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Apostila-InvestigacaoCriminal (1)

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 Prezado(a), seja bem-vindo(a) ao curso de Investigação Criminal. 
 Veja a seguir a apresentação do tema proposto e os objetivos esperados para seu melhor aproveita-
mento.
	 Para	explicar	a	finalidade	de	investigação	criminal,	diante	do	atual	Estado	Democrático	de	Direito,	já	
não	é	mais	suficiente	sua	ideia	como	mecanismo	de	produção	da	prova	de	um	crime.
 Mais do que produzir provas de um crime, os integrantes da equipe de investigação criminal pos-
suem responsabilidade social, pois são atores sociais que possuem, por força constitucional, o poder/dever 
de	realizar	a	atividade	 investigativa,	e	de	produzir,	por	meio	de	uma	eficiente	persecução	criminal,	a	 tão	
almejada justiça.
Tenha em mente
 A investigação criminal é um evento único, indivisível, que tem início com a “notitia criminis”, e en-
cerramento, com o trânsito em julgado da sentença penal (ou ainda, segundo alguns doutrinadores, não se 
encerra,	pois	a	qualquer	momento	poderá	ocorrer	a	revisão	criminal),	cujo	sucesso	depende,	além	de	outros	
fatores,	do	nível	de	interação	existente	entre	os	profissionais	que	integram	as	instituições	de	segurança	pú-
blica, pois é a partir da observação inicial deles, em especial nos locais de crime, que os primeiros elementos 
probatórios serão detectados.
 
 A idoneidade de um local de crime, por contemplar, mesmo que implicitamente, grande parte das 
respostas	necessárias	para	a	reconstrução	de	um	delito,	exigirá	do	profissional	de	segurança	pública	conhe-
cimento técnico que o habilite a:
 Adotar as primeiras providências de proteção e isolamento.
	 Efetivar	as	medidas	preservacionistas,	a	obtenção	de	dados	e	informações	que	subsidiarão	a	investi-
gação preliminar.
	 Isso	possibilitará	a	construção	das	primeiras	hipóteses	para	a	explicação	do	delito	e,	consequente-
mente, com o seguimento da investigação, o desenvolvimento de um planejamento operacional capaz de 
testar,	com	eficiência,	as	linhas	investigativas	eleitas.
 Para que a atividade investigativa obtenha êxito, não se pode mais ver o crime apenas como um fato 
pretérito,	estático,	mas	sim	como	algo	dinâmico,	cujo	“modus	operandi”	ultrapassou,	e	muito,	a	simplicidade	
dos antigos batedores de carteira e dos pequenos golpistas.
 Hoje, com base nos avanços tecnológicos, na globalização e na facilidade de comunicação, existe 
uma	complexa	rede	de	relações,	a	qual	busca	obter,	pelos	meios	que	se	fizerem	necessários,	o	maior	volume	
possível de vantagens ilícitas.
 Atente-se para o fato de que o grau de complexidade das condutas perpetradas por essas novas 
organizações	criminosas,	estruturadas	e	voltadas	à	prática	de	crimes,	muitas	delas	sob	o	manto	de	uma	fa-
laciosa	legalidade	e	sob	a	proteção	(ou	participação	direta)	de	profissionais	públicos	e	políticos,	exige	dos	
integrantes das equipes de investigação o conhecimento e a utilização de técnicas especiais de investigação, 
e mais, requer também uma efetiva e eficaz interação	entre	os	profissionais	de	segurança	pública	na	busca	
APRESENTAÇÃO
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de	dados	e	informações	qualificados,	capazes	de	fazer	aflorar	elementos	de	prova	ardilosamente	ocultados.
 
Nesse	diapasão,	ratificando	a	impossibilidade	de	conter	a	ação	dessas	organizações	criminosas	apenas	com	
a	utilização	de	técnicas	convencionais,	a	Organização	das	Nações	Unidas,	por	meio	da	Convenção das Na-
ções Unidas contra o Crime Organizado Transnacional	(Decreto	nº	5.015/04)	e	a	Convenção das Nações 
Unidas contra a Corrupção	(Decreto	nº	5.687/06),	propõe	que	os	Estados-partes,	entre	eles	o	Brasil,	utilizem	
técnicas especiais de investigação como:
 Mormente a entrega vigiada; 
	 A	infiltração;
 A vigilância eletrônica;
	 A	quebra	de	sigilo	fiscal	e	bancário;
 A interceptação telefônica.
 Essas	técnicas	têm	a	finalidade	de	detectar,	confirmar,	prevenir	ou	reprimir	atividades	criminosas	dis-
persadas e dissimuladas entre atividades aparentemente lícitas.
Assim,	não	há	dúvidas	de	que	o	processo	de	desenvolvimento	da	investigação	criminal	(antes	baseado	no	
empirismo	e	na	intuição)	corresponde	ao	desencadeamento	para	a	produção	do	conhecimento	científico,	
pois	tal	como	uma	pesquisa	científica,	é	movido	por	um	raciocínio	lógico	e	ordenado,	sendo	ele:
 Iniciado	após	a	eclosão	da	prática	delitiva	(problema);
	 Passando	pela	obtenção	de	dados	e	 informações	preliminares	 (elementos	objetivos	e	 subjetivos),	os	quais	
levarão	à	produção	de	hipóteses	testáveis	que,	além	de	explicar	os	fatos	que	compõem	o	fenômeno	investigado,	per-
mitirão	a	produção	de	conclusões;
 E,	ao	final,	de	uma	teoria	a	qual	 irá	municiar	o	 julgador	de	elementos	probatórios	que	fundamentarão	sua	
decisão.
	 Esse	processo	de	produção	e	de	valorização	do	conhecimento,	por	força	de	sua	natureza	explora-
tória,	dá	conotação	bidimensional	à	investigação	criminal,	isso	ao	proteger e limitar direitos, criando uma 
conexão	dos	fundamentos	constitucionais	de	cidadania	e	de	respeito	à	dignidade	da	pessoa	humana	com	a	
produção de provas.
 Todavia, essa busca incessante pelo esclarecimento da autoria e da materialidade de delitos não é 
algo	desenfreado	e	sem	limites,	pelo	contrário,	para	que	os	elementos	objetivos	e	subjetivos	produzidos	
durante a investigação preliminar e de seguimento possuam valor probatório, necessariamente devem estar 
alicerçados em princípios, dentre os quais podemos destacar:
 A legalidade; 
 A moralidade; 
 A probidade; 
 A impessoalidade; 
	 A	eficiência.
	 Essa	riqueza	de	temas,	por	sua amplitude e complexidade,	será	abordada	no	curso	de	Investigação	
Criminal em duas unidades,	cada	uma	com	60horas,	sendo	a	primeira	focada	em	conteúdos	teóricos,	e	a	se-
gunda,	práticos,	todos	ligados	à	investigação	criminal,	e	para	que	haja	uma	sequência	lógica	no	aprendizado,	
a	segunda	unidade	terá	como	requisito	a	conclusão	da	primeira.
	 Viva	com	emoção	este	curso.	Reflita	sobre	os	temas	abordados.	Promova	novas	pesquisas	e	aplique	
esses	conhecimentos,	com	entusiasmo	e	respeito,	aos	desafios	do	ofício	de	apurar	infrações	penais.
Excelentes	estudos!
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Objetivos do curso
 
Este curso criará condições para que você possa:
 
 Compreender a concepção de segurança pública como tutora de direitos e garantias fundamentais, 
instrumento de defesa da cidadania;
	 Definir	investigação	criminal	e	suas	finalidades	como	processo	científico;
 Listar sistemas de investigação criminal e as modalidades segundo o momento de sua execução;
 Listar os princípios constitucionais que regem a investigação criminal sob o aspecto normativo, rela-
cionando-os com os princípios operacionais e os atos que controlam a investigação criminal
	 Descrever	os	valores	fundamentais	da	Constituição	da	República	Federativa	do	Brasil	garantidores	do	
respeito	à	dignidade	do	investigado;
 Aplicar as normas legais de controle da efetividade da busca de elementos objetivos e subjetivos pela 
investigação criminal;
	 Formular	o	problema	em	uma	investigação	criminal;
	 Elaborar	e	testar	hipóteses	indicativas	das	circunstâncias	e	autoria	de	um	crime;
	 Listar	os	atributos	e	as	atitudes	exigidas	ao	profissional	da	investigação	criminal	para	superar	a	frag-
mentação da investigação criminal;
	 Demonstrar	como	se	processa	a	interdisciplinaridade	na	investigação	criminal;
	 Definir	prova	e	compreender	a	proposta	doutrinária	dos	cuidados	a	serem	tomados	para	valorização	
da prova; 
 Aplicar a ordem lógica da investigação criminal para demonstrar a credibilidade e validade das infor-
mações	que	compõem	a	prova.
Estrutura do Curso
Buscando	dar	efetividade	aos	objetivos	citados,	a	presente	unidade	será	composta	de	oito	módulos,	cuja	
estrutura é a seguinte:
 Módulo 1 - A investigação criminal como instrumento de defesa da cidadania
 Módulo 2 - Investigação criminal: aspectos conceituais
 Módulo 3 - Investigação criminal: princípios fundamentais
	 Módulo	4	-	Fundamento	legal	da	investigação	criminal
	 Módulo	5	-	A	lógica	aplicada	à	investigação	criminal
	 Módulo	6	-	Perfil	profissional	do	integrante	da	equipe	de