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Atlantida no Reino da Luz - Roger Bottini Paranhos

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a que temos aqui em Tríade. Além de auxiliarmos 
no progresso desse continente mais avançado, seremos chama- 
dos a educar e promover o avanço dos povos mais primitivos 
de outras áreas desse planeta incipiente. Isso implicará instruir 
também nossos irmãos capelinos que cometeram crimes mais 
graves. Eles serão exilados conosco, mas habitarão as regiões 
inóspitas desse mundo sombrio. Deus nos abençoa, meu amor. 
Tenha a certeza disso. 
Eu meditei por alguns instantes e voltei a refletir: 
— Acredito que teu pai tem razão, seremos exilados, mas 
será em condições bem favoráveis. Perdemos a honra de evoluir 
no sistema de Capela, no entanto, teremos ricas oportunidades 
para crescer e auxiliar o avanço de um novo mundo. Não de- 
vemos pensar que esse exílio é apenas sofrimento e descaso da 
parte de Deus. Nós, como cientistas e amantes do progresso, 
devemos sorrir para essa oportunidade, e não lamentar. 
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Um brilho surgiu nos olhos de minha adorada esposa. Ela 
sorriu, então, e falou, com alegria: 
— Sim, vamos transformar esse fel em licor divino. Aquele 
que só vê espinhos em uma rosa perde importante oportunida- 
de de crescimento. 
Assim, nos dias seguintes, visitamos locais que marcaram 
nossa jornada evolutiva em Tríade, relembrando os bons mo- 
mentos de nossa vida juntos. Éramos um casal que se amava 
verdadeiramente. Dessa forma, divertimo-nos muito, enquanto 
o desespero tomava conta daqueles que percebiam a enigmática 
marca em seus pulsos. Tínhamos um ao outro, e isso bastava 
para vencer aquele momento difícil. 
Em alguns momentos, passeávamos pelos parques deslum- 
brantes de nosso mundo, onde era possível desfrutar de uma be- 
leza natural incomparável com a da Terra: belas e acolhedoras 
árvores, flores lindíssimas, pássaros de beleza desconcertante. 
Tudo isso compunha uma paisagem inesquecível, enriquecida 
pelo conforto e a alta qualidade de vida propiciada pelo avanço 
tecnológico, até então obtido. 
Em Tríade, simplesmente não havia necessidade alguma de 
trabalho mecânico ou manual. Tudo era realizado pelas máqui- 
nas construídas e controladas com eficiência por nossa socieda- 
de. O trabalho humano era apenas mental. As atividades físicas 
eram executadas somente para lazer e para mantermos o corpo 
em forma e saudável. 
Então, eu segurei a mão de Evelyn e perguntei-lhe, com um 
aperto no coração: 
— Por que nos acostumamos com o belo a tal ponto que 
deixamos de percebê-lo? Por que o conforto e a riqueza nos fize- 
ram esquecer a presença de Deus em nossas vidas? Será que so- 
mos tão pequenos que só conseguimos amar nossos semelhan- 
tes e reconhecer a grandiosa presença de Deus quando estamos 
em situação de aflição e miséria? Por que, Evelyn? Diga-me! 
Seus doces olhos, úmidos de emoção, buscaram os meus, e 
ela falou-me, com sua voz suave e encantadora: 
— Talvez seja porque ainda nos falta o verdadeiro senti- 
mento de amor ao próximo. Creio que, quando demonstramos 
espiritualidade nos momentos de dor e aflição, trata-se somente 
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de um reflexo instintivo em busca da proteção e do amparo 
de uma força maior. As almas sublimadas, que já se tornaram 
eleitas a uma vivência superior, libertas das rodas cármicas, não 
se esquecem de Deus quando superam as dificuldades da vida; 
na verdade, elas passam a trabalhar mais intensamente pela 
obra do Senhor dos mundos. A maior das provações não está 
na pobreza e na doença, mas sim na riqueza e no poder. E essa 
é a prova coletiva por que nosso mundo agora está passando. 
Eu abaixei, então, a cabeça, vencido pela explicação lógica 
de minha esposa, e chorei. 
— Chore, meu amor! — disse-me Evelyn. Lave tua alma 
para melhor compreender os erros do passado. Eu tenho feito 
isso todos os dias, desde que soube de nosso exílio. Quero mar- 
car esse ensinamento em minha alma de forma definitiva, para 
jamais cometer esse equívoco novamente. 
Procurei agir como ela e, em nosso último dia em Tríade, 
tomei uma iniciativa que levou minha esposa às lágrimas de 
felicidade. Decidi me despedir de seu pai de forma carinhosa e 
sem ressentimentos. Nas últimas semanas, eu o estava culpando 
por não nos ajudar a evitar o exílio, mas havia me decidido a 
enfrentar nosso destino com outros olhos. Acataria a vontade 
de Deus de queixo erguido, sem lamúrias. E, assim, de coração 
leve, aguardamos a aproximação do astro intruso no céu de 
Tríade. 
Aquele foi um dia estranhamente calmo. A ação sedativa 
e hipnótica do asteróide higienizador fez os exilados entrarem 
em estado de sonolência e alienação. Andavam pelas ruas quase 
como autômatos. 
A noite, ele surgiu, então, realizando um espetáculo sinistro 
no céu, como se fosse uma bola de fogo a sugar nossas almas, 
levando aqueles que haviam se esquecido que o objetivo da vida 
é, acima de tudo, evoluir à chama da purificação. E aqueles que 
fogem desse compromisso, escravizando-se ao mundo das ilu- 
sões, precisam ser despertados por meio da dor, já que o amor e 
a sabedoria não encontraram guarida em seus corações. 
Aguardamos o momento final sentados em poltronas con- 
fortáveis, na sacada de nosso apartamento. Vestindo nossas me- 
lhores roupas e de mãos dadas, sem nada dizer, ficamos a ob- 
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servar a aproximação daquela terrível bola de fogo, que parecia 
hipnotizar-nos. 
0 imenso asteróide cruzou os céus de nosso planeta, entran- 
do em choque com a atmosfera, causando um assustador espe- 
táculo de cores e sons. 0 estrondo era ensurdecedor e lembrava 
o rugido de um leão ansioso por atacar suas vítimas. Apertei a 
mão de Evelyn, demonstrando-lhe segurança. Ela olhou para 
mim de forma serena, com um sorriso amável emoldurando seu 
belo rosto. 
Em poucos minutos foi possível ver as almas já desencar- 
nadas sendo atraídas, de forma incontrolável, pelo estranho 
objeto nos céus. As almas despreparadas de Tríade gritavam de- 
sesperadas de medo, acreditando-se condenadas a um inferno 
eterno ou, então, ao aniquilamento. Não demorou muito para 
os exilados que ainda viviam na esfera física, assim como nós, 
serem despregados de seus corpos, sofrendo aquela atração ir- 
reprimível. 
Ao contrário do que está acontecendo na Terra atualmente, 
a passagem do astro intruso no céu promoveu instantaneamen- 
te o desenlace físico de todos os exilados, que foram carrega- 
dos de uma única vez para seu novo mundo: a Terra. O atual 
processo de exílio planetário de nosso mundo durará cerca de 
cem anos, e as almas que serão expurgadas já estão sendo pre- 
paradas para o translado rumo ao planeta Absinto, de forma 
gradual e sistemática. 
Em questão de poucos minutos o asteróide passou bem à 
nossa frente. Segurei firme a mão de minha esposa e disse-lhe: 
— Sinto-me tranqüilo. Estarei, em breve, em um mundo 
desconhecido, onde viverei muitos desafios. Mas você estará lá 
comigo, e isso me traz paz ao coração. Quero viver ao teu lado 
por toda a eternidade, meu amor. 
Evelyn ficou com os olhos marejados e falou com sua voz 
doce, asfixiada pelas lágrimas: 
— Eu amo você e vou estar sempre ao seu lado. 
Naquele instante, um fogo intenso se apoderou de nossas 
almas, e rapidamente fomos arrebatados de nossos corpos físi- 
cos, que caíram sem vida. Com a velocidade de um raio, fomos 
atraídos em direção àquele enigmático asteróide que parecia 
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possuir vida própria. Era um verdadeiro monstro executor! A 
sensação era de uma pressão atrativa insuportável e, ao mesmo 
tempo, de um calor que parecia queimar-nos a pele. 
Respirávamos rapidamente, por diversos minutos, por cau- 
sa da ansiedade incontrolável e também para tentar, inconscien- 
temente, controlar aquele fogo que parecia nos consumir. 
E, como se uma morte não fosse o bastante, sofremos uma 
segunda. Para atravessarmos

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