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Código de Processo Civil Destacado (2020)

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Código de Processo Civil
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PARTE GERAL
LIVRO I
DAS NORMAS PROCESSUAIS CIVIS
TÍTULO ÚNICO
DAS NORMAS FUNDAMENTAIS E DA APLICAÇÃO DAS NORMAS
PROCESSUAIS
CAPÍTULO I
DAS NORMAS FUNDAMENTAIS DO PROCESSO CIVIL
Art. 1o O processo civil será ordenado, disciplinado e interpretado
conforme os valores e as normas fundamentais estabelecidos
na Constituição da República Federativa do Brasil, obser-
vando-se as disposições deste Código.
FPPC369. (arts. 1º a 12) O rol de normas fundamentais previsto
no Capítulo I do Título Único do Livro I da Parte Geral do CPC
não é exaustivo
FPPC370. (arts. 1º a 12) Norma processual fundamental pode ser
regra ou princípio
Art. 2o O processo começa por iniciativa da parte e se desenvolve
por impulso oficial, salvo as exceções previstas em lei.
Art. 3o Não se excluirá da apreciação jurisdicional ameaça ou le-
são a direito.
§ 1o É PERMITIDA A ARBITRAGEM, na forma da lei.
§ 2o O Estado promoverá, sempre que possível, a solução con-
sensual dos conflitos.
§ 3o A conciliação, a mediação e outros métodos de solução
consensual de conflitos deverão ser estimulados por juízes, ad-
vogados, defensores públicos e membros do Ministério Públi - 
co, inclusive no curso do processo judicial.
Súmula 485-STJ: A Lei de Arbitragem aplica-se aos contratos
que contenham cláusula arbitral, ainda que celebrados antes da
sua edição. 
FPPC371. (arts. 3, §3º, e 165). Os métodos de solução consensual
de conflitos devem ser estimulados também nas instâncias
recursais
FPPC485. (art. 3º, §§ 2º e 3º; art. 139, V; art. 509; art. 513) É cabí-
vel conciliação ou mediação no processo de execu-
ção, no cumprimento de sentença e na liquidação de senten-
ça, em que será admissível a apresentação de plano de
 cumprimento da prestação.
FPPC573. (arts.3º,§§2ºe3º;334) As Fazendas Públicas devem dar
publicidade às hipóteses em que seus órgãos de Advocacia Pú-
blica estão autorizados a aceitar autocomposição.
FPPC618. (arts.3º, §§ 2º e 3º, 139, V, 166 e 168; arts. 35 e 47 da
Lei nº 11.101/2005; art. 3º, caput, e §§ 1º e 2º, art. 4º, caput e
§1º, e art. 16, caput, da Lei nº 13.140/2015). A conciliação e a
mediação são compatíveis com o processo de recuperação
judicial.
Art. 4o As partes têm o direito de obter em prazo razoável a so-
lução integral do mérito, incluída a atividade satisfativa.
Princípios da primazia da solução integral de mérito, executivi-
dade dos provimentos jurisdicionais e duração razoável do pro-
cesso.
FPPC372. (art. 4º) O art. 4º tem aplicação em todas as fases e em
todos os tipos de procedimento, inclusive em incidentes proces-
suais e na instância recursal, impondo ao órgão jurisdicional
viabilizar o saneamento de vícios para examinar o mérito,
sempre que seja possível a sua correção.
FPPC373. (arts. 4º e 6º) As partes devem cooperar entre si; de-
vem atuar com ética e lealdade, agindo de modo a evitar a
ocorrência de vícios que extingam o processo sem resolução
do mérito e cumprindo com deveres mútuos de esclarecimento
e transparência.
FPPC574. (arts.4º; 8º) A identificação de vício processual após
a entrada em vigor do CPC de 2015 gera para o juiz o dever
de oportunizar a regularização do vício, ainda que ele seja 
anterior.
Art. 5o Aquele que de qualquer forma participa do processo deve
comportar-se de acordo com a boa-fé.
FPPC374. (art. 5º) O art. 5º prevê a boa-fé objetiva
FPPC375. (art. 5º) O órgão jurisdicional também deve com-
portar-se de acordo com a boa-fé objetiva.
FPPC376. (art. 5º) A vedação do comportamento contraditório
aplica-se ao órgão jurisdicional.
FPPC377. (art. 5º) A boa-fé objetiva impede que o julgador pro-
fira, sem motivar a alteração, decisões diferentes sobre uma
mesma questão de direito aplicável às situações de fato aná-
logas, ainda que em processos distintos.
FPPC378. (arts. 5º, 6º, 322, §2º, e 489, §3º) A boa fé processual
orienta a interpretação da postulação e da sentença, permite
a reprimenda do abuso de direito processual e das condutas do-
losas de todos os sujeitos processuais e veda seus comporta-
mentos contraditórios.
JDPC1 A verificação da violação à boa-fé objetiva dispensa a
comprovação do animus do sujeito processual. 
JDPC2 As disposições do Código de Processo Civil aplicam-se
supletiva e subsidiariamente às Leis n. 9.099/1995, 10.259/2001
e 12.153/2009, desde que não sejam incompatíveis com as re-
gras e princípios dessas Leis. 
COROLÁRIOS DA BOA-FÉ OBJETIVA
SUPRESSIO
(VERWIRKUNG)
Supressão a um direito pelo seu não
exercício. No campo processual, verifica-se
na perda de um poder processual pelo
seu não exercício. 
A chamada “nulidade de algibeira (ou de
bolso), por exemplo, que se configura
quando a parte, embora tenha o direito
de alegar nulidade mantém-se inerte du-
rante longo período, deixando para rea-
lizar a alegação no momento que melhor
lhe convier, não é admitida, por violar a
boa-fé processual. 
Art. 278. A nulidade dos atos deve ser ale-
gada na primeira oportunidade em que
couber à parte falar nos autos, sob pena de
preclusão. Parágrafo único. Não se aplica o
disposto no caput às nulidades que o juiz
deva decretar de ofício, nem prevalece a
preclusão provando a parte legítimo impe-
dimento.
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SURRECTIO
Surgimento de um direito em razão da
supressão causada pelo comportamento
da parte contrária. Note-se que surrectio e
supressio são dois lados da mesma moeda.
EXCEPCIO DOLI
Defesa da parte contra ações dolosas da
parte contrária, sendo a boa-fé nesse
caso utilizada como defesa. No processo
vem sendo entendida como a exceção que
a parte tem para paralisar o comportamen-
to de quem age dolosamente contra si.
VENIRE CONTRA
FACTUM 
PROPRIUM
Proíbe a adoção de comportamento con-
traditório (contrariando comportamento
anterior), violando os deveres de confi-
ança e lealdade (a legítima confiança de
outrem na conservação objetiva da conduta
anterior).
Art. 1.000. A parte que aceitar expressa
ou tacitamente a decisão não poderá re-
correr.
Enunciado FPPC 376. (Art. 5º): A vedação
do comportamento contraditório aplica-
se ao órgão jurisdicional.
TU QUOQUE
Como decorrência do princípio da boa-fé
processual objetiva não pode a parte criar
dolosamente situações que viciem o pro-
cesso para, depois, alegar nulidade, ti-
rando proveito da situação. Assim, veda-
se o comportamento não esperado, ado-
tado em situação de abuso. Em decorrên-
cia disso, previu expressamente do CPC:
“Art. 276. Quando a lei prescrever determi-
nada forma sob pena de nulidade, a decre-
tação desta não pode ser requerida pela
parte que lhe deu causa”. Aquele que des-
preza a norma não pode dela se aprovei-
tar.
*Tabela montada a partir de informações retiradas do site https://
blog.ebeji.com.br/funcoes-reativas-ou-aspectos-parcelares-da-
boa-fe-objetiva-na-jurisprudencia-do-stj/
Art. 6o Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si
para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito
justa e efetiva.
FPPC6. (arts. 5º, 6º e 190) O negócio jurídico processual não
pode afastar os deveres inerentes à boa-fé e à cooperação.
FPPC619. (arts.6º, 138, 982, II, 983, §1º) O processo coletivo de - 
verá respeitar as técnicas de ampliação do contraditório,
como a realização de audiências públicas, a participação de
amicus curiae e outros meios de participação
DEVERES DE 
COOPERAÇÃO DO
JUIZ
PREVENÇÃO: O juiz deve advertir as
partes sobre os riscos e deficiências
das manifestações e estratégias por
elas adotadas, conclamando-as a corrigir
os defeitos sempre que possível. 
ESCLARECIMENTO: Cumpre ao juiz es-
clarecer-se quanto às manifestações
das partes: questioná-las quanto a obs-
curidades em suas petições; pedir que
“PECA” esclareçam ou especifiquem requerimen-
tos feitos em termos mais genéricos e as-
sim por diante. 
DIÁLOGO (CONSULTA): Impõe-se reco-
nhecer o contraditório não apenas como
garantia de embate entre as partes, mas
também como dever de debate do juiz
com