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CAPÍTULO 1
A ConjunturA dA tríAde FAmíliA, 
esColA e deFiCiênCiA inteleCtuAl
A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
 3 Proporcionar a compreensão da relação familiar e escolar e deficiência intelectual. 
 3 Conhecer as nomenclaturas e os aspectos que diferenciam a deficiência intelectual 
de deficiência mental. 
 3 Compreender o conceito de normal e anormal na sociedade.
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 A Relação Família, Escola e Deficiência Intelectual
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A ConjunturA dA tríAde FAmíliA, esColA e deFiCiênCiA inteleCtuAl Capítulo 1 
Os estudos sobre 
as deficiências 
iniciaram a partir do 
século XVI como 
uma preocupação da 
medicina em classificar 
os indivíduos que se 
desviavam do padrão 
de normalidade 
definido para época.
ContextuAlizAção
Para tornar efetiva a inclusão escolar e social julgamos necessário 
apresentar aspectos que podem influenciar no desenvolvimento do Deficiente 
Intelectual, como a atenção e acompanhamento da família e escola no 
processo de desenvolvimento da aprendizagem.
Um ambiente escolar que busca a parceria com a família, abre espaço 
para um entendimento de comum linguagem, permitindo que juntos trabalhem 
em prol do desenvolvimento da criança ou jovem com deficiência intelectual. 
Nesse sentido, a escola estará contribuindo para tornar possível uma 
educação pautada nos direitos humanos e na democratização do ensino. 
Segundo Farrel (2008, p. 17), destinar as práticas pedagógicas (...) “em 
estreita colaboração com os pais é uma aspiração de todas as escolas e um 
tema constante na orientação governamental.” Nesse sentido, percebemos 
a necessidade promover novas estratégias de inserção desses sujeitos no 
âmbito da instituição escolar, com apoio da família.
ProCessos de relAção FAmíliA, esColA e 
deFiCiênCiA inteleCtuAl 
O acompanhamento da família no processo escolar da criança pode trazer 
grandes contribuições para seu progresso, a presença dos pais na escola, abre 
caminhos para o diálogo e entendimento de suas necessidades, limitações e 
potencialidades. 
Mas, a história nos mostra que nem sempre foi assim o entendimento da 
relação do deficiente intelectual com escola, comunidade e família.
Traçando um rápido percurso sobre o tempo, vimos que as pessoas com 
deficiência eram abandonadas por seus próprios familiares. Na Idade Média, 
eram consideradas, “obra do demônio”. Somente a partir do século XIX, por 
meio de estudos médicos, perceberam que o deficiente intelectual era capaz 
de aprender.
Os estudos sobre as deficiências iniciaram a partir do século 
XVI como uma preocupação da medicina em classificar os 
indivíduos que se desviavam do padrão de normalidade 
definido para época. É só no século XIX que entram em 
cena também os pedagogos, interessados no estudo da 
deficiência mental e nas possibilidades de educação dos 
indivíduos considerados deficientes. (CARNEIRO, 2008, p. 13).
REGI LOUREIRO
Realce
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 A Relação Família, Escola e Deficiência Intelectual
Esse novo olhar para o deficiente fez surgir em 1960 as primeiras 
instituições voltadas ao atendimento de pessoas com deficiências. Mas 
somente a partir da deflagração das Conferências Mundiais essas pessoas 
passaram a ter direitos, culminando nos anos de1990 com o processo de 
Inclusão Escolar.
Percebemos então, que a família e sociedade ao longo da história 
modificaram sua forma de conceber as deficiências, e essa mudança de 
pensamento, ou paradigma trouxeram significativos avanços quanto às 
adaptações nas escolas e meio social. Conforme Art. 227(BRASIL 2006)
É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar 
à criança e ao \adolescente, com absoluta prioridade, 
o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, 
ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao 
respeito, à liberdade e à convivência familiar comunitária, 
além de colocá-los a salvo de toda a forma de negligência, 
discriminação, exploração, violência, crueldade opressão.
O processo de aceitação das pessoas com deficiência está amparado por 
lei, e com isso deixa de ser vista apenas como uma questão de benignidade. 
Como vimos, as mudanças não ocorreram de um dia pro outro, foi necessário 
muito apoio de todos os envolvidos, família, escola e sociedade.
Vamos agora discutir sobre o processo da aprendizagem com o deficiente 
intelectual.
A deFiCênCiA inteleCtuAl e A APrendizAgem
A aprendizagem é decorrente de um conjunto de fatores genéticos, sociais, 
emocionais e cognitivos. Esse conjunto de fatores podem ser estimulados a 
favor do aprendizado do deficiente intelectual se receberem o apoio necessário 
da família, escola e sociedade. 
Vygotsky (1997) em seus estudos nos faz compreender que o processo 
mental do sujeito se faz por meio do seu contexto social, segundo o autor,
[...] as funções psicológicas superiores (o pensamento em 
conceitos, a linguagem racional, a memória lógica, a atenção 
voluntária, etc.) se formam durante o período histórico do 
desenvolvimento da humanidade e devem sua origem, não à 
evolução biológica, [...] mas a seu desenvolvimento histórico 
como ser social. VYGOTSKY, (1997, p. 214-215)
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A ConjunturA dA tríAde FAmíliA, esColA e deFiCiênCiA inteleCtuAl Capítulo 1 
O processo de 
educação escolar 
é qualitativamente 
diferente do processo 
de educação em 
sentido amplo.
No processo de desenvolvimento de aprendizagem da pessoa com 
deficiência intelectual os contextos sociais no qual estão inseridos podem 
apresentar grande relevância no desenvolvimento escolar desse sujeito. Para 
(Vygotsky, apud Leontief e Luria, 2007, p. 163) “O processo de educação 
escolar é qualitativamente diferente do processo de educação em sentido 
amplo”. A aprendizagem primordialmente deve começar no seio familiar e a 
escola deve ser a continuação dessa aprendizagem.
Os processos de aprendizagem escolar e social estão intrinsecamente 
ligados a família e escola. A sociedade participa dessa educação quando aceita 
esse sujeito como membro efetivo dela com direitos e deveres, na forma da lei.
Segundo Almeida (2007), as crianças que apresentam deficiência 
intelectual podem progredir em suas ações, se receberem apoio e estímulo 
para suas conquistas. Esses sujeitos poderão ser muito úteis, se neles for 
confiado a responsabilidade de alguns trabalhos e produções em benefício 
a comunidade em que vivem, considerando seus limites e estimulando seus 
potenciais. Segundo Araújo é no convívio com seus pares que a criança 
aprende a 
A grande maioria das crianças com deficiência intelectual 
consegue aprender a fazer muitas coisas úteis para a sua 
família, escola, sociedade e todas elas aprendem algo para 
sua utilidade e bem-estar da comunidade em que vivem. 
Para isso precisam, em regra, de mais tempo e de apoios 
para lograrem sucesso. (ARAÚJO, 2009)
O papel da instituição escolar nesse aspecto deve ser de oferecer 
condições que possibilitem uma aprendizagem para todos os alunos, com 
respeito ao tempo de aprender e de amadurecer de cada um, que tenha como 
princípio a igualdade e o respeito humano acima de qualquer ação.
nomenClAturAs
As nomenclaturas das deficiências vem ao longo dos tempos sendo 
melhor compreendidas e modificadas conforme estudos e pesquisas. Nessa 
esteira, esclarece Sassaki, (2009) que o conceito de deficiência não pode 
ser confundido com o de incapacidade, palavra que é uma tradução, também 
histórica, do termo “handicap”. O conceito de incapacidade denota um estado 
negativo de funcionamento da pessoa, resultante do ambiente humano e físico 
inadequado ou inacessível, e não um tipo de condição. Como exemplo, a 
incapacidade de uma pessoa cega para ler textos que não estejam em braile, 
a incapacidade de uma pessoa com baixa visão para ler textos impressos em 
letras miúdas, a incapacidade de uma pessoa em cadeira de rodas para subir 
REGI LOUREIRO
Realce
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