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Autocompaixao - Kristin Neff

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AUTOCOMPAIXÃO
© 2010 Kristin Neff
Esta obra é uma tradução do livro:
Self-compassion: Stop Beating Yourself Up and Leave Insecurity Behind
 
Direitos desta edição:
© 2017 Editora Lúcida Letra
 
Coordenação editorial: Vítor Barreto
Preparação: Thaís Carlo
Revisão: Josiane Tibursky, Joice Costa, Celina Karam
Projeto gráfico: Aline Haluch (Studio Creamcrackers) sobre aquarela de
Cristina Motta
Produção de ebook: S2 Books
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
N383a Neff, Kristin.
Autocompaixão: Pare de se torturar e deixe a insegurança para trás / Kristin Neff
; tradução de Beatriz Marcante Flores. – Teresópolis, RJ : Lúcida Letra, 2017.
304 p. ; 23 cm.
 
 
ISBN 978-85-66864-46-5
 
 
1. Autoaceitação. 2. Compaixão. 3. Segurança (Psicologia). I. Flores, Beatriz
Marcante. II. Título.
 
CDU 159.947.3
CDD 158.1
Índice para catálogo sistemático:
 1. Autoaceitação 159.947.3
(Bibliotecária responsável: Sabrina Leal Araujo – CRB 10/1507)
http://www.s2books.com.br/
Sumário
Capa
Folha de rosto
Créditos
Dedicatória
Agradecimentos
Parte um: Por que autocompaixão?
Capítulo um: Descobrindo a autocompaixão
Capítulo dois:Acabando com a loucura
Parte dois:Os principais componentes da autocompaixão
Capítulo três: Ser gentil consigo mesmo
Capítulo quatro: Estamos juntos nessa
Capítulo cinco: Estar plenamente atento ao que é
Parte três: Os benefícios da autocompaixão
Capítulo seis: A resiliência emocional
Capítulo sete: Saindo do jogo da autoestima
Capítulo oito: Motivação e crescimento pessoal
Parte quatro: A autocompaixão em relação aos outros
Capítulo nove: Compaixão pelos outros
Capítulo dez: Pais autocompassivos
Capítulo onze: Amor e sexo
Parte cinco: A alegria da autocompaixão
Capítulo doze: A borboleta emerge
Capítulo treze: Autoapreciação
Conclusão
Notas
Índice de exercícios
Sumário detalhado
Para Rupert e Rowan
 
Pela alegria, pelo milagre, pelo amor
 e pela inspiração que me dão
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Em primeiro lugar, quero agradecer ao meu marido, Rupert, por me
encorajar a escrever este livro, ajudar a elaborar a proposta e o livro
em si e por ser meu principal editor. Ele me ensinou a abandonar o
estilo acadêmico e a escrever de forma simples. Eu não poderia ter
um mentor mais brilhante e eloquente.
Obrigada, também a Elizabeth Sheinkman, minha amiga e agente,
que acreditou em mim e, de certa forma, conseguiu fazer do meu
sonho uma realidade.
Obrigada a todas as pessoas amáveis e solidárias da
HarperCollins, que viram em mim uma possibilidade e fizeram este
livro acontecer.
É com grande reconhecimento que agradeço aos vários
professores que me ajudaram a entender o significado e o valor da
autocompaixão. Meu professor de longa data Rodney Smith
contribuiu muito para o meu conhecimento do darma e tem sido um
guia compassivo e sábio ao longo dos anos. Muitos outros tiveram
um grande impacto em mim, ao conduzirem retiros de meditação
e/ou escreverem livros: Sharon Salzberg, Howie Cohen, Guy
Armstrong, Thich Nhat Hahn, Joseph Goldstein, Jack Kornfield,
Pema Chödrön, Tara Brach, Tara Bennett-Goleman, Ram Dass,
Eckhart Tolle, Leigh Brasington, Shinzen Young, Steve Armstrong,
Kamala Masters e Jon Kabat-Zinn, para citar apenas alguns.
Também devo agradecer a Paul Gilbert, por seu pensamento e sua
pesquisa brilhantes sobre compaixão, e por encorajar meu trabalho.
Meu parceiro no crime, Christopher Germer, tem sido um amigo
maravilhoso e um colega incrível — espero que continuemos juntos
ensinando e escrevendo sobre autocompaixão nos próximos anos.
Gostaria de agradecer ainda a Mark Leary, pela oportunidade
quando publicou meus artigos iniciais teóricos e empíricos sobre a
autocompaixão. Ele também é um brilhante pesquisador e fico feliz
que o estudo da autocompaixão tenha capturado seu interesse.
Muitos outros desempenharam papel essencial para tornar este
livro possível. São nomes demais para mencionar aqui.
Finalmente, gostaria de agradecer à minha mãe e ao meu pai.
Cada um à sua maneira me abriu a mente e o coração para a
espiritualidade ainda criança, de modo que minha personalidade se
formou em torno do desejo de despertar.
Parte um: 
 Por que autocompaixão?
Capítulo um:
 Descobrindo a autocompaixão
 
 
Este tipo de preocupação compulsiva com “eu, mim e meu” não
é o mesmo que amar a nós mesmos... Amar a nós mesmos
nos conduz a habilidades como resiliência, compaixão e
compreensão, que são simplesmente parte de se estar vivo.
Sharon Salzberg, The Force of Kindness (A Força da Bondade)
 
Quantos de nós nos sentimos realmente bem nesta sociedade
extremamente competitiva? Sentir-se bem parece uma coisa fugaz.
Especialmente porque, para nos sentirmos merecedores,
precisamos nos sentir especiais e acima da média. Qualquer coisa
menor soa como fracasso. Lembro-me de quando era caloura na
faculdade e, depois de passar horas me preparando para uma
grande festa, reclamei para meu namorado que o meu cabelo,
maquiagem e roupa não estavam adequados. Ele tentou me
tranquilizar, dizendo: “Não se preocupe, você está bem.”
“Bem? Ah, tá. Era isso que eu queria. Estar bem...”
O desejo de se sentir especial é compreensível. O problema é
que, por definição, é impossível estarmos todos acima da média ao
mesmo tempo.
Embora existam qualidades que nos destacam, sempre há alguém
mais inteligente, mais bonito, mais bem-sucedido. Como lidar com
isso? Não sabemos muito bem. Para vermos a nós mesmos de
forma positiva, temos a tendência de inflar nosso próprio ego e
rebaixar o dos outros, para que possamos nos sentir bem em
relação a eles. Mas essa estratégia tem um preço: impede-nos de
alcançar o nosso potencial pleno na vida.
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Se for preciso me sentir melhor do que você para eu estar bem
comigo, será que realmente vejo você com clareza? Será que sou
capaz de enxergar a mim mesma? Digamos que tenha tido um dia
estressante no trabalho e por isso ficado mal-humorada e irritada
com meu marido quando ele chegou em casa mais tarde naquela
noite (puramente hipotético, é claro). Se eu estiver muito
interessada em ter uma autoimagem positiva e não quiser correr o
risco de me ver sob uma luz negativa, minha interpretação dos fatos
garantirá que qualquer atrito entre nós seja culpa do meu marido, e
não minha.
 
“Que bom que está em casa. Fez as compras que pedi?”
“Acabei de passar pela porta. Que tal dizer ‘é bom ver você,
querido, como foi seu dia?”
“Ora, se você não fosse tão esquecido, talvez eu não
precisasse perguntar sempre.”
“O fato é que eu fiz as compras.”
“Oh... Bem, hum... É a exceção que confirma a regra. Eu queria
poder confiar em você sempre.”
 
Essa não é exatamente a receita para a felicidade.
Por que é tão difícil admitir quando agimos mal, quando somos
rudes ou impacientes? Porque satisfazemos o nosso ego quando
projetamos nossas falhas e deficiências nas outras pessoas. A culpa
é sua, não minha. Basta pensar em todas as discussões e brigas
que crescem a partir dessa simples dinâmica. Cada pessoa culpa o
outro por ter dito ou feito algo errado, justificando suas próprias
ações como se sua vida dependesse disso. Lá no fundo do coração,
ambos sabemos que se um não quer, dois não brigam. Quanto
tempo desperdiçamos com isso? Não seria muito melhor se
pudéssemos apenas admitir isso e jogar limpo?
Mas é mais fácil falar do que fazer. Se não pudermos nos ver com
clareza, torna-se quase impossível percebermos nossas
características que causam problemas para os outros ou que nos
impedem de alcançar o nosso pleno potencial. Como podemos
crescer se não conseguimos identificar nossas próprias fraquezas?
Temporariamente, podemos nos sentir melhor em relação a nós
mesmos ignorando nossas falhas ou acreditando que nossos
problemas e dificuldades são culpa de outra pessoa. Mas, em longo
prazo, só nos prejudicamos, ficando presos em intermináveis ciclos
de estagnação e conflitos.
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Alimentar continuamente nossa necessidade de autoavaliação
positiva é um pouco como se empanturrar de doces. Ficamos