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Criminal, Penal 2019

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à execução. Deve a conduta individual influir efetivamente no resultado. 
De fato, a participação inócua, que em nada concorre para a realização do crime, é irrelevante para o Direito Penal. “ (MASSON, Cléber Rogério. Direito Penal Esquematizado. 3ª Ed. São Paulo: Método, 2010, vol. 1. Pág. 482)
( sublinhamos )
 				Outrossim, ainda comentando acerca dos requisitos do concurso de pessoas, desta feita quanto ao vínculo subjetivo de vontades, professa o mesmo autor in verbis:
“ 	Esse requisito, também chamado de concurso de vontades, impõe estejam todos os agentes ligados entre si por um vínculo de ordem subjetiva, um nexo psicológico, pois caso contrário não haverá um crime praticado em concurso, mas vários crimes simultâneos. “ (Ob. e aut. cits., pág. 482)
 				Com a mesma sorte de entendimento, leciona Cezar Roberto Bitencourt que:
“ 	O concurso de pessoas compreende não só a contribuição causal, puramente objetiva, mas também a contribuição subjetiva, pois, como diz Soler, ‘participar não quer dizer só produzir, mas produzir típica, antijurídica e culpavelmente’ um resultado proibido. É indispensável a consciência de vontade de participar, elemento que não necessita revestir-se da qualidade de ‘acordo prévio’, que, se existir, representará apenas a figura mais comum, ordinária, de adesão de vontades a realização de uma conduta delituosa pode faltar no verdadeiro autor, que, aliás, pode até desconhecê-lo, ou não desejá-la, bastante que o outro agente deseje aderir à empresa criminosa. Porém, ao partícipe é indispensável essa adesão consciente e voluntária, não só na ação comum, mas também no resultado pretendido pelo autor principal. “
( . . . )
“b) Relevância causal de cada conduta
 	A conduta típica ou atípica de cada participante deve integrar-se à corrente causal determinante do resultado. Nem todo comportamento constitui ‘participação’, pois precisa ter ‘eficácia causal’, provocando, facilitando ou ao menos estipulando a realização da conduta principal. 
( . . . )
c) Vínculo subjetivo entre os participantes
 	Deve existir também, repetindo, um liame psicológico entre os vários participantes, ou seja, consciência de que participam de uma obra comum. A ausência desse elemento psicológico desnatura o concurso eventual de pessoas, transformando-o em condutas isoladas e autônomas. ‘Somente adesão voluntária, objetiva (nexo causal) e subjetiva (nexo psicológico), à atividade criminosa de outrem, visando à realização do fim comum, cria o vínculo do concurso de pessoas e sujeita os agentes à responsabilidade pelas consequências da ação. 
O simples conhecimento da realização de uma infração penal ou mesmo concordância psicológica caracterizam, no máximo, ‘conivência’, que não punível, a título de participação, se não constituir, pelo menos, alguma forma de contribuição causal, ou, então, constituir, por si mesma, uma infração típica. “ (BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de Direito Penal. 16ª Ed. São Paulo: Saraiva, 2011, vol. 1. Págs. 483-484-485)
 				
 				A propósito, salientamos os seguintes julgados:
APELAÇÃO FURTO QUALIFICADO PELO CONCURSO DE PESSOAS, ESCALADA E ROMPIMENTO DE OBSTÁCULO (ART. 155, § 4º, INCS. I, II E IV, CP) CONDENAÇÃO RECURSO DEFENSIVO ABSOLVIÇÃO PRETENDIDA DESCABIMENTO MATERIALIDADE E AUTORIA DELITIVA DEVIDAMENTE COMPROVADAS RÉU QUE ADMITIU A PRÁTICA DO DELITO CONFISSÃO AMPARADA NOS DEPOIMENTOS DOS INVESTIGADORES RESPONSÁVEIS PELA DILIGÊNCIA APELANTE QUE RELATOU DE FORMA DETALHADA A AÇÃO DELITIVA, EM AMBAS AS ETAPAS DA PERSECUÇÃO PENAL CIRCUNSTÂNCIAS DO CRIME QUE RATIFICAM A CONFISSÃO OFERTADA PELO RECORRENTE CONDENAÇÃO DE RIGOR. QUALIFICADORAS DE ESCALADA E ROMPIMENTO DE OBSTÁCULO ATESTADAS POR LAUDO NECESSÁRIO O AFASTAMENTO DO CONCURSO DE PESSOAS CORRÉUS ABSOLVIDOS PELO DELITO, POR INSUFICIÊNCIA DE PROVAS AUSÊNCIA DE LIAME SUBJETIVO NECESSÁRIO AO RECONHECIMENTO DA QUALIFICADORA MENCIONADA. DOSIMETRIA PENA-BASE FIXADA NO DOBRO NECESSÁRIA REDUÇÃO DO PATAMAR, FRENTE AO AFASTAMENTO DO CONCURSO DE PESSOAS ACRÉSCIMO DE ½ QUE SE MOSTRA SUFICIENTE REPRIMENDA REDUZIDA. 
Pedido subsidiário por uma maior diminuição por conta da semi-imputabilidade Impossibilidade Laudo que atestou não estar prejudicado o entendimento do acusado Depoimento da vítima, afirmando que nunca notou qualquer debilidade mental por parte do réu Redução no patamar mínimo que se mostrou acertada Requerimento pelo reconhecimento do privilégio Acolhimento Apelante primário e de pequeno valor os bens subtraídos Qualificadoras de cunho objetivo Requisitos preenchidos Substituição da pena de reclusão pela de detenção. Frente à nova reprimenda, necessário o reconhecimento, de ofício, da prescrição da pretensão punitiva estatal Lapso temporal verificado entre o recebimento da denúncia e a publicação da r. Sentença recorrida, ainda que descontado o período em que ficou o processo suspenso Extinção da punibilidade. Recurso parcialmente provido, declarada extinta, de ofício, a punibilidade do réu. ". (TJSP - APL 0002399-82.2005.8.26.0145; Ac. 6426800; Conchas; Quarta Câmara de Direito Criminal; Rel. Des. Salles Abreu; Julg. 18/12/2012; DJESP 14/01/2013)
APELAÇÃO PENAL. ROUBO QUALIFICADO. EMPREGO DE ARMA. CONCURSO DE PESSOAS. SENTENÇA CONDENATÓRIA. DESCLASSIFICAÇÃO PARA ROUBO TENTADO. O CRIME NÃO TERIA SE CONSUMADO, VISTO QUE OS BENS SUBTRAÍDOS FORAM RECUPERADOS PELA VÍTIMA E O APELANTE NÃO TEVE A POSSE TRANQUILA DA RES FURTIVA. IMPOSSIBILIDADE. BREVE OBTENÇÃO DA RES FURTIVA. DESNECESSIDADE DA SAÍDA DO BEM DA ESFERA DE VIGILÂNCIA DA VÍTIMA. EXCLUSÃO DA MAJORANTE DO EMPREGO DE ARMA. AUSÊNCIA DE LAUDO PERICIAL QUE ATESTE A POTENCIALIDADE LESIVA DA ARMA APREENDIDA. PRESCINDIBILIDADE. OUTROS MEIOS DE PROVA COMPROVAM SUA UTILIZAÇÃO NA EXECUÇÃO DO CRIME. PALAVRA DA VÍTIMA E DAS TESTEMUNHAS. EXCLUSÃO DA MAJORANTE RELATIVA AO CONCURSO DE PESSOAS. AUSÊNCIA DE LIAME SUBJETIVO ENTRE OS ENVOLVIDOS. IMPOSSIBILIDADE. PARTICIPAÇÃO DE MENOR IMPORTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. COMPROVADA A PARTICIPAÇÃO EFETIVA DO RÉU PARA CONSUMAÇÃO DO ASSALTO. RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO. DECISÃO UNÂNIME. 
1. Não há como se admitir a almejada desclassificação para a forma tentada, uma vez que o crime de roubo consuma-se com a simples posse, ainda que breve, da coisa alheia móvel, subtraída mediante violência ou grave ameaça, de maneira que, se o meliante já se encontra em fuga, ainda que perseguido logo após a prática do delito, ele obviamente já fez cessar o poder de fato da vítima sobre a coisa, tendo-a para si. Ademais, o entendimento doutrinário e jurisprudencial dominante é no sentido de que, ainda para a consumação do roubo, é dispensável o critério da saída da coisa da chamada esfera de vigilância da vítima. 
2. É dispensável também a apreensão da arma ou a realização de perícia para a caracterização da supracitada causa de aumento prevista no art. 157, §2º, inciso I, do CP, quando existem, nos autos, outros elementos de prova que demonstrem sua efetiva utilização no crime. 
3. Apesar de a defesa sustentar que não há provas suficientes do vínculo psicológico entre os agentes com o intuito da prática delituosa, verifica-se que o conjunto probatório contido nos autos indica que o apelante praticou o assalto em conjunto com um adolescente. 
4. A participação de menor importância, causa geral de diminuição de pena prevista no art. 29, tem aplicação apenas nos casos de participação, não incidindo nos casos de coautoria, em que há atuação decisiva de todos os agentes na execução do delito, auxiliando tanto na subtração dos bens, quanto na ameaça e intimidação da vítima, como ocorreu na hipótese em julgamento, em que o réu, ora apelante, teve função fundamental na retirada dos bens da posse da vítima. (TJPA - APL 20123002416-3; Ac. 115177; Paragominas; Primeira Câmara Criminal Isolada; Relª Desª Vânia Lúcia Silveira Azevedo da Silva; Julg. 11/12/2012; DJPA 17/12/2012; Pág. 216)
4 - SUBSIDIARIAMENTE