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A-HISTÓRIA-DA-EDUCAÇÃO-APOSTILA

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constatação de que essas correntes de pensamento não se excluem, uma vez que nos 
dias atuais é necessário conciliar o valor do conhecimento ao valor do engajamento dos 
alunos como estratégia para sanar as exigências de um mundo em contínuo 
desenvolvimento e marcado pelo fluxo constante de informação disponível a uma ampla 
gama de pessoas situadas em diferentes regiões do mundo. 
Como salienta Moacir Gadotti, o conhecimento tem presença garantida em qualquer 
projeção que se faça sobre o futuro; contudo, os sistemas educacionais ainda não 
conseguiram avaliar de maneira satisfatória o impacto das tecnologias da informação sobre 
a Educação. Logo, será preciso trabalhar em dois tempos: o tempo do passado e o tempo 
do futuro. Fazendo de tudo para superar as condições de atraso e, ao mesmo tempo, 
criando condições para aproveitar as novas possibilidades que surgem através desses 
novos espaços de conhecimento. 
O estudo da História da Educação é importante devido ao seu potencial formativo, 
reflexivo e cognitivo. Ou seja, o estudo da história da educação tem a capacidade de fazer 
com que os alunos raciocinem de forma a compreender o porquê de se estudar 
determinada matérias e temas. 
Segundo Libânia Xavier, as principais fontes de estudo da História da Educação são: 
documentos oficiais, como séries legislativas, relatórios, pareceres, projetos de Governo, 
discursos de autoridades políticas. Há ainda, segundo a autora, outras fontes como a 
fotografia, a iconografia, as plantas arquitetônicas, o material escolar, relatos orais, 
sermões, relatos de viajantes e correspondências, os diários íntimos e as autobiografias, e 
também outros produtos culturais como a literatura e a imprensa pedagógica. 
O pesquisador tem se interessado em compreender as ações de educação contidas 
na sociedade imperial com suas diversas formas e esferas de intervenção, identificando a 
existência de uma extensa rede de escolas públicas no século XIX, sendo que tais estudos 
têm apontado a falta de importância da educação escolar para grande parte da população. 
Outros estudos vão de encontro com o sentido de captar as especificidades da 
formação e do desenvolvimento da instituição escolar observando como este modelo se 
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articula se ao processo de constituição da esfera pública no Brasil, de se sujeitar as leis 
culturais e de progressiva profissionalização no campo pedagógico. 
 
As pesquisas que estudam a relação entre Estado e Movimento Educacional têm se 
voltado para a análise dos processos educativos que extrapolam a ação institucional das 
escolas, ampliando a visão acerca das relações complexas existentes em vários 
movimentos como: políticos, sociais e intelectuais, sendo estes associados à educação em 
sentido “latu sensu”, ou seja, compreendida como política pública, campo de produção de 
saberes e pratica social. Atualmente alguns pesquisadores tem se empenhado em 
promover estudos comparativos entre a realidade brasileira e as realidades em outros 
países, visando compreender as maneiras pelas quais o modelo de escola universal se 
desenvolveu no mundo, com certa homogeneidade desde o século XIX. 
A possibilidade da realização deste tipo de estudo histórico comparado de 
realidades educacionais diferentes daquela encontrada no Brasil, mas que preservam 
pontos em comum no que diz respeito a “mundialização do modelo escolar” é fator 
constitutivo de um ponto de destaque entre os estudos comparados na história da 
educação. O estudo da História da Educação será de suma importância para ajudar a 
compreender o modelo educacional que possuímos hoje, entender os possíveis erros que 
ocorreram, de forma que possamos preveni-los e evitá-los. 
Para se compreender o presente e planejar o futuro é necessário entender o 
passado, que neste caso é a história da educação. O resultado do hoje é a consequência 
do ontem, ou a escolha de ontem reflete no seu dia hoje. Dentro destas frases é notório a 
ligação que a atualidade tem com o passado, e é a partir deste aspecto que o texto busca 
abarcar a importância do contexto histórico para a realidade brasileira. O conteúdo aqui 
redigido visa comparar a educação feminina oitocentista com os dias atuais. 
A história da educação proporciona uma certa compreensão sobre o porquê da atual 
situação do país, de encontro o tema Educação Feminina abordado na disciplina, 
depreende-se que na era da educação no Brasil, o ensino tinha por principal característica 
a restrição, característica esta, advinda de normas implantadas pela sociedade. Mediante 
estas restrições vê se a insignificância da mulher perante o homem no século XIX. 
Segundo os padrões daquela época, o papel dá mulher não passava de um modelo 
doméstico, de acesso privado ao conhecimento, onde sua função não ia além de cuidar da 
casa, e da família. Para a maioria, o conhecimento intelectual e científico não seria útil a 
classe feminina. Acreditavam que a mulher era incapaz de raciocinar e agir como os 
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homens, pois todo poder econômico, político e civil era dominado pela classe masculina 
desde o princípio. Só o homem tinha o poder de decisão e a mulher deveria ser sempre 
subordinada a ele, ela só podia fazer o que o homem definisse ser o certo. O trabalho era 
símbolo masculino, pois estava aliado à sua prática social, diante disso a formação 
profissional não cabia a realidade feminina, pois a mulher era um símbolo doméstico que 
não tinha necessidade de estudar. O contato da mulher com o estudo era bem escasso, 
uma vez que na educação oitocentista o ensino básico bastava, onde só alfabetizar era o 
necessário. 
O Livro Vida de Menina mostra trechos da história de Helena Morley, uma jovem que 
diferente das outras, não via o mundo como a maioria das mulheres do século XIX. A sua 
diferença é manifesta através de suas atitudes, pois estas não correspondiam aos padrões 
estabelecidos para a mulher da época. Por isso, Helena era alvo de muitas repreensões, 
como mostra a cena que a sua tia lhe dá aulas de etiqueta, no intuito de corrigir suas 
maneiras de se portar em seu meio social. 
Nesta época, a mulher que fugisse do caráter doméstico, era altamente julgada pela 
sociedade, até mesmo pela classe feminina. Porém, neste período, nem todas mulheres se 
conformavam em viver de acordo com os padrões exigidos, e isto deu vazão para o 
surgimento de alguns personagens históricos que contribuíram para que a presença 
feminina na educação brasileira fosse aceita. Podemos citar a história de Nísia Floresta, 
uma mulher que militava pelo direito do acesso feminino à educação, e como pioneira na 
defesa do direito à educação da mulher, travou uma luta constante que causou impacto à 
sociedade. A fundação do Colégio Augusto surge como ponto de partida para a expansão 
de suas ideias feministas pelo Brasil, pois Nísia, além da educação intelectual, valorizava a 
educação moral. As meninas então começam a fazer parte do ambiente acadêmico, porém 
lecionadas apenas por mulheres. As escolas que antes não concordavam com as 
reivindicações de Nísia, passaram a enxergar a importância da educação feminina, 
aderindo a inovações propostas pela professora. Todo o seu esforço começa a ganhar voz 
pelo país, onde os princípios de Nísia vêm sendo validados, aliados a outras vozes que 
clamaram pelos direitos políticos, civis e econômicos, em busca de uma nação de direitos 
iguais para homens e mulheres. 
Mesmo com toda resistência social Nísia não desistiu e seguiu sua carreira 
incentivando as mulheres do Brasil a buscar por seus valores, defendendo que a 
capacidade da mulher vai além do que ser uma boa dona de casa. Assim, olhos estavam 
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sendo abertos, e o caminho para a independência feminina também estava sendo traçado, 
numa luta por direitos sem revolução ou protestos. 
 
A contribuição de Nísia se estendeu por séculos, e a restrição a educação feminina 
já não persiste mais; as meninas não

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