Invalidade do Negócio Jurídico
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Invalidade do Negócio Jurídico


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Conceito: como o próprio nome já diz, Invalidade do negócio jurídico quer dizer que o negócio jurídico deixará de 
ter validade, não surtirá ou deixará de surtir efeitos. 
A invalidade ocorre quando existe um vício no negócio jurídico. Esse vício pode ocorrer por vários motivos, por exemplo: 
- O negócio descumpriu a norma jurídica; 
- O negócio jurídico não foi realizado com o consentimento livre (vício de consentimento); 
- O negócio jurídico foi realizado para prejudicar terceiros; 
Quando ocorre um vício no negócio jurídico, a norma jurídica impõe uma sanção que é a invalidade do negócio. 
A invalidade é a sanção imposta pela norma jurídica ao negócio jurídico realizado com vício, para impedir que o negócio 
produza efeitos. 
VÍCIO GRAVE -> Nulidade Absoluta -> ato nulo 
VÍCIO DE GRAVIDADE RELATIVA -> Nulidade Relativa -> ato anulável 
O que faz com que o vício seja grave ou de gravidade relativa ? 
VICIO GRAVE = Interesse Social = ato nulo 
Ex.: Um contrato realizado com assinaturas falsificadas é um vício muito grave, de interesse social, pois a sociedade não 
tem interesse que circulem documentos falsificados = negócio nulo. 
VÍCIO GRAVIDADE RELATIVA = Interesse Individual = ato anulável 
Ex.: Um contrato de compra e venda de um carro batido sem informar ao comprador esse fato, constitui um vício de 
gravidade relativa, pois é de interesse exclusivo do comprador (individual) = negócio anulável. 
A invalidade do negócio jurídico pode ser: 
- TOTAL: atinge todo o negócio jurídico = todo o negocio vai ser invalidado 
Ex.: Um contrato de compra e venda assinado por uma criança de 10 anos 
* Nesse caso a invalidade é total, pois vai atingir todo o negócio jurídico, fazendo com que todo o negócio seja 
invalidado 
- PARCIAL: atinge somente uma parte do negócio jurídico = uma parte do negócio vai ser invalidada 
Ex.: Um contrato de locação com fiança. A fiança foi declarada nula porque possuía vício, mas o contrato de locação 
permaneceu válido 
* Nesse caso a invalidade foi parcial, pois somente atingiu uma parte do contrato, que foi a fiança, ou seja, 
somente uma parte do negócio foi invalidado, pois a locação permaneceu válida 
 
 
diferenças entre ato nulo e ato anulável 
 
O artigo 166 do Código Civil estabelece as seguintes regras: 
"Art. 166. É nulo o negócio jurídico quando: 
I - celebrado por pessoa absolutamente incapaz; 
II - for ilícito, impossível ou indeterminável seu objeto; 
III - o motivo determinante, comum a ambas as partes, for ilícito; 
IV - não revestir a forma prescrita em lei; 
V - for preterida alguma solenidade que a lei considere essencial para a sua validade; 
VI - tiver por objetivo fraudar lei imperativa; 
VII - a lei taxativamente o declarar nulo, ou proibir-lhe a prática, sem cominar sanção." 
 
Agente incapaz 
* Art. 166, I 
Agente absolutamente incapaz -> ato nulo (art. 166, 1) 
 menores de 16 anos 
Agente relativamente incapaz -> ato anulável (art. 171, 1) 
 maiores de 16 e menores de 18, os ébrios habituais e os viciados em tóxico, aqueles que por causa 
transitória ou permanente não puderam exprimir sua vontade, os pródigos. 
OBS: art. 180 - O menor, entre dezesseis e dezoito anos, não pode, para eximir-se de uma obrigação, invocar a sua 
idade se dolosamente a ocultou quando inquirido pela outra parte, ou se, no ato de obrigar-se, declarou-se maior. 
Ex.: A pessoa dos 16 ao menor de 18 anos não pode se beneficiar da própria torpeza, se dolosamente mentiu, 
ou omitiu, a idade no momento de realizar o negócio jurídico. O Direito não protege a má-fé. 
E se a outra pessoa já pagou um valor pelo negócio jurídico anulado? (art. 181) 
-> Se o Poder Judiciário anular um negócio jurídico realizado por um incapaz (absolutamente incapaz ou 
relativamente incapaz), a outra parte somente poderá reclamar do incapaz, o valor que pagou, se conseguir provar 
que o valor pago reverteu em favor do incapaz) 
NEGÓCIO JURÍDICO NULO NEGÓCIO JURÍDICO ANULÁVEL 
é inválido absolutamente é suscetível de anulação, se não for anulado no prazo 
legal, será válido 
o interessado pode propor ação de nulidade (ou 
declaratória de nulidade) 
o interessado proporá ação anulatória ou de anulação 
o juiz reconhecerá \u201cex offício\u201d o juiz não pode reconhecer \u201cex officio\u201d 
não comporta ratificação comporta ratificação 
Ex.: João (15 anos de idade) herdou várias obras de arte de sua mãe João vendeu as obras de arte para José. Se o 
juiz declarar nula a venda das obras de arte, José somente poderá requerer de João (absolutamente incapaz) a 
devolução dos valores que pagou, se conseguir provar que esses valores reverteram em proveito de João. 
 
Objeto 
* Art. 166, II 
OBJETO ILÍCITO: é o objeto que contraria o ordenamento jurídico e os bons costumes. Quando o objeto do negócio 
jurídico for ilícito, o negócio jurídico será nulo. 
OBJETO IMPOSSÍVEL: é aquele que não tem como realizar, ou seja é irrealizável. Quando o negócio jurídico tiver um 
objeto impossível, o negócio jurídico será nulo. 
 objeto fisicamente impossível - não existe possibilidade física de realizar-se 
 Ex.: Contrato de prestação de serviços de programador de sistemas para prestar serviços presenciais por 30 
dias no mês de janeiro no Brasil e por 30 dias no Japão, no mesmo mês de janeiro. É fisicamente impossível estar no 
Brasil e no Japão ao mesmo tempo. 
 objeto juridicamente impossível - o ordenamento jurídico não permite que se realize. 
 Ex.: compra de um apartamento na planta, entretanto por motivos ambientais a lei não permite a construção 
de prédios naquele terreno. Nesse caso é juridicamente impossível realizar o objeto do contrato, pois a lei não permite 
que realize. 
OBJETO INDETERMINÁVEL: o objeto será indeterminado quando não estiver especificado o gênero e a quantidade 
Ex.: \u201cum lote de camisetas\u201d; \u201c1000 peças\u201d 
 
Motivo 
* Art. 166, III 
O motivo é a razão psicológica que levou uma pessoa a realizar o negócio jurídico. 
REQUISITOS: 
 - Motivo Determinante: é o motivo que foi determinante para a realização do negócio jurídico, ou seja, as partes 
somente realizaram o negócio jurídico em razão desse motivo. 
 - Motivo comum a ambas as partes: as partes realizaram o contrato em virtude do mesmo motivo, somente 
realizaram o negócio jurídico tendo em vista o motivo comum. 
 - Motivo ilícito: motivo contrário à norma jurídica. 
 
 
Forma 
* Art. 166, IV e V 
Se a lei não exigir nenhuma forma especial, o negócio jurídico poderá ser feito livremente, da forma que for melhor 
para os contratantes. (art. 107) 
Quando a lei exigir uma forma especial para se realizar um negócio jurídico, essa forma especial deverá ser observada 
para que o negócio jurídico tenha validade. (art. 104) 
E o que ocorre se o negócio jurídico não obedecer a forma especial prevista na lei? 
* Quando alei exigir uma forma especial, o negócio jurídico somente terá validade se obedecer a forma que 
está prevista em lei. (art. 166, IV) 
Em alguns negócios jurídicos, a lei exige que antes de se realizar o negócio seja observada uma solenidade essencial 
para a sua validade. A solenidade faz parte da validade do negócio jurídico e se ela não for observada (for preterida) 
o negócio será nulo. (art. 66 V) 
Ex..: o art. 1864 do CC determina que o Testamento Público deverá ser lido em voz alta pelo tabelião ao 
testador e as duas testemunhas. Se as testemunhas assinarem o Testamento sem ter sido lido em voz alta pelo Tabelião, 
foi preterida uma solenidade essencial à validade do Testamento. 
 
Ato nulo 
* Art. 166, VI e VII 
Art. 166, VI - tiver por objetivo fraudar lei imperativa; 
Quanto à Imperatividade as normas podem ser: 
NORMAS COGENTES = Normas de imperatividade absoluta: de interesse público; impositivas. São as normas que obrigam 
a pessoa fazer ou deixar de fazer algo 
Ex.: Art. 5° do CC \u2013 A pessoa adquiri a maioridade e a capacidade civil aos 18 anos 
NORMAS DISPOSITIVAS = Normas de imperatividade relativa: facultativas. São