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Atlantida no Reino da Luz - Roger Bottini Paranhos

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em duas poftronas, frente a frente, em uma pe- 
quena sala de estudos. Ela apenas acompanhou minha ma- 
nipulação, sem nada dizer. Em poucos minutos, aparentando 
pouco esforço de minha parte, o Vril se materializou, de forma 
fascinante. Poderíamos criar o que desejássemos com o quinto 
elemento, mas raros poderiam vê-lo. Observar a materialização 
daquela energia era privilégio de poucos. A maioria dos atlantes 
apenas a conhecia por intermédio do símbolo do Vril nos uni- 
formes dos sacerdotes, sem jamais o ter visto. 
O quinto elemento mostrou sua face, diante dos meus olhos 
fascinados. Era como um holograma bruxuleante, que parecia 
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ter vida própria, variando de cor e brilho, dentro de escalas in- 
compreensíveis ao homem comum. Uma energia absolutamente 
maravilhosa! 
Quando materializado, ele assumia a forma de um “oito” 
ou o símbolo do “infinito de pé”, sempre tremulando. O som 
misterioso que emanava assemelhava-se a um mantra sagrado. 
Era como se ouvíssemos um sopro divino. Conforme diziam os 
antigos: “Presenciar o Vril era como ver o ‘espírito de Deus’”. 
Em seguida, manipulei o éon do Vril e desenhei um coração 
para a querida mentora, minha segunda mãe. Ela colocou as 
mãos no rosto, sorriu e deixou escapulir uma lágrima de emo- 
ção. Em seguida, o Vril novamente desapareceu, tão misteriosa- 
mente como surgiu. 
Ela me abraçou e disse: 
— Parabéns pelo sucesso, meu filho! 
Eu olhei para ela, com emoção, e fafei: 
— Como presente pelo meu feito, eu quero visitar o mundo 
da terceira dimensão. Desejo ultrapassar o nevoeiro que escon- 
de os portais que separam Posseidon do mundo primevo. 
Ártemis meditou por alguns instantes e falou: 
— Que assim seja! Você merece conhecer o mundo lá fora. 
Você é um mestre do Vril e está pronto para atuar na Terra pri- 
mitiva. Mas lembre-se, o mundo fora de Atlântida é de natureza 
mais grosseira, talvez você não consiga manipular o Vril como 
o faz aqui. 
Eu fiz um gesto com a cabeça e demonstrei que havia com- 
preendido sua observação. 
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No dia seguinte, Ártemis agendou um encontro com o 
Conselho do Vril, para que eu lhes demonstrasse o grande feito. 
Composto por quatro sábios, o Conselho decidia os principais 
rumos que seriam dados à pesquisa e à utilização do quinto 
elemento. Um dos conselheiros supremos era pai de minha se- 
gunda mãe, e isso lhe permitia ter fácil acesso àqueles grandes 
mestres que raramente apareciam em público. Alguns diziam 
que todos eles já contavam com mais de um século de idade. Vi- 
veram a juventude integralmente dentro da época de ouro, mui- 
to antes da chegada dos emocionalmente instáveis, os capelinos. 
Ao lado de Ártemis, caminhei por amplos corredores, na- 
quele imenso complexo que era a Grande Pirâmide da capital 
Posseidonis e que hoje se encontra submersa na região conheci- 
da como Triângulo das Bermudas. 
Depois de seguirmos por um acesso lateral, entramos em 
um elevador, o qual nos levou ao último pavimento, ou seja, a 
câmara no vértice superior da pirâmide. Lá seguimos por uma 
grande antessala, até chegarmos a uma porta de material vítreo, 
com mais de quatro metros de altura. 
Apesar de estarmos no andar menos espaçoso, por causa 
da geometria piramidal, ainda assim, tudo parecia imenso. Em 
segundos, ela se abriu, e nos deparamos com dois grandes ga- 
tos, de pelos cinza e olhos profundos e indagadores, seguindo 
a tonalidade amarela. Eram guardiões do Conselho. Os gatos 
 
 
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sempre foram excelentes filtros de energias. A função daque- 
les bichanos era neutralizar qualquer energia impura da qual 
fôssemos portadores. Eles olharam para nós e se aproximaram 
lentamente. 
Depois de alguns instantes, em que nos estudaram, roça- 
ram em nossas pernas, ronronando, com o objetivo de purificar- 
nos e, assim, ser autorizada nossa passagem. Muitos desses fas- 
cinantes animais vagavam por todo o complexo piramidal, com 
a função de higienizar o ambiente. 
O Vril necessitava de energia ambiente cristalina, para 
melhor fluir pelas intrincadas redes de cristais no interior da 
Grande Pirâmide, Essa necessidade era ainda maior no topo da 
majestosa construção, local por onde desciam as energias subli- 
mes do Astral Superior. Aquela ala da pirâmide não poderia ser 
poluída, de forma alguma, por vibrações densas. 
Seguimos, então, até uma sala de reuniões, onde se encon- 
travam os quatro anciãos: dois homens e duas mulheres. 
Nunca estivera naquele andar, e, sem dúvida, estávamos no 
topo da pirâmide, já que aquele pavimento parecia ter reduzida 
extensão, talvez pouco mais de vinte metros quadrados. 
A decoração e os móveis eram muito simples. Aqueles sá- 
bios, que podiam realizar qualquer coisa com o Vril, preferiam 
viver sob um estilo de vida monástica, de forma completamente 
desprendida dos desejos humanos. 
Não pude controlar meu sentimento de espanto com aquela 
contradição. Justamente os mestres dos mestres do quinto ele- 
mento desprezavam todo o poder que a Grande Energia poderia 
lhes proporcionar. Isso não fazia sentido para mim. 
Meus pensamentos não passaram despercebidos. Aqueles 
grandes sábios eram mestres em telepatia, radiestesia e hipnose, 
além de possuírem inimaginável habilidade com o Vril. 
Eles me olharam com serenidade, talvez já com a intenção 
de me sondar, e aguardaram a manifestação de Ártemis. Ela, 
então, expôs aos conselheiros que eu era um jovem sacerdote 
que obtivera resultados notáveis com o quinto elemento. Falou, 
por fim, da materialização do Vril, feito por mim realizado no 
dia anterior. 
Eles confabularam entre si, de forma significativa, e pedi- 
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ram gentilmente para eu realizar novamente o que havia fei- 
to. Dessa vez tive dificuldades. Talvez pela tensão do momento, 
causada pelos olhares inquisidores; porém, como da outra vez, 
o Vril se fez visível aos olhos de todos os presentes, de forma 
magnífica. Os conselheiros não disfarçaram o espanto. Depois 
de trocarem informações novamente, por breves instantes, pas- 
saram a me interrogar. 
O pai de Ártemis me perguntou, fitando profundamente 
meus olhos, como se estivesse devassando as mais ocultas regi- 
ões de minha alma: 
— Meu filho, você deve saber a importância do que acabou 
de realizar. Isso significa que o domínio do Vril em suas mãos é 
quase absoluto. Ao contrário do que ocorre com outros atlantes, 
não teríamos como limitá-lo. Com isso, pergunto: o que você 
pretende? O que deseja fazer com esse poder? 
Eu estranhei aquela pergunta tão direta, quase ameaçado- 
ra, e apenas respondi: 
— Nada demais. Apenas quero trabalhar por meu povo, 
utilizar esse poder que Deus me deu para ajudar nossos irmãos 
em seu progresso humano e espiritual. 
Eu meditei, então, por alguns segundos, e concluí, de forma 
insegura: 
— Eu gostaria, também, de conhecer o mundo primevo e 
ajudar no desenvolvimento dessa esfera rudimentar, como mui- 
tos falam. Tenho muita curiosidade de ver esse outro mundo, 
porque desejo auxiliar os hominídeos racionais dessa outra di- 
mensão da Terra a civilizarem-se. 
Ele, então, recuou por alguns instantes, como se estivesse 
meditando sobre minhas palavras, depois voltou a perguntar-me: 
— Mas o que o move a ajudar o próximo? Você pretende au- 
xiliar seus semelhantes motivado por um verdadeiro sentimento 
de amor ou apenas quer satisfazer sua curiosidade ou seu ego? 
Aquela pergunta me pegou desprevenido. Fiquei pensando 
por alguns segundos e respondi: 
— Acredito que o sentimento de amor ao próximo é o que 
me move. Quero para todos os meus irmãos um mundo mais fe- 
liz. Eu desejo que todos conquistem aquilo que também desejo 
para mim. 
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0 sábio, então, levantou-se, apoiou as mãos sobre a mesa e 
inclinou seu corpo

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