Buscar

Dermatologia Veterinária (UAM)

Faça como milhares de estudantes: teste grátis o Passei Direto

Esse e outros conteúdos desbloqueados

16 milhões de materiais de várias disciplinas

Impressão de materiais

Agora você pode testar o

Passei Direto grátis

Faça como milhares de estudantes: teste grátis o Passei Direto

Esse e outros conteúdos desbloqueados

16 milhões de materiais de várias disciplinas

Impressão de materiais

Agora você pode testar o

Passei Direto grátis

Faça como milhares de estudantes: teste grátis o Passei Direto

Esse e outros conteúdos desbloqueados

16 milhões de materiais de várias disciplinas

Impressão de materiais

Agora você pode testar o

Passei Direto grátis

Você viu 3, do total de 51 páginas

Faça como milhares de estudantes: teste grátis o Passei Direto

Esse e outros conteúdos desbloqueados

16 milhões de materiais de várias disciplinas

Impressão de materiais

Agora você pode testar o

Passei Direto grátis

Faça como milhares de estudantes: teste grátis o Passei Direto

Esse e outros conteúdos desbloqueados

16 milhões de materiais de várias disciplinas

Impressão de materiais

Agora você pode testar o

Passei Direto grátis

Faça como milhares de estudantes: teste grátis o Passei Direto

Esse e outros conteúdos desbloqueados

16 milhões de materiais de várias disciplinas

Impressão de materiais

Agora você pode testar o

Passei Direto grátis

Você viu 6, do total de 51 páginas

Faça como milhares de estudantes: teste grátis o Passei Direto

Esse e outros conteúdos desbloqueados

16 milhões de materiais de várias disciplinas

Impressão de materiais

Agora você pode testar o

Passei Direto grátis

Faça como milhares de estudantes: teste grátis o Passei Direto

Esse e outros conteúdos desbloqueados

16 milhões de materiais de várias disciplinas

Impressão de materiais

Agora você pode testar o

Passei Direto grátis

Faça como milhares de estudantes: teste grátis o Passei Direto

Esse e outros conteúdos desbloqueados

16 milhões de materiais de várias disciplinas

Impressão de materiais

Agora você pode testar o

Passei Direto grátis

Você viu 9, do total de 51 páginas

Faça como milhares de estudantes: teste grátis o Passei Direto

Esse e outros conteúdos desbloqueados

16 milhões de materiais de várias disciplinas

Impressão de materiais

Agora você pode testar o

Passei Direto grátis

Prévia do material em texto

Clínica de Pequenos Animais II
Prof° Bruno Longo, Profa. Rita Carmona e Profa. Elaine
7° SEMESTRE
DERMATOLOGIA
Aula 1 – 11/02/2020
Semiologia da Pele
O meio semiológico mais importante é a inspeção externa. A palpação é usada quando há aumento de volume cutâneo, para verificar consistência (dura, mole ou flutuante).
A olfação pode auxiliar, pois existem odores específicos como o pênfigo (quando o individuo produz anticorpos e sua pele passa a “derreter” como se estivesse sendo queimado, e a literatura descreve o odor como o de “ninho de ratos”, cada pessoa possui uma memoria olfativa, portanto, este meio não é essencial mas pode auxiliar.
Ocorrência
Sarna demodécica, dermatofitose, escabiose = Animais jovens
Dermatopatias alérgias = Qualquer idade
Dermatofitose = Yorkshire, gato Persa
Anamnese
Questionar antecedentes do animal (de onde ele veio por ex);
Classificar que se a afecção é pruriginosa ou não, estabelecendo escala visual de prurido (0 a 10), até nota 3 não é considerado importante, podendo ser fisiológico, ultrapassando esse grau, pode-se considerar patológico, que deve ser classificado em leve, moderado ou agressivo, além de localizado ou generalizado;
É importante verificar se há doença primária em outros sistemas, porque podem haver alterações tegumentares em decorrência de HAC, por exemplo (que causa rarefação pilosa bilateral simétrica e telangectasia). 
Telangectasia 
Exame Físico
Inspeção: Verificar a pelagem, se há falhas e onde estão. Cães como pinscher ou pugs, de pelagem rala, podem ter queda fisiológica. 
Alguns animais podem nascer com alopecia congênita, que não é tratavel. 
Rarefação apenas no dorso onde ele deveria ser cinza, chama-se alopecia por diluição de cor, onde a região de pelame negro tem alteração no folículo piloso e este cai. Onde há pelos mais claros, não cai. Não tem tratamento.
Pele ictérica = Doença metabólica
Pele cianótica = Processo cardiorespiratório
Hiperemia = Alteração/Inflamação sistêmica
Pele Pálida = Anemia ou choque hipovolemico 
Termos semiológicos da Dermatologia
1) Distribuição
Localizada
· No máximo 5 pequenas lesões
· Mais aguda
Disseminada 
· Acima de 5 lesões que ocupem até 50% do corpo
Generalizada
· Mais de 50% do corpo ocupado 
· Cronica 
2) Topografia
Assimétrica 
· Lesão única ou em locais diferentes
Simétrica
· Acomete os dois lados perpendiculares de forma simétrica
A simetria pode trazer informações:
· Um animal alérgico com prurido excessivo, se coça e provoca lesões onde a pata alcança, podendo provocar lesões simétricas.
· Se o animal não apresenta prurido e ainda assim apresenta lesões simétricas, pode ser de caráter hormonal (HAC, provoca lesões simétricas bilaterais).
· Em lesões simétricas, se houver prurido, há indicativo de processo inflamatório, caso contrário, provável problema hormonal.
3) Configuração 
Circular 
· Forma de círculos;
· Ocorre em sarna demodécica, dermatofitose, piodermite e seborreia. 
· Comum em dermatofitose, demodicidose, piodermite;
 
Arciforme
· Forma uma espécie de arco;
· Geralmente causada por farmacodermias (resposta imunológica contra o próprio corpo provocada por fármacos) ou linfoma cutâneo. 
Iridiforme
· Parece um olho (iri de íris);
· Comum em dermatofitose, já que os fungos crescem do meio para as bordas, então, enquanto eles chegam nas bordas, o centro já está em recuperação;
Numular
· Como se houvesse uma moeda debaixo da pele;
· Histocitoma, mastocitoma
Linear
· Lesão reta;
· Comum em granuloma eosinofílico felino
Geográfica 
· Parece um mapa;
· Comum em dermatite pruriginosa (bicho-geográfico/larva migrans cutânea-zoonose)
Serpigiforme
· Lesão generalizada onde não é possível classificar
Profundidade
Classificar pela superficialidade/profundidade, se acomete camadas mais externas da pele ou se a lesão é profunda.
Superficial Profunda
4) Alterações de cor 
Eritema 
· Vermelhidão provocada por processo inflamatório;
· Rubor da inflamação;
· Ocorre quando há vasodilatação mediada pela histamina;
· É possível diferenciar da purpura realizando digitopressão, se for eritema, fica branco já que a vermelhidão e provocada por vasos dilatados, diferente da purpura, que é provocada pelo extravasamento das hemácias.
Púrpura
· Agressão cutânea mais evidente;
· Provocada por lesão severa (quando há agressão/bate em algum lugar), onde as hemácias extravasam;
· É possível diferenciar do eritema realizando digitopressão, se for eritema, fica branco já que a vermelhidão e provocada por vasos dilatados, diferente da purpura, que é provocada pelo extravasamento das hemácias;
· É possível classificar as “manchas” provocadas pela púrpura em petéquias (bolinhas vermelhas de ate 1cm), equimoses (bolinhas maiores que 1cm) ou vibices (púrpuras lineares).
Telangectasia
· Atrofia/”afinamento” da pele que faz com que as veias fiquem evidentes e azuladas;
· Comumente causada por hiperadrenocorticismo
Hipopigmentação/Hipocromia/Despigmentação/Acromia
· Falta de pigmento melanico provocado por doenças (Ex: vitiligo, onde animal sofre hipocromia e pode evoluir para acromia, onde a doença mata apenas os melanócitos OU Lupus, que mata a pele como um todo, matando melanócitos e em seguida a epiderme, causando perda tecidual)
 
 Cão com vitiligo Cão com lúpus
Hiperpigmentação/Melanodermia
· A pele hiperpigmentada torna-se enegrecida;
· Qualquer agressão física à pele, provoca maior produção de melanina, como sistema de defesa do corpo (um exemplo quando uma pessoa se expõe ao sol), então, geralmente é resultado de prurido crônico;
· Geralmente acompanhada de hiperqueratose (pele engrossa), justificada de sua origem (do prurido)
TIPOS DE LESÃO
Formações sólidas
São as “bolinhas”
Pápula
· Até 1 cm;
· Elevação sólida da pele;
· Comum em escabiose
Placa
· Até 2 cm;
· Geralmente evolução de pápulas; 
Nódulo
· Até 3 cm;
Tumor/Nodosidade
· 4 cm ou mais;
Toda lesão sólida tem um significado: Processo inflamatório, que pode ser de ordem infecciosa ou neoplásica.
Nódulo ulcerado = Lesão em goma, podendo ser micobacteriose cutanea ou infecção bacteriana rara, esporotricose, cryptococcus ou câncer. 
Vegetação/Verrucosidade
Espécie de verrugas, aspecto de couve flor;
TVT (Tumor vénereo transmissível);
Vegetação: Hemorrágica x Verrucosidade: Aspecto seco
Coleções Líquidas
Uma coleção líquida, são “bolinhas” com conteudo liquido em seu interior, podendo ser seroso, sanguinolento ou purulento.
Elas podem ser originadas de uma formação sólida posterior, exemplo: Na foliculite, a bacteria Staphylococcus se insere no folículo piloso, iniciando um processo inflamatorio/infeccioso, que origina uma pápula. No interior da pápula, as bactérias se replicam e na tentativa dos neutrófilos de combater o processo infeccioso, forma-se uma coleção de neutrófils degenerados=pus, formando então uma coleção líquida, chamada de PÚSTULA.
Coleções de PUS
Pústula
· Coleção de pus de até 1 cm; 
Abscesso 
· Coleção de pus de formação circunscrita de mais de 1 cm;
· Acompanha-se de calor, rubor, dor e, evolutivamente, apresenta flutuação central por liquefação do conteúdo purulento;
 
Flegmão
· Coleção de pus grande, não encapsulada e sem limites precisos.
· Geralmente acomete um membro todo;
Coleções serosas ou hemorrágicas 
Vesícula 
· Elevação com conteudo liquido de até 1 cm;
· O conteudo pode ser claro (serosidade) ou hemorrágico (sangue); 
· 
Bolha ou Flictena
· Lesão elementar de conteudo liquido (seroso, purulento ou hemorragico) maior que 1cm;
Hematoma
· Coleção de líquido hemorrágico (sangue) subcutâneo;
Em resumo:
Pouco de pus = pústula
- Bela quantidade de pus subcutâneo, geralmente com exposição = Abscesso
- Um membro inteiro tomado por uma lesão subcutânea = Flegmão (mais
comum em gato)
-Bolhinha PEQUENA serosa ou hemorrágica = vesícula
-Vesícula grande quetambém pode ter pus = bolha
- Coleção de sangue subcutâneo (ex: otohematoma) = Hematoma
Alterações de espessura
Provindas do aumento dos constituintes normais da derme ou da epiderme, podendo ser também pela presença de edema, infiltrados celulares, inflamatórios ou neoplásicos na derme.
Hiperqueratose/Ceratose
· Aumento da espessura da pele que se torna dura, áspera, muitas vezes amarelada;
· Cinomose causa hiperqueratose em coxim;
· *Escabiose causa hiperqueratose sem hiperpigmentação*
Liquenificação
· Espessamento da pele com acentuação dos sulcos e da cor normal da pele, provocando um aspecto “quadriculado” da superficie cutanea, causada pelo aumento da acantose;
· Aspecto de favo de mel;
Edema
· Aumento da espessura da pele depressível, causada pela presença de PLASMA na derme ou hipoderme;
· Teste de Godet será positivo;
Atrofia
· Diminuição da espessura da pele que se torna adelgaçada e pregueável; 
· Exemplo é a telangiectasia;
Perdas e reparações teciduais
Lesões elementares decorrentes da eliminação ou desrtruição patológica dos tecidos cutâneos.
Escamas (Descamação)
· Desprendimento da superfície cutanea por alterações de queratinização;
· São as famigeradas caspas;
· Posem ser furfuráceas/farináceo (parece farelo/farinha) ou micáceas (laminares);
· FURFUÁCEO E FARINÁCEO SÃO SINÔNIMOS;
Erosão
· Solução de continuidade superficial da pele por perda circunscrita da epiderme;
· Quando há reparação não fica cicatriz; 
· Há perda de epiderme, mas não chegou à musculatura;
Úlcera
· Solução de continuidade mais profunda da pele por perda circunscrita da epiderme e derme, podendo atingir tecidos mais profundos;
· Quando há reparação, forma-se cicatriz;
· Chega na musculatura;
Escoriações 
· Erosões LINEARES de origem traumática (resultantes de prurido)
Fístula
· Canal estreito na pele que drena foco de supuração ou necrose e elimina material purulento ou sanguinolento;
· Um abscesso que é furado, é uma fístula, porque ela é o canal que drena o material de dentro;
Crosta
· Crostas são resultantes do dessecamento de secreções que se formam em áreas de perdas teciduais.
· Elas podem ser:
· Melicéricas (serosidade ou pus)
· Hemorrágica/hemática (sangue)
· Necróticas (necrose)
 
Crosta Melicérica Crosta Hemorrágica Crosta necrótica
Colarinho epidérmico 
· Fruto do rompimento da pústula 
TERMOS 
Leito ungueal – onde a unha se insere no dígito
Pelo feltríquico – manchado de tanto o cachorro lamber, morder, etc.
Paroníquia – Inflamação do leito ungueal
Aula 2 – 18/02/2020 
Dermatopatias parasitárias
Sarnas
Sarna demodécica = Demodicidose, sarna folicular, sarna negra” (Demodex) Mais frequente
Sarna Sarcóptica = Escabiose (Sarcoptes Scabiei) baixa frequência, ocorre em ongs, periferias
Sarna otodécica = “Sarna de ouvido”, ocorre na orelha (Otodectes cynotis)
Sarna notoédrica = Escabiose de gato (Notoedres cati)
Ocorrência
Menos de um ano de idade
DEMODICIOSE
Sarna demodécica, sarna folicular, sarna pustular, sarna negra = SINONIMOS
NÃO é contagiosa. 
Agente: Ácaros Demodex Canis (+90% dos casos em cães) fica na camada córnea, mais externa
Demodex Injai (Único que apresenta quadro clinico um pouco diferente e tem morfologia alongada); fica na camada córnea, mais externa; acomete mais animais adultos em região dorsal.
Demodex Cornei
Demodex cyonis fica na camada córnea, mais externa
O Demodex canis faz parte da microbiota dos cães, então, está presente em todos desde o nascimento (transmitido pela mãe nas primeiras 16 horas de vida), porém, a sarna demodécica só se desenvolve quando a imunidade está baixa a ponto de permitir que haja proliferação.
Os motivos da imunossupressão podem variar:
· Genéticos (comum em pugs, bulls, lhasa, shihtzu, bulldog, pastor)
· Falha imunológica por situações de stress, doenças primárias (HAC mais comum, cinomose, leishmaniose, verminoses, hipotireoidismo, neoplasias)
· Medicações (corticoides ou quimioterápicos)
Em animais mais velhos, é necessário investigar causa base. Corticóide piora o quadro.
Mais comum em região de face e membros torácicos.
Anamnese
Pouco pruriginosa (prurido ocorre quando há piodermite secundária), rarefação pilosa, eritema, alopecia, inflamação (porque com o tempo eles passam a obstruir cada vez mais os folículos pilosos), posterior infecção bacteriana que provocará pústulas, que rompem o folículo e caem na derme, provocando lesões e granulomas, onde o organismo tentará expulsar e provocará fístulas e ulceração. Animal pode sofrer hiperpigmentação (por isso o nome sarna negra), faz edema em região de queixo, formando um “papo”, linfoadenomegalia, dor, apatia.
Regiões comumente acometidas: Periocular, interdigito. 
Fonte: arquivo pessoal
Diagnóstico
Parasitológico cutâneo
Métodos:
EPRC (Exame parasitológico do raspado cutâneo) – Coletar material em raspado profundo com lâmina de bisturi, colocar material coletado em uma lâmina+lamínula e analisar em microscópio. 
Fita adesiva: Escolher lesão inflamada, apertar (como se fosse espremer um cravo) para expor os parasitas, grudando a fita e levando a mesma para lâmina/microscópio para análise. Em 20% dos casos, apresenta falso negativo, portanto, caso dê negativo, recomenda-se realizar o raspado.
Parasitológico por decalque de exsudato: Caso o animal apresente perda tecidual excessiva, com muita umidade (exsudato) é possível encostar a própria lamina fazendo decalque e levando diretamente para análise microscópica. Apenas em casos avançados. 
>>>>>A RAÇA SHARPEI TEM PELE GROSSA E PODE APRESENTAR FALSO NEGATIVO, CASO DÊ NEGATIVO, NECESSÁRIO REALIZAR BIÓPSIA.<<<<<
	EPCR 100% fidedigno 
	Fita 80% fidedigna 
	PDC 100% fidedigno
Demodex canis faz parte da microbiota do cão, porém, em menor quantidade, portanto, se o animal não tiver sarna demodécica, é improvável que apresente algum no raspado.
TRATAMENTO 
Isoxazolinas são um grupo de medicamentos mais indicados para sarna demodécica, além de ser liberado para femeas lactantes.
	Fluralaner (Bravecto®): a cada 3 meses (MAIS USADO)
	Afoxalaner (Nexgard®): a cada 30 dias
	Sarolaner (Simparic®): a cada 35 dias
	Lotilaner (Credeli®): a cada 30 diaS
 
 OU
Lactonas macrocíclicas são um grupo de medicamentos pouco usados atualmente contra a sarna demodécica por sua inviabilidade (tratamento longo e frequente).
	Moxidectina a cada 3 dias por 3-6 meses
	Ivermectina diariamente por 4-6 meses
	Doramectina a cada 7 dias por 1-3 meses (subcutâneo)
IVERMECTINA E DORAMECTINA SÃO PROIBIDAS PARA AS RAÇAS PASTOR DE SHETLAND, SHEEPDOG, BORDER COLLIE, PASTOR AUSTRALIANO porque podem ultrapassar a barreira hematoencefálica e causar sintomas neurológicos levando à morte.
 +
Banhos semanais obrigatórios, usar Xampu Peróxido de Benzoila, lava folículos pilosos com “restos” de ácaro (queratolítico, desseborreico e bactericida).
Se a sarna estiver associada a infecção bacteriana (comum), inserir antibióticos:
Amoxicilina + Clavulanato de Potássio OU Cefalexina e Xampu bactericida (Clorexidine, Halogenado, Triclosan).
ESCABIOSE CANINA
É a sarna sacóptica, causada por agente que não faz parte da microbiota e é contagiosa. O parasita é redondo e fica na superfície da pele, passando a escavar galerias na camada córnea para depositar seus ovos, que após nascer, retornam para superfície. Ao escavar, a fêmea regurgita uma substancia que degrada a camada córnea, portanto causa reação de hipersensibilidade e é extremamente pruriginosa. Transmissível para humanos em 28% dos casos.
Ocorrência
Até 1 ano de idade 
Agente: Sarcoptes Scabiei
Anamnese
Tutor refere prurido intenso, em exame físico nota-se eritema, pode apresentar pápulas pela hipersensibilidade, hiperqueratose.
Regiões mais acometidas: regiões frias como abdômen, articulações, borda depavilhão auricular e extremidades.
Reação octopedal: Quando o pavilhão auricular é estimulado, o animal tenta coçar.
Diagnóstico
· EPRC (Exame parasitológico do raspado cutâneo) indica 50% de positividade (ou seja, não é tão fidedigno). Raspado deve ser superficial, método da fita é efetivo nesse caso (superficial). RASPADO DEVE SER FEITO EM PAVILHÃO AURICULAR. 
· Diagnóstico terapêutico: Excluir outras possibilidades e entrar com tratamento, se for responsivo = escabiose.Sarcoptes scabiei em micro 
Tratamento 
· SELAMECTINA = Revolution (MELHOR OPÇÃO) a cada 30 dias (geralmente resolve com uma ou duas aplicações) OU Advocate (semelhante à Revolution) a cada 15 ou 30 dias (geralmente 2 aplicações); 
· Bravecto a cada 3 meses ou Nexgard a cada 30 dias ou Simparic a cada 35 dias ou Credeli a cada 30 dias; (2ª opção);
· Moxidectina a cada 7 ou 14 dias/ Ivermectina a cada 7 ou 14 dias/ Doramectina cada 7 ou 14 dias (última opção);
· Tratar TODOS os contactantes (animais da casa) MESMO QUE NÃO ESTEJAM DOENTES;
· Cuidados com o ambiente: Limpar com água quente, ferro, etc (não gostam de calor);
· Corticoideterapia se necessário: Prednisona/Predinisolona 0,5 mg/kg/SID por 5 dias para conter reação de hipersensibilidade (especialmente se houver pápulas).
SARNA NOTOÉDRICA (FELINA)
Escabiose felina, causada por agente semelhante ao da escabiose canina (morfologicamente e em sua ação, também escava galerias e vive em camada córnea), é a doença equivalente em felinos, porém apresenta algumas diferenças em sintomas.
Ocorrência
Animais jovens, já que convivem em grupos e possuem menor imunidade.
Agente: Notoedris cati
Anamnese
Tutor refere AUSÊNCIA de prurido (mas pode apresentar incômodo), em exame físico nota-se eritema, hiperqueratose, reação de hipersensibilidade provocando pápulas e podem apresentar úlceras provocadas pela hiperqueratose na face. 
Regiões acometidas: Toda a face/cabeça.
Diagnóstico
· EPRC (Exame parasitológico do raspado cutâneo): realizar raspado na cabeça (com fita é efetivo porque o agente vive em camada superficial).
· História (animal com acesso à rua/contactantes)
· Diagnóstico terapêutico (começar o tratamento, se for efetivo=escabiose felina)
· Histopatológico não é efetivo. 
Notoedris cati em micro 
Tratamento
· SELAMECTINA = Revolution (MELHOR OPÇÃO) a cada 30 dias (geralmente resolve com uma ou duas aplicações) OU Advocate (semelhante à Revolution) a cada 15 ou 30 dias (geralmente 2 aplicações); 
· Bravecto a cada 3 meses ou Nexgard a cada 30 dias ou Simparic a cada 35 dias ou Credeli a cada 30 dias; (2ª opção);
· Moxidectina a cada 7 ou 14 dias/ Ivermectina a cada 7 ou 14 dias/ Doramectina cada 7 ou 14 dias (última opção);
· Tratar TODOS os contactantes (animais da casa) MESMO QUE NÃO ESTEJAM DOENTES;
· Cuidados com o ambiente: Limpar com água quente, ferro, etc (não gostam de calor);
· Corticoideterapia se necessário: Prednisona/Predinisolona 0,5 mg/kg/SID por 5 dias para conter reação de hipersensibilidade (especialmente se houver pápulas)
Aula 3 – 03/03/2020 
Dermatofitoses micóticas
Superficiais 
Dermatofitose 
Melasseziose
Profundas
Esporotricose
Criptococose
Ocorrência
Acomete mais animais jovens. Yorkshire e persa.
DERMATOFITOSE
São zoonoses, transmissão por contato direto ou indireto (por fâmites).
Causa eritema, é queratinofilo, por isso é superficial, cai no esporo e vai crescendo dos centros pras bordas, portanto provoca lesão arciforme. 
Agentes: 
Microsporum canis (PRINCIPAL) – Zoofilico (fica no animal), gatos podem ter mas são assintomaticos, acomete caes. 
Microsporum gypseum – Geofílico, fica no ambiente
Trichophyton mentagraphytes – Acomete mais roedores (comum em porquinho da india)
Anamnese 
Proprietário não refere prurido, em exame fisico identifica-se alopecia, crostas, escamas (coloração acinzentada), caracteristicas que chamamos de lesão suja, eritema, lesões podem ser circulares, geograficas, linear, irregulares de uma maneira geral.
As lesões sujas são características da dermatofitose, com caspas, crostas, etc, o que nos diferencia da piodermite, que é uma lesão mais “limpa” com pústulas.
Em animais, não provoca prurido, em humanos sim, prurido intenso. Na medicina humana, é usada pomada corticóide Trok (antifúngico+corticoide, que tira inflamação, diminui prurido e mata fungos), em animais, corticóide pode piorar.
Dermatofitose(microsporum canis)+malassezia+seborreia
Exames complementares: 
Exame direto (KOH): Pega um pêlo, coloca hidróxido de potassio (potassa), ao levar o para microscópio, os esporos fúngicos ou hifas (fungos) são visíveis “grudados” no pelo. Exame difícil de realizar, visualização difícil.
Luz de wood: Lâmpada estroboscópica emite frequencia de ondas eletromagnéticas que provoca reação com a parede celular do fungo, porque quando o ergosterol (substância da parede) entra em contato com a luz de wood, provoca uma fluorescência. A lampada deve ser acesa com 10 min de antecedência. PORÉM, essa reação só ocorre com Mycroporum canis, portanto, se for outro tipo de agente, pode haver falso negativo (Considerar que cerca de 95% dos casos são Mycrosporum canis), além de substancias como urina, alcatrão, saliva, shampoos, sulfeto de selenio, etc que podem provocar reação de fluorescência, provocando falso positivo.
Cultura fúngica (pelame e carpete): Busca pelos das bordas da lesão (com luva), coloca em tubo coletor universal, envia para laboratório, onde é realizado o meio de cultura (em meio Sabouraud ou Micosel). É possivel realizar coleta de pelos, guiada pela Luz de Wood.
Antes de coletar, é necessario perguntar historico, se o proprietario estiver usando sprays de cetoconazol ou pomadas, antissépticos ou shampoos antimicrobianos ( Terapia Previa) se não, pode haver falso negativo. 
Para coletar e enviar para cultura, também é possivel realizar técnica do carpete, onde mantemos pedaços de carpete autoclavados e esfregamos na lesão, levando o pedaço de carpete para a cultura)
Tecnica de Mackenzie: Quando não houver lesao, usar escova de dentes (barata, sem antifúngico), esfregar, pelos saem na escova, colocar eles no tubo, cortar as serdas. 
O ponto negativo da cultura fúngica, é que demoram de 25 a 30 dias para crescer, diagnóstico demorado. Enquanto isso, tratar animal com terapia tópica (Shampoo)
Dermatófito é BOLOR, não levedura. SE IDENTIFICAR MACROCONÍDIO no laudo do exame, não quer dizer nada, provavelmente são fungos do ambiente.
Aspecto cotonoso/algodão. Meio de cultura Sabouraud. 
SEMPRE COLETAR PÊLOS DA BORDA/PERIFERIA da lesão.
Raspado não identifica dermatofitose, só serve para sarna demodécica ou escabiose.
TRATAMENTO
O melhor tratamento é o sistêmico, entretanto, existem casos que não permitem (filhotes e gestantes por exemplo), nesse caso, a frequência de banhos é maior (2 a 3x na semana)
Tópicos
Xampus: Miconazol 2/3%, Cetoconazol2/3%, PVPI (iodo povidini, usado em grandes animais), Clorexidine 3%
MELHOR opção de xampu, é o Clorestein, que é Miconazol + Clorexidine em concentrações mais adequadas.
Creme/gel/loção/spray: Imidazóis (gel é melhor opção para lesões localizadas, não gruda)
Protocolo: Marcar retorno para daqui 30 dias, realizar teste de Mackenzie, se houver melhora, dar alta clinica (se o animal não apresentar lesão), se ainda houver, manter terapia e marcar 2° retorno para daqui 30 dias, realizar novo teste. Resistência rara. Indicar pelo menos 2 banhos por semana para animais que não podem fazer tratamento sistemico e associar ao spray (para lesão) + xampu (para o corpo todo), esses animais podem demandar tratamento mais demorado.
Sistêmicos
Griseofulvina (50 mg/kg/dia) Não é o mais indicado, por ser hepatotóxicos, porque age na proteína P450 no fungo, que também está presente nos hepatócitos, além de levar 5-8 semanas ou até apresentar cultura negativa, portanto sobrecarrega o fígado.
Cetoconazol (10-30 mg/kg/dia) 
Itraconazol (10 mg/kg/dia) 5-8 semanas. É o mais indicado, age no P450 EXCLUSIVOdo ergosterol (do fungo).
Terbinafina: Está em fase de teste.
Todos são teratogênicos, causam má formação se usados em prenhez. 
Protocolo: Marcar retorno para daqui 30 dias, realizar teste de Mackenzie, se houver melhora, dar alta clinica (se o animal não apresentar lesão), se ainda houver, manter terapia e marcar 2° retorno para daqui 30 dias, realizar novo teste. Resistência rara.
Recomendada associação de tratamento sistêmico + tópico. Nem toda lesão circular é dermatofitose.
Dermatite por Malassezia
A Malassezia é da microbiota, geralmente é secundária a outros processos (exemplo: ela se prolifera onde há hiperqueratose, se alimenta de sebo). Para se alimentar do sebo, elas soltam enzimas que inflamam e causam prurido, onde as glândulas sebáceas soltam mais sebo e esquentam, deixando o ambiente ainda mais propício para proliferação, então desequilibros tornam o ambiente favoravel, quando há seborreia, aumenta a produção de sebo e consequentemente, aparece a Malassezia. É possivel tratar com serominolítico (que acaba com a cera) e deixa o parasita sem alimento. 
Agente: Malassezia pachydermatis
Anamnese
Tutor refere prurido, em exame físico, nota-se alopecia, pavilhão auricular eritematoso sem pus=Malassezia, descamação, hiperpigmentação, lignificação, eritema. As lesões geralmente são autoinduzidas (ele causa por agressão física; lambedura/coceira)
A hiperqueratose é provocada pelo prurido (lesão física) 
Lesão hiperqueratótica, hiperpigmentada, bordeada de eritema, alopécica, simétrica (se dividir no meio os lados estão iguais).
Animal atópico que se lambe excessivamente (machucado faz parte do raspado, não conta), apresenta lesão generalizada, eritematosa, alopecica
Região de interdígito, dobras, etc, promovem ambiente propício para Malassezia, na imagem, animal apresenta eritema por lambedura, corticoide não adianta, necessário tratar malassezia. Se for associado à pus, há infecção bacteriana provavelmente pela lambedura, que traz bacilos da microbiota na boca, chamamos de piodermite mista.
 
MOG – Malassezia Overgrowth (Crescimento exagerado de Malassezia) promovido pelo microclima propício. Tratamos com xampu desseborreico, para agir no substrato (sebo) ao invés de tratar a Malassezia em si.
Pode ocorrer em casos raros, uma Malassezia primária por hiperssensibilidade ao fungo, como na imagem.
Diagnóstico
Citologia (Citofungoscopia): Técnica de swab - Umedecer swab com água torneiral para aumentar a transferência do swab para a lâmina, esfrega na lesão, esfrega na lamina limpa e seca, cora com panótico, seca, visualiza na microscopia (x100). 
A quantidade de Malassezia não é relevante, o que importa é correlacionar aos sintomas e tratamento (que dá certo ou não), que vai indicar o grau de gravidade, até porque ela faz parte da microbiota.
 
TRATAMENTO
Tópicos
Xampus: Miconazol 2/3%, Cetoconazol2/3%, PVPI (iodo povidini, usado em grandes animais), Clorexidine 3%
MELHOR opção de xampu, é o Clorestein, que é Miconazol + Clorexidine em concentrações mais adequadas.
Creme/gel/loção/spray: Imidazóis (gel é melhor opção para lesões localizadas, não gruda)
Protocolo: Marcar retorno para daqui 30 dias, realizar teste de Mackenzie, se houver melhora, dar alta clinica (se o animal não apresentar lesão), se ainda houver, manter terapia e marcar 2° retorno para daqui 30 dias, realizar novo teste. Resistência rara. Indicar pelo menos 2 banhos por semana para animais que não podem fazer tratamento sistemico e associar ao spray (para lesão) + xampu (para o corpo todo), esses animais podem demandar tratamento mais demorado.
Queratolitico desengordurante: Tira seborreia, tira hiperqueratose e afeta as condições que eram favoráveis para o fungo, consequentemente, acaba com a Malassezia. 
Sistêmicos (APENAS EM CASOS CRÔNICOS, RECIDIVOS)
Griseofulvina (50 mg/kg/dia) Não é o mais indicado, por ser hepatotóxicos, porque age na proteína P450 no fungo, que também está presente nos hepatócitos, além de levar 5-8 semanas ou até apresentar cultura negativa, portanto sobrecarrega o fígado.
Cetoconazol (10-30 mg/kg/dia) 
Itraconazol (10 mg/kg/dia) 15 dias, depois segunda e quinta. É o mais indicado, age no P450 EXCLUSIVO do ergosterol (do fungo).
Terbinafina: Está em fase de teste.
O tratamento mais indicado para dermatofitose por Malassezia é o de uso tópico, a menos que seja crônico/recidivo.
ESPOROTRICOSE
ZOONOSE, geofílico, vive na terra. Bolor em temperatura ambiente e levedura em temperatura corpórea. Para adquirir a doença, é necessário ser inoculado (que o fungo se insira em sua pele para causar a doença). Evolução rápida.
Os gatos adquirem arranhando tronco de árvores, brigando com outros gatos infectados (por isso é mais comum em região de face, geralmente se atacam no rosto). 70% dos tutores de gato adquirem a doença.
O fungo percorre pela via linfática e passam a formar tumores que ulceram, causando muita dor. Sinal de rosário é um indicativo patognomônico de esporotricose.
Anamnese
Tutor refere ausência de prurido (discutível, em paciente veterinário), dor, lesões ulceradas, goma. 
Diferenças notáveis entre criptococose: Lesão em ponte nasal mais comum em criptococose porque o meio de transmissão é respiratório, animal com acesso à rua mais comum em esporo, tempo de evolução (crypto demora meses, esporo tem evolução rápida), gatos não castrados tem mais chances de ter esporotricose porque brigam, lesões em região de face mais comuns em esporo porque brigam e se atacam em face.
Agente: Sporothrix schenckii
Sporothrix braziliensis (comum no Brasil, está dentro do grupo schenckii)
Diagnóstico
Citologia: Como é profundo, é necessário que se escarifique a lesão (com ajuda de escova vaginal). A morfologia do sporothrix lembra um kibe. Pode ser semelhante à leishmaniose e outras doenças, portanto, apenas citologia pode ser inconclusiva.
Histopatológico (biopsia): Meio mais fidedigno. (SEMPRE AVISAR O PATOLOGISTA DA SUSPEITA CLÍNICA PORQUE A COLORAÇÃO USADA É PAS)
Cultura fúngica
 
Tratamento
· Itraconazol (10 a 20mg/kg/SID) - Tempo médio de terapia 4-9 meses ou o quanto for necessário. 
· Ao fim do tratamento (quando não houver lesão e o fungo não for mais encontrado) continuar o tratamento por 30 dias, mesmo após a cura. 
Provável esporotricose, animal submetido à eutanásia pois está em fase avançada:
CRIPTOCOCOSE
Fungo que pertence ao ambiente (geofílico), muito semelhante ao sporothrix mas não é necessária a inoculação, é transmitida pelo ar, ao inalar os esporos. 
 NÃO É ZOONOSE, NÃO É TRANSMITIDA POR POMBOS.
Por que existe o mito de que é transmitida por pombos? Porque o fungo gosta de compostos nitrogenados, então onde há muitas fezes de pombo (ricas em nitrogênio), há muitos fungos do tipo. Pombos não tem essa doença. Madeira não aparelhada (que solta farpas) pode conter criptococcus e pode inocular ao espetar.
Só se manifesta em humanos em caso de pacientes imunossuprimidos, se manifestando por pneumonia criptocótica. 
Agente: Cryptococcus neoformans
Anamnese
Semelhante à esporotricose, ausência de prurido, presença de dor, em exame físico notam-se lesões ulceradas, nodulares ou em goma exsudativos. A diferença em relação a esporotricose, é que geralmente ocorrem em nariz e região (ponte nasal principalmente), já que é transmitida pela inalação.
Diferenças notáveis entre esporotricose: Lesão em ponte nasal apenas, animal não precisa ter acesso à rua, tempo de evolução (crypto demora meses, esporo tem evolução rápida), gatos não castrados tem mais chances de ter esporotricose porque brigam.
Diagnóstico
Citologia, histopatológico 
Morfologia redonda, com halo
 
O padrão lesional da esporotricose e da criptococose, assim como o do carcinoma, são muito parecidos, por isso a importância da biópsia.
Caso de carcinoma:
Tratamento
Itraconazol (Gato ate 2kg - 50 mg/SID) (Gato com mais de 2kg ou pós resistência - 100 mg/SID) até o animal estar curado.
Em caso de resistência, trocar fabricante do Itraconazol (evitar genérico), medicamento genérico tem absorção menor, podeafetar na efetividade do tratamento, especialmente em casos mais severos. Sempre orientar o tutor a usar luvas e manusear adequadamente.
Aula 4 – 10/03/2020
Dermatopatias Bacterianas (Piodermite)
Infecção bacteriana geradora de pus com processo inflamatorio cutaneo oriundo da infecção, que pode ser superficial ou profunda. Ocorrência significativa.
Mais de 90% dos casos de piodermite são secundarios, alguma doenca que provoque desequilibrio/queda de imunidade que promovam proliferação exarcebada dos estaphylococcus. Exemplo: HAC é comum doença de base, pois “afina” a pele e causa queda de imunidade, portanto, é comum desenvolver piodermite secundária, essencial tratar a doença.
Animais com piodermite não passam a doenca em si para humanos, mas podem passar bacterias com resistencia que vao para a microbiota humana, causando problemas em situações de imunossupressão. Não é considerada zoonose.
Pode ser primária ou secundária.
Pode ser superficial ou profunda.
Principal bactéria envolvida: Staphylococcus pseudointermedius, pois faz parte da microbiota do animal.
Etapas infecção: 1. Proliferação bacteriana, 2. Camada córnea fragilizada (por imunossupressão por exemplo), permitindo que as bactérias ultrapassem, 3. Sistema imune fragilizado (por imunossupressão), por esses motivos, geralmente a piodermite é secundária à outra doença.
Em relação à dermatofitose, que é parecida, um meio de diferenciar além dos exames, é observar descamações, que são muito comuns em dermatofitose pela preferencia dos fungos por queratina (porém descamação pode indicar também seborréia, que seria a doença de base da piodermite), enquanto a piodermite tem mais pus, crosta melicérica, etc. O primeiro passo é excluir a possibilidade de demodicidose, fazendo raspado.
Maiores causas base de piodemite: ALERGOPATIAS (Alergia), parasitas (sarna demodécica é MAIOR CAUSA DE INFECÇÃO BACTERIANA PROFUNDA, FAZER RASPADO), fungos (dermatofitose), distúrbios de queratinização/seborreia (óleo em excesso é meio de cultura para bactérias), displasias foliculares (careca), endocrinopatias (HAC, hipotireoidismo), manejo inadequado (pH alcalino do sabão em banhos constantes, xampu agressivo inapropriado para cão), terapia (corticóide, AHAIM/anemia hemolitica auto imune, quimioterapia, Cefalosporinas).
Lesões em piodemite: Alopecia circular (pustulas que estouram e extravaza pus fazendo cair os pelos), iridiforme, faixa etária de mais de um ano de idade, pus (maior indicativo de piodermite), pápulas, pústula, lesões em colarinho epidérmico (feridas), crostas melicéricas (pelo pus extravazado e seco), eritema (pela inflamação).
Tipos de piodermites superficiais (só na epiderme): 
1. Piodermite de dobra
Passar lencinho com antisséptico nas dobras.
2. Impetigo
Ocorre em filhotes com menos de 6 meses, imunossuprimidos (comum em cinomose, verminoses, manejo ruim). Exceção em casos de hiperadreno, onde até idosos podem desenvolver. Pustulas chamativas, verde, densa. Ocorre em área sem pelo (abdomen).
Em filhotes, cura sozinho, melhorar nutrição, etc. Em adultos, geralmente HAC.
3. Piodermite mucocutânea
Ocorre em boca ou região perianal. Lesão é ulcerada. Comum em erro de manejo, falta de higiene.
4. Dermatite umida aguda (pio-traumática)
Cães com pelame denso que ficam úmidos (gostam de água), com ausência de ventilação. Também ocorre em animal que coça/lambe. (Chow chow, Golden, Labrador, Pastor Alemão, São Bernardo, Rotweiller). Quadro agudo, dolorido, rápido.
Evitar umidade, secar o pelo, tosar. 
5. Piodermite Clássica
 Alopecia em roedura de traça (comum em pelo curto)
Piodermite profunda
É mais sanguinolenta porque tem mais vascularização embaixo. Causa dor. Comum em bulls.
Causas mais comuns: Sarna demodécica, imunossupressão ou imunossupressores.
Diagnóstico: Clínico (por reconhecimento das lesões) + Laboratorial por citologia (Presença da bacteria em si é normal, o que classifica piodermite é o excesso delas)
Colher material, levar p/lamina e observar com aumento de 1000x buscando um fagócito que fagocitou muitas bactérias.
Coccus sendo fagocitados
Resistência bacteriana 
Como forma de se proteger dos antibióticos, as bactérias realizam mutações, a maneira de evitar é isso é tendo cautela ao utilizar antibióticos.
Principal resistência:
MecA: Staphylococcus criou resistência à meticilina, criando um gene chamado MecA, que criou uma proteína de membrana da bactéria chamada PBP2a que não permite que os beta lactâmicos (Cefalosporinas como Cefalexina, Penicilinas como Amox+Clavulanato, Carbapenêmicos como Imipenem, Ampicilina+Sulfabactran) ajam na bactéria (“blinda” parede celular para impedir entrada do antibiótico).
- Quando suspeitar de infecções por bactérias multi-resistentes, já que o quadro dermatológico é igual? R: Atraves de medida terapêutica, se os medicamentos não funcionarem, é um sinal de resistência. Avaliando fisicamente é impossivel saber.
- Como saber se a bactéria possui esse gene MecA? Realiza cultura+antibiograma, mandando testar para Oxacilina (antibiótico do grupo das Penicilinas usado para testar a resistência).
Sensível = Não há resistência MecA.
Antibiograma de bactéria resistente à diversos antibióticos, então há outros genes além do MecA.
RESULTADO DA CULTURA PODE DAR FALSO POSITIVO. SE HOUVER VÁRIAS RESISTÊNCIAS E UMA SENSIBILIDADE, SUSPEITAR.
Tratamento
Terapia sistêmica: Em infecção bacteriana profunda, sempre usar sistêmico+tópico. Em superficial, só se for disseminada/generalizada. Em superficial localizada, apenas tratamento tópico.
 Seguir a ordem:
 1. Cefalosporinas: cefalexina, cefadroxila e cefovecina
 2. Amoxicilina com clavulanato de potássio 
3. Clindamicina
Se houver resistência à todos os três, usar, na seguinte ordem: 
1.Tetraciclinas – Doxicilina 
2.Quinolonas – (Enrofloxacina, Marbofloxacina, Moxifloxacina, etc) CUIDADO, provocam mutação, gera + resistência inclusive em bactérias que não estão na pele.
3.Rifampicina – CUIDADO, hepatotóxico
4.Cloranfenicol – USO EM CÃES PROIBIDO, HEPATOTÓXICO, MIELOTÓXICO (causa anemia)
5.Aminoglicosídeos – (Gentamicina) CUIDADO, nefrotóxico
Tempo de tratamento: 
Piodermite superficial: 21 dias de tratamento + 7 dias após cura/adicional
Piodermite profunda: 45 dias + 14 dias após cura/adicional 
Tratamento tópico: Usado em TODAS as condições e em caso de superficial localizado, tratamento único.
Frequência de banhos: 2 vezes na semana/ TOSA.
Xampu antisséptico:
· Clorexidine (0,5, 1, 2 a 4%) 
· Clorexidine (2-4%) + Miconazol (1-2%) – CLORESTEN
Clorexidine pode ressecar, bom associar à hidratante. Se cair no olho, pode dar ulcera de córnea, lavar rosto com Johnsons. Deixar pelo menos 10 min agindo 2x na semana.
· Opção 2, se houver seborreia ou muita oleosidade: Peróxido de benzoíla 2,5% a 5%.
Pomada:
· Mupirocina pomada (Bactroban). Em quadros mais disseminados, diluir na água e borrifar no cachorro. (É antibiótico)
CUIDADOS COM MUPIROCINA: Não usar indiscriminadamente, uso restrito, em casos de grande resistência.
· Ácido Fusídico 2% (Verutex)
· Hipoclorito de sódio (CÂNDIDA) em resistência ou toxicidade. Imergir em solução 2,5mL de Hipoclorito em 1L água – 10 a 15 minutos – 2 a 3 vezes por semana
Aula 6 – 17/03/2020
Otite
Inflamação em conduto auditivo.
Otite recidivante não significa resistência bacteriana, já que nem responderia ao tratamento desde o principio, geralmente significa que há causa base causando alteração de homeostasia facilitando a multiplicação de microorganismos ou excesso de substrato.
Cera/Cerumen é composta de secreção ceruminosa secreção sebácea e descamação. Esses compostos tem glicoproteína, proteínas, etc, muito nutritivo p/ Malassezia e bactérias, então o excesso de cerumen pode causar desequilíbrio.
A membrana timpanica é extremamente sensível, por isso a cera em quantidade adequada que sujidades atinjam essa região, mas a cera não pode entrar em contato (por isso não e adequado usar cotonetes). O aumento de secreção ceruminosa é comum causador de otites.Raças como cocker, bulls (bulldogs ingles e frances), american boston, terrier, pugs sofrem com esse problema, tem muita seborréia que provoca excesso de cerumen. 
Principais causas base
1. Aumento na produção de cerumen (por disturbios de produção como em cocker ou inflamação)
2. Aumento de microorganismos (que podem ser provindo do primeiro motivo, por aumento de umidade, etc)
3. Inflamação primaria (Por alergia ou sarna otodécica)
Tipos de otite:
Otite ceruminosa: Geralmente sarna otodécica, coletar cera, procurar ácaro, caso contrário, provavel disturbio de producao de cerumen, tratar com ceruminolítico.
EVOLUÇÃO>>>>
Otite Eczematosa: Otites crônicas onde há eritema com hiperqueratose, com base alérgica.
EVOLUÇÃO>>>>>
Otite Catarral: Cerúmen com aspecto de catarro, há bactérias e malassezia, há muitas bactérias, então há muitos neutrofilos = pus. 
EVOLUÇÃO>>>>>
Otite purulenta: Presença de coleção purulenta, pus escorrendo. (Atbs tópico+Sistemico)
EVOLUÇÃO>>>>
Otite hiperplásica: Otites purulentas recidivantes provocando quadro cronico e posteriormente hiperplasia.
EVOLUÇÃO>>>>
Otite estenosante: Fibrose de hiperplasia, cicatrização de conduto auditivo. Encaminhar para cirurgia de ablação. Em casos onde não cabe cirurgia (idosos) = Sedar animal, injetar Depo-medrol (corticóide, Presnisolona injetavel com efeito cumulativo) em várias aplicações em volta da hiperplasia. Em casos onde não se pode usar corticoide, usar Ciclosporina (5 a 10mg por kg sid 60 dias).
A – Otite purulenta/Bacteriana B – Otite Eczematosa
 C – Otite Estenosante D – Otite Ceruminosa + Eczematosa
Sarna Otodécica
Agente: Ácaro Otodectes cynotis, se interessa pelo conduto auditivo de cães e gatos provocando a sarna otodecica, que é contagiosa (interespécie).
A comete mais animais jovens. A presença e movimentação desses ácaros provocam irritação e maior produção de secreção, formando cerúmen enegrecido, com aspecto de borra de café. 
Quadro clínico: Prurido, maneios cefálicos, em alguns casos dor (quadros mais graves), secreção enegrecida.
Como diagnosticar: Coleta o cerúmen com haste de algodão, analisa em lamina (pingando uma gota de potassa ou óleo de Merssan e cobrindo com outra lâmina), analisando na menor objetiva (x4) e é possível visualizar os ácaros.
Exame Físico
Otoscópio humano x Veterinário
Para realizar otoscopia o cão deve estar em DECÚBITO ESTERNAL para seguir a anatomia do conduto auditivo (Animais muito pequenos podem estar em estação). Enquanto isso, tutor segura a cabeça do animal e com a outra mão, levantamos o pavilhão auricular. Em movimentos muito bruscos, há risco de perfuração de membrana timpânica, podendo comprometer parte da audição. Animal não fica totalmente surdo. 
Qualquer irritação inflamatória ou alérgica em conduto auditivo, provoca aumento de secreção de cerúmen, que favorece a multiplicação de microorganismos, causando a inflamação crônica. 
Aumento na prod de cerúmen > Aumento prod de microorg. > Inflamação primária 
Inflamação primária > Aumento prod. de microorg. > Aumento na prod. De Cerúmen
Em felinos, é mais comum otite por sarna otodécica.
Em cães, é mais comum otite por alergia. 
Otite Externa (99% dos casos)
Quadro clínico: Prurido (mais comum), dor (menos comum, ocorre em otites graves e purulentas), meneios cefálicos (mais comum, quando o animal chacoalha a cabeça incessantemente), odor fétido/pútrido (proeminente da secreção), otorréia (aumento de secreção de conduto auditivo/corrimento otológico), disacusia (dificuldade de audição). (Anacusia=perda de audição/não ocorre).
Otite média (rara)
Quando processo inflamatório infeccioso perfura a membrana timpânica e entra na bula timpânica.
Quadro clínico: Dor ao abrir a boca, dificuldade de mastigar, head tilt, andar em círculos. Há sintomas neurológicos porque passam nervos importantes nessa região. Pode ter até mesmo paralisia fácil pelos nervos faciais.
Para cães desenvolverem otite média, é necessário que se passe pela otite externa.
Em gatos, há um canal na faringe que pode provocar essa otite sem que haja otite externa primária. Caso raro em cães.
Nódulo ulcerado coberto com crostas hemorrágicas e cerúmen enegrecido. Tumor/Neoplasia + Otite.
Migração epitelial: Lâmina branca representa a cartilagem, em cima dela fica o epitélio. Ele descama, as escamas somadas a secreção sebácea+ceruminosa, forma o cerúmen, que é exteriorizado através da migração epitelial, que é o crescimento de dentro para fora do epitélio, causando naturalmente a “expulsão” desse produto. 
Como realizar limpeza em conduto auditivo? Passando toalha pós banho, úmida. O cotonete, pinças, etc, contrariam a ação natural de migração epitelial, jogando o produto de volta para dentro. 
Gatos podem ter secreção por infecções respiratórias que da laringe/nasofarige se dirigem para a bula timpânica podendo causar otite.
 Ao detectar sinais de otite média, é necessário investigar com otoscópio. Olha membrana timpânica, a pars tencil (a membrana fina e transparente), estará opaca e purulenta. 
Miringotomia: Procedimento cirurgico que faz uma incisão no tímpano e drena o conteudo liquido/purulento para aliviar a pressão do acumulo excessivo de pus/fluidos causada pela otite media.
Diagnostico otite media: Tomografia do cranio para visualizar bulas timpanicas em animais não braquicefalicos. 
Tratamento 
Otite Ceruminosa 
Investigar ácaro com otoscópio ou microscópio, se positivo = Tratar otoacaríase:
· Ceruminolítico (2 a 6 ml, de acordo com tamanho do animal)+Selamectina (Revolution, antiparasiticida a cada 15 d por pelo menos 2x). É importante usar ceruminolítico 2x por dia, porque há ovos dos acaros no cerúmen, que manifestarão uma nova otite assim que passar o pico do efeito do Revolution. 
Não encontrou ácaro? Fazer swab + citologia, se encontrar muita Malassezia:
· Ceruminolitico 2x ao dia até 5d, quando acabar usar solução otológica (Otoden, Auritop, Otodex, Clotrimazol) por 21d, que são antifúngicas + corticóides (que diminui edema para orelha não fazer estenose).
Qual ceruminolítico usar?
Ceruminolítico ácido (Clean up, Epiotic, Termogen Oto, que é a melhor opção dos ácidos) dissolve melhor a cera, mais potente, entretanto, se o animal tiver com a membrana timpânica rompida, pode causar grandes problemas, além de situações como Otites Eczematosas, onde há sensibilidade na pele e machuca. Usar em casos crônicos.
Ceruminolítico alcalino é a opção mais adequada.
Proibido usar Cerumin (humano) porque há uma substancia chamada Propilenoglicol que é tóxica.
Otite Purulenta
1. Realizar lavagem óptica com seringa+Sonda uretral/auriflushing+Otoscópio+Solução fisiológica aquecida (porque líquido gelado na orelha causa vasoconstrição e provoca movimentação que causa tontura no animal).
2. Realizar citologia do pus para identificar tipo de bactéria (cocos, bacilos...)
· COCOS: Beta-Lactâmicos (Gentamicina, Neomicina). * Gentamicina pode ser toxica se membrana timpanica estiver rompida*
· BACILOS: Quinolonas (Enrofloxacina ou Cirpofloxacina)
*Não pode usar ceruminolitico no mesmo dia que usa o otológico*
Em cães idosos, se não conseguir fazer lavagem, usar Fluimucil.
Todas as otopatias devem ser tratadas somente com medicações tópicas, exceto pelas otites bacterianas/purulentas (uso sistêmico de amoxi + clav 22 mg/kg bid 21 dias e tópico com Osurnia) e otites estenosantes (corticoide ou ciclosporina antes da cirurgia).
ANOTAÇÕES DA AULA
Ceruminolítico: Produto usado para limpar, que “expulsa” o excesso de cera ou outros produtos. Indicado em casos de otite purulenta.
NÃO EXISTE SECREÇÃO PURULENTA, pois secreção é produto de de GLÂNDULAS. Quando houver pus em otites = Coleção purulenta.
Osúrnia: Solução otológica com ação antibacteriana e antifúngica. (Acetato de betametasona 0,1% + Florfenicol 1% + Terbinafina 1%)
Aula 7 – 24/03/2020
Alergias
Reações de hipersensibilidade inadequadas.
Todos os cães alérgicos sempre tem inflamação na pele e prurido. Cuidado para não confundir, já que prurido existe nãoso em alergias mas tambem em Malasseziose, piodermites, linfomas cutâneos, doenças parasitárias. 
· DAPE: Dermatite alérgica à picada de ectoparasitas, indivíduo apresenta reação alérgica à picadas de pulgas.
· Alergia alimentar (Trofoalergia):Relacionada à dieta.
· Atopia (Dermatite atópica): Pode ser de ácaros em ambiente, bolores, etc. 
O mais comum é alergia a picada de pulga, portanto, o caminho a se seguir é investigar puliciose e tratá-la, se melhorar -> DAPE
Se não melhorar, investigar alergia alimentar, através da dieta de eliminação mudando fonte de proteinas, trocando ração, sempre perguntar o que o animal come para mudar a dieta e esperar um mês para aguardar resposta+2 meses de dieta especifica, se o resultado for positivo -> Alergia Alimentar 
Se não responder -> Alergia Atópica
DAPP/DAPE (Dermatite alérgica à picada de pulga/ectoparasita)
Reação de Hipersensibilidade tipo I = Imediata, assim que a pulga pica, o prurido começa, mas passa em até 72 horas. 
Reação Hipersensibilidade tipo IV = Tardia, começa depois, é mais leve mas dura de 15 a 20 dias.
Para investigar essa alergia, são necessários em média 20 a 30 dias depois do antipulgas para se obter resposta, porque pode ser uma reação de hs tipo IV. Pode demorar até 2 meses. 
O ambiente também deve ser controlado, já que a pupa pode permanecer no ambiente por até 1 ano. 
Quando o animal pega pulgas, começa a apresentar prurido principalmente em terço distal do corpo , lesões pápulo-crostosas, alopecia, eritema, lignificação, hiperpigmentação, se houver infecção secundária, colarinhos epidérmicos, descamação.
 
Manobra de mackenzie: Colocar fezes de pulga em algodão umido (cotonete molhado), ela derrete e fica com aspecto de “bolinhas vermelhas”.
Tratamento: 
MAIS INDICADOS:
· Isoxazolinas (Fluralaner, Afoxolaner, Sarolaner – Bravecto, Nexgard e Simparic)
· Comfortis (pode provocar emese)
Não protegem contra Leishmania.
Outras opções:
· Imidacloprida
· Amidacloprida + Moxidectina (Advocate)
· Fipronil (Frontline)
· Fipronil + S-Methoprene (F Plus)
· Selamectina (Revolution) bom p gatos
· Dinotefurano+Piriproxifeno+Permetrina (Vectra 3D) tb é repelente, evita Leishmaniose, cuidado com reação no ponto de aplicação. 
· Seresto (coleira antipulgas)
Shampoos não são efetivos, só afogam pulgas adultas.
Medicamentos que ficam na circulação (comprimidos), fazem com que pulgas piquem para poder agir, mas mata tão rapidamente, que a pulga não solta a saliva e não provoca reação alérgica.
Tratamento sintomatico (contra a coceita enquanto o efeito ocorre): Presnisona ou Prednisolona 0,5-1mg/kg SID de 10 a 15 dias.
Alergia Alimentar/Dermatite Trofoalérgica
É um disturbio cutâneo, pruriginoso que está associado a um ou mais ingredientes encontrados na dieta. Não necessariamente vem de alimento novo na dieta, pode ser desencadeada por um alimento que o animal já come há tempos. O que dá alergia são proteínas (glicoproteínas hidrossolúveis pesadas, com peso molecular entre 10000 e 70000 daltons). 
Predisposição: Cães entre 1 e 6 anos e gatos entre 4 e 5 anos. Pastor alemão, pug, west, etc.
Alimentos mais envolvidos em CÃES: Carne bovina, derivados do leite, frango, trigo, cordeiro, soja, milho, ovo, porco, peixe e arroz (nesta ordem).
Alimentos mais envolvidos em GATOS: Carne bovina, peixe, frango, trigo, milho e derivados do leite, cordeiro (nesta ordem).
Quadro Clínico: Podem apresentar distúrbios GI (15 a 20% dos casos) como diarréia com muco ou sangue, vomito cronico, etc. Podem apresentar urticária (vergões na pele), inchaço.
Regiões mais acometidas (lesões):Em regiões ventrais, em axilas, abdomen, interdígitos, orelha (interna), mandíbula.
Diagnóstico: Dieta de exclusão: Identifica se há ou não alergia alimentar. Fazendo dieta caseira com fonte de proteína inédita (Cordeiro, carneiro, pato, porco caso ele nunca tenha comido, ou qualquer proteína que o animal nunca tenha comido), fonte de carboidrato também alterada (batata, ervilha, mandioca, arroz integral) ou com dieta comercial com proteína hidrolisada (passa por um processo enzimático que faz prot quebrar em peso molecular inferior a 10000 daltons).
Fazer 8 semanas de dieta
Rações: Royal Canin Hypoallergenic (7Kd), Equilíbrio HA (8-9Kd), Hill’s Z/D ultra allergen free (3Kd).
 
Dieta de provocação: Quando a alergia é identificada, adiciona-se alimentos que podem ser os causadores da alergia por 7-10 dias e espera manifestar. Introduzir cada alimento por esse tempo, uma semana de cada um. Se não manifestar sintomas nesse prazo=animal não é alérgico à aquele alimento em particular, na próxima semana mantê-lo e adicionar mais um para novos testes. 
Se nada disso der resultado, indicativo que é uma dermatite atópica...
Dermatite Atópica
Enfermidade cutânea alergica inflamatória e pruriginosa que tem predisposição genética (acomete muito mais cães de raça do que SRD), onde ele faz produção de anticorpo IgE contra componentes (alérgenos) ambientais. Fatores genéticos causam comprometimento da resposta imunológica, mas além desse fator (que também é presente em DAPE e alergia alimentar) também existem defeitos na função de barreira cutânea.
Predisposição: Lhasa, Shitzu, pug, maltês, buldog frances, yorkshire, golden, labrador, boxer, pastor alemão.
Abaixo, é possivel visualizar em microscopia cutânea, “buracos” entre a derme, que são as falhas na barreira, porque há gordura depositada entre as células. Por isso, é fácil de se penetrar ácaros, bactérias, alérgenos, etc. Alérgeno faz com q haja produção de interleocinas que irritam e provocam inflamação na pele.
Cão atópico.
A distribuição de lesões mais comum é a mesma da alergia alimentar, em regiões ventrais, patas, interdigitos, face (maxila), abdomen, axilas, etc. 
Tratamento: 
· Hidratação cutânea (shampoo Allermyl Glyco/Epi-Soothe, etc) 2, 3 banhos por semana;
· Terapia antiinflamatória = Tópica+Sistêmica 
· corticoide tópico quando há quadro de inflamação localizada, para desinflamar a pele, até o animal melhorar, se não melhorar, terapia sistêmica de corticóide
· Glicocorticóides – Prednisolona 0,5 a 1 mg/kg a cada 24 horas apenas para desinflamar a pele em momentos de crise OU
· Ciclosporina 5 mg/kg a cada 24 horas (Sandimmun Neoral)
· Imunoterapia alérgeno-específica (vacinas para alergia; dá o alérgeno para o animal induzindo tolerância nele que estimulará o sistema imune a se acostumar o alérgeno em questão. Antes da vacina, deve-se realizaar o teste alérgico para descobrir a origem da reação alérgica). Alto custo.
· terapia para complicações (infecções secundárias bacterianas ou fúngicas)
· terapia ambiental (aspirar tapetes e estofados, lavar caminhas, manter casa arejada, evitar substâncias irritantes como produtos de limpeza, etc)
· Apoquel (principal)
· Cytopoint (principal)
Apenas em casos agudos, usa-se corticoides (com critérios) para aliviar as crises.
Aula 8 – 31/03/2020
Cont. Dermatite Atópica
Mecanismo da Atopia
O contato do alérgeno com o linfócito, provoca a produção de imunoglobulinas, que passam a estimular todas as células de defesa. No estimulo da interleocina 31, ela vai ate os nervos, se comunicam com receptores JAK que desencadeia um potencial de ação que provoca prurido. 
Animal atopico tem sensibilização, os acaros perdem fragmentos do exoesqueleto, entram na epiderme, são fagocitados pela celula de Langerhans, apresentando para o linfócito T helper, que estimula linfocito B, que produz as IgE (imunoglubulina E especifica), que estimula a interleocina 31, que se liga no receptor JAK, desencadeando potencial de ação que provoca o prurido no animal. Quando o mastócito entra em contato com o alérgeno, produz histamina, induzem processo inflamatorio que provocam edema e inflamação da epiderme.
Mecanismo do Apoquel: Entra no receptor JAK, obstrui, impedindo que a interleocina 31 (um tipo de ocitocina que funciona como proteina mensageira) se ligue. 
Dose: 0,4 a 0,6 mg/kg BID por 14 dias e depois SID para o resto da vida, nos primeiros dias BID para controlar as crises, depois estabiliza e continuacom doses seguras, já que alem de inibir IL 31, tambem inibe outras (IL2, IL4, IL6, IL13), que tem outras funcoes, como hematopoiese, etc, então a alta dosagem (BID) por tempo prolongado pode comprometer a hemostasia. Também é uma opção começar o tratamento com SID, pois alguns tutores se acostumam com o BID (maior eficácia).
Existem boatos de que Apoquel pode causar tumores, mas a explicação é a inibição de interleocinas que suprimem o sistema imunológico, então quando há qualquer mutação nas celulas, o sistema imunológico é insuficiente para combater as células neoplásicas. 
Meia vida Apoquel 20 horas, enquanto houver medicação circulante.
Cytopoint (Lokivetmab): Aplica-se anticorpos (mAb) desenvolvidos especificamente para IL-31, que se ligam à ela, impossibilitando que ela chegue até o receptor JAK.
Doses únicas mensais (pro resto da vida): 
Ordem de indicação: 
1) Apoquel
2) Cytopoint
3) Ciclosporina
4) Corticóide