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SP 03 MÓD 01 5a FASE - DÓI TUDO

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serotonina (5-hidroxitriptamina [5-HT]). Os ISRS incluem citalopram, escitalopram, fluoxetina, fluvoxamina, paroxetina, sertralina e vilazodona. Embora tais drogas tenham o mesmo mecanismo de ação, diferenças em suas propriedades clínicas tornam a seleção importante. Os ISRS têm margem terapêutica ampla; eles são relativamente simples de administrar, com pouca necessidade de ajustes de dose (exceto para fluvoxamina).
Ao prevenir a recaptação pré-sináptica de 5-HT, os ISRS resultam em mais 5-HT para estimular os receptores 5-HT pós-sinápticos. Os ISRS são seletivos para o sistema 5-HT, mas inespecíficos para diferentes receptores 5-HT. Eles estimulam receptores 5-HT1, com efeitos ansiolíticos e antidepressivos, mas também estimulam receptores 5-HT2, comumente causando ansiedade, insônia e disfunção sexual, e os receptores 5HT3, quase sempre resultando em náuseas e cefaleia. Assim, paradoxalmente os ISRS podem aliviar e ocasionar ansiedade.
Alguns pacientes podem parecer mais agitados, deprimidos e ansiosos uma semana após iniciar ou aumentar a dose dos ISRS. Os pacientes e seus entes queridos devem ser avisados dessa possibilidade e instruídos a ligar para o médico caso os sintomas piorem com o tratamento. Tal situação deve ser monitorada de perto, pois alguns pacientes, especialmente crianças mais jovens e adolescentes, têm mais risco de suicídio caso agitação, aumento de depressão e ansiedade não forem detectados e tratados rápido. Várias análises do banco de dados da FDA de estudos patrocinados pela indústria levaram a uma tarja preta de advertência de que os antidepressivos em geral estão associados a maior risco de surgimento de ideias suicidas e tentativas de suicídio em paciente com ≤ 24 anos de idade. Análises subsequentes do banco de dados da FDA e outros dados põem em dúvida essa conclusão (1).
A disfunção sexual (especialmente dificuldade em atingir o orgasmo, mas também diminuição da libido e disfunção erétil) ocorre em um terço ou mais dos pacientes. Alguns ISRS causam ganho de peso. Outros, sobretudo a fluoxetina, causam anorexia nos primeiros meses. Os ISRS têm poucos efeitos anticolinérgicos, adrenolíticos e na condução cardíaca. A sedação é mínima ou inexistente, mas alguns pacientes tendem a se apresentar sonolentos durante o dia nas primeiras semanas de tratamento. Fezes amolecidas ou diarreia acontecem em alguns pacientes.
As interações medicamentosas são relativamente incomuns; entretanto, fluoxetina, paroxetina e fluvoxamina podem inibir as isoenzimas do citocromo P-450 (CYP450), o que pode acarretar interações medicamentosas sérias. Por exemplo, essas drogas podem inibir o metabolismo de certos betabloqueadores, incluindo propranolol e metoprolol, resultando, potencialmente, em hipotensão e bradicardia.
Sintomas da interrupção (p. ex., irritabilidade, ansiedade, náuseas) podem ocorrer se a droga for suspensa abruptamente; estes efeitos são menos prováveis com a fluoxetina.
Inibidores de recaptação de serotonina e noradrenalina
Tais drogas (p. ex., desvenlafaxina, duloxetina, levomilnaciprano, venlafaxina, vortioxetina) têm um mecanismo de ação dual em 5-HT e noradrenalina, assim como os antidepressivos tricíclicos.
Mecanismo de ação dos IRSNs: bloqueiam as bombas de receptação de noradrenalina e serotonina.
Entretanto, sua toxicidade se aproxima dos ISRS. Náusea é o problema mais comum durante as duas primeiras semanas; aumentos modestos dose-dependentes da PA ocorrem com doses altas. Os sintomas de descontinuação (p. ex., irritabilidade, ansiedade, náuseas) ocorrem muitas vezes quando a droga é interrompida de forma abrupta.
A duloxetina se assemelha à venlafaxina em eficácia e efeitos adversos.
Inibidores da monoaminoxidase (IMAOs) - Essas drogas inibem a desaminação oxidativa das três classes de aminas biogênicas (noradrenalina, dopamina e 5-HT) e de outras feniletilaminas.
Seu valor primário está no tratamento da depressão refratária ou atípica quando ISRS, antidepressivos tricíclicos e, algumas vezes, ECT são ineficazes.
Os IMAO comercializados como antidepressivos nos EUA (p. ex., fenelzina, tranilcipromina, isocarboxazida) são irreversíveis e não seletivos (inibem MAO-A e MAO-B). Outro IMAO (selegilina), que inibe apenas a MAO-B em doses baixas, está disponível como adesivo.
Crises hipertensivas podem ocorrer se IMAOs que inibem MAO-A e MAO-B forem ingeridos simultaneamente com um medicamento simpatomimético ou alimento contendo tiramina ou dopamina. Esse efeito é chamado “reação do queijo”, pois o queijo curado tem alto conteúdo de tiramina. Os IMAO são pouco utilizados em razão da preocupação com essa reação. Dose baixa do adesivo de selegilina é considerada segura para uso sem restrições dietéticas específicas, a menos que a dose tenha que ser maior do que os níveis iniciais (um adesivo de 6 mg). Os IMAO reversíveis e mais seletivos (p. ex., moclobemida e befloxatona), os quais inibem MAO-A, são relativamente livres dessas interações, mas não estão disponíveis nos EUA.
Para prevenir crises hipertensivas e febris, pacientes que tomam IMAOs devem evitar simpatomiméticos (p. ex., pseudoefedrina), dextrometorfano, reserpina e meperidina, bem como cervejas à base de malte, vinhos Chianti, cerejas, licores, alimentos em conserva e envelhecidos, os quais contêm tiramina e dopamina (p. ex., fava, feijão, extratos com leveduras, figo em calda, uva passa, iogurte, queijo, creme azedo, molho de soja, peixes em conserva, caviar, fígado, casca de banana e carnes do tipo tender). Os pacientes podem levar consigo comprimidos de 25 mg de clorpromazina e tomar um ou dois, via oral, assim que os sinais da reação hipertensiva se manifestarem, enquanto se dirigem ao pronto-socorro mais próximo.
Os efeitos adversos comuns dos IMAO incluem dificuldades de ereção (menos comum com tranilcipromina), ansiedade, náuseas, tontura, insônia, edema podal e ganho de peso.
Os IMAO não devem ser utilizados com outras classes de antidepressivos e devem transcorrer pelo menos duas semanas (cinco semanas com a fluoxetina, a qual tem meia-vida mais longa) de intervalo entre o uso das duas classes de drogas. Os IMAOs usados com antidepressivos que afetam o sistema 5-HT (p. ex., ISRS) podem causar síndrome neuroléptica maligna (hipertermia maligna, lesão muscular, insuficiência renal, convulsões e, eventualmente, óbito).
Pacientes recebendo IMAO e que também necessitam de antiasmático ou antialérgicos, anestésicos locais ou gerais devem ser tratados por psiquiatra e um clínico, dentista ou anestesista com experiência em neuropsicofarmacologia.
6 – Descrever o mecanismo de ação dos anestésicos locais.
LÜLLMANN, Heinz. Farmacologia. 7. Porto Alegre ArtMed 2017 1
ANESTÉSICOS LOCAIS: Os anestésicos locais inibem, de forma reversível, a geração e a propagação de impulsos elétricos nos nervos. Esse tipo de efeito é desejável nos nervos sensitivos quando é necessária a realização de procedimentos dolorosos.
Mecanismo de ação: A condução do impulso pelo axônio ocorre na forma de um potencial de ação. A despolarização deve-se ao rápido influxo de íons sódio por meio de um canal proteico na membrana que, ao ser aberto (ativado), permite a rápida entrada de Na+ na célula, seguindo o gradiente de concentração ([Na+]exterior ~150 mM, [Na+]interior ~7 mM). Os anestésicos locais são capazes de inibir esse rápido influxo de Na+; dessa forma, o início e a propagação do PA são bloqueados.
Os canais de Na+ são constituídos de uma proteína com quatro subunidades, cada uma formada de 6 segmentos transmembrana (S1 a S6). Os segmentos S5 e S6 dos quatro domínios formam o poro condutor dos íons (em azul), que pode ser reconhecido externamente na estrutura cristalina de um canal proteico de Na+. Pela despolarização da membrana celular, os segmentos S4 com carga positiva do canal movimentam-se, provocando a abertura do canal e a entrada de Na+ na célula. Os anestésicos locais difundem-se do compartimento extracelular para o interior do axônio, acessam o canal por dentro e bloqueiam