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Atlantida no Reino da Luz - Roger Bottini Paranhos

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do sistema da estrela de Capela de- 
veriam ser expurgados para um estranho planeta a quarenta e 
dois anos-luz de distância, para lá reiniciarem o aprendizado 
espiritual que negligenciaram. 
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Sabíamos que seria um desterro para um mundo rudimen- 
tar, muito distante da tecnologia e do conforto que já havíamos 
conquistado, e isso era o que mais me irritava. Eu e muitos dos 
que seriam exilados haviam auxiliado, com muito suor, a con- 
quistar os avanços de nosso mundo, porém, tínhamos despreza- 
do os valores da alma. Agora éramos tratados como intrusos no 
próprio paraíso que ajudáramos a construir. 
Onde estava a justiça divina, que desconsiderava nosso es- 
pírito de pesquisa e trabalho? Muitos que seriam eleitos para 
ficar naquele mundo moderno pouco tinham contribuído, e nós, 
que tanto fizemos, seriamos expulsos, na categoria de criatu- 
ras indesejáveis para o progresso futuro. Que os ditos eleitos 
fossem, então, expurgados para o mundo primitivo, já que não 
faziam tanta questão das conquistas tecnológicas ali obtidas. Se 
a moral lhes era mais importante que o conforto, eles que mu- 
dassem para o “mundo das cavernas”, que havia sido destinado 
a nós, e lá vivessem dentro de sua retidão e moral irretocável. 
Todos esses pensamentos invadiam minha mente confusa, 
enquanto eu olhava para uma das crateras da lua vermelha, 
muito mais próxima de nosso planeta do que a Lua terrena 
em relação à Terra e que parecia imitar um rosto com sorriso 
irônico. 
— Maldição! — pensei, irritado. Não quero perder esse 
mundo. Não vou me entregar sem luta. 
Naquele momento, minha esposa entrou na varanda, ela 
era filha de um dos altos representantes do templo mundial de 
Tríade. Eu me levantei da cadeira com um salto e corri em sua 
direção, perguntando-lhe: 
— Evelyn, o que disse teu pai? Temos alguma chance de 
ficar? 
Esclareço, neste instante, que utilizarei os nomes que rece- 
bemos na Atlântida, tanto para designar nossa última existên- 
cia em Tríade como também no astral espiritual da Terra, antes 
de ingressarmos no mundo físico, no continente atlântico. Além 
de ser desnecessário para a narrativa, o excesso de nomes pode 
confundir o leitor. 
Ela se jogou na poltrona e falou com desânimo: 
— Ô, Andrey! Ele disse que será melhor recomeçarmos 
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uma nova jornada no planeta de exílio e que não intercederá 
para evitar nossa partida. 
Eu me irritei e chutei a cadeira que estava à minha frente e, 
depois de resmungar alguns impropérios, falei, com indignação 
e raiva incontidas: 
— Teu pai é um monstro! Como pode negar asilo à própria 
filha? 
Evelyn me olhou com tristeza e apenas respondeu: 
— Por diversas vezes, meu pai nos alertou no passado, no 
entanto, estávamos surdos para a verdade. Ele falou que preci- 
samos aprender uma lição de humildade e respeito aos seme- 
lhantes. Acredito que ele tenha razão. Andrey, vamos assumir 
a responsabilidade por nossos erros. Terminamos nos deslum- 
brando com o que a ciência nos proporcionou e desprezamos os 
valores da alma. Analise-se, meu amor, e verá que esquecemos 
gravemente de respeitar e amar nossos semelhantes. A ambi- 
ção e a cobiça dominaram nossas almas, de forma sorrateira, e 
nem percebemos. Agora compreendo, os anos que vivi longe de 
meu pai me levaram a esse distanciamento dos sagrados valores 
espirituais. Ele disse, inclusive, que não me reconhece mais e 
que deixei de ser a filha amorosa e querida, razão de seu maior 
orgulho. Lembro-me agora de minha infância, meus sonhos de 
menina... No que transformei minha vida? Desde que nos tor- 
namos cientistas, esquecemo-nos dos valores espirituais. Essa 
febre de materialismo condenou-nos todos. Boa parte dos futu- 
ros exilados não são criminosos comuns, como era de se esperar, 
são apenas pobres criaturas arrogantes e distanciadas de Deus. 
Depois de breve pausa, em que mantivemos um silêncio 
mortal, ela concluiu, com olhar perdido em direção ao céu es- 
trelado. 
— Meu pai disse, também, que, se nos esforçarmos, podere- 
mos voltar em breve ao nosso mundo. Vão ser abertas “portas” 
de retorno, de tempos em tempos, para quem atingir a meta de 
evolução espiritual necessária para regressar. Talvez tenhamos 
alguma chance de nos libertar, em poucos séculos, desse mundo 
primitivo em que iremos viver. 
Fiquei calado, analisando pela janela de nosso apartamento 
o movimento frenético das ruas, fruto do desespero das pessoas 
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que descobriam, pouco a pouco, que seus dias em nosso mundo 
estavam contados. Choro e ranger de dentes! A mesma fórmula 
que Jesus preceituara à humanidade terrena milhares de anos 
depois, para aqueles que virassem as costas para o código moral 
de evolução espiritual de seu mundo. 
O mecanismo de evolução espiritual é único em todo o Uni- 
verso. As escolas planetárias evoluem, e os alunos que negli- 
genciam essa evolução devem ser apartados para mundos de 
aprendizado inferior. Assim é o plano divino. 
Nós, capelinos, havíamos mordido a maçã do pecado e 
estávamos perdendo o paraíso. Em breve, chegaríamos à Terra, 
para civilizá-la. A raça dita “adâmica” estava a poucos momen- 
tos de sua transmigração de Capela para a Terra. Foi com nossa 
chegada que a humanidade criou a lenda de Adão e Eva, pois 
mordemos a maçã do pecado e perdemos o paraíso. Isso ficaria 
gravado em nosso inconsciente por vários milênios. 
Em seguida, olhei para meu punho e percebi que, naquele 
momento, a marca do exílio estava em alto relevo, o símbolo 
universal que identifica os reprovados nos processos de seleção 
evolutiva nos infinitos mundos habitados no Universo e que o 
apóstolo João, no livro do Apocalipse, interpretou como o nú- 
mero da besta: 666. 
Eu olhei para minha companheira de jornada e lhe falei: 
— Ontem era apenas um pequeno e apagado desenho, como 
se fosse somente o sutil contorno das veias sob a pele; hoje, a 
marca dos exilados está nítida e em alto relevo. Decididamente, 
o Criador nos pune! 
Ela me abraçou e disse, com carinho e ternura na voz: 
— Não adianta lamentarmos. Vamos passear por este mun- 
do que tanto amamos. Vamos nos despedir de Tríade e de sua 
beleza cativante. Em breve, o astro intruso ao nosso sistema 
planetário rasgará os céus, e chegará o momento de nossa par- 
tida. A passagem desse asteróide deflagrará o exílio inevitável 
para esse mundo obscuro que teremos de chamar de lar, pelos 
próximos séculos. 
Eu sorri e falei mais conformado, demonstrando uma de 
minhas características mais marcantes naquela época: uma im- 
previsível variação emocional. Algumas vezes com o coração em 
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luz; outras, em trevas. 
— Sim, é inútil lutar! Nossa alienação com relação aos va- 
lores maiores da vida fez com que perdêssemos o importante 
convite para prosseguirmos com as conquistas deste mundo. 
Entretanto, outros desafios surgirão no mundo primitivo que 
nos servirá de escola. 
Eu sacudi a cabeça, com as mãos paradas na cintura, e 
concluí: 
— Não consigo compreender como deixamos isso aconte- 
cer. Tínhamos todo o conhecimento e a sabedoria para evitar 
essa falência em nossa caminhada. Parece que fomos hipnotiza- 
dos por nossa própria ambição e arrogância. 
Evelyn acariciou meu rosto e disse: 
— Tínhamos imenso conhecimento, porém pouca sabedo- 
ria. Mas meu pai falou que adentraremos nesse novo mundo em 
uma condição privilegiada. Em virtude de nossos avançados co- 
nhecimentos científicos e por sermos almas portadoras de erros 
brandos, encarnaremos no mundo físico na região mais avan- 
çada do planeta. Esse continente chama-se terra de Posseidon 
e se encontra em uma dimensão intermediária, entre o físico e 
o espiritual, apenas um nível acima do mundo tridimensional 
dessa escola planetária. Lá teremos uma vida superior, muito 
semelhante

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