar o conteúdo:
 a forma de representação, utilizada pelos alunos no momento da 
apresentação da matéria (ativa, icônica ou simbólica);
 a economia, que diz respeito à capacidade de memorização de conteúdos 
por parte dos alunos, bem como ao processamento da informação 
armazenada e na utilização dessas informações na resolução de problemas 
e na compreensão de novas proposições;
 a potência efetiva de uma estruturação, que diz respeito à capacidade do 
estudante em relacionar problemas aparentemente distintos e de enfrentá-
los intelectualmente, ou seja, “o poder efetivo que um aprendiz tem de 
descobrir algo por uma análise muito refinada, ou ainda, o poder que 
ele tem de enfrentar uma determinada tarefa intelectual” (MOREIRA, 
1983, p. 43).
Seqüenciamento dos conteúdos
Ao observar a maneira intuitiva de os professores se relacionarem com o 
seqüenciamento dos conteúdos de uma matéria, Bruner procurou organizar a 
estrutura dessa apresentação de maneira a levar em consideração: o conjunto 
de informações a serem transmitidas; o estágio de desenvolvimento em que se 
encontram os alunos; a natureza da matéria a ser apresentada e as diferenças 
individuais entre os alunos. Bruner considera, dessa forma, que todos esses tópicos 
atuam como variáveis importantes na seqüência de uma matéria.
De outra maneira, podemos dizer ainda que a seqüência de apresentação dos 
conteúdos de uma matéria deve possibilitar ao aluno que explorar o conhecimento 
de um assunto de diversas maneiras, aprofundando-se nele, antes de se decidir 
passar para um outro. A ótima seqüência de apresentação dos conteúdos, segundo 
Bruner, deve levar os alunos a irem da etapa de representação enativa (ativa) à 
representação icônica, e desta para a simbólica. 
Forma e distribuição do reforço
O reforço – aplicação de prêmios e punições – é visto por Bruner como meio 
de fixação do conhecimento ou reforçamento da própria aprendizagem. O reforço 
(ação do instrutor sobre a correção das atividades e explicação das mesmas) 
aumenta, segundo Bruner, a oportunidade do conhecimento corretivo.
Cabe ressaltar que Bruner não vê o reforço da mesma forma que os teóricos 
behavioristas. Para estes, o reforço atua como estímulo utilizado para a promoção de 
uma alteração ou manutenção de um comportamento. Mas para Bruner, o reforço pode 
ser entendido como uma forma de aprendizagem relativa ao autocontrole do aluno, 
que deve reforçar-se a si próprio no seu engajamento no processo de aprender.
Bruner e a aprendizagem em espiral
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O papel do professor
Nessa teoria, a atuação do professor ou instrutor torna-se fundamental para 
que se possa alcançar, de fato, o desenvolvimento da aprendizagem dos alunos. 
Para tanto, diz Bruner que tal profissional deve se responsabilizar pela criação de 
técnicas que sejam capazes de auxiliar no desenvolvimento intelectual da criança.
Para ele, a aprendizagem está ligada ao desenvolvimento intelectual do aluno 
e o princípio desta aprendizagem está nas mãos do professor, que deve organizar 
sua teoria e estruturá-la para que os alunos dominem o assunto. Dessa forma, é o 
professor o principal responsável pelo desenvolvimento intelectual dos alunos. 
Além disso, ele também põe nas mãos do professor a responsabilidade 
pela motivação dos alunos em situação de aprendizagem. Assim, entende que 
a aprendizagem se efetiva diante de situações desafiadoras, motivadoras da 
“vontade” de aprender.
Bruner afirma que existem dois tipos de motivação: a motivação intrínseca 
e a motivação extrínseca. 
A motivação intrínseca fala da motivação interna do aluno, ou seja, de sua 
predisposição natural para a aprendizagem. Tal motivação pode se dar a partir de al-
gum interesse pessoal do aluno em conhecer o conteúdo apresentado, por exemplo.
A motivação extrínseca, por sua vez, fala da motivação produzida no aluno 
a partir de ações externas a ele, o que significa dizer que o interesse em conhecer 
o conteúdo não existia antes da introdução do estímulo motivador. Tal motivação 
pode ser produzida a partir de uma atividade proposta pelo professor, por exemplo. 
Seria isso justamente o que Bruner esperaria dos educadores: que estivessem 
atentos à produção constante de motivações capazes de atrair os estudantes para 
a situação de aprendizagem.
Desse modo, o trabalho do professor deve ser o de estimular os alunos para 
novas descobertas, provocando o interesse sobre a matéria a ser apresentada, o 
que requer do professor ser um aprofundado conhecedor dos conteúdos a serem 
apresentados em cada uma das matérias que leciona.
Partindo da compreensão da teoria apresentada neste capítulo, monte uma aula que tenha como 
referência os ensinamentos de Jerome Bruner sobre as “técnicas” de instrução do ensino, a 
partir da organização da estrutura da matéria.
Para uma melhor compreensão da teoria de Jerome Bruner, sugere-se a leitura do capítulo 3 do 
livro Ensino aprendizagem: enfoques teóricos, de Marco Antônio Moreira, publicado pela Editora 
Moraes, 1983.
Ausubel e a 
aprendizagem significativa
História pessoal
D avid Ausubel, psicólogo cognitivista, desenvolveu sua teoria buscando compreender os processos de aprendizagem. Para ele, a aprendizagem estava subordinada a um esforço do aprendiz em ligar seus novos 
conhecimentos aos seus conhecimentos anteriores. 
Em seus estudos, procurou demonstrar que o desenvolvimento da inteligência 
está diretamente relacionado a processos mentais, ou melhor, ao processamento 
da informação de forma ativa e organizada em sua estrutura cognitiva.
Ausubel procurou observar a aprendizagem tal qual ela ocorre na sala de 
aula, evidenciando a necessidade de, para que se possa realizar um bom trabalho 
pedagógico, ligar os novos conhecimentos transmitidos aos alunos a conhecimentos 
anteriores já presentes em suas estruturas mentais.
Diante disso, Ausubel considera de fundamental importância o trabalho 
docente no sentido de identificar e organizar os conhecimentos prévios dos alunos 
e ensinar de acordo com esses conhecimentos.
A aprendizagem segundo Ausubel
Como psicólogo cognitivista, Ausubel se encaixa no grupo de teóricos que 
buscaram estudar os processos de cognição por meio dos quais o mundo ganha 
significado. Um desses processos é o da aprendizagem, considerando-se que 
enquanto aprende, o aluno atribui significado à realidade a sua volta.
De acordo com Moreira (1983, p. 61), existem três tipos de aprendizagem: a 
aprendizagem cognitiva, a aprendizagem afetiva e a aprendizagem psicomotora. 
A aprendizagem cognitiva é apresentada pelo autor como “aquela que resulta no 
armazenamento organizado de informações na mente do ser que aprende e esse 
complexo organizado é conhecido como estrutura cognitiva”.
Já a aprendizagem afetiva diz respeito aos sentimentos que acompanham a 
experiência cognitiva. Tais sentimentos podem ser de angústia, frustração, dor, 
satisfação, tristeza, alegria, entre outros.
A aprendizagem psicomotora, por sua vez, está relacionada ao conjunto 
de respostas musculares adquiridas por treinos específicos. Tal aprendizagem 
também acontece paralelamente à aprendizagem cognitiva.
Teorias da Aprendizagem
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Assim, a partir das definições anteriores, confirmamos a pertença da teoria 
de Ausubel ao grupo de teorias denominadas cognitivistas, o que não significa dizer 
que Ausubel negue a existência dos outros tipos de aprendizagem. Ao contrário, 
Ausubel chega mesmo a afirmar reconhecer a importância das aprendizagens 
afetiva e psicomotora no desenvolvimento das aprendizagens cognitivas.
Porém, há na teoria de Ausubel uma clara relação com a questão das 
aprendizagens adaptativas, ou seja, por acomodação dos novos conceitos 
adquiridos