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Atlantida no Reino da Luz - Roger Bottini Paranhos

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e revolta interior. Logo depois, deu-nos 
as costas e foi dançar com um ingênuo rapaz. 
Mas logo nos esquecemos do fato, pois Arnach se aproxi- 
mou, com seu habitual senso de humor, contando suas hilárias 
estórias e fazendo-nos rir sem parar. Ariane, a cada instante, 
encantava-se mais por ele. 
Arnach era assim, muito divertido e sedutor. 0 problema 
estava na conseqüência de seus atos amorosos. No final, todas 
choravam de tristeza por perdê-lo. Sua ausência lhes era insu- 
portável. 
Mas duas semanas era o prazo máximo de fidelidade e 
atenção que ele era capaz de oferecer. Não fazia por mal, sim- 
plesmente ele era assim, completamente instável no campo do 
amor. Parecia que a ideia de enraizar em seu coração tal senti- 
mento por uma única mulher lhe era algo abominável, do que 
ele fugia com todas as suas forças. Talvez o medo de perder a li- 
berdade de conquistá-las todas as noites o fazia evitar qualquer 
relação mais profunda. 
E assim nos divertimos muito naquele dia, desejando a 
todos um ano promissor, assim como se faz nos dias atuais. 
Realizamos muitas brincadeiras, conversas amenas, à sombra 
acolhedora das árvores, com os sábios anciãos de Atlântida, até 
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que, no final da tarde, Atônis chamou para si novamente a aten- 
ção e falou-nos, com largo sorriso no rosto: 
— Que dia maravilhoso, meus irmãos! Momento de grande 
alegria para todos nós. 0 Astro-Rei já parte para o descanso na 
terra ocidental, abençoando-nos com seus distantes raios dou- 
rados. Obrigado a todos que vieram hoje aqui prestigiar nossa 
festa e que o ano seja repleto de grandes realizações para todos 
os filhos da terra de Posseidon! 
74 Roger Bottini Paranhos 
 
No dia seguinte, lá pela metade da manhã, dirigi-me, pen- 
sativo, para a Grande Pirâmide de Posseidon. Geralmente, per- 
corria aquele tranqüilo e belo caminho acompanhado de Eve- 
lyn, mas, naquele dia, ela saíra bem cedo com Ártemis, para 
outros compromissos, permitindo que eu me entregasse aos 
meus pensamentos. 
Durante o percurso, resolvi meditar sobre os acontecimen- 
tos do dia anterior: o discurso improvisado de meu pai, ressal- 
tando a responsabilidade que pesava sobre os ombros da nova 
geração; e séculos de progresso, harmonia e a conquista de uma 
sociedade perfeita que poderiam estar correndo sérios riscos, 
caso não correspondêssemos às expectativas. Era fundamental 
que forjássemos um caráter nobre e digno, para manter os prin- 
cípios sagrados da sociedade atlante íntegros; uma tarefa difícil 
para almas instáveis como a dos exilados capelinos. 
Realmente, nossa sociedade encontrava-se cada dia mais 
desleixada, no que se refere aos verdadeiros valores da alma. 
A nova geração era arrogante e, pouco a pouco, começava a se 
entregar a práticas incomuns na Grande Ilha de outrora. Ins- 
tabilidades emocionais, deficiências de caráter, atitudes fúteis 
e outras demonstrações de mediocridade espiritual indicavam, 
a olhos vistos, que a geração de ouro de Atlântida cedia lugar 
aos atlantes capelinos, uma nova e inferior linhagem de almas 
arrogantes, egoístas, invejosas e fúteis. 
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Inconscientemente, o que me tranqüilizava era saber que 
Evelyn tinha o comportamento de uma atlante genuína. Sua 
retidão de caráter, responsabilidade e dedicação ao próximo 
me comoviam e me fortaleciam para manter-me no caminho 
correto. Intuitivamente, eu sabia que ela era a grande respon- 
sável pelo homem que eu havia me tornado. Como eu a amava 
loucamente, desejava sempre atender suas expectativas, com- 
portando-me sempre com natural dignidade, Além disso, minha 
vida era um conto de fadas. Não havia por que me rebelar ou 
alimentar sentimentos negativos. Isso não fazia sentido. 
Apesar de ser claro que nós, os capelinos, éramos os “pa- 
tinhos feios”, comparados com nossos ancestrais, eu tinha um 
grande trunfo: o notável domínio sobre o Vril. Isso mantinha 
meu ego sempre elevado, era uma forma de sentir-me superior. 
Assim, em meio a esses pensamentos, eu pouco percebia 
meus lampejos de arrogância e prepotência. Considerava-me 
um atlante com caráter perfeito. Só estranhava aquele medo in- 
justificável de algo que não sabia o que era e que me consumia. 
Em alguns momentos, eu me fazia uma série de perguntas inter- 
namente, que me causavam mais confusão e me levavam a um 
labirinto sem resposta. Isso, muitas vezes, deixava-me exausto. 
Eu, então, deitava na cama de minha casa ou em salas de repou- 
so e entrava em sono profundo, por longas horas. Nada mais era 
que uma fuga inconsciente de meus fantasmas. 
Segui em silêncio pelo encantador trajeto que levava à 
Grande Pirâmide, uma região cercada por frondosas árvores, 
com vegetação exuberante. Diversas trilhas ladrilhadas con- 
duziam-nos ao acesso principal da mais notável construção de 
nosso país. Nem os palácios administrativos, decorados com 
prata, ouro e oricalco, conseguiam rivalizar com o imenso cata- 
lisador energético, que era considerado o coração de nosso país. 
A região era restrita às aeronaves, porque poderiam in- 
fluenciar nas poderosas correntes do Vril que circulavam pelas 
entranhas da fabulosa construção. 
O poder energético contido na Grande Pirâmide era algo 
absolutamente grandioso, capaz de destruir o planeta milhares 
de vezes, caso não fluísse de forma correta, pelas paredes de 
cristal. Obviamente que não existia risco nenhum quanto a isso. 
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Nem mesmo durante o período em que vivemos em trevas cor- 
remos tal perigo, apesar da atitude impensada que eu tomaria 
no futuro... 
A Grande Pirâmide de Posseidonis possuía inteligência ar- 
tificial e um sistema de defesa próprio. Qualquer anormalidade 
em seu funcionamento ou ação criminosa provocava o desliga- 
mento de seu centro de força principal, localizado no coração 
da grande estrutura. E, se alguma criatura em desequilíbrio en- 
trasse de forma desavisada nas dependências da “Casa Maior 
do Vril”, corria o risco de ser desintegrada pelos sistemas de 
defesa. Existiam avisos acerca disso por todas as entradas. 
Meditando sobre a beleza e a genialidade daquele colosso, 
diante de meus olhos, pensei: “Não podemos perder esse paraí- 
so. Preciso conhecer os povos primitivos da Terra, para ter real 
noção da grandeza de nosso mundo e, assim, dar-lhe mais valor, 
do fundo da alma, assim como fazem meus pais”. 
Quando cheguei próximo à imensa pirâmide, fiquei a me- 
ditar sobre a importância do progresso que a sociedade atlante 
havia alcançado, refletido não só naquela gigantesca estrutura, 
mas em tudo ao nosso redor. 
Se os arqueólogos descobrissem a Atlântida, certamente fi- 
cariam assombrados. Éramos uma sociedade industrial, doze 
mil anos antes de o homem moderno existir. Construções ar- 
tesanais ou com acabamento duvidoso simplesmente não exis- 
tiam. Veículos, casas, templos, lojas, absolutamente tudo era 
realizado com máximo esmero, seguindo modelos previamente 
concebidos. Isso evitava comparações desnecessárias. Ninguém 
possuía algo mais suntuoso que seus concidadãos, até mesmo 
porque isso é uma necessidade de almas pequenas. 
A liberdade de criação era manifestada somente no campo 
artístico. Tudo o mais era elaborado pelos engenheiros e, depois 
que o molde estava pronto, bastava materializar, com a fabulosa 
energia Vril. 
Nosso trabalho era o mais importante na hierarquia do 
quinto elemento. Cada cidade possuía sua central de geração da 
energia, em seus mais diversos aspectos. No entanto, na capital, 
na Grande Pirâmide, captávamos mentalmente esse fluído cós- 
mico universal e o armazenávamos em perfeitas peças de cristal 
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(em sua maioria, com forma piramidal), que acumulavam essa 
energia de maneira impressionante. 
Depois, essas “pedras mágicas” eram transportadas para 
as linhas de

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