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Atlantida no Reino da Luz - Roger Bottini Paranhos

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montagem e produção, para serem operadas por 
técnicos comuns. Tais cristais poderiam manter a energia Vril 
elaborada para aquele fim por muitos e muitos anos, até mesmo 
por séculos, dependendo da capacidade de manipulação do sa- 
cerdote sobre o quinto elemento. 
Algumas centrais de operação na Atlântida não eram re- 
carregadas fazia muito tempo. Um exemplo era o fornecimento 
de energia para as residências, realizado por uma das centrais 
da Grande Pirâmide, com redistribuição para todo o continen- 
te. Era uma energia sem resíduos, grátis e renovável, que não 
exigia linhas de transmissão física, como a energia moderna. 
Tratava-se de uma força oculta, que simplesmente alimen- 
tava uma rede invisível de centrais menores, com seus cristais 
energéticos interligados. Isso tudo ocorria de forma automáti- 
ca, sem a necessidade de intervenção humana. Poucos sabiam 
como aquele engenho energético havia sido elaborado, milênios 
antes. Acredito até que qualquer problema no funcionamento 
traria dificuldades para acionar seu plano de contingência, algo 
desconhecido há séculos. 
Nosso trabalho consistia em nos sentarmos em confortá- 
veis poltronas inclinadas, dispostas em círculos, e, juntos, con- 
centrar esse fluido cósmico universal no centro da sala. Cada 
aplicação do Vril exigia adequação de forma diferenciada, nessa 
transformação energética. 
A mais simples era para a geração de energia, semelhante 
à elétrica, que utilizamos nos dias atuais, porém desnecessária 
naquela época. Para a movimentação de veículos, era um tanto 
mais complexa, por causa da inversão dos eixos gravitacionais, 
para flutuação e direcionamento. Entretanto, a mais difícil era a 
elaborada para atender aos protótipos dos engenheiros, ou seja, 
aquela que criava todo o tipo de objetos de consumo necessá- 
rios para uma vida moderna e tecnológica como a nossa; isso 
porque eram sempre específicas e inovadoras. 
Além dessas aplicações, projetávamos cristais para armaze- 
namento de dados, utilizados pelas áreas de tecnologia da infor- 
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mação. Esse trabalho também exigia um pouco mais de talento 
dos sacerdotes do Vril. Desse modo, absolutamente tudo o que 
a mente humana pudesse conceber poderíamos elaborar com o 
espetacular dinamismo do Vril. 
Alguns sacerdotes do quinto elemento, os sacerdotes pes- 
quisadores, grupo em que me incluía, também conseguiam fazer 
reprogramações no código genético de enfermos, mas isso, além 
de pouco necessário em nosso mundo, até então, já era algo au- 
tomatizado, dentro das centrais de curas na Grande Pirâmide e 
nas demais pirâmides regionais, por todo o continente. 
Quem tivesse qualquer tipo de desequilíbrio orgânico ou 
astral, ao adentrar na Grande Pirâmide, sentia imediatamente 
a ação dessa força curativa, recombinando seu DNA. Essa cor- 
reção do código genético ocorria em todos os corpos, não só no 
físico; algo que assombraria os médicos modernos. 
No passado, esses estudos tinham por objetivo exclusivo 
socorrer os povos do mundo primitivo, que, em breve, eu conhe- 
ceria. Depois da chegada dos capelinos, esses efeitos curativos 
tornaram-se comuns e necessários entre a civilização atlante, 
por causa de nosso DNA perispiritual deficitário. 
Não era raro os trabalhadores mais jovens da Grande Pi- 
râmide caírem em profundo sono, em decorrência do efeito 
curador do Vril percorrendo seus corpos, que, vez por outra, 
começavam a apresentar distúrbios por causa de nossas toxinas 
espirituais, trazidas de Capela. Era como se fosse uma “radia- 
ção saudável”, curando os corpos em desarmonia com a energia 
magnífica do quinto elemento. 
O trabalho com o Vril exigia muita disciplina. E Arnach 
era muito bom nesse trabalho de total concentração. Às vezes, 
eu me perguntava como ele conseguia manter-se tão focado, se, 
nas horas de lazer, sua mente vivia perdida em seus dilemas 
românticos. 
Ele não era um simples galanteador oportunista.Vivia tam- 
bém seus dramas interiores. Desfazia os relacionamentos sem 
motivo e, depois, sentia-se arrasado. Entretanto, no dia seguin- 
te, lá estava ele nas oficinas do Vril, pontualmente, trabalhando 
como ninguém. Era algo impressionante como ele separava sua 
vida afetiva do trabalho. 
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Quem muito deseja atender aos caprichos da alma um dia 
pode se desapontar, se não atingir seu objetivo. E esse dia estava 
prestes a chegar para Arnach, o que causou uma revolução den- 
tro dele, que veio, de certa forma, refletir na vida de todos nós. 
Em alguns dias, na condição de sacerdote pesquisador, eu 
era dispensado do trabalho conjunto com o Vril e passava as tar- 
des estudando novas aplicações para aquela misteriosa energia, 
que, para mim, parecia tão simples. Era estranho como a mani- 
pulação do Vril me parecia absurdamente fácil. Os longos séculos 
voltados para a ciência em Tríade, no sistema de Capela, haviam 
aperfeiçoado minha mente e meu espírito para executar aquela 
tarefa com facilidade, em um nível que beirava à perfeição. 
A grande Ártemis acompanhava meus estudos com indis- 
farçável atenção e esclarecia minhas dúvidas, dentro do possí- 
vel. Em determinada tarde, ela se aproximou e disse-me: 
— Andrey, como vão seus estudos? 
Eu empurrei para o lado a tela de cristal pela qual acessava 
o banco de dados central da Grande Pirâmide, por uma interfa- 
ce mental, e disse-lhe, com empolgação: 
— Eu sinto, às vezes, que esse poder é ilimitado. Creio que, 
se desejássemos voar sem veículo algum, o Vril nos possibilita- 
ria isso. 
Ártemis sorriu com meu espanto, ante ao poder do quinto 
elemento, e falou: 
— Talvez esse seja o segredo da vida. Nada é impossível. 
Nós é que estabelecemos limites em nossas mentes, bloquean- 
do nossa capacidade criativa. Nós deixamos de realizar obras 
que superam a normalidade, porque temos pouca fé em nosso 
potencial. 
Ela meditou por alguns segundos e, depois, mirando-me 
com seus brilhantes olhos cinza-prateados, perguntou-me, com 
carinho: 
— Você se lembra de quando era pequeno e dizia que reali- 
zaria grandes coisas no mundo, que seu desejo era ser lembrado 
pelas gerações futuras como alguém que contribuiu muito para 
o progresso do reino de Posseidon e do mundo, em todas as 
suas dimensões? 
Esforcei-me para lembrar-me daquele fato, mas não conse- 
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gui. A sábia mentora prosseguiu, então: 
— Não importa! Você já vive como desejava, desde aque- 
le tempo. Eu creio que você encontrará novas aplicabilidades 
para o Vril, que ainda são desconhecidas. Sua mente desconhece 
fronteiras. Nem o céu é limite para você. 
A bela mentora acariciou meu rosto e concluiu: 
— Andrey, você é ainda tão jovem e domina a grande ener- 
gia de forma especial. Lembre-se, qualquer dúvida, pergunte 
sempre. Será um prazer ajudá-lo em sua busca. 
Ela sorriu, estava pronta para retirar-se, quando falei, da 
forma carinhosa como sempre a tratava: 
— Minha mãe, preciso de sua ajuda agora. Eu quero mate- 
rializar o Vril hoje mesmo. Sei que posso! 
Ártemis era mãe de minha noiva, mas cuidava de mim des- 
de criança como uma segunda mãe. Meus pais entendiam a ne- 
cessidade disso, já que me tornei um sacerdote do Vril, atividade 
que não era o foco deles, pois eram sacerdotes solares. Os cida- 
dãos atlantes não tinham apenas profissão; viviam totalmente 
para sua vocação. 
Espíritos evoluídos não possuem sentimento de posse so- 
bre os filhos. Meus pais, portanto, entregaram-me de coração à 
Ártemis, para que ela fosse a responsável por minha educação. 
A nobre mentora sentou-se ao meu lado, ajeitou o vestido e 
perguntou, com o mesmo carinho de uma mãe diante do filho: 
— Andrey, meu querido, você acha mesmo que está pronto? 
Eu fiz um sinal afirmativo, e ela disse, com ansiedade: 
— Vamos, então, preparar-nos. 
Sentamos

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