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Criminal, Penal 2019

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para o fim de praticar, reiteradamente ou não, qualquer dos crimes previstos nos arts. 33, caput (tráfico de drogas), e 34 (tráfico de maquinário) desta Lei. [...] Tipo Subjetivo – É o dolo (animus associativo), aliado ao fim específico de traficar drogas ou maquinário. [...] ‘Para o reconhecimento do crime previsto no art. 14 da Lei 6.368/76 [atual 35], não basta a convergência de vontades para a prática das infrações constantes dos arts. 12 e 13 [atuais arts. 33 e 34]. É necessário, também, a intenção associativa com a finalidade de cometê-las, o dolo específico’ [...]" (Lei de Drogas Comentada. 2. ed., São Paulo: Revista dos Tribunais, 2007, p. 204/205)
 	Com a mesma sorte de entendimento leciona Guilherme de Souza Nucci que:
“Exige-se elemento subjetivo do tipo específico, consistente no ânimo de associação, de caráter duradouro e estável. Do contrário, seria um mero concurso de agentes para a prática do crime de tráfico. Para a configuração do delito do art. 35 (antigo art. 14 da Lei 6.368/76) é fundamental que os ajustes se reúnam com o propósito de manter uma meta comum." (Leis Penais e Processuais Penais Comentadas. 6ª. ed. São Paulo: RT, 2012, vol. I, p. 273)”
 		Para que se legitime a imposição da sanção correspondente pelo cometimento do delito em questão (art. 35), a lei exige mais do que o exercício do tráfico em integração pelos criminosos, porquanto em tal situação, a conduta de cada qual, sem um animus específico e duradouro de violar os arts. 33 e 34 da Lei de Tóxicos, evidencia, em tese, unicamente a co-autoria.
APELAÇÕES CRIMINAIS. LEI DE TÓXICOS. ARTS. 33, CAPUT, 33, § 1º, E 35, CAPUT, DA LEI, NA FORMA DO ART. 69 DO CP. 
Nulidade da sentença. Descabimento. Inocorrência de vícios. Fixação da pena no patamar mínimo. Impossibilidade. Duas circunstâncias desabonadoras. Causa especial de diminuição do art. 4º do art. 33. Inaplicabilidade. Condenações anteriores transitadas em julgado. Materialidade do crime de tráfico. Farta prova pericial. Não caracterização do animus associativo. Ausência de prova robusta para configurar a associação para o tráfico. In dubio pro reo. Absolvição dos apelantes no tipo do art. 35. Conversão de pena, para restritiva de direitos. Não preenchimento de todos os requisitos do art. 44 do CP. Apelos conhecidos e parcialmente providos. (TJRR - ACr 0010.10.017078-5; Rel. Des. Mauro Campello; DJERR 27/02/2013; Pág. 20)
EMBARGOS INFRINGENTES E DE NULIDADE CRIMINAIS. ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO. ABSOLVIÇÃO. VIABILIDADE. ACERVO PROBATÓRIO INSUFICIENTE PARA SUSTENTAR UM DECRETO CONDENATÓRIO. PREVALÊNCIA DO VOTO MINORITÁRIO. ACÓRDÃO REFORMADO. SENTENÇA MANTIDA. 
1. O crime de associação para o tráfico de drogas, previsto no artigo 35 da Lei n. 11.343/2006, exige, para a sua caracterização, a associação estável e permanente de dois ou mais agentes, agrupados com a finalidade de praticar, reiteradamente ou não, qualquer dos crimes previstos no artigo 33, " caput" e § 1º, e artigo 34, do mesmo diploma legal. 
2. Na hipótese, não havendo provas do animus associativo, de caráter estável e duradouro, entre os embargantes e os co-denunciados, viável o pleito absolutório quanto ao delito de associação para o tráfico. 
3. Embargos infringentes e de nulidade criminais conhecidos e providos. (TJDF - Rec 2009.01.1.092113-2; Ac. 652.686; Câmara Criminal; Rel. Desig. Des. Jesuíno Rissato; DJDFTE 15/02/2013; Pág. 49)
APELAÇÃO CRIMINAL. TRÁFICO DE DROGAS E ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO. CONDENAÇÃO NOS TERMOS DO ART. 33, CAPUT, DA LEI Nº 11.343/06. SUBSTITUIÇÃO DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE POR RESTRITIVAS DE DIREITO. FIXAÇÃO DE REGIME PARA O CUMPRIMENTO DA PENA. 
1 - Se os elementos informativos colhidos durante a fase inquisitorial e confirmados pelas provas jurisdicionalizadas são suficientes para comprovar a materialidade e autoria do crime descrito no artigo 33, caput, da Lei n. 11.343/06, a condenação é medida impositiva. 
2. Não havendo provas que demonstrem a existência do animus associativo, ou seja, o ajuste prévio e duradouro entre os agentes para a prática de determinado crime de tráfico de drogas, a manutenção da absolvição pelo referido delito é medida impositiva. 
3. Atendidos os requisitos descritos no artigo 44 e incisos do Código Penal, cabível a substituição da pena privativa de liberdade por restritivas de direitos para condenados por tráfico de drogas, porquanto a resolução n. 5, de 2012, do Senado Federal suspendeu a execução da expressão "vedada a conversão em pena restritivas de direitos" do § 4º do art. 33 da Lei n. 11.343, de 23 de agosto de 2006, declarada inconstitucional por decisão definitiva do supremo tribunal federal nos autos do habeas corpus nº 97.256/ RS. 
4. Ante a aplicação da causa especial de diminuição da pena, descrita no artigo 33, § 4º, da Lei antidrogas e a substituição da reprimenda por restritivas de direitos, o regime de cumprimento da pena deve ser fixado no aberto em homenagem ao princípio da proporcionalidade. 
5- recurso conhecido e parcialmente provido. (TJGO - ACr 33249-61.2011.8.09.0023; Caiapônia; Rel. Des. J. Paganucci Jr.; DJGO 11/01/2013; Pág. 393)
APELAÇÃO CRIMINAL. SENTENÇA CONDENATÓRIA EM RELAÇÃO AOS CRIMES PREVISTOS NOS ARTIGOS 33, CAPUT, E 35, DA LEI Nº 11.343/06 (SISTEMA NACIONAL DE POLÍTICAS PÚBLICAS SOBRE DROGAS). ALEGAÇÃO DE SUPOSTA FRAGILIDADE DE PROVAS PARA CONDENAÇÃO. MATERIALIDADE E AUTORIA COMPROVADAS EM RELAÇÃO AO DELITO PREVISTO NO ARTIGOS 33, DA REFERIDA LEI. ABSOLVIÇÃO EM RELAÇÃO AO CRIME DE TRÁFICO DE DROGAS. REFORMA PARCIAL DA SENTENÇA. RECURSO CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO. 
No caso dos autos, ausente o elemento subjetivo do tipo específico, consistente no ânimo de associação, de caráter duradouro e estável, ou seja, não basta apenas a convergência de vontades, sendo necessária a intenção associativa para o tráfico de drogas, o que não restou comprovado. Para a caracterização do crime de associação para o tráfico (art. 35 da Lei nº 11.343/06) é indispensável a existência do animus específico por parte dos envolvidos em se associarem para, reiteradamente ou não, praticarem o crime de tráfico. O dolo específico dos agentes tem que ser no sentido de formação de uma associação estável e permanente para o fim de tráfico, seja ele eventual ou reiterado. (TJSE - ACr 2011318760; Ac. 19196/2012; Câmara Criminal; Rel. Des. Luiz Antônio Araújo Mendonça; DJSE 08/01/2013; Pág. 21)
4 – DA NECESSIDADE DO EXAME DE DEPENDÊNCIA TOXICOLÓGICA
	
	Colhe-se do depoimento prestado pelo Acusado(fls. ) perante a Autoridade Policial, que o mesmo declarou-se viciado em droga, mais especificamente no “Crack”, droga esta que encontrava-se em seu poder para consumo. 
	Tal droga inegavelmente diminui a capacidade de qualquer indivíduo entender o caráter ilícito da conduta ora apurada. E foi o caso do Acusado, o qual há anos é dependente químico desta droga e, por conta disto, já não mais reponde à sua capacidade intelectual e volitiva de obstar a utilização da droga. Resultou que esta incapacidade de dominar seus impulsos o fizesse a cometer o delito de usar a droga para satisfazer o impetro desenfreado de saciar este impulso. 
	O Acusado não foi capaz, á época dos fatos narrados da denúncia, de minimamente compreender a ilicitude do consumo desta droga. Estava totalmente dominado e o campo cognitivo devastado pela nefasta droga do “Crack”. 
	Não se questiona se o Acusado é ou não dependente. O que se busca com referida prova é: DEMONSTRAR QUE O MESMO ERA INIMPUTÁVEL, VISTO QUE ERA INCAPAZ DE VERIFICAR LUCIDAMENTE A ILICITUDE DO DELITO PERPETRADO. 
 		Destarte, para que tal pleito não reste prejudicado pela preclusão, de logo o Acusado formula o pedido de produção de provas, qual seja o exame de dependência toxicológica, de sorte a provar que o Acusado não detinha à época dos fatos o completo entendimento da ilicitude perpetrada.
HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. REALIZAÇÃO DE