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daquele momento, como 
a Constituição da República Germânica de Weimar (1919-1933) (BRAYNER; 
LONGO; PEREIRA, 2014).
Diante do fervor e desenvolvimento do capitalismo em sua fase inicial, 
cruel e desenfreada, e da crise econômica no mundo nos séculos XIII e XIX, a Igreja 
se sentiu na obrigação de fazer algo. Assim, foram criadas várias encíclicas papais, 
de caráter social. Uma foi a Encíclica Inscrutabili dei Consilio, sobre os males da 
sociedade moderna, divulgada em 21 de abril de 1878, a Rerum Novarum, divulgada 
em 15 de maio de 1891, a outra, chamada Quadragesimo Anno, divulgada em 15 de 
maio de 1931, a Mater et Magistra, publicada em 15 de maio de 1961, a Populorum 
Progressio (1967), que enfatizavam os problemas diversos e a exploração que os 
trabalhadores (homens, mulheres, adolescentes, crianças) enfrentavam em sua 
época.
TÓPICO 2 | A NOVA INSTITUCIONALIDADE BRASILEIRA FRENTE ÀS EXPRESSÕES SOCIAIS
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Essas encíclicas sociais, cartas sociais, procuravam sugerir algumas possíveis 
soluções para os diversos problemas sociais. Nesse intuito, várias outras encíclicas 
foram criadas, segundo o Instituto Sapientia de Filosofia (2015). Podemos citar:
QUADRO 11 – ENCÍCLICAS SOCIAIS DA IGREJA CATÓLICA
Carta encíclica Inscrutabili dei consilio, SOBRE OS MALES DA SOCIEDADE 
MODERNA, 21 de abril de 1878, Papa Leão XIII.
Carta Encíclica Rerum Novarum, SOBRE A CONDIÇÃO DOS OPERÁRIOS, 15 
de maio de 1891, Papa Leão XIII.
Quadragesimo Anno, 40º aniversário da Rerum Novarum, SOBRE A CONDIÇÃO 
DOS OPERÁRIOS, 15 de maio de 1931, Papa Pio XI.
Carta Encíclica Quemadmodum, SOBRE A ASSISTÊNCIA ÀS CRIANÇAS 
INDIGENTES, 6 de novembro de 1946, Papa Pio XII.
Encíclica Mater et Magister, SOBRE A QUESTÃO SOCIAL À LUZ DA 
DOUTRINA CRISTÃ, 15 de maio de 1961, Papa João XXIII.
Encíclica Populorum Progressio, SOBRE O DESENVOLVIMENTO DOS POVOS 
E A QUESTÃO SOCIAL, 26 de março de 1967, Papa Paulo VI.
Encíclica Laborem Exercens, SOBRE O TRABALHO HUMANO no 90° aniversário 
da Rerum Novarum, 14 de setembro de 1981, João Paulo II.
Encíclica Centesimus Annus, SOBRE O TRABALHO HUMANO – o centenário 
da Rerum Novarum, 1º de maio de 1991, João Paulo II.
Encíclica CARITAS IN VERITATE, SOBRE O DESENVOLVIMENTO HUMANO 
INTEGRAL NA CARIDADE E NA VERDADE, 29 de junho de 2009, Papa Bento 
XVI.
FONTE: Adaptado de: Instituto Sapientia de Filosofia. Encíclicas papais. 2015. Disponível em: 
<http://www.institutosapientia.com.br/site/index.php?option=com_content&view=article&id=127
9:enciclicas-papais&catid=98:geral>. Acesso em: 25 jan. 2015.
 
 Interessante ressaltar que várias encíclicas papais – encíclicas sociais – 
possuem a mesma proposição e fundamento: de que as nações mais desenvolvidas 
auxiliem as outras menos desenvolvidas, assim elas se referem ao desenvolvimento 
dos povos e aos seus problemas sociais, focando a questão social e a preocupação 
com a solução dos problemas sociais na sociedade.
Assim, nas sociedades pré-capitalistas, as forças de mercado e da economia 
não eram privilegiadas, porém algumas responsabilidades sociais eram prioritárias, 
no sentido de manter a ordem social e punir ações de vagabundagem. Behring e 
Boschetti (2011, p. 47) enfatizam que: “Ao lado da caridade privada e de ações 
filantrópicas, algumas iniciativas pontuais com características assistenciais são 
identificadas como protoformas de políticas sociais”. 
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UNIDADE 2 | O NEODESENVOLVIMENTO NO CAPITALISMO E O ACIRRAMENTO DAS
 EXPRESSÕES DA QUESTÃO SOCIAL
Também podemos enfatizar que várias leis inglesas foram criadas, 
anteriormente à Revolução Industrial, porém não tinham caráter protetor e 
sim coercitivo e punitivo. Eram regulamentações para fazer com que o pobre 
aceitasse qualquer trabalho, o princípio categórico destas leis era obrigar todos a 
trabalharem, bem como proibir a mendicância daqueles que podiam fazer alguma 
atividade laborativa. Entre essas leis, Behring e Boschetti (2011, p. 48) citam:
Estatuto dos Trabalhadores, de 1349.
Estatuto dos Artesãos (Artífices), de 1563.
Leis dos pobres elisabetanas, que se sucederam entre 1531 e 1601.
Lei de Domicílio (Settlement Act), de 1662.
Speenhamland Act, de 1795.
Lei Revisora das Leis dos Pobres, ou Nova Lei dos Pobres (Poor Law 
Amendment), de 1834.
Percebemos que algumas ações governamentais com objetivos voltados 
para a proteção social começaram a ser produzidas de acordo com a consolidação 
dos modernos Estados nacionais, no Ocidente Europeu, lá pelos séculos XVI e 
XVII. 
Período este de contexto de transição para o capitalismo, de expansão 
do comércio e de valorização das cidades, onde a pobreza se tornava visível, 
incômoda, e passava a ser reconhecida como um risco social. Assim, a primeira 
fase da evolução da política social consistiu-se nas chamadas Leis dos Pobres, 
bastante disseminadas pelos países europeus.
As Leis dos Pobres eram ordenações de Estado que faziam compulsória 
a “caridade”, implicando a criação de um fundo público – o imposto 
dos pobres, em geral recolhido pelas municipalidades – e que tinham 
por finalidade tirar os pobres das ruas. Vigoraram em grande parte 
dos países europeus entre os séculos XVII e XIX, e a despeito de 
terem apresentado variações expressivas no decorrer deste período, 
se caracterizaram pela natureza caritativa, pela forma de assistência 
pública e pelo alvo a que se destinavam: a pobreza. 
A pobreza, nesta fase, é o risco social predominante. O Estado age para 
proteger a sociedade da ameaça representada pela pobreza (à qual se 
associam a indigência, a doença, o furto, a degradação dos costumes) e 
para proteger os pobres. (VIANNA, 2002, p. 3).
A primeira fase da evolução da política social consistiu-se nas chamadas 
Leis dos Pobres na Europa, assim a primeira concretização de proteção social foi 
instituída em 1601, na Inglaterra, com a edição da Lei dos pobres: “Poor Relief Act”.
UNI
Assim, sobre as origens das políticas sociais, podemos enfatizar que algumas 
iniciativas pontuais com características assistenciais são identificadas como protoformas de 
políticas sociais. Podemos entender como protoformas as instituições sociais com origem 
confessional, de ajuda, caridade, solidariedade e práticas de filantropia segundo a ética cristã.
TÓPICO 2 | A NOVA INSTITUCIONALIDADE BRASILEIRA FRENTE ÀS EXPRESSÕES SOCIAIS
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Com o Estado Absolutista, no período da Idade Média, houve a primeira 
lei que versou sobre a assistência social, que ficou conhecida como Law of 
Poor (Lei dos Pobres), ação de assistência aos pobres em 1601, na Inglaterra, 
durante o reinado da rainha Isabel. Tratou da obrigação das autoridades locais 
proporcionarem auxílio no caso de enfermidade, invalidez e desemprego e teve 
como princípio a responsabilidade da comunidade pela assistência pública, 
surgindo a obrigatoriedade de contribuições para fins sociais (DEZOTTI; MARTA, 
2011). 
Então, na Inglaterra, com a promulgação da Lei dos Pobres, que instituía 
um aparato oficial centrado nas paróquias, destinava-se a amparar carentes, 
necessitados e trabalhadores pobres. Assim, a primeira concretização de proteção 
social foi instituída em 1601, na Inglaterra, com a edição da Lei “Poor Relief Act” 
(Ato de Auxílio aos Pobres), a qual prioriza a contribuição obrigatória para fins 
sociais.
Sobre a noção de proteção, bem como sobre os Direitos Humanos, Brayner, 
Longo e Pereira (2014) descrevem que, 
Com a Independência dos Estados Unidos, a Revolução Francesa e 
os ideais iluministas, o processo de formação dos Direitos Humanos 
tomaria novo fôlego e sua disseminação pelo mundo já não poderia 
mais ser contida. A noção de proteção a todos os cidadãos, com a 
Revolução Francesa, no século XVIII, especificamente a partir de 1789, 
influenciou e muito direitos essenciais ao ser humano, tais como a 
liberdade, nacionalidade e fraternidade, como a Declaração dos Direitos