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Atlantida no Reino da Luz - Roger Bottini Paranhos

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que recebo. 
Eu me afastei em direção à ponta da plataforma da nave, 
com a intenção de chegar mais perto da cachoeira, e disse, mais 
para mim mesmo do que para ela. 
— Eu domino o Vril com grande facilidade, mas parece que 
não sou senhor de meu próprio eu. Gostaria de ter o equilíbrio 
interior de meus pais. 
Evelyn se aproximou e falou, enquanto me abraçava pelas 
costas: 
— Você vai ter esse equilíbrio, Andrey, e será o maior sacer- 
dote do Vril que a terra de Posseidon já conheceu. Você desen- 
volverá novas técnicas para aplicar o quinto elemento e trará 
progresso e conforto à nossa sociedade, como nunca se viu. 
Eu sorri e disse-lhe, desanuviando minha mente: 
— Sim! Mas você sabe o que quero, eu desejo muito atraves- 
sar o portal para o mundo primevo. Desejo viajar pelo restante 
do globo, para a esfera da terceira dimensão, e utilizar o Vril 
para ajudar esses povos primitivos que estão além do nevoeiro 
que encobre os limites de nosso reino. Quero atravessar as bru- 
mas das fronteiras que nos separam dessa terra de sofrimento. 
Ela concordou serenamente e disse, beijando meu rosto 
com brilho no olhar: 
— Claro, meu amor! Esta é a aplicação mais bela do Vril: 
promover a cura e melhorar as condições de vida de quem so- 
fre. Se essa for a vontade de Deus, você ajudará a promover o 
progresso das almas que nasceram na esfera de dor da Terra. 
Abençoados somos nós, por termos nascido em Posseidon! 
Eu concordei com as palavras de minha amada noiva e dis- 
se: 
— Sim, pedirei a nossos pais que nos permitam conhecer 
definitivamente esse mundo de que só temos notícia pelos re- 
latos das equipes que trabalham para assisti-los. Mas, agora, 
vamos para o templo do Sol. Está quase na hora da cerimônia. 
Quero que meu pai me veja lá, prestigiando mais esse dia de 
imensa alegria para ele. 
Rapidamente fechamos a porta da aeronave e nos dirigi- 
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mos ao topo da colina. Lá estacionei o veículo serenamente, na 
área destinada, nas proximidades do templo do Sol. 
A porta de material vítreo de alta resistência se abriu, e 
descemos radiantes da aeronave. Tínhamos a força da juventu- 
de e um mundo pleno de grandes realizações pela frente. 
Ártemis, a quem eu chamava de minha segunda mãe, havia 
me dito, dias antes, que depositava em mim esperança muito 
grande com relação ao uso do Vril. Apesar de sua filha ser uma 
grande sacerdotisa da grande energia, ela me afirmou, confiden- 
cialmente, que esperava de mim algo raro, nos anos vindouros: 
materializar o Vril. Poucos sacerdotes, durante séculos, tinham 
realizado esse fascinante processo de manipulação do quinto 
elemento. Em geral, conseguiram isso por breves segundos, 
sempre dentro do templo principal da Grande Pirâmide. 
O único que realizou um feito realmente espetacular nesse 
sentido foi Antúlio: o grande avatar de Atlântida, aquele que 
recebeu a mensagem da Luz diretamente do Cristo Planetário, 
assim como ocorreria com Jesus e outros grandes iluminados de 
nossa humanidade, no futuro. 
Antúlio, poucos anos antes de voltar para o reino espiritu- 
al, materializou o Vril na forma de uma chama eterna, em um 
dos altares das diversas salas de meditação da Grande Pirâmi- 
de. Segundo os antigos, aquela chama estava acesa e intocável 
desde a vinda de nosso messias, séculos antes do período que 
estamos narrando. Os anciãos também nos afirmavam que a 
chama só se apagaria no dia em que Atlântida se afastasse do 
caminho da Luz. Todos os dias os sacerdotes oravam em frente 
à chama, pedindo ao Criador força e discernimento para que 
nossa civilização jamais permitisse que aquela chama abençoa- 
da se extinguisse. 
Essa materialização do Vril que Ártemis previa em minha 
formação como sacerdote não possuía nenhuma função práti- 
ca. Apenas seria um sinal de que eu obtivera absoluto controle 
sobre o quinto elemento, algo como tornar visível a movimen- 
tação dos elétrons no processo de gerar eletricidade ou, então, a 
visualização do processo de reação em cadeia, ao gerar energia 
nuclear. 
Contudo, a maior preocupação de Ártemis era com relação 
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ao meu ego. Ela desejava meu sucesso mais do que ninguém, no 
entanto, temia por minhas origens. Eu era um instável capelino, 
e não um atlante da era de ouro. Atlântida vivia uma nova era. 
A cada dia, mais casos estranhos aconteciam. Decididamente, 
uma nova humanidade estava passando a habitar a terra de 
Posseidon, e os sábios atlantes sabiam disso. 
0 poder do Vril se tornava, inclusive, cada vez mais restrito, 
por questões de segurança. Antigamente, ele era liberado para 
qualquer aplicação, agora, até mesmo em sua utilização mais 
básica - a movimentação das aeronaves -, já era estudada a 
possibilidade de ser protegida com senhas de segurança. 
E assim, pouco a pouco, eu me tornava o centro das aten- 
ções, e os elogios tornavam-se inevitáveis. Inclusive, a cerimônia 
de que iríamos participar estava sendo filmada e retransmitida 
para todo o continente. Em termos religiosos, aquele evento do 
qual poucos poderiam participar era comparável à missa do 
galo rezada pelo papa na Capela Sistina, em Roma. 
Em alguns momentos, tomava-se visível em meu semblante 
aquela mesma arrogância e prepotência que eu havia cultivado, 
com raízes profundas, em minhas vivências em Tríade, no siste- 
ma de Capela. 
O nariz empinado, o peito estufado, como se eu fosse um 
pavão, tomava isso evidente para olhos mais observadores. 
Lembrando as estrelas da música pop da atualidade, eu posava 
para fotos, respondia perguntas para jornalistas e fazia questão 
de deixar marcada minha presença em qualquer evento. 
Meus pais nada percebiam. Atônis sempre foi meio avoado, 
até mesmo em sua encarnação como o faraó Akhenaton, na dé- 
cima oitava dinastia egípcia. Minha mãe, Criste... Bom, vocês 
sabem como são as mães de todos os tempos, sempre vendo 
somente o lado bom de seus filhos, ainda mais quando ele se 
sobressai. Já Ártemis analisava meu perfil psicológico de forma 
discreta, sem nada dizer, e, mesmo assim, não conseguia evitar 
totalmente o envolvimento emocional. Era como uma segunda 
mãe para mim; agia, muitas vezes, como tal. 
Quero, nesta narrativa, abster-me de relatar, a todo mo- 
mento, os avanços tecnológicos de Atlântida, em alguns pontos 
muito superiores aos atuais. Obviamente que tínhamos recursos 
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para captar e transmitir imagens e sons com nossa tecnologia, 
que era, em todos os aspectos, superior aos recursos digitais 
atuais. Receptores em cristal de quartzo captavam as transmis- 
sões magnéticas com facilidade, em qualquer canto do grande 
continente, desde o portal, na costa da atual Flórida, na Améri- 
ca, até as Ilhas Canárias, na Europa; inclusive algumas colônias 
próximas, fora da Atlântida, captavam esses sinais, mas a qua- 
lidade caía significativamente, por ser um mundo de natureza 
mais grosseira. Da mesma forma, tínhamos aparelhos de co- 
municação semelhantes aos atuais telefones celulares, contudo, 
a tecnologia era baseada no Vril, portanto, chamaremos, nesta 
narrativa, apenas de telefones móveis. 
Em seguida, vieram os cumprimentos usuais dos amigos, 
entre eles Ryu e Arnach. Este último eu considerava como um 
verdadeiro irmão. Ele era muito parecido comigo, porém com 
cabelo quase branco, de tão louro, e com os fios levemente ca- 
cheados. 
Essa nossa afinidade vinha de longa data. Fomos amigos 
em várias encarnações anteriores, no sistema de Capela. Sempre 
namorador, ele aparecia nos eventos cada vez com uma nova 
companhia. Sua instabilidade emocional em nada era espelhada 
no perfil de seus pais, autênticos atlantes, assim como nossos 
pais. Eu estranhava aquela instabilidade de Arnach com relação 
ao amor. 
Eu só tinha olhos para Evelyn; nem a mais bela mulher de 
Atlântida

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